quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A PARÁBOLA DA FIGUEIRA

"Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão" (Mt 24.32-35).

Além da oliveira, da videira e do espinheiro, a figueira é uma ilustração de Israel, do judaísmo. Essas quatro "árvores" são mencionadas em uma passagem de Juízes (9.8-15). 

Além delas, também a romã é uma representação do povo judeu. Certamente a passagem bíblica que exprime com maior precisão que a figueira é uma ilustração de Israel está em Oséias 9.10, onde Deus, o Senhor, diz:
 
"Achei a Israel como uvas no deserto, vi a vossos pais como as primícias da figueira nova..." É o que também se vê claramente em Jeremias 24.3-7: "Então, me perguntou o Senhor: Que vês tu, Jeremias? Respondi: Figos; os figos muito bons e os muito ruins, que, de ruins que são, não se podem comer. A mim me veio a palavra do Senhor, dizendo: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Do modo por que vejo estes bons figos, assim favorecerei os exilados de Judá, que eu enviei deste lugar para a terra dos caldeus. Porei sobre eles favoravelmente os olhos e os farei voltar para esta terra; edificá-los-ei e não os destruirei, plantá-los-ei e não os arrancarei. Dar-lhes-ei coração para que me conheçam que eu sou o Senhor; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus; porque se voltarão para mim de todo o seu coração."

Além disso, a figueira contém um sentido profético muito profundo, o que se vê claramente nas palavras proféticas de Jesus quando fala da Sua vinda: "Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas" (Mt 24.32-33).

A seguir vamos analisar a figueira Israel à luz profética da Bíblia, perguntando-nos o que podemos aprender dela: "Aprendei, pois, a parábola da figueira..." Três simbolismos chamaram a minha atenção e quero compartilhá-los a seguir:

Primeira representação: a figueira como mestre que ensina o caminho certo, o caminho para a justiça verdadeira, legítima e permanente

Onde a figueira (Israel) aparece pela primeira vez na Bíblia?

Talvez alguns leitores dirão que encontramos em Gênesis 12 o chamamento de Abraão como primeiro hebreu, seguido pelo seu filho Isaque e pelo seu neto Jacó, cujo nome foi mudado por Deus para Israel em Gênesis 32.28: "Então disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste." É correto que o nome Israel aparece aqui pela primeira vez.

Mas eu creio que a figueira (Israel), na profundidade profética dos desígnios da salvação de Deus ("Aprendei, pois, a parábola da figueira..."), já aparece nas primeiras páginas da Bíblia, isto é, em Gênesis 3.7: "Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueiras e fizeram cintas para si." Segundo o meu entendimento, encontramos aqui a primeira menção de Israel como figueira na Bíblia, ou seja, o Israel da lei, que apenas pode cobrir o pecado.

Além da árvore da vida e da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.9), a figueira ("...coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si") é a única árvore do jardim do Éden mencionada pelo nome. Para mim, a menção da figueira já nas primeiras páginas da Bíblia (ao lado de inúmeras outras árvores paradisíacas criadas por Deus, cujos nomes não são citados) é uma gloriosa figura da eleição de Israel: "...o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra" (Dt 7.6).
Além da árvore da vida e da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.9), a figueira ("...coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si") é a única árvore do jardim do Éden mencionada pelo nome.

Adão e Eva haviam pecado e, em conseqüência, reconheceram que estavam nus. Então eles apanharam folhas de figueira e cobriram sua nudez com essas folhas. Entretanto, assim eles somente puderam cobrir a sua culpa, mas não puderam obter o perdão do seu pecado. Para isso foi necessário um sacrifício de sangue: "Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu" (Gn 3.21) Isso significa que Deus matou dois animais e, com sua pele, cobriu a nudez dos dois primeiros seres humanos. O sangue derramado nesse ato serviu para o perdão do pecado.

Portanto, já nas primeiras páginas da Bíblia é revelado profeticamente todo o Plano de Salvação. Ali ele ainda está envolto em mistério, mas no decorrer de outras revelações posteriores tornou-se cada vez mais nitidamente visível.
O que aprendemos disso?

1. As folhas da figueira apontam para uma outra salvação, que é melhor e mais perfeita

Em Hebreus 7.19 está escrito: ("...pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus." Mas quem é a esperança superior, acima da lei? O sacrifício providenciado por Deus em Jesus Cristo na cruz!

Segundo o meu entendimento, as cintas de folhas de figueira indicam a necessidade de uma vestimenta mais definitiva, que exigia um sacrifício com sangue, uma esperança superior. Depois que Adão e Eva pecaram, imediatamente souberam que estavam nus e que deviam cobrir-se: "...coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si." Mas isso não foi suficiente diante do Deus santo. Por isso, cheio de misericórdia, Ele matou dois animais e "fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu."

Exatamente este é o sentido e a finalidade de Israel no Plano de Salvação. A figueira Israel, do começo até o fim, aponta para a salvação superior em Jesus Cristo, o Grande Sacrifício da Justiça de Deus. Em Israel nos foi dada a lei. Mas por meio dela reconhecemos que somos pecadores e carecemos da graça de Deus. Outrora Adão e Eva tomaram as folhas da figueira, mas perceberam que essas cintas feitas por eles mesmos não podiam salvá-los do pecado que haviam cometido e que necessitavam de outra salvação.

Quase toda a Epístola aos Hebreus mostra que o antigo Israel, em todos os seus procedimentos, é uma indicação para Cristo; que todos os seus sacrifícios apontam para o perfeito sacrifício de Jesus na cruz, e que o sumo sacerdote judeu da Antiga Aliança é uma referência ao Sumo Sacerdote verdadeiro, definitivo e eterno: Jesus Cristo.
A figueira Israel, do começo até o fim, aponta para a salvação superior em Jesus Cristo, o Grande Sacrifício da Justiça de Deus.

Israel sob a lei aponta para a graça (Gl 3.24). Em Israel, sob a lei, os pecados puderam ser apenas cobertos (folhas de figueira). Mas pelo sacrifício de Jesus, com sangue – que maravilhosa boa nova de salvação!! – os pecados são perdoados e tirados. A respeito lemos em Hebreus 9.26: "...Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado."

2. Pelas folhas da figueira vemos que as obras da lei não podem produzir a justiça que vale diante de Deus

Em nenhum lugar isso é demonstrado mais claramente do que na figueira Israel. Em todo o decurso da história desse povo, Deus mostrou a todo o mundo que a lei não pode salvar.
Mas justamente este é o grande problema de Israel até hoje, pois eles continuam pensando que podem ser salvos pelas obras da lei. A Bíblia, porém, ensina inequivocamente: "...por obras da lei, ninguém será justificado" (Gl 2.16). Em Gálatas 3.10 isso é expresso de maneira ainda mais precisa: "Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo da maldição..." O apóstolo Paulo dirigiu essas palavras profundamente sérias em primeiro lugar aos crentes na Galácia, que além da graça em Jesus Cristo ainda queriam assumir as leis do judaísmo. Como Adão e Eva ("...coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si)", hoje muitos procuram alcançar o favor de Deus pela observância da lei ou de exercícios religiosos. 

Conheci, por exemplo, um homem que antes de se converter a Jesus orava o "Pai Nosso" 150 vezes por dia. Todos que fazem tais coisas se esforçam em vão, pois assim estão realmente "...debaixo da maldição". Diante disso, como soa maravilhosa a mensagem do sacrifício de Jesus na cruz: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito (Dt 21.23): maldito todo aquele que for pendurado em madeiro" (Gl 3.13)"fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu." Ele realizou uma salvação superior!

Hans Brandenburg disse certa vez:

O legalismo é o equívoco de trocar o diagnóstico pela terapia... Legalismo sempre é algo pela metade. Em geral o homem escolhe um ponto especial que está disposto a observar e guardar, e então se apóia na pressuposta observância dessa lei e negligencia a comunhão com Jesus.
Exatamente assim também Paulo se expressa quando fala da figueira Israel: "Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus" (Rm 10.3-4).

Qual é a sua situação? Você já aceitou a graça? No fundo, é tudo tão simples: basta ir ao Senhor Jesus Cristo e Lhe entregar toda a nossa vida. Na verdade, este já é o passo do arrependimento, quando reconhecemos: "Eu sou um grande pecador". É impossível mencionar todos os pecados que cometemos em pensamentos, palavras e ações durante nossa vida. Por isso, venha a Jesus Cristo com toda a sua vida e diga a Ele: 

"Eu sou um grande pecador. Senhor, eu preciso de Ti para toda a minha vida – para tudo que houve, para tudo que é, e para tudo que virá. Eu te aceito agora como meu Salvador". Então você experimentará repentinamente o que é salvação verdadeira – pois esta é a justiça em Jesus, a justiça que tem valor diante de Deus!

