sexta-feira, 7 de maio de 2010

A OUTRA PARTE DO CORPO DE CRISTO

A Outra Parte do Corpo de Cristo - Missões


Travessia do Mar Vermelho

Consciência e Ação
 "Em 19 de julho de 2005, cerca de duzentos oficiais formaram um cordão de isolamento na Igreja Menonita Vietnamita em Ho Chi Min – antiga Saigon, então capital do Vietnã do Sul –, enviando uma enorme força tarefa que destruiu parte da igreja, incluindo a casa do pastor Nguye Hong Quang e sua família. O reverendo Quang foi preso por resistir às autoridades. Sua esposa, Le Thi Phu Dung, estava em casa com os três filhos quando as autoridades chegaram. Seu telefone celular foi clonado, de modo que ela não pôde alertar as pessoas. Tudo que ela e seus filhos puderam fazer foi assistir e orar em angústia. Apesar da destruição de boa parte do Centro Menonita ocorrida no dia 19, quinze membros se reuniram no que restou do prédio para uma reunião de oração, às 7 horas da noite do dia 24 de julho. Assim que a reunião começou, cerca de trinta oficiais, incluindo a polícia, forças de segurança e forças de defesa locais, bem como o líder da comunidade, chegaram para interromper o encontro.
 Alguns meses antes, em outro país, Bangladesh, no dia 8 de março, o pastor e evangelista Dulal Sarkar foi decapitado. Sarkar, de trinta e cinco anos, trabalhava na Igreja Batista Livre de Bangladesh em Jalapur, sudoeste da região de Khula. Ele tinha estabelecido várias igrejas na área e também trabalhara como vigia e assistente geral da igreja. Na semana anterior à sua morte, ele compartilhara sua fé com vários muçulmanos, que se tornaram cristãos. Estes foram levados até a igreja para discipulado. No dia 8 de março, Sarkar novamente pregou o evangelho para mais muçulmanos. No seu caminho de casa, ele foi atacado por um grupo de homens armados, que, segundo uma fonte, “separaram sua cabeça do restante do corpo”. Os assassinos foram identificados como um grupo de dez extremistas locais islâmicos. O pastor deixou sua esposa com cinco filhos em sérias dificuldades financeiras."
 Um pouco mais atrás no tempo, no dia 21 de abril de 1997, em Arbil, capital regional do Curdistão iraquiano, Mansour Hussein Sifir foi morto a tiros, na livraria cristã onde trabalhava, por um assaltante desconhecido. Um observador, que tinha escritório na rua onde aconteceu o assassinato, quis saber o porquê e o perguntou à multidão que estava ao redor da livraria na manhã do crime. Disseram-lhe: “Ele era um curdo que se convertera ao cristianismo e havia convertido dois outros curdos, por isso alguém o matou”. Mansour deixou a esposa, Ruth, e um filho, de somente um ano e meio de idade. Oito meses depois da sua morte, sua esposa deu à luz o segundo filho.
 Os fatos acima referem-se à Igreja Perseguida de que a Bíblia e a história da igreja tanto falam. O que é notável é que são recentes.
 Mas, em pleno 2005, a Igreja no mundo todo e, infelizmente, também no Brasil revela um conhecimento ainda incipiente da questão da perseguição a cristãos, tanto de um ponto de vista bíblico como histórico e factual contemporâneo. Nesse contexto, as necessidades de duzentos milhões de cristãos espalhados pelo planeta e que vivem sob forte discriminação estão à espera de nosso apoio.
 Os casos são muitos e de características variadas:
 
