terça-feira, 21 de junho de 2011

SOMENTE JESUS DÁ VIDA ETERNA

Somente Jesus dá Vida Eterna

Norbert Lieth
Todo homem tem em si um profundo anseio por vida eterna. Em todos os lugares vemos essa busca. A Ciência e a Medicina procuram por caminhos que permitam estender a vida. Muitas pessoas cercam-se de idéias utópicas ou vivem em um mundo imaginário de filmes, livros e sonhos. Todos têm medo da morte. Quando se pensa nela, surge a temerosa pergunta: "O que virá depois?" O homem quer viver, viver eternamente, ele tem medo de morrer. Constantemente ele também se vê diante da importante pergunta: "Afinal, para que eu vivo?"

Deus criou o homem para a vida eterna. Mas ele a desprezou e jogou fora. O homem preferiu o pecado que lhe trouxe a morte. Isso fez vir a morte sobre toda criatura e a miséria humana começou. Desde então o homem está procurando reencontrar a vida eterna. Ele procurou muito e criou inúmeras coisas para obter vida para si; é o que mostram as muitas religiões. Mas, ele não tem vida, ele nunca tem segurança.

Certa vez, um artista construiu uma máquina gigantesca. Ao funcionar, ela fazia muito barulho e movimentava muitas engrenagens. Mas ela tinha uma desvantagem: não produzia nada. O artista pretendia dizer algo com isso. Ele tinha feito uma representação da nossa época e da humanidade. Há muita movimentação, até demais! Em todos os cantos há barulho, atividade e burburinho – mas, sem objetivo, sem sentido, sem razão e sem frutos permanentes.

Deus, porém, fez tudo para dar-nos novamente a vida, a vida verdadeira e eterna. A este mundo dominado pela morte Ele enviou Seu único Filho, que é a própria Vida e de quem está escrito: "Também sabemos que o Filho de Deus é vindo, e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna" (1 João 5.20). Somente nEle nossa vida passa a ter sentido. Somente nEle temos o que é verdadeiro, aquilo que nossa alma anseia. E somente através dEle recebemos a vida que vai além dos poucos anos aqui na terra: a vida eterna!

Jesus diz: "Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão" (João 10.28). Ou em João 11.25-26: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente. Crês isto?"

Portanto, o que interessa é que creiamos. Não importa, em primeiro lugar, entender, compreender logicamente, conseguir definir ou explicar o propósito de Deus. Não, Jesus simplesmente faz a pergunta: "Crês isto?" Todo o resto vem depois.

Uma pessoa contou certa vez: "Ao passar por um cemitério quando jovem, meu olhar pousou sobre uma das lápides. O nome estava quase apagado. Mas a inscrição dos anos ainda era bem legível: 1889-1931. E então percebi repentinamente: o tracinho entre os números significava toda uma vida humana. Somente um traço! Nossa vida não é mais do que isso! Um traço entre dois números – tão pouco! Então entendi a responsabilidade que temos – a enorme responsabilidade de fazer algo significativo desse simples traço... Aí entreguei minha vida a Jesus, o Salvador, e decidi colocar essa pobre e pequena vida a Seu serviço..."

O que você fará do "traço" da sua vida? Jesus pergunta também a você: "Crês isto?" (Norbert Lieth - http://www.ajesus.com.br)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

UMA INFORMAÇÃO, POR FAVOR














Uma informação, por favor…

Quando eu era criança, bem novinha, meu pai comprou um dos primeiros telefones da vizinhança. Ainda me lembro muito bem daquele aparelho preto e brilhante fixado na parede, perto da escada. Eu era muito pequeno para alcançar o telefone, mas ouvia fascinado quando minha mãe o utilizava para falar com alguém.

Então, um dia, descobri que, em algum lugar dentro daquele objeto maravilhoso, havia uma pessoa fantástica. O nome dela era “Uma informação, por favor”, e não havia nada que ela não soubesse. “Uma informação, por favor” podia fornecer qualquer número de telefone e até a hora certa.

Minha primeira experiência pessoal com esse gênio na garrafa veio num dia em que minha mãe estava fora, na casa de um vizinho. Eu estava na garagem, entretendo-me com a caixa de ferramentas quando bati com força, sem querer, o martelo no dedo.
A dor foi terrível, mas não parecia haver propósito algum para chorar, uma vez que não tinha ninguém em casa para sentir pena.

Andei pela casa, para cima e para baixo, chupando o dedo dolorido, até que parei perto da escada. Foi aí que tive um pensamento maravilhoso:
– O telefone!

Rapidamente, fui até a sala, peguei uma pequena banqueta e puxei-a para perto do telefone. Subi em cima dela, tirei o fone do gancho e segurei-o contra o ouvido.
Depois de dois ou três pequenos estalos, ouvi uma voz suave e nítida no ouvido:
– Informações.

– Machuquei meu dedo… – choraminguei no telefone. As lágrimas vieram facilmente, agora que eu tinha audiência.
– Sua mãe não está em casa? – ela perguntou.
– Não tem ninguém aqui, só eu – balbuciei, soluçando.
– Está sangrando?
– Não. Eu machuquei o dedo com o martelo, mas está doendo…
– Você consegue abrir o congelador? – ela perguntou.
Respondi que sim.

– Então, pegue um cubo de gelo e segure-o no dedo machucado – disse a voz.
Depois daquele dia, eu ligava para “Uma informação, por favor” por todo e qualquer motivo. Pedi ajuda com minhas lições de geografia, e ela me ensinou onde ficava a Filadélfia. Ajudou-me também com os exercícios de matemática. Explicou que o pequeno esquilo que acabara de pegar no bosque comia nozes e frutinhas.

Então, um dia, Petey, meu canário, morreu. Liguei para “Uma informação, por favor” e relatei a triste história. Ela me ouviu e, depois, começou a falar aquelas coisas que os adultos geralmente dizem para consolar uma criança. Mas continuei inconsolado.

– Por que é que os passarinhos cantam tão lindamente e trazem tanta alegria pra gente para, no fim, acabar como um monte de penas no fundo de uma gaiola? – perguntei.
Ela deve ter sentido um pouco da minha dor, porque disse suavemente: – Paul, lembre-se sempre de que existem outros mundos onde se pode cantar.
De alguma maneira, isso me fez sentir-me melhor.
No outro dia, lá estava eu de novo.
– Informações – disse a voz já tão familiar.
– Como escrevo “exceção”?

Tudo isso aconteceu na minha pequena cidade natal, na região noroeste dos Estados Unidos. Quando eu tinha 9 anos, nós nos mudamos para o outro lado do país, para a cidade de Boston. Senti muita falta da minha amiga. “Uma informação, por favor” pertencia àquele velho aparelho preto na casa antiga e, de algum modo, nem pensava em experimentar o novo aparelho branquinho que ficava na mesa do corredor perto da sala.

Conforme eu crescia, as lembranças daquelas conversas infantis nunca saíam totalmente da minha memória. Frequentemente, em momentos de duvida ou perplexidade, eu tentava recuperar o sentimento sereno de segurança que eu tinha quando tirava minhas dúvidas com ela. Passei a compreender como ela havia sido paciente, compreensiva e gentil ao perder tempo atendendo as ligações de um menininho.

Alguns anos depois, quando estava viajando para a costa oeste, para estudar na faculdade, meu avião fez escala em Seattle, perto da minha cidade natal. Eu teria mais ou menos meia hora entre os dois voos. Falei durante uns 15 minutos, por telefone, com minha irmã, que na época morava lá.

Em seguida, sem pensar no que estava fazendo, disquei o número da operadora da minha cidade natal e pedi:
– Uma informação, por favor.
Como num milagre, ouvi a mesma voz suave e clara que conhecia tão bem, dizendo:
– Informações, pois não.

Eu não havia planejado aquilo, mas as palavras saíram como se fossem involuntariamente: – Você poderia me dizer como escrevo “exceção”?
Houve uma longa pausa. Depois, a resposta suave e gentil. – Imagino que seu dedo já tenha sarado!
Eu ri. – Então, é você mesma! – eu disse. – Fico pensando se você faz alguma ideia de como você foi importante para mim durante aquele tempo.