Já nas primeiras páginas da Bíblia a figueira nos é mostrada como uma ilustração de Israel, como um livro didático de Deus ensinando sobre a salvação verdadeira. Assim como as folhas de figueira de Adão e Eva indicavam o anseio de salvação – e mais além o sacrifício pleno e suficiente de Jesus Cristo –, Israel nos é dado como um exemplo que aponta para a graça redentora. Por meio deste povo nos é mostrado claramente o anseio por salvação e a satisfação desse anseio em Jesus Cristo.

Segunda representação: a figueira como mestre que ensina sobre a salvação

Já nas primeiras páginas da Bíblia a figueira nos é mostrada como uma ilustração de Israel, como um livro didático de Deus ensinando sobre a salvação verdadeira.

Em 2 Reis 20.5-7 o Senhor diz ao Seu profeta Isaías: "Volta e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o Senhor, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te curarei; ao terceiro dia, subirás à Casa do Senhor. Acrescentarei aos teus dias quinze anos e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade; e defenderei esta cidade por amor de mim e por amor de Davi, meu servo. Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos; tomaram-na e a puseram sobre a úlcera; e ele recuperou a saúde."

O que aprendemos disso?

1. A figueira Israel existe para salvação

Israel é como uma pasta de figos, como remédio para a humanidade, para todas as nações. Mas não é em si mesmo que este povo é salvação e bênção sobre a terra. Israel só pode ser uma ajuda para um mundo enfermo por causa dAquele que vem de Israel e se tornou o sacrifício para o mundo: Jesus Cristo. Este já foi o desígnio de salvação de Deus com Abraão, quando falou ao patriarca de Israel: "...em ti serão benditas todas as famílias da terra." (Gn 12.3b). Jesus é o Salvador do mundo, mas foi o judaísmo que o trouxe ao mundo. Essa é a única razão de ser do povo judeu, do qual o Eterno de Israel fez vir Seu Filho Jesus Cristo para salvação do mundo inteiro!

Os botânicos descrevem a figueira da seguinte maneira:

– "Tem tronco retorcido com casca clara". Em si mesmo, Israel é torto e rebelde, mas resplandece por meio de Jesus Cristo. Tive que pensar em Moisés, que em si mesmo também era "torto". Mas quando retornava do encontro com Deus, "a pele do seu rosto resplandecia" (Êx 34.29).

– "A ramada se estende em todas as direções e tem folhas com cinco pontas". Israel se tornou salvação para todos os povos. O Evangelho foi anunciado primeiramente em Jerusalém, Samaria e Judéia, mas depois, partindo de Israel (figueira), – para todas as direções, para todos os povos. Folhas com cinco pontas: cinco é o número da graça. Uma pasta de figos foi colocada sobre a parte enferma do corpo de Ezequias e ele foi curado. Jesus teve cinco ferimentos que se tornaram a salvação do mundo.

Em Isaías 49.3 está escrito: "...e me disse: Tu és o meu servo, és Israel, por quem hei de ser glorificado" (Is 49.3). Aqui vemos a identificação de Israel com seu Filho maior, Jesus Cristo. A figueira Israel, em conexão com Jesus, o Messias, tornou-se a salvação para o mundo. Por isso está escrito mais adiante: "Sim, diz ele: Pouco é o seres meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os remanescentes de Israel; também te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até a extremidade da terra" (Is 49.6). Aqui a Palavra de Deus não se refere mais a Israel propriamente, mas Àquele que viria de Israel, a Jesus Cristo: "...pouco é o seres o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os remanescentes de Israel..." 

Pois Israel não poderia restaurar a si mesmo, nem poderia tornar a trazer os remanescentes de si mesmo. E como a figueira Israel em si mesma é torta, resplandecendo somente em seu Messias, assim também é evidente que as palavras seguintes se referem ao Filho maior de Israel: "...também te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até a extremidade da terra". Por isso Jesus disse em João 4.22b: "...a salvação vem dos judeus."

2. Profeticamente parece que já se delineia também a futura salvação de Israel – seu próprio restabelecimento se avizinha

Voltemos novamente para o rei Ezequias, que já estava diante da morte, mas em lágrimas implorou a cura ao Senhor. Deus ouviu sua oração e ordenou a Isaías: "Volta, e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o Senhor, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te curarei; ao terceiro dia, subirás à casa do Senhor. Acrescentarei aos teus dias quinze anos e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade; e defenderei esta cidade por amor de mim e por amor de Davi, meu servo. Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos; tomaram-na e a puseram sobre a úlcera; e ele recuperou a saúde" (2 Rs 20.5-7).

Assim como Ezequias, também Israel ainda terá que enfrentar angústia mortal. Pois no tempo da Grande Tribulação todas as nações da terra se voltarão contra Israel e se reunirão em Armagedom para destruí-lo totalmente. Mas então esse povo, em agonia, como Ezequias outrora, clamará ao Senhor com suas últimas forças: "Deus de Abraão, Isaque e Jacó! Nosso Messias, vem e salva-nos dos nossos inimigos!" Ele ouvirá Seu povo e o salvará – Israel poderá ir ao templo novamente (pois Jesus levantará o templo do Milênio) – Ele derrotará os inimigos de Israel e protegerá a cidade de Jerusalém.

A história de Ezequias se encaixa no contexto das afirmações de Deus sobre o futuro de Israel e da vinda de Jesus. Assim talvez já possamos ver, na pasta de figos, por meio da qual a saúde de Ezequias foi restabelecida, um paralelo da figueira restabelecida em Mateus 24: "Aprendei, pois, a parábola da figueira..." E a declaração: "...no terceiro dia subirás à casa do Senhor", é no mínimo interessante. Pedro disse: "Há, todavia, uma cousa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia" (2 Pe 3.8). 

Desde a primeira vinda de Jesus a Belém já se passaram quase dois mil anos (dois dias divinos). Não é em vão que após 1948 anos Deus fez de Israel novamente um povo na Terra Prometida, e no ano de 1967 lhe devolveu a cidade de Jerusalém. Será que Israel subirá novamente à casa do Senhor no "terceiro dia"? Não sabemos o momento exato da vinda de Jesus para a Sua Igreja, nem o dia da Sua volta para Seu povo Israel. 

Mas vemos e presenciamos em nossos dias a restauração da figueira: Israel é conduzido em direção à sua cura. E nosso Senhor prometeu expressamente: "Em verdade vos digo que não passará esta geração, sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão" (Mt 24.34-35).

Terceira representação: a figueira como mestre que ensina sobre os desígnios proféticos da salvação de Deus

Em Lucas 17.5-6 lemos: "Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé. Respondeu-lhes o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá."

É preciso esclarecer que, conforme diversos autores, a árvore aqui chamada de amoreira é, na verdade, o sicômoro, a figueira brava, a mesma árvore em que Zaqueu subiu para ver Jesus (Lucas 19). Um dicionário da Bíblia diz a respeito: "O sicômoro pode atingir até 16 metros de altura e alcança uma circunferência de até 10 metros. A madeira é dura, uniforme e muito durável e, depois do cedro, é a melhor madeira para carpintaria."
Certa vez o Senhor Jesus apontou para esse fato ao dizer: "Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos" (Mt 21.43).

O Senhor Jesus apontou para uma árvore tão grande e disse aos seus apóstolos, que eram judeus: "Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá." Certamente podemos dizer que, no sentido profético, isso se cumpriu exatamente. Foi o que realmente aconteceu com a figueira Israel, que no tempo de Jesus havia se tornado um povo orgulhoso. Os israelitas foram desarraigados da sua pátria judaica e lançados no mar das nações. Este foi um desígnio de salvação de Deus e tornou-se uma bênção para os povos. Por meio da fé dos apóstolos, que eram judeus, descendendo eles mesmos da figueira, o Evangelho foi levado aos gentios.

A Bíblia fala em Atos 13.46-47 sobre essa transferência do Evangelho de Israel para as nações: "Então, Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: Cumpria que a vós outros, em primeiro lugar, fosse pregada a palavra de Deus; mas, posto que a rejeitais e a vós mesmos vos julgais indignos da vida eterna, eis aí que nos volvemos para os gentios. Porque o Senhor assim no-lo determinou (Is 49.6): Eu te constituí para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até aos confins da terra." Ao desarraigamento espiritual de Israel seguiu-se, então, também o desarraigamento como nação: no ano 70 d.C. os judeus foram arrancados de sua terra e espalhados por todo o mundo.

Os apóstolos tiveram a fé para transplantar a bênção de Israel para o mar das nações. O Messias deles nos foi trazido como o Cristo. Certa vez o Senhor Jesus apontou para esse fato ao dizer: "Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos" (Mt 21.43).

O que parecia juízo – e, com certas reservas, também o foi – tornou-se uma bênção para os gentios. Paulo fala a respeito em suas palavras aos judeus, e assim explica que, de acordo com Isaías 49.6, isso foi necessário para se tornar salvação e luz para todos os gentios. Enquanto o sicômoro foi transplantado ao mar das nações, nós nos tornamos participantes da "bênção e seiva salvadora" da figueira. A esse respeito Paulo diz em Romanos 11.11: "Porventura, tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum; mas, pela sua transgressão, veio a salvação aos gentios..."
Mas Israel não continuará para sempre com suas raízes arrancadas. A palavra profética da Bíblia promete à figueira seu restabelecimento na terra dos pais – o que acontece desde 1948 e continuará acontecendo –, com o que também a bênção volta para a terra e para o povo de Israel.