 - Dezenas de milhões de irmãos chineses e vietnamitas vivendo na ilegalidade por não aceitarem o monitoramento permanente das igrejas oficiais.
 - Irmãos do Laos e da Coréia do Norte em campos de trabalhos forçados e sob humilhação em dois dos mais fechados regimes ainda vigentes no mundo.
 - Irmãos da Igreja nascente no Uzbequistão, no Turcomenistão e Azerbaijão enfrentando oposição dos remanescentes do comunismo e do predomínio islâmico.
 - Irmãos colombianos, sob o fogo cruzado do governo e narcotraficantes, tendo que resistir às tentativas de cooptação que vêm dos dois lados.
 - Irmãos sudaneses oprimidos pela tentativa do governo de islamizar a parte cristã do país.
 - Irmãos cubanos veladamente ameaçados e sutilmente discriminados pela burocracia do governo, que é lenta para todos e mais lenta e restritiva para os protestantes.
 - Irmãos indianos, paquistaneses, iranianos, sauditas, indonésios, turcos e de mais de quarenta outros países em que o extremismo religioso tenta eliminar a presença cristã.
 Eles precisam de Bíblias onde são escassas; precisam da capacitação de seus pastores, pois a debilidade doutrinária é um fator de dispersão dos rebanhos; precisam de apoio legal, às vezes financeiro, para presos e suas famílias ou até para famílias de irmãos assassinados. Acima de tudo, eles precisam saber que nós não os ignoramos.
 OS FATOS TÊM RAIZ BÍBLICA
 Será que estes fatos devem nos alarmar? Não necessariamente, pois temos de ter consciência que a perseguição aos que professam a fé cristã, seja no plano verbal seja no das atitudes, é uma “promessa bíblica”.
 Em João 15.20, Jesus diz: “Não é o servo maior do que o seu senhor. Se eles me perseguiram, também vos perseguirão”. Em 2 Timóteo 3.12, Paulo escreve: “E na verdade todos os que desejam viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições”.
 E, de fato, desde a época da igreja primitiva, inúmeros homens e mulheres perderam suas vidas por sua fé cristã, e a perseguição tem sido a experiência diária de incontáveis cristãos. Até o dia da volta de Jesus, é mais provável que os cristãos sejam pressionados do que elogiados. Outrossim, o estudo cuidadoso do livro de Apocalipse revela que quanto mais perto da Segunda Vinda de Cristo, mais a perseguição aumentará.
 Será, então, o fatalismo a atitude correta? Decididamente não. A Palavra nos ensina a ter esperança. Em Romanos 8.36 a 39, lemos que nada nos separará “do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Além disso, a perseguição é um sinal de aprovação do cristão. É bem claro o texto de Mateus 5.11: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa”.
 DUAS SITUAÇÕES
O que fazer então? Há sempre dois casos: quando se é perseguido e quando se sabe de alguém que é perseguido.
 Quando se é perseguido, a Palavra nos ensina a resistir e perseverar. Quando estava preso por ser um pregador, Paulo afirma, em 2 Timóteo 2.12: “Se perseverarmos, com ele também reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará.” E, em Filipenses 4.13, diz: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”.
 Quando se recebe notícia de irmãos perseguidos, a Palavra também é clara: “Se um membro padece, todos os membros padecem com ele” (1 Co 12.26); e: “Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo”(Hb 13.3).
 Assim, o nosso apelo é simples: precisamos retornar ao modelo bíblico do sofrimento na vida da igreja. Isso significa o reconhecimento que, para muitos, o dizer publicamente: “Eu aceito a Cristo” é um convite para ser discriminado em tudo até à morte. Essa foi a experiência da igreja do Novo Testamento. Essa é também a experiência de milhões de crentes evangélicos através do mundo hoje.
 É de suma importância apoiar cada esforço para informar os cristãos que hoje vivem em liberdade sobre essa realidade mundial. Como Paulo disse a Timóteo: “Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor... antes participa comigo das aflições do evangelho...” (2 Tm 1.8).
 E são precisamente esses cristãos que “testificam sem acanhamento”, como Paulo encorajou, que, com freqüência, enfrentam o impacto da perseguição. Em países restritos, são os pregadores que correm risco de prisão, os evangelistas que são obrigados a fugir da polícia, e os recém-convertidos, tachados de “criminosos”.
 Ao ajudar nossos irmãos perseguidos, na verdade estamos defendendo e avançando a causa da Grande Comissão. Há pelo menos quatro formas claras de apoiar nossos irmãos perseguidos.
 1. Oração – O elo vital
 Pergunte a um cristão perseguido como você poderá ajudá-lo, e a resposta invariável será: “Por favor, ore por nós”. Eles aprenderam o poder da oração. Um irmão cristão, preso injustamente e sozinho na cela de uma prisão no Peru, diz: “Nós só podemos continuar por causa da forma como vocês nos ajudam em oração”.
 Quando trabalhamos para fortalecer a Igreja Perseguida, descobrimos uma nova e empolgante dimensão nos relacionamentos de oração com os crentes que sofrem. A Igreja Livre reaprende a orar de forma altruísta (sem visar benefício próprio) pela Igreja Perseguida e é revigorada quando vê como Deus responde a essas orações. Imagine a alegria do médico holandês, que, num grupo de oração de Portas Abertas, foi comovido por Deus a dar alguns remédios específicos para um amigo entregador de Bíblias que ia viajar para o Leste Europeu. Quando o mensageiro chegou, a irmã do seu contato estava morrendo; o entregador descobriu então que havia trazido exatamente o (raro) remédio de que ela necessitava.
 Esse vigor essencial é cada vez mais reconhecido pelos cristãos ao redor do mundo, como se evidencia no tremendo crescimento do Dia Internacional de Oração pela Igreja Perseguida. De pequenos começos, essa envolvente atividade tem crescido a ponto de reunir mais de 300 mil igrejas em 130 países.
 A Igreja Perseguida é uma igreja de oração. Na China, eles se levantam às 3 horas da manhã para “a primeira reunião de oração do dia”. Sim, é um elo estimulante e vital levar essas pessoas especiais perante o Senhor e saber que, em troca, eles estão orando por nós.
 2. Ministério da presença
 Quando os cristãos se unem em oração, o Senhor chama muitos para “colocarem pés em suas orações” e estabelecerem contato pessoal com a Igreja Perseguida. Apesar da dura discriminação e até agressões físicas que os crentes lá freqüentemente enfrentam, eles são fortalecidos para suportar a perseguição na medida em que sabem que não estão esquecidos.
 Uma estratégia chave do inimigo é isolar e oprimir. A nossa presença na Igreja Perseguida vai evitar que isso aconteça e, posteriormente, capacitará as próprias pessoas lá a levar o evangelho para áreas que somente elas podem alcançar.
 3. Remessa das Escrituras
 Simultaneamente, quando os cristãos respondem à necessidade de ir e “alimentar os cordeiros”, reafirmam o papel central da Bíblia na vida cristã. Na China, na África – no mundo todo –, a necessidade maior e o vácuo mais intenso nas vidas dos novos crentes expostos, isolados e ameaçados é o fato de não terem acesso à Palavra de Deus. Um novo e urgente chamado profético deve ser feito à Igreja Livre para reconhecer e responder a essa necessidade, para reafirmar sua própria identidade fundamentada na Bíblia, ao mesmo tempo em que protege o futuro dos crentes da Igreja Perseguida.
 Esta reafirmação – baseada nas Escrituras – significa também que a igreja que não sofre restrições reconhece que usa mal sua liberdade se não leva alívio e libertação aos que ainda estão cativos e oprimidos. Isto requer redescobrir os temas tão enfáticos dos antigos profetas do Velho Testamento sobre justiça e retidão e reconhecer que se aplicam com efetiva pertinência ao comportamento das nações e das bases corruptas do poder em relação ao povo de Deus hoje em dia. E o mesmo apelo para que seu povo se arrependa precisa de uma resposta. O pecado da recusa, que encobriu o sofrimento de milhões de cristãos sob o comunismo soviético, precisa ser confessado. O conceito de unidade precisa passar de “compromisso” ou “correção política” para incluir a verdadeira solidariedade em ações práticas com nossos irmãos sofredores em suas necessidades.
 4. Cuidado com os convertidos
 A necessidade de dar atenção especial aos novos convertidos existe tanto no mundo livre como nos lugares em que há resistência ao evangelho. Isso implica uma profunda necessidade desses novos membros do corpo de Cristo por verdadeira espiritualidade e discipulado. Novos convertidos são uma categoria de “alto risco” devido à falta de conhecimento e discipulado. São alvos favoritos dos inimigos do evangelho.
 O simples registro dos números de convertidos não é suficiente. O regozijo no reavivamento precisa ser contrabalançado com a preocupação com o preço pago por milhões que se convertem. Em algumas sociedades muçulmanas, converter-se ao cristianismo é um risco muito alto, quase morte certa se for descoberto. Essas sociedades são agora as mais resistentes ao evangelho. Se realmente nos importamos com a divulgação do evangelho “a todas as nações” e com o crescimento de uma igreja forte e sadia, cuidar dos convertidos nesses lugares deve ser de igual forma vital.
 MENSAGEM À IGREJA BRASILEIRA
 E o que é que a igreja brasileira pode fazer? Nossa igreja é grande e continua crescendo. Temos um potencial enorme para nos envolver e ser abençoados. Conforme já foi dito, apoiar a Igreja Perseguida é cooperar com o esforço missionário mundial, uma vez que os cristãos perseguidos são testemunhas de Jesus Cristo nos territórios mais inóspitos do mundo.
 Mas, para isso, é preciso consciência, pois somente ela modifica a atitude e impulsiona à ação. A ação é fundamental, pois sem ela a consciência fica estéril. Ressalte-se, porém, que a ação a serviço do Evangelho transforma os que são ajudados e também os que ajudam, ao mesmo tempo.
 Nossa escala de valores é aprimorada quando servimos nossos irmãos em suas limitações mais elementares ao exercício da fé. Ao ver sua luta e perseverança para ter sua primeira Bíblia ou para conseguir reunir-se em culto, aos poucos, nossos alvos “deste século” vão descendo em importância e os alvos eternos vão subindo.
 Quer ser um dos que vão ganhar consciência e agir? Nossa esperança é ter essa realidade permeando o dia-a-dia de toda a Igreja Brasileira.
 Douglas C. Mônaco é secretário geral da Missão Portas Abertas no Brasil. Para entrar em contato com a missão, acesse www.portasabertas.org.br, ou escreva para atendimento@portasabertas.org.br, ou para Caixa Postal 55.111, 04733-970 São Paulo, SP.

por Douglas Mônaco
Fonte: Revista Impacto
Postado por Roberto


A AMIZADE NO SENTIDO BÍBLICO

Amizade no Sentido Bíblico 

 Jesus andava no meio de multidões e ministrava às suas necessidades. No entanto, tinha poucos amigos no seu círculo íntimo. Como alguém se tornava parte desse círculo e o que significava para Jesus ter um relacionamento como esse?