– E eu fico pensando – ela disse – se você faz alguma ideia do que suas chamadas significavam para mim. Nunca tive filhos e ficava esperando todos os dias que você ligasse.
Contei o quanto havia pensado nela todos aqueles anos e perguntei se poderia ligar para ela novamente quando voltasse para visitar minha irmã.

– Por favor, faça isso! – ela respondeu. – Peça para falar com a Sally.
Três meses depois, estava de volta a Seattle para visitar minha irmã. Quando liguei, uma voz diferente respondeu: – Informações.
Pedi para chamar a Sally.
– Você é amigo dela? – a voz perguntou.
– Sim, um amigo de muito tempo. Meu nome é Paul.
– Sinto muito ter de lhe dizer isto, mas a Sally estava trabalhando aqui apenas meio período nos últimos anos porque estava doente. Infelizmente, ela morreu há cinco semanas.
Antes que eu pudesse desligar, a voz perguntou:
– Espere um pouco. Você disse que seu nome é Paul?
– Sim.

– Bem, a Sally deixou uma mensagem para você. Ela escreveu e pediu para eu guardá-la caso você ligasse. Eu vou ler pra você. Diz o seguinte: “Diga a ele que eu ainda acredito que existem outros mundos onde a gente pode cantar. Ele vai entender”.
Eu agradeci e desliguei. De fato, entendi muito bem.

NUNCA SUBESTIME A “MARCA” QUE VOCÊ PODE DEIXAR NAS PESSOAS.
Publicado originalmente na revista Readers’ Digest, em 1966. Autor desconhecido.

Fonte: Revista Impacto

LEVANDO O EVANGELHO AOS MUÇULMANOS

Levando o Evangelho aos Muçulmanos

Por Asher Intrater
Há um ensino popular no mundo muçulmano hoje dizendo que Maomé é mencionado na Bíblia Hebraica (Tanakh). A aparição de Maomé no Tanakh daria autoridade, segundo dizem, à visão de que ele é o último e maior profeta, sobrepujando, assim, o judaísmo e o cristianismo. Recentemente, fui entrevistado na TV Al Hayat (canal que alcança milhões de telespectadores árabes) sobre esse assunto.

Em Cantares 5.16, a Sulamita diz às filhas de Jerusalém que seu amado é “desejável”. A palavra usada aqui em hebraico é Makhmadhim. Khamad (desejável) é raiz do nome “Mukhamad”– e da palavra dos Dez Mandamentos, “Não cobiçarás” (Êx 20.17). No hebraico moderno, a palavra khamud é um apelido comum entre amigos e namorados que significa “meu doce”.

Os muçulmanos afirmam que a palavra em Cantares é a forma plural de um adjetivo de honra e que se refere ao seu profeta. A palavra realmente está no plural, mas o contexto mostra claramente que não se refere a ninguém; apenas descreve o caráter do amado do poema. Essa palavra é paralela ao adjetivo que vem antes, dizendo que a boca do amado é “doce”. No original hebraico, as duas palavras estão no plural: “coisas doces” e “coisas desejáveis”.

Na entrevista, mencionei que é bom que muçulmanos, judeus e cristãos igualmente se refiram ao texto do Tanakh, pois de fato este deveria ser a fonte máxima de autoridade para as três religiões. O livro de Cantares de Salomão foi escrito aproximadamente mil anos antes de Yeshua (Jesus) e 1.600 anos antes do tempo de Maomé.

Por 30 anos, tenho-me envolvido em conferências de reconciliação com cristãos árabes. Meu sonho tem sido ir além da mera reconciliação e começar a cooperar no trabalho de compartilhar o evangelho para assim avançarmos juntos o Reino de Deus.

Uns dez anos atrás, eu estava agendado para pregar em uma conferência de reconciliação na Jordânia. Falei aos organizadores que queria pregar em hebraico. Eles disseram que seria muito difícil arrumar alguém para interpretar. Entretanto, alguns pastores árabes do Iraque ouviram a conversa e se apressaram em dizer que queriam, sim, ouvir o evangelho em hebraico.

Naquele momento, uma revelação foi gerada em meu coração. Existem sentimentos muito intensos entre os árabes com relação ao povo judeu. Por causa do doutrinamento para a jihad, a maioria desses sentimentos é extremamente antagônica. Há uma obsessão, no mundo muçulmano, por Israel. Eu creio que essa obsessão pode ser usada por Deus para o bem. Para os árabes muçulmanos, ouvir o evangelho pregado por um judeu, de Israel, em hebraico (com tradução ou legendas) seria uma experiência cativante e transformadora.

Desejamos compartilhar o evangelho com os muçulmanos. Até agora, temo-nos esforçado mais para apoiar evangelistas árabes que arriscam a vida para pregar as boas novas ao próprio povo. Eles conseguem ter muito mais êxito do que nós jamais teríamos. (Agradecemos muito a Deus por colaboradores como Harun, Bassam, Zach, Jack, Samir, Victor, Amir e muitos outros.) O tempo chegou, porém, em que a mensagem de amor e salvação, vinculada à reconciliação racial, deve ser proclamada por árabes a judeus e por judeus a árabes.

Aqui está o resumo da segunda mensagem que gravei em agosto com nossos amigos da TV Al Hayat (esperamos que esse seja apenas o começo):
Há séculos, existe grande inimizade entre nossos povos. Só existe uma maneira de escaparmos desse ciclo de ódio: por meio de Yeshua, o Messias. Ele ensinou: “Ame seus inimigos e ore pelos que o perseguem” (Mt 5.44). Ele é a única pessoa na história a ensinar esse tipo de amor. 

Ele não somente ensinou esse amor, mas também o viveu. Entregou a própria vida na cruz para perdoar-nos dos pecados e quebrar o ciclo de ódio. Alguém tinha de dar o primeiro passo. O ato de amor sacrificial de Yeshua foi este primeiro passo. Foi uma intervenção de Deus para interromper o ciclo de ódio e começar o ciclo de amor. Na cruz, Yeshua orou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34).

Aqueles de vocês que têm uma formação mulçumana podem dizer que é proibido a vocês crerem em Yeshua como o Filho de Deus. Mas também é proibido a nós, judeus, crermos nele. Ainda assim, existem hoje milhares de judeus e muçulmanos que encontraram salvação e reconciliação por intermédio de Yeshua, o Messias. Por ele, podemos tornar-nos irmãos e irmãs espirituais em amor. 

Se você deseja sair do ciclo de ódio, há um caminho. Eu não posso determinar o que você vai desejar. Não posso fazer você querer escapar desse ódio. Mas para quem QUER sair do ódio, tenho boas notícias: HÁ UM CAMINHO. É possível. Yeshua é o caminho (Jo 14.6). O ódio é uma forma de escuridão espiritual. Yeshua é a luz do mundo (Jo 1.5,9).

Todos dizem que querem paz. Mas um tratado de paz sem amor nunca será bem-sucedido. Até que o ódio seja arrancado do nosso coração, nunca haverá paz. Apenas o amor sacrificial de Yeshua na cruz pode remover o ódio. Precisamos distinguir causa e efeito. Paz é efeito. Amor é causa. Yeshua é a fonte do verdadeiro amor de Deus. 

Nós estendemos as mãos a você no nome de Yeshua. Venha a ele e encontre perdão, vida eterna, amor divino – e até reconciliação entre judeus e árabes.

Por favor, ore por todos que estão compartilhando o evangelho com os muçulmanos. Este é um mandato crítico de nossa geração. Ore para que o evangelho de salvação e reconciliação avance entre judeus e árabes igualmente.
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Reconhecimento de Judeus Messiânicos em Israel
Por Eddie Santoro
“Yeshua Superstar” foi a manchete de um dos principais artigos na seção revista do jornal [Yediot Ahronot, maior de Israel], que saltou aos olhos de centenas de milhares de israelenses na manhã de segunda-feira, dia 16 de agosto de 2010. O artigo fazia parte de uma série de artigos sobre diferentes correntes do judaísmo aqui em Israel.
O nome Yeshua e a comunidade Messiânica Judaica estão tornando-se parte, cada vez mais, da vida em Israel. Já apareceram outdoors proclamando seu nome, faixas penduradas às margens de grandes rodovias declarando que Yeshua significa salvação, programas de TV e reportagens sobre nós, mas este artigo representou um significativo passo adiante em nossa batalha para sermos reconhecidos e aceitos como uma legítima parte da comunidade israelense.