Mas Israel não continuará para sempre com suas raízes arrancadas. A palavra profética da Bíblia promete à figueira seu restabelecimento na terra dos pais – o que acontece desde 1948 e continuará acontecendo –, com o que também a bênção volta para a terra e para o povo de Israel. A figueira novamente lançará raízes e trará frutos.

Por isso Paulo continua dizendo: "Ora, se a transgressão deles redundou em riqueza para o mundo, e o seu abatimento, em riqueza para os gentios, quanto mais a sua plenitude!" (v. 12). Esse novo arraigamento da figueira Israel na sua terra para restauração espiritual e nacional também é salientado em Romanos 9.26: "e no lugar em que se lhes disse: Vós sois o meu povo; ali mesmo são chamados filhos do Deus vivo." De que lugar se fala aqui? Da terra de Israel!

Assim, finalmente tudo converge na gloriosa promessa de Miquéias 4.4: "Mas assentar-se-á cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os espante, porque a boca do Senhor dos Exércitos o disse" (compare também Ageu 2.19). 

O sentar-se debaixo da videira e da figueira é uma maravilhosa imagem de uma vida em paz assegurada. Agora ainda não é assim, mas Israel será levado a isso – no Milênio de Jesus Cristo. Já o reinado de Salomão apontou para o Milênio, onde um dia reinará paz: "Judá e Israel habitavam confiados, cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, desde Dã até Berseba, todos os dias de Salomão" (1 Rs 4.25). 

Isso se cumprirá de maneira completa quando Jesus Cristo voltar ao Seu povo como o Messias de Israel. Por isso oramos: "Maranata – vem Senhor Jesus!" (Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

AUTO ESTIMA PARA CRISTÃO?

Auto-Estima Para Cristãos?

Crianças e adultos precisam realmente de auto-estima? A baixa auto-estima conduz a sérios problemas na vida? Os pais deveriam se esforçar para desenvolver a auto-estima em seus filhos? A Bíblia incentiva a auto-estima? Muitos cristãos têm suposições sobre este assunto; mas, o que diz a Bíblia? O que dizem as pesquisas?

A gênese da auto-estima

O movimento da auto-estima tem seus fundamentos mais recentes na psicologia clínica, isto é, nas teorias da personalidade elaboradas por Wiliam James, Alfred Adler, Erich Fromm, Abraham Maslow e Carl Rogers, cujos seguidores popularizaram o movimento. Contudo, as raízes do movimento da auto-estima retrocedem aos primórdios da história humana.

Tudo começou no terceiro capítulo de Gênesis. Inicialmente, Adão e Eva tinham consciência de Deus, consciência um do outro, das coisas à sua volta e não de si próprios. A percepção de si mesmos era incidental e secundária na sua focalização em Deus e um no outro. Adão compreendia que Eva era osso dos seus ossos e carne de sua carne (comp. Gn 2.23), mas não estava consciente de si do mesmo modo que seus descendentes seriam. O ego não era problema até a queda.

Comer da árvore do conhecimento do bem e do mal não trouxe a sabedoria divina. Resultou, sim, em culpa, medo e na separação de Deus. Assim, quando Adão e Eva ouviram que Deus se aproximava, esconderam-se entre as árvores. Mas Deus os viu e perguntou: "Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses?" (Gn 3.11).

O ego pecaminoso

Adão e Eva responderam dando-nos o primeiro exemplo de autojustificação. Primeiro Adão culpou Eva e Deus, e então Eva culpou a serpente. O fruto do conhecimento do bem e do mal gerou o ego pecaminoso representado pelo amor-próprio, auto-estima, auto-aceitação, autojustificação, hipocrisia, auto-realização, autodifamação, autopiedade, e outras formas de autofocalização e egocentrismo.

Desse modo, o atual movimento da auto-etc. tem suas raízes no pecado de Adão e Eva. Através dos séculos, a humanidade continua a se deleitar na árvore do conhecimento do bem e do mal, que tem disseminado seus ramos do saber mundano, incluindo as vãs filosofias humanas e, mais recentemente, as filosofias "científicas" e a metafísica da psicologia moderna.
Do berço ao túmulo, os defensores do ego prometem a cura de todos os males da sociedade por meio de doses de auto-estima, valor-próprio, auto-aceitação e amor-próprio.
As fórmulas religiosas do valor-próprio, do amor-próprio e da auto-aceitação escorrem do tubo da televisão, fluem pelas ondas do rádio e seduzem através da publicidade. 

Do berço ao túmulo, os defensores do ego prometem a cura de todos os males da sociedade por meio de doses de auto-estima, valor-próprio, auto-aceitação e amor-próprio. E todo mundo, ou quase todos, repetem o refrão: "Você só precisa amar e aceitar a si próprio como você é. Você precisa se perdoar", e: "Eu só tenho de aceitar-me como sou. Eu mereço. Eu sou uma pessoa digna de amor, de valorização, de perdão."

A resposta cristã para o mundo

Como o cristão deve combater o pensamento do mundo, que exalta o ego e o coloca no centro como a essência da vida? Como o cristão deve ser fiel à ordem de nosso Senhor, de estar no mundo mas não ser do mundo? Ele pode adotar e adaptar-se à filosofia/psicologia popular de sua cultura, ou ele deve manter-se como quem foi separado por Deus e encarar sua cultura à luz da Palavra? Jesus disse: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve" (Mt 11.28-30).

Este é um convite para deixarmos o nosso próprio caminho, submetendo-nos a um jugo de humildade e servidão – com ênfase no jugo – num relacionamento de aprendizado e vida. Jesus fez Seu convite ao discipulado com palavras diferentes, mas para o mesmo relacionamento e o mesmo objetivo, quando disse: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á" (Mt 16.24-25).

Nenhum mandamento para amar a si próprio

Jesus não nos ordena que amemos a nós mesmos, mas que amemos a Deus e ao próximo. A Bíblia apresenta uma base para o amor completamente diferente daquilo que a psicologia humanista anuncia. Ao invés de promover o amor-próprio como a base para amarmos os outros, a Bíblia diz que o amor de Deus é a fonte verdadeira. O amor humano é misturado com o amor-próprio e, em última análise, pode estar em busca de seus próprios interesses. 

Mas o amor de Deus entrega a si mesmo. Portanto, quando Jesus convida Seus discípulos a negarem a si próprios e tomarem sobre si o Seu jugo e a Sua cruz, Ele os conclama a um amor que doa a si mesmo, não a um amor que satisfaz a si mesmo. Até o advento da psicologia humanista e de sua intensa influência na igreja, os cristãos geralmente consideravam a auto-estima como uma atitude pecaminosa.


Apesar da Bíblia não ensinar o amor-próprio, a auto-estima, o valor-próprio ou a auto-realização como virtudes, recursos ou objetivos, um grande número de cristãos de hoje têm sido enganado pelos ensinos pró-ego da psicologia humanista. Ao invés de resistirem à sedução do mundo, eles se submetem à cultura do mundo. Não somente eles não resistem à gigantesca onda do egocentrismo; como estão na crista da onda da auto-estima, da auto-aceitação e do amor-próprio. Na área do ego, dificilmente se pode perceber a diferença entre o cristão e o não-cristão, exceto que o cristão afirma ser Deus a fonte principal de sua auto-estima, auto-aceitação, auto-valorização e amor-próprio.

Através de slogans, bordões e textos bíblicos deturpados, muitos crentes professos seguem a onda existencial da psicologia humanista e estabelecem seu próprio sistema motivacional. Desse modo, qualquer crítica contra os ensinamentos do valor-próprio, amor-próprio e auto-estima é considerada, por isso mesmo, como prova de que se deseja que as pessoas sejam infelizes. Além do mais, qualquer crítica contra o movimento da auto-estima é vista como um perigo para a sociedade, já que a auto-estima é considerada como panacéia para seus males. Então se alguém, na igreja, não apóia completamente a teologia da auto-estima, é acusado de promover uma teologia desprezível.
Este é um convite para deixarmos o nosso próprio caminho.

Se há algo que o mundo e muitos na igreja têm em comum nos dias atuais, é a psicologia da auto-estima. Embora cristãos professos possam discordar em algumas das nuanças da auto-estima, auto-valorização, auto-aceitação, e mesmo em alguns dos pontos mais delicados de suas definições e de como elas são alcançadas, muitos têm reunido forças contra o que acreditam ser um inimigo terrível – a baixa auto-estima. Contudo, mesmo o mundo ainda não consegue justificar o incentivo da alta auto-estima pelos seus próprios métodos de pesquisa.