 Confiança versus Amor
  

amizade
Mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana. (Jo 2.24,25).

 Jesus não se confiava a todas as pessoas. Sua confiança não era depositada em qualquer um. A razão para isso é que as pessoas em geral não são dignas de confiança. Não era por uma questão de auto-suficiência ou falta de necessidade, mas por não encontrar inicialmente alguém em quem pudesse confiar.

 Foi por isso que escolheu um pequeno grupo para estar mais próximo. Não que essas pessoas já fossem seus amigos, mas tinham o potencial de se tornarem dignas de confiança. Jesus passou tempo treinando-as para esse fim, não através de aulas teóricas, mas por meio da convivência, andando, servindo e conversando juntos.

 Durante muito tempo, ele não conseguiu ir muito longe nas conversas. Começava a explicar-lhes as parábolas, dizendo que a eles era dado conhecer os mistérios do Reino. Tentava mostrar a natureza do Reino e a necessidade de dar a própria vida para que o Reino viesse. Contudo, quando ressurgia o assunto, notava-se que ainda muito pouco havia penetrado em seus corações.

 No entanto, ele não desistiu. João registra no seu evangelho que Jesus amou seus discípulos, e que os amou com um amor persistente e fiel até o fim, a despeito de suas limitações, gafes, inconsistências e falhas. Mesmo sabendo que um seria traidor, outro o negaria e ninguém o acompanharia na sua hora mais escura, ele confessou mais de uma vez a importância de estar junto daqueles que haviam deixado tudo para segui-lo (Lc 22.15,28; 18.31; Mt 19.27-30; 26.38-40; Jo 17.6-8,14,24).

 Existe uma grande diferença entre amar e confiar. Deus ama a todas as pessoas do mundo (Jo 3.16). A essência do amor é dar. Eu posso dar algo para alguém e mesmo doar-lhe de mim mesmo, até um certo ponto, ajudando e ministrando às suas necessidades, sem, contudo, confiar nele ou tornar-me vulnerável por lhe abrir coisas íntimas ou pessoais. Se eu fizer isso, revelando-me a pessoas que não são confiáveis, posso destruir o potencial de continuar amando os outros, pois pode resultar em feridas e profundos efeitos negativos.

 Existe uma ligação muito grande entre as palavras fé e confiança. Deus ama a todos, mas nem todos correspondem a ele em fé e confiança. De acordo com Hebreus 11.6, a fé que agrada a Deus é a certeza de que ele existe e que responde àqueles que o buscam. Confiança é a base de qualquer relacionamento e foi por isso que a serpente começou seu ataque no jardim minando exatamente a confiança do homem em Deus (Gn 3.1-5).

 Objetivo do Discipulado

 No final do ministério de Jesus, ele deu este testemunho a respeito dos seus discípulos:

 Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor: mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer. (Jo 15.15).

 Pessoas que no princípio não eram dignas de confiança se tornaram amigas de Jesus. A palavra amigo já perdeu grande parte do seu conteúdo na nossa compreensão moderna. Precisaríamos acrescentar os significados de aliança, fidelidade e confiança ao nosso conceito para nos aproximarmos do sentido bíblico. Para os discípulos serem chamados de amigos, tiveram de passar por um processo. Abraão foi chamado três vezes nas Escrituras de amigo de Deus (2 Cr 20.7; Is 41.8; Tg 2.23), mas também houve uma longa caminhada para chegar a esse ponto. Foi por isso que Deus compartilhou com ele seus planos sobre Sodoma (Gn 18).

 Já ouvimos muito nos últimos anos sobre discipulado na igreja. O tema tem gerado controvérsia e discussão. Mas o ponto central é que o discipulado como treinamento dos seguidores de Jesus não visa formar um exército de cristãos obedientes e cooperadores, como se fossem meros robôs para servirem ao discipulador na ampliação de sua obra. Nosso alvo deve ser a formação de amigos, companheiros para o futuro. Esse deve ser o objetivo tanto de pais naturais como espirituais. Pode ser que não se tornem especificamente nossos companheiros, mas estarão aptos, dignos de confiança, preparados para formarem vínculos fortes e estáveis em qualquer lugar em que Deus os plantar. Nada de permanente ou de real valor se faz no Reino de Deus fora do contexto de relacionamentos e vínculos autênticos, uns com os outros. Do contrário, podemos fazer muitas obras, mas não será o Reino.

 Nesse contexto, a correção e a disciplina também adquirem outro significado. Não devemos trabalhar para produzir uma organização eficiente e disciplinada; estamos lidando com indivíduos num organismo vivo e ajudando a remover hábitos ou áreas de fraqueza que possam ser tropeços e empecilhos à nossa crescente amizade no Senhor.

 É isso que significa falar a “verdade em amor” (Ef 4.15). Queremos desenvolver fidelidade e idoneidade nas pessoas ao nosso redor, a fim de podermos falar com elas dos mistérios e segredos de Deus (2 Tm 2.2; Mt 13.10,11). Somos mordomos ou despenseiros dos mistérios de Deus e precisamos discernir em quem podemos confiar a fim de transmitir esses tesouros (veja 1 Co 4.1,2). Como Jesus, podemos não encontrar pessoas já prontas para isso, mas devemos começar a nos relacionar com elas de tal forma que sejam treinadas e que, aos poucos, sejam capazes de receber nossa confiança de amizade. Pois é somente dessa forma que algo genuíno e verdadeiro será edificado no Reino de Deus através de nós. 

 Este artigo foi extraído e adaptado de um livro de Asher Intrater intitulado: “Covenant Relationships” (Relacionamentos de Aliança).

por Asher Intrater
Fonte: Revista Impacto
Postado por Roberto

COMUNIDADE ESPIRITUAL

Comunidade Espiritual – Quando é e Quando Não É 


 Larry Crabb, autor bem conhecido de livros como O Silêncio de Adão, Sonhos Despedaçados e Conversa da Alma, exerce a função de psicoterapeuta há mais de trinta anos. Como um cirurgião especializado em diagnosticar e tratar doenças da alma, ele remove o paciente do seu ambiente natural e entra em recessos privados e vitais da vida do paciente, dificilmente vistos fora do consultório. São áreas problemáticas que todas as pessoas têm, mas que raramente recebem tratamento adequado.