O fato de que o mais importante jornal hebraico de Israel tomou uma decisão editorial de incluir judeus messiânicos nessa série sobre as diferentes correntes do judaísmo e que usaram o nome hebraico Yeshua ao invés do acrônimo negativo Yeshu (“que o nome dele seja apagado”) representou, por si só, um impressionante avanço.
O artigo não abordou a teologia da fé em Yeshua, mas apresentou uma equilibrada e honesta representação a respeito de quem somos (judeus messiânicos em Israel). Asher Intrater foi entrevistado, além de alguns outros que fazem parte do corpo messiânico local. Houve uma descrição e uma foto da nossa reunião congregacional. Quem leu o artigo não tinha como fugir da clara mensagem de que, apesar de crermos em Yeshua, sem dúvida alguma ainda somos judeus.

Uma semana antes da publicação deste artigo, levei meu computador a uma loja local para ser consertado. Quando fui pagar, pedi ao balconista que colocasse o nome Zion’s Glory (“Glória de Sião”, o nome da nossa missão) na nota. Ele é um homem religioso e perguntou-me o que era “Glória de Sião”. Compartilhei, então, um pouco sobre nossa fé em Yeshua e o plano de Deus para Israel. Alguns dias depois, quando liguei para saber se o computador estava pronto, ele disse: ”Eddie, vi sua foto no jornal hoje!” Ele havia lido o artigo e estava impressionado!

Por meio da esposa israelense do nosso filho, estamos bastante envolvidos com uma grande família local. Temos compartilhado nossa fé e celebrado ceias (seders) messiânicas da Páscoa e outros feriados judaicos com eles. (Este ano, como no ano passado, teremos o Rosh Hashana [ano novo judeu] em nossa casa.) Todos eles já nos conhecem bem, depois do relacionamento de alguns anos, sabem a respeito da nossa fé e nos amam. Ontem, a mãe da nossa nora falou com todos os familiares para comprarem o jornal e lerem o artigo.
A publicação deste artigo foi apenas uma vitória, uma batalha que ganhamos. A guerra está longe de acabar. Apesar de sabermos que, no fim, a causa de Yeshua será vitoriosa, a luta do dia a dia ainda pode ser difícil, especialmente para aqueles que são vítimas de ataques violentos, que perdem ilegalmente seus empregos, que são assediados em seus negócios, que têm moradia negada, passaportes tomados ou pedidos de cidadania recusados.

Ore para que este artigo cause um impacto no coração dos que o lerem. Ore para que a verdade de quem nós somos seja uma poderosa arma contra o ataque sendo preparado pela comunidade ultrarreligiosa para não sermos aceitos como judeus. Por favor, ore especificamente por Calev Myers e o Instituto de Justiça em Jerusalém que estão na frente dessa batalha para nos apresentar de uma maneira positiva na mídia israelense nacional e para influenciar o sistema de tribunais a darem veredictos justos em nosso favor.

(Veja esta notícia em inglês no site: www.out-of-zion.com/carmelalert.php. Veja também o artigo do jornal (publicado em hebraico) traduzido para o inglês:
http://www.ynetnews.com/Ext/Comp/ArticleLayout/CdaArticlePrintPreview/1,2506,L-3939336,00.html)
Eddie Santoro é judeu messiânico que vive em Israel.
Fonte: Revista Impacto
 

TUDO COMEÇA (E TERMINA) NA FAMÍLIA

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Tudo Começa (e Termina) na Família

Por Jamê Nobre
As sementes da igreja

Um dia, na eternidade, o Eterno disse: “Façamos o homem”. Ali se iniciava uma linda história vinda do coração sonhador de nosso Senhor.

O desejo do Senhor era ter filhos, herdeiros que ele pudesse amar, a quem pudesse dedicar-se, demonstrando sua essência: altruísmo, graça, amor que se doa voluntariamente.
Formou da terra, então, o homem e logo estabeleceu o princípio da igreja: o relacionamento do homem com Deus, todos os dias, em comunhão.

Deu também ao homem o encargo de trabalhar, cuidando do jardim, para que pudesse ser útil e não ocioso. Aí está o princípio do serviço. O homem foi formado para servir.

Depois disso, formou uma mulher e deu-a ao homem para que pudessem relacionar-se como iguais. Agora, já existia a família, que continuava dentro do projeto inicial: não era apenas uma pessoa, mas também uma família servindo ao Senhor. Assim nascia o projeto da Igreja de Jesus: uma família semelhante ao Senhor. Só faltavam os muitos filhos que viriam depois, nesse clima de adoração, na forma de serviço.

Na própria estrutura da família, o Senhor estabeleceu marcos: o homem e a mulher não seriam dois, mas uma só carne. Apesar de dois, não seriam dois, mas apenas um. Esse é o princípio fundamental e absoluto da unidade da igreja: embora sejamos muitos, somos um só pão.

O Senhor estava ali no meio daquela família. Ele conversava com o casal num ambiente de igreja – a igreja na casa. Deus comunicava-se com o homem no contexto familiar.

As sementes da heresia

Um dia, veio o desastre. O homem foi atrás de novidade. Achou que havia outra fonte de crescimento e saber. Achou que poderia, por si mesmo, descobrir mistérios. A mulher assumiu o comando da casa e determinou o que comeriam. É verdade que ela não assumiu uma postura ostensiva, mas, sutilmente, seduzida pela serpente, induziu Adão à desobediência. Ao invés de tomar para si a decisão de não buscar em outra fonte, Adão submeteu-se ao desejo da mulher e comeu do fruto proibido.

Quando o homem submeteu-se ao desejo da mulher, Satanás estabeleceu o princípio da heresia: a inversão de papéis na casa. O homem deixou de ser cabeça e passou a ser conduzido pelo sentimento da mulher. A heresia começou na casa – na igreja na casa.
É triste pensar que essa história se repete pela vida. O profeta de Deus, Jeremias, enfrentou uma situação semelhante quando as mulheres, por causa do sentimento de falta das coisas, levaram os homens a deixarem o sacrifício a Deus para fazer sacrifícios à rainha dos céus (Jr 44.18,19).

A culpa não é das mulheres e sim dos homens, que deixam sua função de comando, produzindo um desequilíbrio no coração da mulher.

Voltemos ao Jardim.

A tragédia do pecado produziu a maior e mais danosa consequência: afastou o homem de Deus. Aqui entrou a morte no mundo. Ao invés de se ver com os olhos de Deus, o homem passou a se ver com olhos de condenação. Viu que estava nu.

Afastado do Jardim, daquele clima em que a presença de Deus se manifestava todos os dias no seio da família, o homem gerou filhos, não mais à semelhança de Deus, mas à própria semelhança. Os temores, as dores, as ambições, os medos, tudo o que é produzido pela ausência de Deus foi transmitido para os filhos.

Gênesis 5.3 diz que o filho gerado nessa condição foi chamado de Sete. O significado desse nome é compensação. Eis o princípio da Babilônia, a falsa igreja: compensa-se a ausência de Deus com programas, com eventos, com ativismo, com coisas que parecem ser do Senhor. Porém, Deus não está ali. É Icabode.

Quando nasceram os primeiros filhos, ocorreu uma manifestação da luta presente no espírito do homem. Quando Caim percebeu que o sacrifício de Abel havia sido aceito, e o dele, não, decidiu matar o irmão. Nasceu a perseguição religiosa, e o motivo foi o culto (ou a diferença entre cultos).

Tudo começou em casa: tanto a adoração ao Senhor, a vida de comunhão e intimidade quanto o mal, a soberba, o culto com coração errado, a inveja e a morte.

Por onde começa a restauração?

A restauração do culto e da igreja, da vida de comunhão e adoração precisa começar com a restauração da posição do homem de guardar e proteger sua família das investidas de Satanás, com todas as suas artimanhas. Começa com a restauração do pastoreamento de cada família pelo marido e pai, alimentando e suprindo (esse é o sentido da palavra ”governar”).

Veja como Jesus iniciou esse processo. Depois de declarar que a seara era grande, mas que as multidões não tinham pastor (Mt 9.35-38), ele enviou seus discípulos para resolver o problema, entrando nas casas e ali suprindo a necessidade das multidões.