As pesquisas não apresentam justificativas em favor da auto-estima

Há alguns anos, o legislativo da Califórnia aprovou o projeto de criação da "Força-Tarefa Californiana para Desenvolver a Auto-Estima e a Responsabilidade Social e Pessoal". O legislativo reservou para o projeto 245.000 dólares ao ano durante três anos, num total de 735.000 dólares. O duplo título da Força-Tarefa foi realmente muito pretencioso. Ninguém nunca conseguiu demonstrar que o estímulo à auto-estima está, de algum modo, ligado com a responsabilidade social e pessoal. Nem se provou que todos aqueles que demonstram responsabilidade social e pessoal possuem auto-estima elevada. Na verdade a auto-estima e a responsabilidade social e pessoal têm relação negativa e não positiva.

A Declaração do Objetivo da Força-Tarefa foi a seguinte:

Procurar determinar se a auto-estima e a responsabilidade social e pessoal são as chaves para descobrir os segredos do desenvolvimento humano sadio, de modo que consigamos atingir as causas e desenvolver soluções eficazes para os principais problemas sociais, fornecendo a cada californiano as mais recentes experiências e práticas quanto à importância da auto-estima e da responsabilidade social e pessoal.(1)
Apesar da Bíblia não ensinar o amor-próprio, a auto-estima, o valor-próprio ou a auto-realização como virtudes, recursos ou objetivos, um grande número de cristãos de hoje têm sido enganado pelos ensinos pró-ego da psicologia humanista.

A Força-Tarefa acreditava que apreciar a si mesmo e fortalecer a auto-estima reduziria "dramaticamente os níveis epidêmicos dos problemas sociais que enfrentamos atualmente".(2)

Há uma relação positiva entre a alta ou baixa auto-estima e a responsabilidade social e pessoal?

Com o objetivo de pesquisar esta relação, a Força-Tarefa estadual contratou oito professores da Universidade da Califórnia para examinar a pesquisa sobre a auto-estima e sua relação com as seis áreas seguintes:
  1. Crime, violência e reincidência;
  2. Abuso de drogas e álcool;
  3. Dependência da Previdência Social;
  4. Gravidez na adolescência;
  5. Abusos sofridos por crianças e esposas;
  6. Deficiência infantil no aprendizado escolar.
Sete dos professores pesquisaram as áreas acima e o oitavo resumiu os resultados, que foram publicados num livro intitulado The Social Importance of Self-Esteem (A Importância Social da Auto-Estima).(3) Esta pesquisa confirmou a relação entre a auto-estima e os problemas sociais?

David L. Kirk, colunista do jornal San Francisco Examiner, disse rudemente:
Esse... volume erudito, The Social Importance of Self-Esteem, resume todas as pesquisas sobre o assunto numa ridícula abordagem maçante de cientistas pretensiosos. Economize seus 40 dólares que o livro custa e conclua: Há pouquíssima evidência de que a auto-estima seja a causa de nossos males sociais. (ênfase acrescentada.)

Mesmo tendo procurado uma conexão entre a baixa auto-estima e o comportamento problemático, eles não puderam encontrar uma relação de causa e efeito. (Contudo, estudos mais recentes indicam uma clara relação entre o comportamento violento e a alta auto-estima.) Apesar disso, a fé na auto-estima não morre, e as escolas continuam a trabalhar para elevar a auto-estima.
Pior do que a continuação nos ensinamentos da auto-estima no mundo é a confiança que cristãos professos continuam a depositar nos ensinamentos da autovalorização e do amor a si próprios.

Pior do que a continuação nos ensinamentos da auto-estima no mundo é a confiança que cristãos professos continuam a depositar nos ensinamentos da autovalorização e do amor a si próprios. Assim, o movimento secular da auto-estima não é um ataque frontal contra a Bíblia com linhas de batalha claramente demarcadas. 

Ao invés disso, é habilidosamente subversivo, e realmente não é obra de carne e sangue, mas dos principados e potestades, dos dominadores deste mundo tenebroso, das forças espirituais do mal nas regiões celestes, como Paulo diz em Efésios 6.12. Lamentável é que muitos cristãos não estão alertas para os perigos. Muitos mais do que podemos enumerar estão sendo sutilmente enganados por um outro evangelho: o evangelho do ego.

O amor bíblico

Jesus convida os Seus para um relacionamento de amor com Ele e de um para com o outro. A alegria dos Seus deve ser encontrada nEle, não em si mesmos. O amor vem de Seu amor por eles. Assim o amor deles, de um para o outro, não vem do amor-próprio e da auto-estima, tampouco aumenta a auto-estima. A ênfase está na comunhão, na frutificação e na prontidão para ser rejeitado pelo mundo. A identificação do crente está em Jesus ao ponto de sofrer e segui-lO até a cruz. Somente através da semântica forçada, da lógica violentada e da exegese ultrajada alguém pode querer demonstrar que a auto-estima é bíblica ou mesmo parte da tradição ou do ensino da igreja.

O foco do amor na Bíblia é para cima e para fora ao invés de ser para dentro. O amor é tanto uma atitude como uma ação de uma pessoa para com a outra. Embora o amor possa incluir sentimentos e emoções, ele é essencialmente uma ação determinada pela vontade para a glória de Deus e para o bem dos outros. Assim, quando Jesus disse: "Amarás, pois o Senhor, teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força" (Mc 12.30), 

Ele quis explicar que todo o nosso ser deve estar comprometido para amar e, portanto, agradar a Deus. O amor a Deus é expresso com um coração agradecido e determinado a fazer o que agrada a Ele de acordo com o que está revelado na Bíblia. Não se trata de um tipo de obediência mecânica, mas de um desejo para conformar-se à Sua graciosa vontade e de concordar que Deus é a fonte e o padrão para tudo que é certo e bom.

A segunda ordem é uma extensão ou expressão da primeira: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mc 12.31). João acrescentou detalhes a respeito. Ele descreveu a seqüência do amor. Em contraste com os mestres do amor-próprio, que dizem que as pessoas não podem amar a Deus e aos outros até que amem a si mesmas, João diz que o amor começa em Deus e, então, se estende aos outros: "Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão" (1 Jo 4.19-21).
Deus nos amou primeiro, o que nos capacita a amá-lO, o que se expressa, então, em amar uns aos outros.
Deus nos amou primeiro, o que nos capacita a amá-lO, o que se expressa, então, em amar uns aos outros.
Desde o primeiro fôlego de Adão, os homens foram destinados a viver em relacionamento com Deus, e não como egos autônomos. A Bíblia inteira está apoiada nesse relacionamento, porque após responder ao fariseu, afirmando que o grande mandamento é amar a Deus e o segundo é amar ao próximo como a si mesmo, Jesus acrescentou: "Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas " (Mt 22.40). Jesus veio para nos livrar do ego e para restabelecer esse relacionamento de amor para o qual fomos criados. Durante séculos, foram escritos livros sobre amar a Deus e uns aos outros. Contudo, atualmente, cada vez mais, a igreja está sendo inundada por literatura ensinando-nos como amar-nos melhor, nos estimarmos mais, aceitar-nos como somos e desenvolvermos o nosso próprio valor. (Martin e Deidre Bobgan BDM 12/97 – extraído e/ou adaptado das edições 3-4 e 5-6/96 da PsychoHeresy Awareness Letter - http://www.chamada.com.br).

Notas:

  1. California Task Force to Promote Self-Esteem and Personal and Social Responsibility. "1987 Annual Report to the Governor and the Legislature", p.V.
  2. Andrew M. Mecca, "Chairman’s Report". Esteem, Vol.2, nº 1, fevereiro de 1988, p.1.
  3. Andrew M. Mecca, Neil J. Smelser e John Vasconcellos, eds. The Social Importance of Self-Esteem. Berkeley: University of California Press, 1989.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

VIVENDO PARA DEUS

Tempo de adorar!!!
A pequena casa servia de sala de aula para cerca de doze crianças, meus alunos, filhos dos missionários americanos em Serra Leoa, na África. Da janela, via-se o pequeno cemitério, que eu havia visitado algumas vezes, andando entre as lápides simples e gastas que marcavam as covas dos missionários de outra geração, que para ali chegaram trazendo o Evangelho, cinqüenta ou sessenta anos antes.  

 As datas nessas lápides mostravam que a chama viva em alguns desses jovens missionários só ardera por poucos anos naquela terra assolada por doenças, antes que seus corpos fossem baixados à sepultura. Junto com eles foram enterradas também as belas, ardentes esperanças de resgatar as almas das pesadas trevas espirituais daquele país. Cada vez, meu coração ficava compungido ao honrá-los em silêncio por sua corajosa devoção e obediência, enquanto perguntava a mim mesma o que o Deus fiel teria guardado na eternidade para aqueles que, seguindo seu Mestre, caíram como sementes no solo e morreram para dar fruto (Jo 12.24). 

 Ouvi dos lábios de Grace, uma missionária idosa que ali continuava servindo a Deus, a seguinte história. Depois da morte desses primeiros jovens missionários, a junta de missões, lá em sua pátria de origem, lançou um solene apelo aos estudantes na escola de treinamento: Quem tomaria o lugar daqueles que haviam caído?