LEI DA ATRAÇÃO

 Depois de refletir sobre a aflição humana durante todo esse tempo, Crabb chegou a uma conclusão surpreendente (para um psicólogo): a melhor forma de tratamento não é no consultório de psicoterapia. Os recursos dados por Deus para curar os diversos males do interior das pessoas estão dentro da própria comunidade cristã.

 A seguir, alguns trechos adaptados de seus livros Conexão e O Lugar Mais Seguro da Terra.

 Conexão

 Tenho fortes razões para suspeitar que os cristãos que participam obedientemente das reuniões da igreja, para quem “ir à igreja” significa desenvolver uma variedade de atividades espirituais, têm em si recursos que, postos em ação, poderiam curar de modo miraculoso corações partidos, superar o dano causado por passados de violência, incentivar os deprimidos a avançar corajosamente, estimular os solitários a buscar amigos, revitalizar com energia nova e santa crianças e adolescentes abatidos e infundir esperança na vida de inúmeras pessoas que se sentem rejeitadas, sós e inúteis. Talvez "ir à igreja", mais do que qualquer outra coisa, signifique relacionar-se com várias pessoas diferentemente. Talvez o objetivo principal da comunidade cristã seja conectar-se a algumas pessoas.

 O segredo é entender que Deus colocou nutrientes espirituais específicos na vida de cada pessoa, algo mais poderoso do que tudo o que existe de mau no coração humano, mas que raramente é liberado. Para partilhar esses nutrientes uns com os outros, é preciso que ocorra um tipo especial de intercâmbio pessoal que chamo conexão. Muito mais profunda que o contato normalmente superficial e dissimulado que costumamos chamar “comunhão”, a conexão permite que um ser humano verta no outro algo que tem o poder de curar as feridas mais profundas da alma, restabelecendo-lhe a saúde.

 Por que esse fenômeno ocorre tão raramente? Em primeiro lugar, porque não cremos nele e não refletimos muito sobre o assunto. Em segundo, porque as igrejas, em sua grande maioria, não são comunidades espirituais.

 Uma Comunidade de Pessoas Aflitas

 Paradoxalmente, uma comunidade espiritual é justamente aquela na qual as pessoas reconhecem sua condição de aflitos. Precisamos entender que aflição é uma condição, algo que está sempre ali, por debaixo da superfície, cuidadosamente escondida enquanto se tenta manter uma fachada de normalidade. Vivemos em aflição. Só que nem sempre a percebemos em nós mesmos ou nos outros. Além disso, preferimos estar emocionalmente intactos a aflitos. Isso nos leva a camuflar nossas aflições e a escondê-las, até de nós mesmos. Eis a razão de a comunidade espiritual ser tão rara.

 Uma tarefa fundamental da comunidade é criar um lugar suficientemente seguro para que os muros sejam derrubados, para que cada um de nós reconheça e revele a sua própria aflição. Somente então a força da conexão pode realizar seu trabalho. Somente então a comunidade pode ser usada por Deus para curar nossa alma.

 A comunidade espiritual é formada por pessoas que têm a integridade de abrir o coração. Tudo é invertido em relação à ordem do mundo. É nossa fraqueza, não nossa competência, que leva os outros adiante; nossos pesares, não nossas bênçãos, que derrubam as barreiras do medo e da vergonha que nos mantêm separados; as faltas que admitimos, não os sucessos que alardeamos, que nos unem na esperança.

 Todos nós temos feridas. Se cada um de nós for impiedosamente sincero sobre o que acontece em nosso coração, isso nos levará à aflição. Numa comunidade espiritual, as pessoas não conversam meramente sobre as feridas e aflições. Elas se arriscam e expõem os detalhes, não para todos, mas ao menos para uma outra pessoa. Não é apenas uma questão de lamber nossas feridas, mas de buscar uma solução.

 Fazer isso é apavorante. Parece um ato de imensa fraqueza, tão desnecessário, tão mórbido e severo. Pior, para muitos admitir a aflição significa admitir também um relacionamento sofrível com Deus. Muitas vezes, ouvimos dizer que a aflição é o caminho para um relacionamento mais profundo com Deus, mas raramente vemos exemplos disso. Às vezes, penso que queremos que os outros acreditem que conhecemos a Deus demonstrando o quanto somos firmes.

 O impulso de não arriscar é forte. O ímpeto que temos de nos proteger, de manter nossas mágoas fora de vista para que ninguém possa piorá-las é o ímpeto mais forte em nosso coração. E assim permanecerá até que vivenciemos certo tipo de relacionamento, até que encontremos o Cristo crucificado e ressurrecto, até que conheçamos uma pessoa como Cristo, alguém aflito, mas belo, vulnerável e com o coração aberto.

 O afago de uma alma viva que se derrama em puro amor é o que define a verdadeira conexão, que só acontece quando temos a confiança de que o repugnante e o conflituoso não vão pôr fim a um relacionamento, confiança que nasce de outra confiança ainda mais forte: o que há de mais profundo dentro de nós não é aflição, mas beleza, a verdadeira beleza de Cristo.

 Enfrentando os Conflitos

 Se ninguém se mostrar aflito o bastante para desfrutar do amor de Deus e partilhá-lo também, as nossas comunidades jamais se tornarão espirituais. Os conflitos inevitáveis que acabam eclodindo em todo relacionamento nos levarão a tomar direções não-espirituais, nos conduzirão a relacionamentos que dispensam o Espírito.

 A comunidade espiritual depende de recursos espirituais e por uma boa razão. Todo relacionamento humano, especialmente aqueles em que os participantes desejam vivenciar uma profunda proximidade, depara com importantes conflitos. E simplesmente não há como superar o conflito e chegar à verdadeira conexão sem o poder divino. Não há como fazer isso sem dispor na alma de uma energia fornecida por Deus, uma energia mais forte e melhor do que a energia que já está ali alimentando o conflito.

 As comunidades espirituais compreendem isso. Compreendem que a presença do conflito não define a comunidade espiritual, assim como a ausência de conflito não é prova de comunidade espiritual. A diferença entre comunidade espiritual e não-espiritual não está na existência ou não de conflitos, mas na nossa atitude diante deles e no nosso modo de lidar com eles. Quando os conflitos são vistos como uma oportunidade de aproveitar mais plenamente os recursos espirituais, então temos as potencialidades de uma comunidade espiritual.

 O conflito está latente em todo relacionamento a cada momento. Ele simplesmente espera um estímulo para entrar em cena. As paixões egoístas, aquelas que quando liberadas geram conflitos, estão em todos nós, fervilhando debaixo da nossa casca de sociabilidade. Entre elas estão as tendências de não arriscar, de exigir conforto ou atenção, de se concentrar nas feridas abertas mais do que na oportunidade de se doar, de exigir uma plenitude imediata que Deus nem sempre concede.