Em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, procurai saber quem nela é digno, e hospedai‑vos aí até que vos retireis. E, ao entrardes na casa, saudai‑a; se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz (Mt 10.11-13).

Jesus queria alcançar cada cidade, cada povoado. Para isso, determinou uma estratégia que era de encontrar uma família digna em cada cidade. Nessa casa, os discípulos deveriam permanecer enquanto estivessem na cidade.

Família digna era uma casa que tinha bom nome na cidade – tinha boa reputação. Seria aquele tipo de gente que hoje descreveríamos como “quase crente”.
A obra de Deus sempre foi baseada em famílias: casa de Adão, de Noé, Davi, José e Maria, etc. A reconstrução dos muros foi feita por famílias (Ne 3.10, 16, 19, 20, 21, 24, 31; 4.14,16). O início da pregação entre os gentios foi na casa de Cornélio, um homem digno (At 10). A casa digna era o início da igreja em cada cidade.

Uma casa digna tornou-se o alicerce da igreja na cidade e, por meio dela, o Senhor cumpriu a promessa de abençoar todas as famílias da terra.
O texto de Gênesis 18.17-19 é bem esclarecedor:

E disse o Senhor: Ocultarei eu a Abraão o que faço, visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e por meio dele serão benditas todas as nações da terra? Porque eu o tenho escolhido, a fim de que ele ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para praticarem retidão e justiça; a fim de que o Senhor faça vir sobre Abraão o que a respeito dele tem falado.

Tomemos o texto a partir do final: para que o Senhor pudesse cumprir sua promessa a Abraão em Gênesis 12.3, Abraão precisava ordenar seus filhos e sua casa a andarem no caminho do Senhor. Assim, ele se tornaria uma grande e poderosa nação.
O papel de Abraão não era o de ser abençoador das nações. Esse papel é do Senhor. Ninguém tem o poder de abençoar. Deus é o grande abençoador.

A tarefa e a responsabilidade de Abraão eram ordenar sua casa, fornecendo, assim, o canal através do qual ele, o Senhor, abençoaria as nações perdidas na Terra.
Vemos a mesma ideia em Mateus 9 e 10. As nações estavam perdidas, sem Deus. O Senhor chamou seus discípulos e mandou que eles se fixassem em casas dignas para que, por meio delas, ele, o Senhor, pudesse abençoar (pastorear) as ovelhas perdidas.

Na casa digna, o pai é o pastor. Dessa forma, Jesus provê o pastoreamento para as ovelhas sem pastor. Claro que os pais dessa família também receberiam supervisão e pastoreamento de outros “pais” espirituais mais maduros.

Converter o coração dos pais aos filhos

Esse princípio pode ser visto também em Malaquias 4.6. Quando o coração dos pais volta-se para os filhos, a Terra é poupada da maldição!
Alguns irmãos, muito preocupados em quebrar a maldição que veio sobre a Terra como produto da queda do homem, fazem ritos, atos proféticos, e esquecem que a maldição começou no mundo porque uma família quebrou o princípio do Senhor. Assim, nesse mesmo lugar é que a bênção terá de ser restaurada.

Converter o coração do pai ao filho não é um mero ato finito, mas uma atitude de pastoreamento que faz com que o coração do filho se converta igualmente a ele.
Não é um ato, repito, mas uma atitude e uma sucessão de atos. O pai torna-se o pastor de sua família, e esta passa a ser o canal de Deus para abençoar os vizinhos e toda a cidade.
O pai deve despertar para isto: ele é o pastor de sua casa. Ele precisa governá-la (supri-la). Não deve passar essa responsabilidade para a estrutura da igreja nem para os pastores. Estes devem cumprir seu papel (como episkopos) de supervisionar os santos.

Os episkopos (supervisores, bispos) da igreja devem aperfeiçoar os pais e, depois, verificar se eles estão cumprindo seu papel de pastores (discipuladores) na família. Assim, teremos a igreja na casa funcionando sem depender das estruturas, mas se relacionando com outras famílias, aprendendo umas com as outras.

A igreja alcançará as nações à medida que as famílias se posicionarem como agentes do Reino de Deus na face da Terra. Cada família precisa responsabilizar-se pelo lugar onde mora, entendendo que mora onde mora não por acidente, mas segundo o propósito de Deus.
A promessa de Deus foi: Em ti serão benditas todas as famílias da terra!

Que a igreja aprenda a posicionar-se no cuidado com as famílias para que elas sejam celeiro de vocações, arcos de onde serão lançadas as flechas que atingirão as nações com a pregação do evangelho do Reino de Deus.

A igreja começa e vive na casa, na família. O ajuntamento de todos em uma reunião grande deve ser apenas uma consequência da vida familiar em que cada membro da família cumpre seu papel.
O que passa disso é compensação, é Sete. É a atividade em lugar da manifestação de Deus.
Fonte: Revista Impacto

VISÃO APOSTÓLICA PARA ISRAEL E A IGREJA

 PROJETO DAVI (Seja você também um investidor desta visão) Deus te abençõe.

 Visão Apostólica Para Israel e a Igreja

Por Asher Intrater

A nossa visão (e esperamos que seja também a sua!) é cumprir a grande comissão dada por Yeshua (Jesus): “Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (At 1.8).

Existe uma conexão óbvia entre a obra do Espírito Santo e a missão de evangelismo mundial. “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas novas aos quebrantados” (Is 61.1). Alguns querem experiências carismáticas, mas não querem envolver-se em evangelismo pessoal. Outros querem dirigir campanhas de evangelização como se fossem um negócio, sem as experiências sobrenaturais do Espírito Santo.

Nenhum dos dois lados está correto. As duas coisas precisam funcionar em conjunto.
Esses dois grandes mandatos – o Espírito Santo e o evangelismo – estão conectados a um terceiro mandato, o mandato de “Israel”. As palavras de Atos 1.8 foram uma resposta à pergunta dos apóstolos no sexto versículo: “Será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” Aqueles primeiros discípulos judaicos estavam com sua cronologia errada. O que estavam esperando não aconteceria naquele tempo (no primeiro século), mas há de acontecer neste tempo presente (no século 21). Yeshua nasceu com o destino claro de ser o Rei de Israel (Mt 2.6; Lc 1.32; Jo 18.37), e ele voltará, na Segunda Vinda, para cumpri-lo.

A restauração do reino a Israel não acontecerá sem um avivamento enviado pelo Espírito Santo e o evangelismo mundial resultante. O reino de Yeshua vai desde Jerusalém até aos confins da terra. Batismo no Espírito Santo, evangelização do mundo e restauração do reino estão interligados. O movimento de oração, o movimento de missões e o movimento messiânico formam um cordão de três dobras.

Sem a restauração de Israel, é impossível compreender os tempos do fim. Assim como Yeshua subiu da Terra para o Céu, partindo de Jerusalém, da mesma forma será sua volta a Jerusalém. “Esse Yeshua que dentre vós foi assunto ao céu, assim virá do modo como o vistes subir” (At 1.11). Seus pés logo repousarão sobre o Monte das Oliveiras de acordo com Zacarias 14.4: “Naquele dia estarão os seus pés sobre o Monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente”.

Yeshua é cabeça da Igreja e Rei de Israel. Seu reino está interligado com a restauração tanto de Israel quanto da Igreja. Alguns judeus querem a restauração de Israel sem a Igreja, e alguns cristãos querem a restauração da Igreja sem Israel. Entretanto, não é possível ter uma sem a outra.

O batismo no Espírito Santo capacita-nos para a evangelização (At 1.8) e o avivamento mundiais (At 2.17). Avivamento e evangelismo produzem uma comunidade internacional de santos dedicados e adoradores (Ap 7.4-9). Essa gloriosa comunidade de santos é chamada de A Noiva. Quando ela estiver pronta para a volta de Yeshua, ele virá. “Porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou” (Ap 19.7).

A comunidade de santos em Apocalipse 7 é dividida em dois grupos distintos: um é formado por Israel (v.4), e o outro é internacional (v. 9).

Então ouvi o número dos que foram selados, que era cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel (Ap 7.4).

Eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono (Ap 7.9).