 Como aqueles estudantes devem ter sondado os seus corações nos dias a seguir! Depois de um tempo, ficaram sabendo que uma jovem se oferecera para ir. “Quem será?”, perguntavam-se os estudantes. Quem estaria querendo pôr a vida em perigo por amor a Jesus? 

 Quando chegou a hora, a jovem voluntária Grace embarcou para a terra do chamado de Deus e ali serviu fielmente por muitos anos. Foi ali também que ela conheceu o missionário que Deus separara para ser seu esposo. No tempo certo, o Senhor concedeu-lhes também o privilégio de serem pais do primeiro bebê branco nascido em Serra Leoa. Mais tarde, Deus concedeu-lhes mais um filho. Ambos, ao chegarem à idade certa, responderam ao chamado de Deus para servi-lo na “África Negra”, no mesmo lugar em que haviam aprendido a língua e os costumes durante a sua criação. Serviram bem e por muito tempo. Uma neta e um neto, também ali nascidos, devotaram alguns anos a Deus naquela que para eles era a terra natal.
 O Senhor está edificando sua Igreja em todo o mundo. Alguns podem semear, até mesmo a própria vida, enquanto outros colhem. Deus tem um lugar para cada um de nós, segundo seu grande plano. 

“Por serviço ou por sacrifício” 

 Um antigo lema missionário, que alguns já devem ter ouvido, é: “Por serviço ou por sacrifício”. Podemos confiar inteiramente no coração de Deus, que determina qual dos dois será para cada um de nós. Esse lema encaixa-se perfeitamente em todo aquele que quer seguir as pegadas do nosso Senhor. O próprio Deus nos chama a adotá-lo quando, através das palavras do apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos, ele nos roga “pelas misericórdias de Deus” a nos apresentarmos “como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o [nosso] culto racional” (12.1).

 Embora o chamado seja para todos, a resposta e a aplicação terão de ser muito pessoais para cada um de nós. “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24). Deus repetiu essa palavra em Marcos (8.34) e Lucas (9.23). Negar-se voluntariamente a si mesmo e atender pessoalmente ao chamado de Deus para servi-lo onde e quando ele determinar é a única resposta correta, que deve ser dada com alegria em face do sacrifício de Cristo por nós e das bênçãos eternas que nos advirão. 

 Como necessitamos da ajuda de Deus para chegar ao final da nossa vida sem abandonar nem transigir com a nossa cruz! É mais fácil pegar a cruz do que carregá-la até o fim. Bem-aventurado aquele que persevera. A cruz pode significar atravessar o oceano com o Evangelho e ir para algum lugar solitário e hostil. Ou, como em alguns casos que conheço, pode significar passar a vida preso, desde jovem, a uma cadeira de rodas e, mesmo assim, servir ao Senhor como obreiro fiel por meio da oração. Muitos de nós estamos em alguma posição intermediária entre esses opostos, mas “há uma cruz para cada um e há uma cruz para mim” (letra de um hino). 

 Nos versos de um hino de Elizabeth C. Clephane (música escocesa, 1830-1869), vemos o coração de uma mulher que tomou sua cruz para servir com amor, alegria e desprendimento aos pobres e aos deficientes, sem se importar com sua própria falta de saúde: 
 Desejo estar à sombra da cruz do Salvador;

 Nenhum fulgor anseio senão o da face do meu Senhor;
 Contente em viver longe das ambições e conquistas deste mundo,
 A não tomar conhecimento nem de ganho nem de perda,
 Minha natureza pecaminosa, minha única vergonha,
 Minha única glória, a cruz.

 Não é somente nas decisões grandiosas, mas também nos pequenos impasses diários que temos de fazer escolhas decisivas. É o cristão cheio do Espírito que tem condições de, pelo Espírito, mortificar seus desejos e planos egoístas. Muitas vezes é uma escolha entre o bom, o melhor e o máximo. O que é que eu preciso abandonar, dos meus interesses pessoais, para investir mais tempo, talentos e recursos para o Senhor e para as almas que ele ama e quer que seu povo alcance? 

 Paulo exorta os coríntios a não receberem a graça de Deus em vão (2 Co 6.1). Todo o louvor ao nosso Salvador, o qual não considerou ser inútil vir à Terra e sofrer e morrer por nós! Agora ele recebeu a recompensa, “coroado de glória e de honra” (Hb 2.9). Que o propósito desse grande sacrifício, em toda sua plenitude, seja consumado em nós e por nosso intermédio. Isso acontecerá quando nos apresentarmos como sacrifício vivo e contínuo. Enquanto escrevo essas palavras, sinto com pesar quão pouco tenho vivido isso em minha vida.

 O grande zelo de Paulo pelo Senhor e pelo seu Reino é a prova de que o amor de Deus estava em seu coração: “Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; portanto todos morreram. E ele morreu por todos para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5.14). Paulo nos conclama à obediência, como lemos em sua segunda carta aos coríntios, quando diz que “importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (5.10). 

Quanta atenção devemos dar a essas palavras se quisermos comparecer diante de Deus com confiança naquele dia – o que certamente todos nós desejamos!

por Lois J. Stucky

ORAÇÃO QUE ATRAI A ATENÇÃO DE DEUS


“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar (...) eu perdoarei (...) e sararei a sua terra” (2 Cr 7.14)

O Propósito e a Importância da Oração

 Cameron V. Thompson, no seu livro The Master Secrets of Prayer (“Os Principais Segredos da Oração”), usou esta ilustração: “Uma pobre alma ingressou na escola de oração depois de chegar ao inferno. Pediu alívio para a sua agonia; foi rejeitada. Pediu que um mendigo advertisse os seus irmãos; foi-lhe recusado. Dirigiu sua oração a Abraão, um homem; não conseguia localizar Deus. Não ousou pedir para sair, pois entendia claramente que estava além de qualquer esperança. Ele é o homem que não orava na terra, não foi respondido no inferno e que continuará sofrendo, porque tentou aprender a orar tarde demais” (Veja Lucas 16.19-31).

 Ao vermos a decadência moral e o afastamento de Deus na sociedade e na igreja, nenhum cristão sério duvida da necessidade de um poderoso avivamento, vindo dos céus, que abalará a igreja atual até os seus alicerces. Isso trará uma purificação e uma outorga de poder que virarão as nações pelo avesso, de tal modo que o nosso modo de vida atual será visto como totalmente inaceitável diante de um Deus santo. Isso se torna cada vez mais urgente, “tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima” (Hb 10.25; Ap 22.12). 

 Torna-se imperativo, portanto, para a igreja de Jesus dobrar os seus joelhos em obediência e oração. A cultura hoje está tão embriagada com sexo e diversões obscenas, tão orgulhosa de sua “mente aberta” e liberal que qualquer pensamento mais sério a respeito de Deus é totalmente excluído. A.W.Tozer tinha razão quando disse: “O mundo ocidental segue rindo e se divertindo, enquanto caminha diretamente para o inferno”.

A Relação entre Oração e Avivamento

 Wesley Duewel, no seu livro Revival Fire (Fogo do Avivamento), diz: “Na história da Igreja, cada vez que veio um avivamento, primeiro houve um período prolongado de oração e busca da face de Deus por alguns dos seus filhos”. É por isso que queremos entender qual a oração que consegue obter a atenção de Deus. Sabemos que há uma relação íntima entre oração e obediência. Podemos perguntar: “O que é mais importante?” ou: “O que vem antes, a obediência ou a oração?” Para isso, precisamos olhar na Escritura e ver o que Deus diz.

O Trabalho de Deus: O Espírito Santo nos Atrai

 À medida que Deus atrai o homem e se revela a ele, este tem a oportunidade de aceitá-lo e segui-lo, o que resulta em perdão e salvação; ou rejeitá-lo, com o resultado da eterna separação do seu amor (Mc 16.16). Aqueles que atenderem ao seu chamado encontrarão perdão, alegria indescritível e maravilhosa comunhão com Cristo, seu Salvador. “A bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento” (Rm 2.4). Essa é a razão para a cruz! (Veja também Jr 31.3; Jo 6.44; 12.32).

 Davi disse: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma” (Sl 42.1). 

 Deus disse: “Derramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca” (Is 44.3). Também: “Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.13).

Nosso Trabalho: Somente Nossa Obediência é Aceitável a Deus

 A Escritura nos mostra claramente que o trabalho e a carga do Espírito Santo é levar-nos a Cristo, revelando assim seu amor, sua beleza e sua santidade. Isso resulta em nós duas coisas: seguirmos a ele bem de perto e obedecermos-lhe completamente, abandonando tudo nas nossas vidas que não vem dele (1 Sm 15.22; Ml 3.7; Jr 7.23; 2 Co 10.5).

Nosso Meio de Comunicação com Ele –  A Oração 

 Ele nos atrai. Nós desejamos segui-lo em completa obediência. Queremos conhecer aquele que nos amou e nos libertou do pecado. Nosso maior desejo, agora, é estar na sua presença e ter comunhão com ele. Isso é oração.  