 Na comunidade espiritual, essas paixões se enfrentam pela aceitação de um amigo espiritual. Esse amigo as enxerga, detesta-as e pode até repreendê-las, quando se sente magoado por elas, e pode revelar isso em palavras. Contudo, ele vê, além da feiúra de todos aqueles motivos egoístas que geram conflitos, a absoluta bondade oculta ali debaixo, uma bondade que foi posta ali por Deus.

 Numa comunidade não-espiritual, escondemos os conflitos atrás de sociabilidade. Recanalizamo-los e os transformamos em cooperação para bons projetos, nos quais ímpetos censuráveis se tornam zelo elogiável. Atenuamos a dor que sentimos por causa do conflito, lançando mão do consolo para torná-la menos aguda. Se o conflito for especialmente grave, resolvemos nossas questões pelo aconselhamento. Ou então deixamos que pressões conformadoras tentem conter esse nosso lado feio com renovados esforços para melhorar.

 Porém, precisamos na verdade de amigos espirituais, pessoas aflitas que nos darão a segurança de ficar aflitos, pessoas interessadas que querem que vivamos bem e crêem que podemos viver bem, pessoas caridosas que põem dentro de nós a vida que receberam de Deus, pessoas de visão que enxergam o Espírito, modelando-nos à semelhança de Cristo. Sem elas concordamos em aceitar bem menos que isso.

 Chega de imitarmos a verdadeira amizade espiritual e de fazermos substitutos da real orientação espiritual. Precisamos mergulhar no mundo incontrolável e confuso dos relacionamentos, admitir nosso fracasso, identificar nossas tensões, explorar nossas falhas. Precisamos nos transformar na resposta à oração de nosso Senhor, pois ele orou para que nos tornássemos um, como ele e o Pai são um.

 Já é tempo de edificar a igreja, uma comunidade de pessoas que se refugiam em Deus e encorajam umas às outras a jamais fugirem em busca de outro socorro, uma comunidade de amigos que sabem que a única maneira de viver neste mundo é se dedicando à vida espiritual – a nossa vida com Deus e com os outros. Não será fácil, mas valerá a pena. Está em jogo o nosso impacto sobre o mundo.


Comunidade Espiritual
Comunidade Não-espiritual
A presença de relacionamentos conflituosos é enfrentada com amizade espiritual (tratamento da alma)
A presença de relacionamentos conflituosos é controlada por  relacionamentos cooperativos/ relacionamentos consoladores
e, se necessário, orientação espiritual (cura da alma)
e, se necessário, relacionamentos aconselhadores ou relacionamentos conformadores
caracterizada pela dependência do Espírito (ouvir Deus por meio da Palavra e do Espírito)
caracterizada pela confiança na carne (resolver as coisas com quaisquer meios disponíveis)

 
por Larry Crabb
Fonte: Revista Impacto
Postado por Roberto 
Abraço

RELACIONAMENTO "O SENTIDO DA VIDA"

Relacionamentos - O Sentido da Vida 

 De onde vem o sentido da vida? Qual é o alvo da nossa existência aqui na Terra? Para o crente em Jesus, o sentido da nossa vida deriva-se do nosso relacionamento com Deus e com Jesus. Devemos lembrar que o relacionamento entre Deus como Pai e Jesus como Filho precedeu o nosso relacionamento com eles. Num certo sentido, o significado de toda a existência do universo procede desse relacionamento primário entre Deus e Jesus. 
relacionamento

 ...porque me amaste antes da fundação do mundo. (Jo 17.24).

 Deus é Relacional por Essência

 Sendo assim, podemos compreender que o termo Deus expressa relacionamento. É mais fácil ver esse conceito pensando na palavra “pai”. Um pai não pode ser definido sozinho. Ser pai é ser pai de alguém. Ser pai implica ter relacionamento. A paternidade não pode ser limitada a ou voltada para si mesma. As Escrituras na Bíblia inteira revelam a natureza central da paternidade de Deus.

 Tudo que existe no universo é, de algum modo, resultado do relacionamento de Deus com Jesus, seu Filho. Embora nem sempre seja fácil perceber, a razão de existirem estrelas, árvores ou oceanos sempre voltará ao amor que procede do Pai. Por isso, todas nossas atividades como cristãos devem ser uma extensão do nosso relacionamento com Deus. E todas as coisas que Deus faz, agindo como Deus, são expressões de algum aspecto do seu relacionamento para conosco. Deus não faz as coisas por algum capricho; cada ato seu é uma expressão significativa do seu amor por nós.

 Quando a Bíblia afirma que Deus é amor, isso significa que no nível mais fundamental do seu ser, Deus está comprometido com relacionamentos.

 ... e os amaste como também amaste a mim. (Jo 17.23).

 Deus não somente ama a Jesus, mas ama a cada um de nós também. O compromisso de Deus com o relacionamento é com Jesus em primeiro lugar, mas depois, com igual importância, conosco.

 ... para que sejam um, como nós o somos. (Jo 17.22).

 Uma rede de relacionamentos comprometidos existe entre Deus, Jesus e todos nós. Essa rede de relacionamentos é o alvo para o qual todos os nossos esforços e atividades como cristãos devem ser dirigidos.

 O Alvo é Comunhão

 Eu pensava antigamente que entre as diversas atividades que temos como crentes (tais como oração, estudo bíblico e evangelismo), a comunhão tinha a função de ser uma espécie de intervalo ou recesso. Era como se alguém, ao fazer a obra do Reino, se cansasse e precisasse de um intervalo para relaxar junto a outras pessoas.

 Visto nessa perspectiva, qualquer compromisso mais forte com a edificação de relacionamentos seria um desvio da obra prioritária do Reino. Entretanto, agora vejo relacionamentos como o alvo, como a própria natureza de Deus. Isso tem dado uma nova ordem às minhas prioridades. Ao invés dos relacionamentos serem um mero mecanismo de suporte, descobri que evangelismo, oração e estudo bíblico são, na realidade, instrumentos para atingir um objetivo. Esse objetivo é unidade, harmonia e relacionamento.

 O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós igualmente mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. (1 Jo 1.3).

 Segurança Verdadeira e Falsa

 Pessoas que não forem bem fundamentadas na segurança que vem de vínculos saudáveis geralmente tentarão criar uma aparência de segurança por meio de realizações exteriores. Grande parte do que é feito no mundo – realizações aparentemente tremendas em negócios, educação e medicina – é, na verdade, fruto da insegurança de determinadas pessoas. A insegurança gera uma enorme energia frenética, que pode produzir grandes realizações. Essas realizações são falsas por sua própria natureza.

 Em Efésios 3.17, Paulo diz que devemos ser “arraigados e alicerçados em amor”. Nosso relacionamento com Deus e nossos vínculos de confiança com outros crentes nos dão uma base, um fundamento e uma segurança acerca de quem nós somos. Quando estamos seguros em nossa identidade, podemos agir em obediência ao Espírito. Se estivermos inseguros, nossas ações virão de uma energia da alma, uma energia de origem psicológica.