Chamamos isso de “a restauração dupla de Israel e da Igreja”. O remanescente de Israel e o da Igreja Internacional são unidos em um corpo espiritual. Entretanto, as Escrituras os descrevem como dois grupos identificáveis. A Noiva do Messias é formada por dois bandos ou acampamentos como a Noiva no livro de Cantares:
Por que quereis contemplar a Sulamita na dança de Maanaim?[C1] [no original, dois acampamentos] (Ct 6.13)

Essas duas partes, o judeu e o gentio, são unidas ao tornar-se “um novo homem” (Ef 2.15), sendo enxertadas na mesma oliveira (Rm 11.17).

Romanos 11 menciona não só duas espécies de restauração, mas duas espécies de plenitude: uma para Israel (v. 12), e uma para os gentios (v. 25).
…quanto mais a sua plenitude [de Israel] (Rm 11.12).

…até que haja entrado a plenitude dos gentios (Rm 11.25).
A restauração de Israel vem em duas etapas: primeiro física, depois espiritual (1 Co 15.46). A situação atual de Israel denota apenas uma restauração parcial, não a plenitude. A parte espiritual da restauração é o remanescente messiânico dentro de Israel. Esse remanescente crescerá até atingir os 144 mil e, finalmente, alcançará a plenitude quando “todo o Israel será salvo” (Rm 11.26).

A plenitude de Israel será o avivamento nacional que logo acontecerá. Entretanto, tal avivamento depende da intercessão e do testemunho da Igreja internacional. É a plenitude da Igreja que produz a plenitude de Israel. “Veio endurecimento em parte a Israel ATÉ que haja entrado a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo” (Rm 11.25,26).

Se a plenitude da Igreja produz a plenitude de Israel, o que a plenitude de Israel haverá de produzir? A ressurreição dos mortos: “que será o seu restabelecimento, senão vida dentre os mortos?” (Rm 11.15). A ressurreição dos mortos acontecerá na Segunda Vinda de Yeshua, no início de seu reino milenar.

Podemos sintetizar a visão de Yeshua para Israel e a Igreja da seguinte forma: 1. batismo no Espírito Santo; 2. evangelização do mundo; 3. plenitude da Igreja Internacional; 4. restauração de Israel e 5. o Reino Milenar de Yeshua.

Asher e Betty Intrater são judeus messiânicos, diretores de “Revive Israel Ministries”, uma equipe ministerial dedicada a buscar e estimular avivamento em Israel. São pastores de uma congregação chamada “Ahavat Yeshua” (Amor de Jesus). Este artigo tem direitos autorais e não pode ser copiado ou publicado sem permissão prévia de “Revive Israel”. Maiores informações e outros textos deste autor podem ser encontrados no site: www.revive-israel.org.

LAÇOS FAMLIARES VERSUS VERDADEIRA FAMÍLIA

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 Laços Familiares versus Verdadeira Família



Por John Eldredge
O fato de encontrarmos nossa identidade como filhos de Deus altera drasticamente todos os demais relacionamentos – para sempre; incluindo os laços familiares.

Ah, como isso é importante! Para caminharmos na liberdade, na cura e na intimidade com Deus – disponíveis aos filhos de Deus –, devemos saber o que significa essa mudança de vínculos estabelecidos com nossa família e nossos pais terrenos.

Sabemos, por meio das Escrituras e das histórias ali registradas, o quanto a família natural é importante para Deus. Existe um outro lado, porém, que pode ser comprovado em incontáveis casos verídicos, tanto no passado quanto no presente. Sistemas familiares podem ser fechados, opressivos, prejudiciais. A história e a literatura estão cheias de vidas humanas levadas a uma situação de infelicidade e culpa por causa da manutenção da “honra” e, frequentemente, dos “interesses” da família. Muitas tragédias como abuso emocional, físico e sexual dentro das famílias nem chegam a ser reveladas. Diz o ditado que o sangue fala mais alto.

Em várias ocasiões, Jesus fez questão de entrar em choque com os conceitos de família prevalecentes em sua cultura. Veja, por exemplo, esta afirmação:

Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa (Mt 10.34-36).

Espere aí! Essas palavras são fortes. Fazer com que um filho fique contra seu pai? Uma filha contra sua mãe? Palavras calculadas para perturbar profundamente seus ouvintes. Se ele tivesse usado palavras como “um homem contra outro homem, uma mulher contra outra mulher”, não teriam causado tanto desconforto.

E o confronto de Jesus com a cultura da família não se restringiu a palavras. Jesus demonstrou a nova relação com a família num episódio talvez mais chocante ainda.
Falava ainda Jesus ao povo, e eis que sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lhe. E alguém lhe disse: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar-te (Mt 12.46-47).

Sua família chegara para conversar com ele sobre o que nós não sabemos, mas, aparentemente, eles achavam que era importante o suficiente para interromper a pregação, parar a assembléia para uma “reunião familiar”. Enviaram uma mensagem por entre a multidão de que gostariam de falar com Jesus. Como qualquer família judaica normal, a de Jesus presumiu que ele atenderia seus pedidos imediatamente. E, sendo judeus, a congregação presumiu e entendeu que, nesse ponto, Jesus — tal qual qualquer bom rapaz judeu — pararia o que estava fazendo e iria até eles. Não. Ele não fez isso.

Porém ele respondeu ao que lhe trouxera o aviso: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E, estendendo a mão para os discípulos, disse: Eis minha mãe e meus irmãos. Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe (vv. 48-50).

Sabemos que Jesus é o amor encarnado, mas (puxa vida!) não é isso que qualquer um de nós esperaria. “Minha verdadeira família são aqueles que estão na família de Deus.” Essa declaração é simplesmente radical; esquisita até. Para aquelas pessoas, a família era o elo mais inquestionável da terra. Mas Jesus estava tentando exatamente reformar a compreensão sobre os laços familiares. Ele é rude com a questão, porque se trata de algo importante demais; porque ir para a casa do Pai celestial é o objetivo da existência humana.

Eu sei, eu sei. As pessoas usam tais fatos como desculpa para fazer coisas que parecem ser muito pouco cristãs. É um ensinamento perigoso – como todos os ensinamentos que trazem liberdade verdadeira –, mas isso não parece preocupar Jesus, que reforça a ideia várias e várias vezes: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim” (Mt 10.37).

Quero deixar claro que, nem por um momento, estou minimizando o papel dos pais terrenos. Ser pai é uma tarefa nobre e aterrorizante; e uma “conquista perigosa”, como escreveu Gabriel Mareei, “que é alcançada passo a passo numa caminhada difícil cheia de armadilhas”. Se nossos pais terrenos fraquejaram durante a caminhada, talvez tenha sido porque o terreno que eles tinham de atravessar fosse mais difícil do que imaginamos. 

Quanto mais vivermos, penso que veremos as falhas de nossos pais com mais compaixão e, espero, com mais entendimento de todas as coisas boas que foram capazes de nos oferecer.
Um bom pai realmente deveria ensinar sobre Deus Pai e como caminhar com ele. Muitos dentre nós, porém, nunca tiveram um pai terreno ao seu lado; outros tiveram pais ausentes, e outros ainda, pais que demonstraram tudo o que Deus não é. Em todos os casos, um dia, mais cedo ou mais tarde, teremos de seguir nosso caminho sozinhos com Deus. Teremos de suprir nossa mais profunda necessidade paternal/paterna conhecendo o único pai completo, o Pai celestial.

A transição do relacionamento com o pai natural para o relacionamento com o Pai verdadeiro pode ser mais fácil ou mais difícil dependendo de nossa experiência passada. Mas é uma transição necessária. E só poderá ser feita se entendermos o que Jesus quis mostrar sobre laços naturais e espirituais.

Jesus não estava desprezando sua mãe e seus irmãos. Ele estava mostrando que há laços mais fortes, mais primordiais do que os laços da família natural. No plano ideal, projetado por Deus, os dois tipos de laços deveriam fundir-se em um só. Na prática, porém, isso nem sempre acontece. E, mesmo que tenhamos o privilégio de ter nascido numa família saudável espiritualmente, sempre precisaremos buscar, na família de Deus, a complementação, o aperfeiçoamento daquilo que não foi possível ser vivido na família natural.