 Observe: Samuel, quando ainda menino, orou assim no templo: “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve” (1 Sm 3.9-10; veja também Hb 4.16 e Fp 4.6). 
 Nota: O exercício ou o ato de orar significa muito pouco se não estiver acompanhado de um espírito submisso e obediente.

Como nos Aproximamos de Deus?

 “Se o meu povo (...) se humilhar e orar...” (2 Cr 7.14) 

 Em humildade. Em Lucas 18.14, lemos que aquele “que se exalta será humilhado, mas o que se humilha será exaltado”. Uma pessoa orgulhosa vê somente a si mesma, a seus feitos e a suas conquistas, e isso a torna cega para as suas falhas e pecados. Um homem humilde vê a si mesmo como Deus o vê e não fica feliz com o que vê, o que o força a se voltar para Cristo (Lucas 18.13 ; 1 Pe 5.5).

Cuidado com os Bloqueios

 Nas Escrituras, Deus afirma que ouve as orações dos seus filhos somente se as mãos deles estiverem limpas e os corações puros (Sl 66.18; 24.3-5; Is 1.15). Acredita-se em geral que o Deus de amor sempre tem o seu ouvido aberto para os clamores dos seus filhos. No entanto, através de todas as Escrituras Deus diz o contrário. 

 O primeiro capítulo de Isaías, do início ao fim, trata com essa situação. Muitos dos filhos de Deus andavam pelos seus próprios caminhos, confiando na sua relação com Jeová como um cartão de crédito válido para receber bênçãos do Senhor “à vontade”. Não pareciam compreender que eram descritos por Deus como um povo “carregado de iniqüidade”, com uma cabeça “toda doente”, tendo “contusões e chagas inflamadas” desde a planta do pé até à cabeça (Is 1.4-6). Deus rejeitou seus sacrifícios e sua adoração por serem hipócritas e disse: “Quando estendeis as vossas mãos em oração, escondo de vós os meus olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço...” (Is 1.15). 

 Entretanto, mesmo diante desse tipo de evidente frieza, desobediência e rejeição dos seus apelos, Deus lhes disse: “...ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. Se quiserdes, e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra” (Is 1.18-19).  

 Os cristãos hoje em dia estão iludidos quando pensam que, enquanto estiverem orando e praticando as formas exteriores de adoração, eles têm o direito de ir para Deus com suas necessidades, grandes ou pequenas, e que Deus tem a obrigação de ouvir e atendê-los. Contudo, ele diz muito claramente que se houver pecado no meu coração “o Senhor não me ouvirá” (Sl 66.18). Ele ouvirá, sim, os clamores daqueles que realmente querem voltar para ele (Ml 3.7) e que estão determinados a andar com ele de ora em diante. Somente o nosso Deus poderia ser tão amoroso, paciente e pronto a perdoar.  

 Leia as suas palavras em Oséias 14.4: “Eu curarei a infidelidade deles e os amarei de todo o meu coração, pois a minha ira desviou-se deles” (NVI).

Que Lugar Tem a Oração em Relação ao Avivamento?

  Leonard Ravenhill, no seu livro Revival Praying (“Orando Para Avivamento”), faz uma pergunta que precisa ser respondida hoje. “Estamos nós, os que ainda temos as brasas vivas no nosso altar, nos comparando com os altares apagados das igrejas vizinhas, ao invés de avaliar o ardor de oração dos santos de gerações passadas? O mundo alardeia o seu poder atômico, alguns cultos se vangloriam do seu poder satânico, mas onde estão aqueles que buscam o poder do Espírito Santo?” 

 Com freqüência, substituímos a oração por excessivas atividades religiosas, quando Deus deseja gravar dentro de nós o “aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” (Sl 46.10). Alguém disse que quando Deus pretende exercer grande misericórdia sobre o seu povo, a primeira coisa que faz é levá-lo à oração. Somente quando alguns dentre o povo de Deus se dispõem a orar até que Deus quebre o casulo da zona de conforto do homem é que podemos esperar uma visitação do trono de Deus. Isso pode levar dias, ou até meses, mas a promessa de Deus será cumprida: “Derramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca” (Is 44.3). 

 Brian Edwards disse: “Os homens que Deus usou em avivamentos sempre tiveram um elevado conceito de Deus e foram hipersensíveis ao pecado, muito antes do avivamento começar. Provavelmente, a nossa falta de oração hoje, juntamente com a ausência de santidade nas vidas dos líderes cristãos, tem convencido a Deus de que não estamos muito sérios quando pedimos que nos mande um avivamento”.

Oração nas Hébridas

 Duncan Campbell [evangelista no avivamento das Hébridas em 1949] relatou os acontecimentos nos dias que antecederam o avivamento: 

Era a reunião semanal de oração. Tinha havido uma intensa oposição ao Evangelho no vilarejo e, embora muitos tivessem vindo de outros locais para participarem das reuniões, havia pouquíssimos da própria localidade. Um líder da igreja sugeriu que fossem orar, e umas trinta pessoas se dirigiram para a casa de um fazendeiro simpatizante. A oração era difícil, mas, lá pela meia-noite, Duncan voltou-se para o ferreiro local que até então estivera calado e lhe disse: “Sinto que chegou a hora de você orar”. 

O homem orou por cerca de meia hora, porque em avivamentos o tempo não é levado em conta, e finalmente encerrou sua oração com um desafio ousado: “Deus, tu não sabes que a tua honra está em jogo? Tu prometeste derramar torrentes em terra seca, mas isso não está acontecendo”. Por um momento, houve uma pausa, mas em seguida, ele concluiu: “Deus, a tua honra está em jogo, e eu te desafio a cumprir os teus compromissos de aliança”. 

“Naquele momento”, lembra Duncan Campbell, “toda aquela casa de pedra tremeu como uma folha”. Um dos presbíteros achou que era um terremoto, mas Duncan se lembrou de Atos 4.31: “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos...” Duncan Campbell ministrou a bênção, e eles saíram da casa. Eram duas horas da madrugada, mas todo o vilarejo estava aceso, incendiado por Deus. Homens e mulheres carregavam cadeiras e perguntavam se havia lugar para eles na igreja! (De Revival, A People Saturated With God, de Brian Edwards – Avivamento, Um Povo Saturado por Deus). 
Pergunta: Será que temos uma base em oração para poder desafiar Deus dessa maneira?

Pode Alguém Orar pelo Avivamento?

 A resposta é sim! Entretanto, a pergunta deveria ser: Quem pode mover Deus para que envie o avivamento? No Salmo 24.3-5, o salmista pergunta: “Quem subirá ao monte do Senhor? Quem há de permanecer no seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração” – aquele que está totalmente entregue a ele. Ou seja, quem está qualificado para orar é aquele que perscrutou o seu coração diante de Deus, recebeu purificação e agora está apto a chamar a presença do Espírito de Deus sobre o seu povo. 

 No versículo cinco, ele afirma que tal pessoa será ouvida e receberá a bênção do Senhor. Isso se refere ao poder do Espírito Santo. É a bênção, não uma bênção. Aqui o nosso relacionamento pessoal com Deus assume uma importância primordial. Deus ouve as orações daqueles que têm um relacionamento com ele por meio do sangue e não estão em divergência com um irmão ou uma irmã em Cristo. Divergência sempre causará um bloqueio na nossa oração (Mt 5.23-24). 

 Alguém disse: “Corações manchados que comandam mãos manchadas não podem utilizar os recursos de Deus”. A pergunta é: O nosso relacionamento com Deus é pra valer? Estamos prontos a pagar o preço do avivamento? Sabemos que a oração é dispendiosa e exigente. Em outras palavras, requer perseverança. Implica negar-se a si mesmo – morrer todos os dias, voluntariamente.

Deus Responderá Nossas Orações?

 Como filhos de Deus, podemos escolher entre orar eficazmente e apresentar desculpas. Freqüentemente, escolhemos a saída humana e mais simples, oferecendo desculpas por nosso fracasso em tocar em Deus. Por exemplo, é porque estamos cansados. Não tivemos tempo para orar. Apontamos para a frieza ou os problemas na nossa família e igreja, ou para a época em que vivemos como motivos da nossa falta de oração. Até mesmo alguns pastores e missionários são ousados a ponto de pôr a culpa em Deus, dizendo que já que Deus é soberano, não deve ter chegado a sua hora de descer do céu com fogo. 

 Será que não é porque o “nosso armário está vazio”? Porque a frieza tomou conta de nós? Será que o pecado embotou a nossa sensibilidade à voz de Deus? Temos tantos deuses deste mundo que não há mais tempo nem energia. Se abrigarmos na nossa vida algo que sabemos ser pecado, isso definitivamente nos impedirá de orarmos a Deus (Sl 66.18). Isaías disse ao povo de Deus: “Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.2).  
 Se Elias estivesse aqui, ele bradaria: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o” (1 Rs 18.21). Deus diz para todos aqueles que estão famintos por ver o fogo de Deus descer sobre a sua igreja hoje: “Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 19.13). No Evangelho de Mateus, Cristo diz: “Pedi, e dar-se-vos-á...” (7.7). Paulo nos diz que “tudo é vosso” (1 Co 3.21).