 Já fui surpreendido muitas vezes ao ver líderes no ministério cuja dedicação e zelo por Deus eram uma extensão da sua necessidade psicológica de aceitação. Seus ministérios não eram necessariamente inválidos, mas sua motivação primária não provinha do Espírito de Deus.

 Podemos chamar esse processo de a síndrome do “A”. Funciona da seguinte maneira: Por falta de Afeto dos pais, nossa necessidade de Aprovação nos leva a substituir Ação (ou realização) por Aceitação. Ninguém teve pais perfeitos, por conseguinte, em maior ou menor grau, todos somos afetados pela síndrome do “A”. Porém, quanto mais amor e aceitação a criança recebe (dentro do equilíbrio planejado por Deus de verdadeiro amor e disciplina), mais segurança terá como adulto e não será pressionada interiormente a buscar excessivas realizações para compensar seus sentimentos de insegurança.

 Em Apocalipse 2.4, o Espírito repreende a congregação de Éfeso: “Abandonaste o teu primeiro amor”. Os crentes de Éfeso estavam cheios de todas as formas de realização. Tinham labor, paciência, perseverança, maturidade, equilíbrio e discernimento. Estavam fazendo tudo corretamente. Contudo, haviam saído do fundamento certo para suas ações. A aceitação e aprovação de Deus precisam permanecer como nosso primeiro amor e a base da nossa motivação.

 Como Alcançar Segurança Verdadeira

 Todo aquele que tomar posição firme ao lado da Palavra de Deus sentirá rejeição do mundo ao seu redor. Se quisermos ter força para resistir, precisamos ter uma base de aceitação por Deus que seja capaz de suportar a rejeição das pessoas. Se cairmos na armadilha de buscar aprovação dos outros, logo estaremos mais interessados em agradar aos homens do que em agradar a Deus (Gl 1.10). Perderemos nossa base de integridade moral e força espiritual. Por outro lado, geralmente é através de alguns amigos próximos e confiáveis que Deus ministra cura da rejeição ou insegurança do passado. Nossa aceitação vem de Deus somente, porém é operacionalizada através do processo de desenvolver confiança nas pessoas. Relacionamentos de aliança removem os temores que impedem nosso crescimento espiritual.

 Agora, alguém pode dizer: “Sei que sou aceito por Deus” como desculpa para se esconder e não precisar de relacionamentos comprometidos com os outros. Essa atitude contradiz o que a Palavra afirma em 1 João 4.20: “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”.

 Se alguém diz que recebeu o amor e a aceitação de Deus, mas não sabe como receber o amor e a aceitação de amigos, ele ainda não foi sarado e restaurado pelo amor de Deus. Deus nos ama. Ele é nossa fonte de aceitação e seu amor exerce um poder de cura em nossas vidas. É através do nosso amor, um pelo outro, dando e recebendo, que o amor de Deus é revelado em nossas vidas pessoais.

 Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é em nós aperfeiçoado. (1 Jo 4.12).

 O sentido da vida tem sua origem no amor de Deus por nós. Entramos nesse amor e o experimentamos através de desenvolver relacionamentos comprometidos uns com os outros. O processo do amor de Deus é edificar relacionamentos de aliança. Uma pessoa que tem problemas sérios com insegurança ou rejeição ainda pode vir a ser um ministro saudável e vibrante da Palavra de Deus. Entretanto, sua capacidade de ministrar a outros será condicionada à sua cura de sentimentos de rejeição.

 O medo de rejeição e a insegurança são problemas tão prevalecentes hoje porque rejeição faz parte de todo um processo de separação que ocorreu entre o homem e Deus. Fomos separados de Deus quando Adão foi expulso do jardim do Éden. Fomos separados da comunicação, uns com os outros, na torre de Babel. Desconfiança entrou na raça humana quando Caim matou Abel.

 Rejeição, separação e desmoronamento de relacionamentos formam o padrão universal do estado caído do homem. É importante reconstruir essas áreas no nosso caminhar como cristãos. O plano final da redenção é restaurar nossos relacionamentos não só com Deus, mas também uns com os outros. É isso que queremos dizer quando afirmamos que relacionamentos são tanto o sentido como o alvo da vida.

 Paulo diz que o plano de Deus é:

 ... fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra. (Ef 1.10).

 Assim como o modelo universal do pecado é o desmoronamento e fracionamento de relacionamentos, da mesma forma, a plenitude da restauração é trazer todos esses relacionamentos de volta à unidade por meio da obra de Jesus, nosso Messias. Tudo no plano de Deus e no funcionamento do seu Corpo na Terra visa restaurar relacionamentos à harmonia. Qualquer ministério que avança sem esse alvo não está trabalhando de acordo com a essência dos propósitos de Deus.

 Em Efésios 4.13, Paulo também afirma que a obra dos diversos ministérios tem o propósito de edificar o organismo vivo de relacionamentos no Messias, “até que todos cheguemos à unidade da fé”. A unidade e harmonia dos nossos relacionamentos não são um método estratégico para alcançar algum outro objetivo; são o próprio alvo. Toda a obra dos ministérios visa à “edificação do corpo de Cristo” (v.12).

 Asher Intrater é um dos fundadores de “Tikkun Ministries International”, um ministério de judeus messiânicos em Israel. Junto com Dan Juster, Eitan Shishkoff e outros, tem trabalhado com comunidades locais em Tel Aviv, Jerusalém e outras cidades, com evangelismo de rua, treinamento e preparação de jovens discípulos para o ministério. O artigo acima foi extraído e adaptado de seu livro: “Covenant Relationships” (Relacionamentos de Aliança).

por Asher Intrater
 
Postado por Roberto
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A PERSONALIZAÇÃO DA GRAÇA

A Personalização da Graça 

 FRICÇÃO E FANTASIA

  
  
     As aulas de psicologia eram as preferidas da minha turma na universidade. A professora, uma mulher madura, elegante e culta, dosava suas exposições com uma breve “análise” dos alunos, atendendo às dúvidas e perguntas que fazíamos. Diversos assuntos eram abordados, mas um tema como sexualidade sempre despertava a atenção de todos. Embora fossem feitos alguns comentários impublicáveis, geralmente você poderia ouvir algo sadio e profundo. Eram aulas muito divertidas. Mas uma delas terminou sob a sombra de uma nuvem de tristeza.

 Diga-se o que quiser sobre sexo, ao debatê-lo com franqueza e respeito, ele nos lembra de histórias dolorosas e vergonhosas ou românticas e cheias de significado. A ficção não consegue fazer jus a nenhuma delas: lembrávamos, por exemplo, de filmes idealizados como “A Lagoa Azul”, tão deslumbrante em nossa adolescência, e nos perguntávamos como Brooke Shields mantinha, em uma ilha deserta e crescendo sem ninguém que a educasse, as sobrancelhas tão bem delineadas? Realmente, verossimilhança nunca foi o forte de Hollywood.