Uma mudança radical aconteceu quando nascemos de novo no Reino de Deus. Fomos abraçados por nosso Pai celestial. Ele nos recebeu em sua família. Nós somos seus filhos – realmente somos. Temos seu Espírito em nosso coração (Rm 8.15). Temos um novo legado, pois seremos como ele (Rm 8.29).

Somos livres hoje para amar nossa família aqui na terra, pois não precisamos viver debaixo da falsa culpa, das falsas pressões e falsas heranças. Nossa visão de nós mesmos como homens pode ser curada. Nossa visão da vida pode ser renovada. Não precisamos ser limitados por nossas experiências negativas e traumatizantes em família que não foram fundamentadas e centralizadas em Deus. Não somos fadados a repetir os mesmos ciclos de carência, incompreensão, abuso, frustração e fracasso nos quais porventura tenhamos sido gerados.

Estamos livres agora para assumir nossa jornada junto a um Pai que se importa, compreende, supre, capacita, acompanha e nos torna completos nele, capazes de reproduzir a imagem dele em muitos outros filhos do seu amor.

(Adaptado de um trecho extraído do livro A GRANDE AVENTURA MASCULINA, de John Eldredge, págs.49 a 54 – Ed.Thomas Nelson Brasil, 2007)

Fonte: Revista impacto

quarta-feira, 15 de junho de 2011

OS RISCOS BIOLÓGICOS BÍBLICOS DO ACONSELHAMENTO CENTRALIZADO NO PROBLEMA

Os Riscos Biológicos e Bíblicos do Aconselhamento Centralizado no Problema

Em nosso livro Christ-Centered Ministry Versus Problem-Centered Counseling [não disponível em português – NR], revelamos as origens do aconselhamento centrado no problema e afirmamos que essa abordagem foi uma das coisas que o movimento de aconselhamento psicológico herdou de seus precursores mesmerianos e freudianos. Nesse livro e em textos anteriores, mostramos os paralelos entre o movimento do aconselhamento psicológico e o movimento do aconselhamento bíblico, particularmente na tendência que os dois têm de adotar a abordagem centrada no problema.

A Associação Americana de Conselheiros Cristãos (AACC) está oferecendo novamente um curso intitulado “Cuidando de Pessoas à Maneira de Deus II”. A Associação afirma que “mais de 50.000 pessoas e igrejas se inscreveram no primeiro curso”. A primeira pergunta que eles fazem para convencer as pessoas a pagarem a taxa de inscrição de 400 dólares é: “Sua família e seus amigos costumam pedir sua ajuda para resolverem seus problemas?” (negrito acrescentado) Esse é exatamente um dos muitos exemplos de como o aconselhamento centrado no problema tornou-se a quintessência dos que se auto-intitulam conselheiros cristãos.

Resolver problemas não deveria ser o objetivo central do ministério pessoal do Corpo de Cristo. Os problemas deveriam ser vistos como oportunidades para se aproximar do Senhor e crescer espiritualmente. Não estamos dizendo: “Não fale sobre problemas!” Não se trata de escolher uma coisa ou outra; é uma questão de qual é a ênfase e de como os problemas são tratados e usados para motivar um crente a buscar o Senhor, acompanhá-lo e dar mais um passo no processo de sua transformação na semelhança de Cristo. 

O conselho que damos aos crentes é que diminuam e generalizem as conversas sobre seus problemas e se concentrem em usá-los como um lembrete de que precisam se aproximar de Deus. A preocupação com os problemas e a busca de soluções através do aconselhamento são fatores que freqüentemente inibem o crescimento espiritual. Em resumo: Cristo deve ser o centro de todo ministério cristocêntrico; mas, no aconselhamento centrado no problema, são os problemas que costumam ocupar a posição central.

Em certas situações, existem razões biológicas e bíblicas para não se usar o aconselhamento centrado no problema.

Razões Biológicas

O aconselhamento centrado no problema pode ser particularmente perigoso quando existem desordens físicas desconhecidas. Ao longo de toda a história da psiquiatria e da psicoterapia, houve enfermidades físicas não-detectadas que foram tratadas como distúrbios mentais, e isso ainda acontece. Dois exemplos são a paresia geral, resultante da invasão do cérebro pela espiroqueta da sífilis, e a psicose pelagrosa, causada por uma carência alimentar de ácido nicotínico. Várias pessoas que sofriam de uma dessas doenças foram diagnosticadas como esquizofrênicas e tratadas de acordo. O caso abaixo é apenas um dos muitos exemplos desse tipo de erro de diagnóstico.

Uma mulher de vinte e dois anos apresentava certos sintomas semelhantes aos da esquizofrenia. Em vez de indicar um exame físico minucioso, o psiquiatra a quem ela foi encaminhada diagnosticou seu problema como esquizofrenia e prescreveu o tratamento indicado para o caso. Porém, mais tarde, descobriu-se que a depressão e as alucinações que ela relatava eram causadas por uma psicose pelagrosa, provocada por uma dieta tão rigorosa que a fazia praticamente passar fome.
Ainda hoje, muitas pessoas que na verdade estão sofrendo de problemas físicos são encaminhadas erradamente para a psicoterapia.

Tratar uma pessoa dessas com psicoterapia ou medicação psicotrópica, em vez de tratar do problema físico, não só impede a possível cura como ainda acrescenta mais sofrimento à agonia da própria doença. Dá para imaginar quantas pessoas sofriam desses distúrbios físicos e foram tratadas com técnicas psicológicas por um psiquiatra ou psicoterapeuta por ignorância da verdadeira causa do problema? Até a doença de Parkinson já foi considerada um distúrbio mental e tratada com psicoterapia.

Isso nos leva à questão dos erros de diagnóstico e da tendência de encaminhar as pessoas para a psicoterapia. Ainda hoje, muitas pessoas que na verdade estão sofrendo de problemas físicos são encaminhadas erradamente para a psicoterapia. O neuropsiquiatra Sydney Walker III diz:

Todo ano, centenas de milhares de americanos que na verdade estão sofrendo de problemas médicos comuns como hipertireoidismo, doença de Lyme e até desnutrição são diagnosticados erradamente como portadores de distúrbios psiquiátricos. Pesquisas mostram que a proporção de erros de diagnóstico é superior a 4 em cada 10.

Existe uma grande quantidade de problemas físicos que apresentam sintomas mentais e emocionais – sintomas comportamentais. Alguns desses distúrbios biológicos estão em seus estágios embrionários – ainda não são detectáveis. Esses sintomas podem provocar desconforto no próprio indivíduo e gerar problemas de relacionamento. 

Muitas vezes, quando nenhuma doença é identificada, os conselheiros que adotam uma abordagem centrada no problema tratam desses distúrbios como se fossem problemas psicológicos ou espirituais. Entretanto, um ministro cristocêntrico conseguirá ajudar as pessoas, qualquer que seja a origem do problema, desviando o foco dos problemas o mais depressa possível e passando para uma abordagem centrada em Cristo, e usando os problemas como um catalisador para que a pessoa tenha um relacionamento mais íntimo com Cristo. Nós somos seres biológicos e espirituais ao mesmo tempo. Portanto, quando for o caso, o conselheiro deve sugerir que a pessoa que está procurando ajuda consulte um médico para fazer um exame de saúde.

Razões Bíblicas

Existem razões doutrinárias para que uma pessoa que procura ajuda ministerial não discuta certos problemas de sua vida com outros e para que os que a ajudam não incentivem essa prática nem participem desse tipo de conversa. Discutiremos apenas quatro das muitas doutrinas bíblicas violadas pelas abordagens de aconselhamento psicológico ou bíblico centradas nos problemas.

Violação da unidade da carne no casamento

O casamento proporciona muitas oportunidades de crescimento espiritual. Porém, em vez de usarem essas oportunidades de uma forma construtiva, os cônjuges geralmente se concentram nos problemas, jogam a culpa um no outro, e querem que a outra pessoa ou as circunstâncias mudem. Em vez de buscar ao Senhor e pedir que Ele opere em sua vida, essas pessoas procuram aconselhamento, contam seus problemas e esperam que o conselheiro faça alguma coisa (mude as circunstâncias ou o outro cônjuge). 