Oração Desesperada


 Quando realmente queremos que Deus venha, descobrimos que verdadeira oração é trabalho. Satanás dedicará todos os seus esforços no sentido de impedir-nos de tocar o trono de Deus. Há um preço a pagar – um preço, talvez, de longas horas, noites sem dormir, sondagens do coração e, possivelmente, de “faxinas” da nossa casa interior (Sl 66.18). 

 Oração significa negar a si mesmo e, talvez, colocar de lado as coisas das quais gostamos ou que gostaríamos de fazer, a fim de dar a Deus tempo para implantar a carga do seu Espírito nos nossos corações. É nesse ponto que começamos a desfrutar da vitória à medida que começamos a obedecer plenamente aos toques interiores do Espírito, deixando o Espírito Santo tomar o controle.  

 Agora, o nosso Pai ouvirá as nossas orações. Não é o que o presbítero no avivamento das Hébridas quis dizer quando exclamou: “Amigos, é muita falsidade ficar esperando e orando, esperando e orando, se os nossos corações não estão em dia com Deus”? 

 Duncan Campbell afirmava que “desejar o avivamento é uma coisa; expectativa confiante de que nosso desejo será atendido é outra! Deus freqüentemente leva o seu povo ao ponto de desespero antes que ele envie o avivamento; somente então é que eles aprendem que ‘sem mim nada podeis fazer’” (João 15.5). Que Deus nos dê pessoas desesperadas!

Conclusão

 Deus está buscando uma pessoa e um povo que sejam sérios, sedentos e desesperados por uma poderosa visitação divina sobre nós. 

1.           Ele exige que as mãos e os corações de tais pessoas sejam limpos diante de Deus e diante dos homens (Sl 24.1-5).
2.             Uma vez que as condições estabelecidas em 2 Crônicas 7.14 sejam atingidas, Deus procura aqueles que vão orar, esperar e confiantemente aguardar que Deus cumpra a sua promessa.

 Acreditamos que Deus cumprirá a sua promessa de voltar-se para nós, se nós nos tivermos voltado a ele total e incondicionalmente? (Ml 3.7). A resposta é Sim, ele será fiel à sua promessa! Deus está mais ansioso para vir ao seu povo num maravilhoso avivamento de purificação e visitação divina do que o seu povo está para se entregar totalmente a ele! 

 Se realmente queremos ver Deus descer com fogo purificador sobre nós e sobre todo o seu povo, será que estamos prontos a nos gastar por muito tempo diariamente em oração? Lembremo-nos de que Deus nos pediu para nos humilharmos diante dele e orarmos. Então Deus ouvirá do céu (2 Cr 7.14).

De Revival – God’s Proven Method of Awakening His Church (Avivamento – Método Provado de Deus para o Despertamento da Sua Igreja), de Edgar H Lewellen.

 
por Edgar H. Lewellen

A PERSONALIDADE DO ESPIRITO SANTO

O que a Bíblia diz a respeito do Espírito Santo como pessoa? Não há como se relacionar corretamente com o Espírito Santo nem entender sua obra ou conhecer o maravilhoso trabalho que realiza em nossas almas sem primeiro conhecê-lo como pessoa. 

Importância da Doutrina da Pessoalidade do Espírito Santo 

 Em primeiro lugar, a doutrina da pessoalidade do Espírito Santo é da mais alta importância para a adoração. Se o Espírito Santo é uma pessoa, e uma pessoa divina – como de fato é –, e nós não o conhecemos como tal, pensando que é apenas uma força ou uma influência impessoal (como acontece muito), então estamos roubando de uma pessoa divina a adoração que lhe é devida, o amor que lhe é devido, e a fé, a confiança, a entrega e a obediência que lhe são devidas. 

 Em segundo lugar, a doutrina da pessoalidade do Espírito Santo é da mais alta importância do ponto de vista prático. Se você pensa no Espírito Santo como uma mera influência ou força, então estará sempre perguntando: “Como posso apossar-me do Espírito Santo para poder usá-lo?” Ou: “Como posso conseguir mais do Espírito Santo?”  

 Mas se você o vê tal como a Bíblia o apresenta – uma pessoa de divina majestade e glória –, seu pensamento será: “Como o Espírito Santo poderá apossar-se de mim e usar-me?” “Como pode o Espírito Santo usufruir mais de mim?” 

 Se você vê o Espírito Santo como uma influência ou força a ser obtida e da qual se deve tirar proveito, no momento em que achar que já o recebeu, fatalmente se tornará orgulhoso, andará com altivez, como se fizesse parte de alguma elite cristã. Mas se, ao contrário, você vê o Espírito Santo segundo o conceito bíblico, como uma pessoa divina de infinita majestade que vem habitar em nossos corações, apossando-se de nós e nos usando segundo a sua vontade e não segundo a nossa – o resultado será a renúncia de si mesmo, o humilhar-se e a abnegação. 

 Não conheço nenhum pensamento que tenha mais poder para nos levar à humildade e à despretensão do que essa grande verdade bíblica, que nos apresenta o Espírito Santo como uma pessoa divina que vem habitar em nossos corações e tomar posse de nossas vidas para usá-las conforme aprouver à sua infinita sabedoria. 
 Em terceiro lugar, a doutrina da pessoalidade do Espírito Santo é da mais alta importância no que concerne à nossa experiência pessoal. Milhares, dezenas de milhares de cristãos, homens e mulheres, podem testemunhar da completa transformação de vida e de serviço a Deus que experimentaram depois que passaram a conhecer o Espírito Santo como uma pessoa. 

Provas da Pessoalidade do Espírito Santo 

 Uma das provas da pessoalidade do Espírito Santo é que todas as marcas distintivas que caracterizam as pessoas são atribuídas a ele na Bíblia. Quais são essas marcas distintivas? Conhecimento, sentimento e vontade. Qualquer ser que conhece, sente e tem vontade é uma pessoa. 

 Quando se afirma que o Espírito Santo é uma pessoa, pode-se entender que se está querendo dizer que ele tem mãos e pés, olhos e ouvidos, nariz e boca.  Não é nada disso. Essas não são, de forma alguma, marcas de pessoalidade; são evidências de substância corporal. 

 Qualquer ser que conheça, pense, sinta e exerça uma vontade é uma pessoa, quer tenha corpo, quer não tenha. Tanto eu como você, caso nossa vida aqui na Terra acabe antes da volta do Senhor, deixaremos de ter corpo, temporariamente; estaremos “ausentes do corpo” e habitando com o Senhor (2 Co 5.8). Entretanto, ainda assim seremos pessoas, mesmo sem corpo. 
1.            “Porque, qual dos  homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito que nele está? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus” (1 Co 2.11). Aqui se revela como o conhecimento é atribuído ao Espírito Santo. Ele não é uma mera iluminação que vem à nossa mente, pela qual somos capacitados a conhecer a verdade que de outra forma não descobriríamos. O Espírito Santo é uma pessoa que conhece as coisas de Deus e nos revela o que ele próprio conhece.

2.            “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1 Co 12.11). Este verso mostra que o Espírito Santo não é meramente um poder divino – que podemos captar e usar de acordo com a nossa vontade –, mas sim uma pessoa divina. É ele que se apossa de nós e nos usa segundo sua vontade. Inúmeros cristãos honestos e bem-intencionados estão se equivocando nesse ponto. Querem apropriar-se de algum poder divino e usá-lo de acordo com seus desejos. Agradeço a Deus, do fundo do meu coração, pelo fato de não existir nenhum poder divino do qual eu possa me apropriar, para usar a meu talante. E fico ainda mais grato pelo fato de existir uma pessoa divina que pode apoderar-se de mim e usar-me segundo sua vontade, que é infinitamente mais sábia e amorosa.

3.            “E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos” (Rm 8.27). Preste atenção nestas palavras: “a mente do Espírito”. A palavra grega aqui traduzida como “mente” é “phronema”, termo abrangente que engloba essas três idéias: conhecimento, sentimento e vontade. É a mesma palavra usada no verso 7 deste capítulo, que em uma versão foi traduzida como “pendor”, em outra como “inclinação”, em outra ainda como “desejo”: “O pendor (inclinação, desejo) da carne é inimizade contra Deus”. Ou seja, não apenas o pensamento da carne, mas toda a sua vida intelectual e moral é inimizade contra Deus.

4.            “Rogo-vos, pois, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e também pelo amor do Espírito, que luteis juntamente comigo nas orações a Deus a meu favor” (Rm 15.30). Observe particularmente estas quatro palavras: “pelo amor do Espírito”. Que pensamento magnífico! Ele nos ensina que o Espírito Santo não é uma mera influência ou poder cego, ainda que bondoso, que entra em nossos corações e vidas. Pelo contrário, é uma pessoa divina, que nos ama com o mais terno amor.