 Seguiu-se então uma espécie de investigação do mito e realidade do sexo, do amor e da transcendência nas relações pessoais. O amor existe? Um casal, quando se une, compartilha em um nível especial suas emoções e sua vida? Ou será tudo apenas um instinto animal, que ganhou uma roupagem romântica, mas esconde apenas a propagação da espécie? Essas perguntas, mais do que outras que ouvi em sala de aula, levaram meus colegas à beira da eternidade. Pois se há alguma transcendência na sexualidade, se há uma pessoalidade e uma câmara íntima em cada um de nós, como evitar dizer que há um mundo espiritual que não conhecemos, e que a ciência não pôde explorar e reduzir a enzimas e reações bioquímicas? A conclusão de minha notável professora foi, no entanto, lastimável:

 “Sexo é apenas fricção e fantasia, só isso”.

 Não existiriam o amor, a pessoalidade e a intimidade transcendente. Tudo isso seriam sofisticações do bicho homem, obedecendo à evolução e às leis da reprodução. Eu tinha minha fé onde me apegar, mas meus colegas não. O desapontamento e a decepção emergiram. Pois a conclusão significava também que não houvera entre seus pais um “sim” de amor que lhes tornou alguém. Que o primeiro beijo perdia o seu ar primaveril, tornando-se um reflexo animal totalmente ridículo. E quando procurassem alguém para repartir sentimentos profundos, estariam apenas seguindo o código genético da espécie, em sua ordem: “procriar!”. Pude sentir a sensação de abandono e solidão que varreu seus corações. Sintomas desesperados de uma vida em que Deus não pode existir. O sentido de pessoa, que se manifesta entre outras formas na sexualidade sadia (vide Cantares), perdeu o significado para eles.

 A TRANSCENDÊNCIA HUMANA E O SENTIDO DE PESSOA

 É difícil para nossa cultura entender a pessoalidade porque isso significa reconhecer que há uma transcendência, um algo mais na alma humana e então nossa sociedade precisaria perguntar qual a origem disso. Se fizesse isso, encontraria Deus no final da equação, sorrindo vitorioso. É uma arapuca divina que nossos acadêmicos, cientistas e intelectuais evitam a todo custo, ainda que para isso sofram graves prejuízos: entre eles a perda da pessoalidade.

 Se podemos ser reduzidos a “fricção e fantasia”, somos apenas animais sofisticados. Bom, não tão sofisticados assim, a julgar pelos crimes e perversidades ocorridos no Superdome em Nova Orleans. “Há estupros acontecendo aqui. Mulheres não podem ir ao banheiro sem um homem por perto. Eles as estão estuprando e cortando suas gargantas”[1] disse uma das vítimas desvalidas do furacão Katrina, enquanto aguardava socorro no estádio com outras milhares de pessoas, e horrorizava-se com a monstruosidade humana.  Mesmo quando horrores como guerra e estupro acontecem, haverão justificativas para isso baseadas em resquícios de comportamento animal não evoluído[2]. São as custas de renunciar a um referencial absoluto, infinito e pessoal: o homem fica a deriva daquilo que julga ser certo, e justifica seus desvios, ainda que se assuste com eles. Mas não podemos dizer adeus à moral sem também nos exilarmos da pessoalidade. A humanidade perdeu o Éden e também o caminho de si mesma. No dizer do poeta:

 "Restam outros sistemas fora do solar a colonizar. Ao acabarem todos só resta ao homem (estará equipado?) a dificílima dangerosíssima viagem de si a si mesmo: pôr o pé no chão do seu coração experimentar, colonizar, civilizar, humanizar o homem descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas a perene, insuspeitada alegria de conviver".[3]

 Respondendo a Drummond: Não! O homem não está equipado para conhecer a si mesmo ou descobrir a alegria de conviver. As “inexploradas entranhas” vão a um plano mais profundo e inacessível do que imaginava. Seja para conhecer a si mesmo ou conhecer aos outros, é necessário tocar o espírito humano, o que é impossível por via direta. Só Deus pode revelar-nos o essencial sobre nós ou sobre nosso próximo. Como diria Bonhoeffer:

 “Ele (Jesus) quer ser o mediador, e tudo deve se processar através dele. Não se coloca apenas entre mim e Deus, mas está igualmente entre mim e o mundo, entre mim e os outros seres humanos e coisas. Ele é o mediador, e isso não somente entre Deus e os seres humanos, mas também entre ser humano e ser humano, e entre o ser humano e a realidade.”[4]

 Faltaria espaço para discutirmos em profundidade este tema, mas a maioria das explicações da medicina, da psicologia, da sociologia ou qualquer outra disciplina desconsideram que o espírito humano exista, ou o consideram um sinônimo da alma. As ciências humanas não fornecem uma resposta completa sobre a situação humana. Elas reagem como meus colegas de faculdade: não continuam inquirindo, param antes do final da investigação pois têm medo da resposta que conduz à transcendência, à pessoalidade e, portanto, a um Deus criador, infinito e pessoal. E ao procurar tratar o homem apenas no corpo e na alma, e desprezar seu espírito, toda disciplina falha desgraçadamente. Pois este espírito é sua personalidade profunda, ou no dizer de Paul Tournier:

 “É o centro da pessoa, em torno do qual ela se organiza. É invisível, não tem dimensões, é inalcançável por via direta.”[5]

 “Na realidade, o espírito, o ‘sopro’ que Deus insuflou nas narinas do homem, encarnou-se no homem animal em sua totalidade, tanto em seu corpo como em seu psiquismo ou em sua mente; ele os anima e expressa-se neles.”[6]

 Ninguém pode alcançar o espírito humano por via direta. Mas as disciplinas humanas tentam consertar o homem intervindo em seu corpo e sua alma. Mesmo nossos métodos pastorais, de aconselhamento e de confraternização, podem dispensar a mediação de Jesus, tornando-se tão insalubres quanto as ciências humanas atéias.

 E, ao adentrar a alma humana sem o temor de Deus, agimos às escuras, invadindo um santuário onde deveríamos entrar na ponta do pés.

 É impossível relacionar-se com as pessoas de forma pessoal sem intuir que há um Deus infinito, pessoal e mediador. E embora essa intuição possa ser reprimida, um clamor tão poderoso não pode ser sufocado por muito tempo.