Muitas vezes, as pessoas querem que o conselheiro faça com que o outro cônjuge entenda seu ponto de vista. Se o aconselhamento não resolve os problemas, as pessoas sentem que já fizeram tudo que podiam, acham que não existe a menor chance de que as coisas mudem, e partem para a separação e o divórcio – tudo isso às custas do bem-estar de seus filhos.

O aconselhamento conjugal assumiu grandes proporções no mundo e na igreja. Mas, à medida que o número de pessoas que procuram aconselhamento conjugal foi crescendo, a taxa de divórcios aumentou. E isso inclui os cristãos professos, que estão se divorciando aproximadamente na mesma proporção que os não-cristãos.

Mas o que a Bíblia diz?

“Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5.21).
“As mulheres sejam sujeitas a seus maridos, como ao Senhor” (Ef 5.22).
“Maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja e por ela se entregou a si mesmo” (Ef 5.25).
Em vez de buscar ao Senhor e pedir que Ele opere em sua vida, muitos casais procuram aconselhamento, contam seus problemas e esperam que o conselheiro faça alguma coisa (mude as circunstâncias ou o outro cônjuge).

Baseados nesses versículos, concluímos que as seguintes atividades de aconselhamento centrado no problema são antibíblicas:
1. Não é bíblico discutir problemas conjugais com outras pessoas ou queixar-se do cônjuge na presença de outros.

Se um marido ama sua esposa como Cristo ama a igreja, não vai expor suas fraquezas e falhas diante dos outros (inclusive dos filhos). Se a esposa honra seu marido, sujeitando-se a ele (como a igreja a Cristo) e amando-o (Tito 2.3-4), não vai expor suas fraquezas e fracassos diante dos outros (inclusive dos filhos). É claro que existem exceções necessárias, como no caso de maus tratos ou abusos sexuais na família, ou de pecados como a pornografia, uso de drogas ilícitas ou embriaguez, que devem ser levados ao conhecimento da liderança da igreja, e, nos casos em que houver violação da lei civil, devem também ser denunciados às autoridades civis.

2. Não é bíblico discutir problemas conjugais com outras pessoas ou queixar-se do cônjuge na sua ausência.

Provérbios 18.17 diz: “O que começa o pleito parece justo, até que vem o outro e o examina”. Muitas vezes, um dos cônjuges tenta fazer com que um conselheiro ou amigo concorde com seu ponto de vista, falando do outro cônjuge na sua ausência. O que apresenta a situação primeiro pode conseguir o apoio do conselheiro ou amigo, mas a verdade às vezes vem à tona mais tarde. Além disso, essa forma de maledicência provoca ainda mais atrito no casamento e acaba sendo o tipo de fofoca que separa as pessoas. Provérbios 17.9 adverte: “O que encobre a transgressão adquire amor, mas o que traz o assunto à baila separa os maiores amigos”.

3. Não é bíblico discutir problemas conjugais com outras pessoas para fazer com que o outro cônjuge mude.

Se duas pessoas estão em conflito e uma delas acha que a culpa é da outra, elas estão desperdiçando uma ótima chance tentando mudar a outra pessoa ou simplesmente esperando que ela mude. Esse conflito pode ser uma excelente oportunidade de crescimento espiritual. Se nos concentramos demais no outro e naquilo que precisa mudar na vida dele, podemos acabar não enxergando mais nada e desperdiçando uma boa oportunidade. 

Toda dificuldade que enfrentamos na vida é uma chance que temos de crescer espiritualmente (Romanos 5.1-5; Romanos 8.28-29). Muitas vezes os crentes oram para que Deus mude a outra pessoa, quando eles mesmos precisam se aproximar do Senhor, conhecê-lO melhor e amá-lO mais completamente. Todo crente tem inúmeras oportunidades de se concentrar em seu próprio relacionamento com Cristo, de esperar que Ele opere em sua vida para que haja crescimento espiritual, e de confessar seus próprios pecados, em vez de se preocupar com as falhas e fraquezas dos outros. Quando concentramos nossa atenção nas mudanças que precisam ocorrer na vida de outras pessoas, isso interrompe nossa própria transformação e crescimento espiritual (veja Gênesis 3.12-13).

Desonrando pai e mãe

Quando o aconselhamento centrado no problema procura encontrar a causa dos problemas no modo como a pessoa foi criada, isso geralmente leva o indivíduo a violar o mandamento: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá” (Êxodo 20.12). Mesmo que uma pessoa esteja com problemas, o quinto mandamento tem que ser obedecido. Esse mandamento exige exatamente o que diz – honrar pai e mãe. Para isso, é necessário não desonrar pai e mãe diante de terceiros, principalmente se eles não estão presentes para se defender (Provérbios 18.17).

Os conselheiros que usam abordagens centradas no problema permitem muitas vezes que seus aconselhados desonrem pai e mãe. Freqüentemente, eles até incentivam e participam do processo. Os que seguem a fórmula freudiana desonram seus pais e mães jogando sobre eles a culpa de seus problemas, principalmente sobre as mães. Isso contraria a Bíblia.

Ministros que centram seu aconselhamento em Cristo não precisam falar sobre a mãe e o pai da pessoa que procura ajuda. Eles devem desestimular essa prática de atribuir a culpa aos pais e mudar o foco para a busca de um crescimento espiritual que leve o indivíduo a tornar-se semelhante a Cristo. Afinal de contas, todo crente verdadeiro é nascido de novo e tem um novo Pai, uma nova família e um Espírito Santo que habita dentro dele.

Pondo a culpa no passado

“Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.13, 14).

O apóstolo tinha boas razões para, sob a unção do Espírito Santo, colocar-se como um exemplo a ser seguido. Muitos conselheiros que usam a abordagem centrada no problema enfatizam o passado e se concentram nele, embora isso não seja bíblico. Ficar preso ao passado pode ser um grande empecilho para prosseguir “para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”.

Além disso, concentrar-se no passado maximiza o que foi feito ao velho homem da carne, que deve ser mortificado, e não “curado” ou consertado. Quando reviramos o passado para tentar encontrar explicações para os problemas do presente, jogamos a culpa em outras pessoas e circunstâncias, e não nas responsabilidades e possibilidades do próprio indivíduo. 

Além disso, por causa da própria natureza da memória, não se consegue lembrar do passado sem aumentar, enfeitar, omitir ou criar detalhes para preencher as lacunas. Portanto, esse método de ajuda é falho, pois o cérebro tem uma capacidade de memorização limitada e tende a distorcer os fatos.
Muitos conselheiros que usam a abordagem centrada no problema enfatizam o passado e se concentram nele, embora isso não seja bíblico.

Cristo cuidou do passado de cada crente na cruz, ao morrer pelos nossos pecados. Quando os crentes se identificam com a morte e a ressurreição de Cristo, eles são libertos do passado da carne, e também de seu poder. Eles adquirem uma nova vida em Cristo e devem viver de acordo com ela. Toda tentativa de curar as feridas do passado é inútil, porque não se deve tentar curar o que deveria estar morto e enterrado. Isso fortalece a carne e leva a um modo de viver carnal, e não a um andar segundo o Espírito. Ministros cristocêntricos estimulam e ajudam a pessoa a deixar seu passado aos pés da cruz e prosseguir “para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”.

Concentrando a atenção no ego e fortalecendo a carne

“No sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.22-24).

“Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24; veja também Marcos 8.34 e Lucas 9.23).
“Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.20).

Como já dissemos anteriormente, o cliente (i.e., o ego) chega com um problema, e o aconselhamento é direcionado para o ego e seu problema. Desse modo, o aconselhamento centrado no problema é, na verdade, centrado no ego. Os dois estão intrinsecamente ligados. Seria melhor chamar essa atividade antibíblica de “aconselhamento centrado no problema/ego”.

Concentrando-se nos problemas

Mesmo que a causa de um problema pudesse ser corretamente identificada, será que isso traria solução para o problema, ou serviria apenas como justificativa ou desculpa?

Quando uma pessoa vai pedir conselhos a alguém, geralmente é porque existe um problema. Assim, este se torna o ponto central do conselho. A abordagem de aconselhamento centrada no problema gasta muito tempo discutindo os problemas (em geral de forma bastante detalhada) para descobrir sua causa.