Quantas pessoas, porventura, já agradeceram ao Espírito Santo por seu amor? Alguma vez, você já dobrou os joelhos, olhou para o Espírito Santo e orou: “Espírito Santo, eu te dou graças pelo teu grande amor por mim”? No entanto, nós devemos nossa salvação ao amor do Espírito, tanto quanto ao amor do Pai e do Filho.

Se não fosse o amor de Deus Pai, que lá do alto me viu atolado em minha perdição, sim, que se antecipou à minha queda e ruína e enviou seu próprio Filho para descer à Terra e morrer na cruz em meu lugar, hoje eu seria um homem perdido. Se não fosse pelo amor de Jesus Cristo, o Filho, que desceu a este mundo, por obediência ao Pai, e entregou sua vida em sacrifício perfeito, na cruz do Calvário, para que eu fosse salvo, hoje eu seria um homem perdido. Mas, também, se não fosse o amor do Espírito Santo por mim, que o fez descer a este mundo, em obediência ao Pai e ao Filho, para procurar-me diligentemente até me encontrar na minha perdição; para seguir-me dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, sempre ao meu lado, mesmo quando eu ainda não o queria ouvir, quando eu deliberadamente voltava a cabeça para o outro lado, quando o insultava; para ir atrás de mim a lugares que lhe devem ter causado agonia em sua santidade, até que conseguisse abrir a minha mente e fazer-me compreender a minha miséria, minha condição totalmente perdida, e revelar o Senhor Jesus como meu Salvador e Senhor – se não fosse a paciência, a longanimidade, o inesgotável amor do Espírito de Deus por mim, eu hoje seria um homem perdido.

5.            “E lhes concedeste o teu bom Espírito, para os ensinar; não lhes negaste para a boca o teu maná; e água lhes deste na sua sede” (Ne 9.20). Aqui, tanto a inteligência quanto a bondade são atribuídas ao Espírito Santo. Essa passagem não acrescenta nada ao que lemos antes, mas resolvi citá-la porque está no livro de Neemias, que pertence ao Velho Testamento. Há quem diga que a doutrina da pessoalidade do Espírito Santo está no Novo Testamento, mas não no Velho. Porém, aqui vemos claramente que está tanto em um como no outro. É claro que não vamos encontrar referências ao Espírito Santo com a mesma freqüência em ambos, porque o Novo Testamento é a dispensação do Espírito Santo, mas a doutrina de sua pessoalidade está também no Velho Testamento.

6.            “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef 4.30). Este versículo fala que podemos entristecer o Espírito Santo. Ele é uma pessoa que nos ama, uma pessoa santa, que é intensamente sensível ao pecado, que se horroriza com o pecado, mesmo naquelas formas que podemos achar menos nocivas. Ele vê tudo que fazemos, não somente à luz do dia, mas também nas trevas da noite. Ele ouve todas as palavras que proferimos, cada palavra ociosa que escapa dos nossos lábios. Ele vê cada pensamento que abrigamos em nossa mente, cada fantasia fugaz que deixamos ficar por um instante que seja em nosso interior. E se há alguma coisa ímpia, impura, vaidosa, impiedosa, imprópria, cruel, desagradável, amarga, irônica, crítica ou de alguma forma contrária à fé cristã, em pensamento, palavra ou obra, ele a vê, e isso o entristece inimaginavelmente.

Quantas vezes tem chegado à minha mente algum pensamento ou fantasia, cuja procedência desconheço, mas que não posso e não devo abrigar – e justamente quando já estava a ponto de acolhê-lo, veio o pensamento: “O Espírito Santo está vendo e ficará triste com isso”! Com essa intervenção, o pensamento foi embora.  

Diante de tantas questões que surgem, e com as quais temos tanta dificuldade em lidar, esse pensamento do Espírito Santo nos ajudará a ter o comportamento correto em relação a elas. A condição é que desejemos mesmo a solução dele, e não fazer aquilo que nos agrade e, ao mesmo tempo, entristeça o Espírito Santo.  

Extraído de “The Holy Spirit: Who He Is and What He Does” (O Espírito Santo: Quem Ele é e o Que Ele Faz), de R. A. Torrey.

por R. A. Torrey

RECEBERREIS PODER

“Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas...” (At 1.8). Esse poder do Espírito Santo é para todos os que crêem (Jo 7.37-39; At 2.37-39; At 8.15; At 10.44-45). O mandamento bíblico para aqueles que crêem é “enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18).

 Há duas razões pelas quais todo crente deve ser cheio do Espírito Santo:

 1) Para obter vitória sobre o pecado; para ser capacitado a viver uma vida plena (Rm 8.13; Gl 5.16); 

 2) Para receber poder para a função específica à qual foi chamado. “A cada um sua obrigação”, disse Jesus (Mc 13.34). “Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve” (1 Co 12.18).

 Nem todos são chamados para o mesmo ministério, evidentemente, mas cada pessoa redimida é chamada pelo Senhor para um ou mais ministérios ou meios de testemunhar. “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1 Co 12.11).  

 O evangelista Charles G. Finney – que foi batizado com o Espírito Santo na mesma noite em que se converteu – pregava o Evangelho com o poder do Espírito Santo. Ele tinha o ministério de pregar. Havia, porém, dois homens que trabalhavam junto com ele – Clary e Nash – que não foram agraciados com o dom da palavra, mas que eram poderosos na oração.

 Não devemos aspirar a um ministério semelhante ao de outrem, se Deus não nos chamou a isso. Devemos desejar, com todo nosso coração, ocupar o lugar ao qual Deus nos chamou e ali fazer o trabalho que ele nos designou. Também não devemos desistir até descobrirmos que lugar é esse e qual a nossa tarefa. “Não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor” (Ef 5.17).

 “Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixa de o ser. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? (...) Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo?(...) Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós. (...) Contudo, Deus coordenou o corpo (...) para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam. Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo” (1 Co 12.14-27).

 O corpo humano é assim comparado à Igreja, que é o Corpo de Cristo (Cl 1.12-18; Ef 1.15-23). O olho tem uma função; o ouvido, outra. Assim é na Igreja: “Porventura são todos apóstolos? Ou todos profetas? São todos mestres? Ou operadores de milagres?” (1 Co 12.29).

 Irmãos, não fiquemos desanimados se o nosso ministério não é, aos nossos olhos, tão brilhante quanto o do nosso irmão. Ao mesmo tempo, não devemos descansar enquanto não soubermos o plano de Deus para nossa vida e estivermos fazendo a vontade dele, com o poder do Espírito Santo.

 Quando o seu corpo está forte e saudável, você consegue realizar com eficácia muitas coisas que não conseguiria fazer se estivesse doente. Da mesma forma, quando o Corpo de Cristo, que é a Igreja, está reavivado, cheio do Espírito Santo, ele faz obras poderosas. O corpo humano pode estar vivo, porém tão fraco e abatido que se torna praticamente inútil em termos de realizar as coisas para as quais foi formado. Assim também, o Corpo de Cristo pode estar vivo, mas praticamente sem qualquer influência na sociedade. Ó Deus, envia um poderoso reavivamento do Espírito Santo!

 Motivos puros

 Devemos almejar, com todas as nossas forças, ser aquilo que Deus deseja que sejamos. Todavia, precisamos examinar nossos motivos. “Vigiai, pois, a todo o tempo, orando”, disse Jesus (Lc 21.36). Querer “ser o primeiro” (Mc 9.35) por pura vaidade, pelo desejo egoísta de sobressair-se entre os irmãos, é errado. A pessoa que age para atingir objetivos pessoais e egoístas pode até pregar muito bem e expulsar demônios e, ainda, no fim, perder a salvação. A Bíblia diz que isso vai ocorrer com muitas pessoas (Mt 7.21-23). “Procuras tu grandezas para ti mesmo? Não as busques” (Jr 45.5).

 Uma pessoa pode querer ser cheia do poder do Espírito Santo, mas só para impressionar, parecer que é mais santo ou que tenha uma fé mais forte que os demais. Deus ordena que sejamos cheios do Espírito, mas ele quer que nossos motivos sejam corretos. Até o nosso Isaque precisa ser colocado no altar.

 Um evangelista, ainda que tenha grande fé ou um ministério cheio de poder, jamais deve desprezar aqueles que vêm depois com o ministério de ensino, que é tão importante quanto o seu, embora menos visível ou espetacular. “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos” (Mt 18.10). 

 “Fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31). “Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros, e contudo não procurais a glória que vem do Deus único?” (Jo 5.44).
 “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.39). Que o empenho que você tem para buscar o aperfeiçoamento do seu próprio ministério seja  também direcionado para fazer tudo ao seu alcance para que seus irmãos e irmãs em Cristo encontrem seus lugares no Corpo de Cristo e ajam segundo a vontade de Deus. “Advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo” (Cl 1.28).

 “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um. Porque, assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina, esmere-se no fazê-lo; ou o que exorta, faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria. (...) Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12.3-8,21). 

W. C. Moore (1890-1980) foi fundador, junto com sua esposa, Sarah F. Moore (1890-1973), deste periódico em inglês, “The Herald of His Coming”, em 1941.

por W. C. Moore