Entretanto, esse longo processo acaba se transformando num exercício de suposição. Os psicólogos podem tentar encontrar a causa dos problemas no inconsciente e no passado (pais e circunstâncias) ou nas situações que a pessoa está vivendo atualmente e em sua forma errada de pensar. Os conselheiros bíblicos podem tentar encontrar a causa nos ídolos do coração (Jeremias 17.9-10) e/ou identificar pecados relacionados com versículos bíblicos, como a embriaguez (1 Coríntios 6.9-11), por exemplo. 

Porém, isso nos lembra os três amigos de Jó, que embora apresentassem explicações para seus problemas como se tivessem conhecimento de causa, estavam apenas fazendo conjecturas baseadas em seu próprio conhecimento e entendimento limitado. Eles acabaram acusando Jó injustamente e apresentando uma imagem falsa de Deus. Só Deus conhece o coração e o que precisa ser mudado. Nós só vemos o pecado exterior, e podemos ter que confrontá-lo se necessário.

Entretanto, grande parte do aconselhamento centrado no problema baseia-se em suposições acerca do indivíduo. Mas, mesmo que a causa pudesse ser corretamente identificada, será que isso traria solução para o problema, ou serviria apenas como justificativa ou desculpa?

Um exemplo

De acordo com o Psychotherapy Networker, um periódico voltado para profissionais de saúde mental, “80% dos terapeutas particulares fazem terapia de casais” (Vol. 26, No. 6, p. 28). Imagine a seguinte situação:

Um casal está com um problema e procura o terapeuta para se aconselhar. Para que o aconselhamento seja feito, eles precisam dizer qual é o problema. Ele fala, ela fala, e geralmente o terapeuta faz perguntas que esclarecem ainda mais os detalhes do problema. Os dois cônjuges geralmente irritam um ao outro ou discordam do ponto de vista que cada um tem sobre a questão. 

O terapeuta foi treinado para não tomar partido, mas apenas moderar as interações enquanto os problemas são expostos, tipicamente sem emitir julgamento, embora isso esteja mudando, e hoje em dia já existam conselheiros que tomam partido de um ou outro lado. Quando a terapeuta já ouviu o suficiente, são feitas sugestões e recomendações e, confiantes, os dois cônjuges se comprometem a se esforçar para melhorar a situação. Uma nova consulta é marcada para que o casal diga se houve progressos ou não.

Quer se trate de um casal ou de apenas um indivíduo, o cenário não muda muito. Qualquer que seja o problema, ele é o ponto central de toda a conversa. Como a tarefa do conselheiro é resolver problemas, ele precisa conhecer os detalhes. O conselheiro que adota uma abordagem centrada no problema precisa ouvir toda a explicação da situação, tentar entender o problema baseado numa teoria ou suposição qualquer, e oferecer algum tipo de solução.

No caminho até chegar às sugestões e tarefas para casa, se existirem, com certeza os princípios bíblicos descritos neste artigo serão violados: a unidade da carne no casamento, honrar pai e mãe, jogar a culpa no passado, colocar o eu em primeiro lugar e fortalecer a carne.

Olhando para Jesus

No ministério cristocêntrico, não é preciso conhecer os problemas específicos nem saber os detalhes. Também não há necessidade de tentar descobrir a causa dos problemas. Em vez disso, tanto a pessoa que procura ajuda quanto a que presta auxílio devem agir de modo bíblico e espiritual diante da vida. Andar segundo o Espírito é viver conforme o exemplo de vida de Cristo e, portanto, andar em amor.
À medida que o fruto do Espírito se desenvolve em nossa vida, vamos aprendendo a amar como Ele ama, a descansar na Sua paz que excede todo entendimento, e até a sentir Sua alegria.

O amor é sempre o ponto central na vida cristã. O amor deve ser alimentado e incentivado. Deve haver um fluxo constante de amor, que inclui misericórdia e sinceridade. O amor também envolve obediência ao Senhor. Portanto, se existe algum pecado conhecido, o fluxo de amor diminui.

O foco do ministério não deve estar nos problemas. Colocar o foco nos problemas e trazer à tona as coisas desagradáveis que aconteceram com a pessoa é algo que costuma aumentar a intensidade dos problemas. Portanto, deve-se desestimular essa exposição dos detalhes e incentivar a pessoa a buscar ao Senhor e à Sua Palavra.

O quê? Mas como os problemas podem ser resolvidos se não forem descritos nos mínimos detalhes? Em primeiro lugar, Deus já conhece o problema. Ele sabe o que precisa ser mudado em cada uma das pessoas envolvidas. Alguém de fora vai ter apenas uma visão parcial, na melhor das hipóteses.

No ministério cristocêntrico, a ênfase está em Cristo – e Cristo crucificado – e em tudo que isso envolve. Como declarou Paulo: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2 Coríntios 3.18). 

À medida que conhecemos Cristo melhor e nos concentramos nEle – em Seu amor, Seu sacrifício, Sua perseverança e paciência, Sua longanimidade, Sua paz, Sua alegria – vamos ficando cada vez mais semelhantes a Ele. Então, à medida que o fruto do Espírito se desenvolve em nossa vida, vamos aprendendo a amar como Ele ama, a descansar na Sua paz que excede todo entendimento, e até a sentir Sua alegria – um tipo de alegria que Lhe permitiu suportar o suplício da cruz.

Na abordagem cristocêntrica, tanto a pessoa que procura ajuda quanto o conselheiro estudam e aplicam a Palavra de Deus. Eles dedicam tempo à Palavra de Deus para que o Espírito Santo tenha oportunidade de trabalhar em ambos.

“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hebreus 4.12-13).

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Timóteo 3.16-17).

O conselheiro que adota uma abordagem centrada em Cristo entra nesse relacionamento sabendo que deve incentivar e orientar o aconselhado a conhecer melhor o amor de Cristo e a ser transformado na imagem dEle. O aconselhado pode aprender e usar sugestões dadas pelo conselheiro, porém é ele que tem a responsabilidade final de discernir a vontade do Senhor e de fazer o que Ele exige, colocando-se diante do Senhor em oração e pedindo ajuda ao único verdadeiro Conselheiro.
Na abordagem cristocêntrica, tanto a pessoa que procura ajuda quanto o conselheiro estudam e aplicam a Palavra de Deus.

“Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado. Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo. Porque, se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana. Mas prove cada um o seu labor e, então, terá motivo de gloriar-se unicamente em si e não em outro. Porque cada um levará o seu próprio fardo” (Gálatas 6.1-5).

Conclusão

Um conselheiro cristocêntrico ajuda a pessoa a tirar o foco dos problemas e colocá-lo em Cristo, o mais depressa possível. O conselheiro não precisa conhecer o problema, e muito menos saber de detalhes. Se o cliente não puder falar dos defeitos de seu cônjuge, de seu pai ou de sua mãe, se não puder passar horas falando do passado, se não puder fugir da autonegação, um psicólogo ou conselheiro cristão que adote a abordagem centrada no problema provavelmente não saberá o que fazer e provavelmente ficará perplexo. Mas qualquer conselheiro cristão estaria agindo de maneira antibíblica se encorajasse ou provocasse esse tipo de conversa.

Por outro lado, há muito para se dizer e fazer no ministério cristocêntrico, pois ele ensina e proclama Cristo crucificado e tudo o que a Palavra diz sobre Ele. Entretanto, como tudo converge para Cristo e para o relacionamento do crente com Ele, o conselheiro precisa dizer como João Batista: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (João 3.30). O trabalho é permanente, mas o papel do conselheiro vai se tornando cada vez mais secundário.

O ministério cristocêntrico incentiva a autonegação, o viver para Cristo e o crescer em Cristo. Ninguém pode fazer tanto para mudar a vida de um indivíduo quanto ele mesmo e o Senhor trabalhando juntos. Como recomendou Paulo aos crentes:

“Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo, preservando a palavra da vida” (Filipenses 2.12-16a).

Não há nada no mundo que se compare nem de longe com o que todo crente verdadeiro tem à sua disposição para ajudá-lo a viver a vida em sua plenitude, crescer até a estatura de Cristo e transmitir vida a outras pessoas. Que cada um de nós tenha a coragem para ministrar o amor de Deus em misericórdia e verdade, evitando os perigos do aconselhamento centrado no problema. 

(Martin e Deidre Bobgan - PsychoHeresy Awareness Letter - http://www.chamada.com.br)
Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, julho de 2008.