 ABAFANDO O GRITO

 Há um grito angustiado e perene por pessoalidade: alguém que me entenda, me oriente e me satisfaça. É um grito tão poderoso, que é possível ouvi-lo em diversas expressões humanas, da arquitetura à arte. “A desarmonia da arte revela a desarmonia da pessoa do artista”, diria Paul Tournier[7]. Para Edvard Munch, essas palavras teriam o peso de uma análise pessoal: sua mãe e uma das irmãs morreram de tuberculose, e uma outra irmã foi internada por demência. Sua vida era tomada pela melancolia e pessimismo, e o niilismo[8] sexual de seus colegas intelectuais foi sua tentativa de abafar o grito interior. No entanto, um de seus quadros mostra claramente como ele não se encaixava: o quadro ilustra vários personagens importantes de seu círculo de amizade andando em uma mesma direção, com os olhos fixos e esgazeados. Uma figura, no entanto, sobe a rua na contramão, o próprio Munch, inconsolável em sua dor.

 Certo dia, ao atravessar com alguns amigos uma pequena ponte em uma colina, famosa por servir aos suicidas que de lá se atiravam, Munch deixou-se ficar para trás e observou o horizonte, onde o céu nas cores crepusculares típicas da Noruega era recortado pelos fiordes. Na encosta da colina, estava o hospício onde sua irmã havia sido internada, e também um abatedouro de onde ressoava o grito dos animais que eram mortos. Ali Edvard viu o emblema de sua situação interior, e ao retornar ao seu estúdio, em uma tela de madeira de 83,5 por 66 centímetros, pintou sua angústia e a carência absoluta de pessoalidade no quadro que batizou de “O grito”. Esse quadro tornou-se uma das obras de arte mais conhecidas e reproduzidas em todo o mundo.

 No dizer de um crítico de arte, “a pintura representa um pranto que ressoa por todo o universo, uma experiência espiritual, um auto-retrato psíquico”. O sucesso do quadro talvez deva-se ao ressoar do grito em todo aquele que contempla a pintura. Um grito comum, reminiscente da queda, que faz coro a uma frase, escrita no quadro em grafite com letra miúda: “É um homem despojado de tudo, defraudado”.

 As potestades que dominam este mundo querem afastar o homem de qualquer experiência que lhe mostre um diagnóstico de seu estado perdido. A comédia do absurdo é uma forma de abafar o grito. O cinema o transformou em um filme de terror-teen e a indústria de moda estampou estilizações da pintura em camisetas. Mas o grito por pessoalidade permanece, e os cristãos podem ouvi-lo se ficarem próximos de Deus e sensíveis à real situação das pessoas.

 O OLHAR ÍNTIMO DE JESUS

 Este grito foi ouvido por Jesus na samaritana e no jovem rico. Era estridente no bélico Saulo e audível mesmo no hesitante Nicodemos. Cada uma dessas pessoas recebeu uma mensagem diferente porque a pessoalidade encarnada falou com elas. O olhar de Jesus era íntimo e familiar, tanto quanto voltar para casa após uma longa viagem. Pobres, ricos, religiosos, prostitutas, adúlteras, fiscais corruptos e oficiais militares sustentaram um contato visual com ele, e sua condição interior foi desnudada. Enquanto falava com pecadores grosseiros e amorais, ignorou muitas vezes o pecado periférico ao qual daríamos tanta atenção e concentrou-se na essência das pessoas. Como reagiríamos hoje a Zaqueu? Jesus apenas comeu na casa dele. E com a mulher pega em flagrante adultério? Jesus escrevia na terra. Quanto ao paralítico que foi descido por um buraco no teto, ele perdoou seus pecados, como se esse fosse o gesto mais importante, urgente e amável para aquele momento. Tendemos a atender as pessoas imediatamente, com uma pressa ansiosa em solucionar aqueles problemas que, julgamos, são vitais para ela. Mas a graça não obedece a uma lógica cartesiana, ignora a lei da causa e efeito. Ele não reagia de acordo com o que uma pessoa era, possuía ou havia feito, mas falava aos seus espíritos, de um modo que ninguém mais pode falar. E ele fazia isso porque tinha uma comunhão constante com Deus que  o irmanava a toda a humanidade. Jesus aproximou-se de nós, porque estava próximo de Deus todos os dias. Jesus faz vibrar aquela corda interior que produz uma nota só nossa. Nossos momentos mais transcendentes de intimidade são apenas a sombra de uma conversa com ele.

 Permitamos que Jesus ouça o outro através de nós.

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[1] No site: http://noticias.terra.com.br/mundo/furacaokatrina/interna/0,,OI653740-EI5397,00.html. Consulta em 12/09/05.

[2] O livro de Philip Yancey “Rumores de outro mundo” é excelente aprofundamento sobre este tema. O capítulo “Vida incompleta” demonstra como a ciência moderna pratica o reducionismo, expulsando a Deus de todas as possíveis explicações, mas pagando por isso um dividendo na falta de um prazer real e de ética. Há inclusive um capítulo inteiro: “Sexo projetado”, dedicado a sexualidade enquanto transcendência que revela um outro mundo.

[3] Da poesia:  “O homem; as viagens” de  Carlos Drummond de Andrade.

[4] Dietrich Bonhoeffer, Discipulado, p. 52, Ed. Sinodal, 8º ed., 2004.

[5] Paul Tournier, Mitos e Neurose, p. 57, Ed. Ultimato, 2002.

[6] Ibid.

[7] Mitos e Neurose, p. 73

[8] O niilismo é a conseqüência afirmada por Dostoievsky: “se Deus não existe, então tudo é permitido”.

por Eliasaf Assis
 
Postado por Roberto
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O MINISTÉRIO DA ORAÇÃO

 O Mistério da Oração 


 “Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei. Por isso eu derramei sobre eles a minha indignação, com o fogo do meu furor os consumi; fiz cair-lhes sobre a cabeça o castigo do seu procedimento, diz o Senhor Deus” (Ez 22.30,31).

 Por Que Deus se Autolimitou?

     É no mínimo intrigante como Deus, o Todo-Poderoso Senhor do universo, fica à espera de oração para agir, sendo um sistema que ele mesmo idealizou e do qual passou a ser refém, ao autolimitar-se. Esse mistério precisa ser visto do ponto de vista divino, que considera a oração não como uma maneira de convencer Deus a fazer determinadas coisas, mas antes uma oportunidade de treinamento da igreja que irá governar o universo. Através dessa associação, a igreja passa a aprender desde já como exercer o governo e aplicar as leis do reino de Deus, familiarizando-se com as armas, estratégias e recursos que são opostos aos deste mundo. Através da oração, Deus quer transferir para a igreja a maneira de lutar e vencer juntos, utilizando-se do amor, do perdão e dos demais atributos inerentes à sua pessoa.

 Deve ser levado em conta que Deus estabeleceu como propósito, desde o princípio, vencer Satanás e reconquistar através do homem tudo o que foi perdido. Mesmo o homem tendo pecado, Deus não desistiu de seu propósito e, com a encarnação de Cristo, se introduziu na humanidade, morrendo como homem inocente e qualificando-se a readquirir o que Satanás usurpou através de Adão.

 A partir disso, o homem deixou de ser um simples parceiro no projeto de Deus e foi elevado, na qualidade de igreja, à categoria de corpo de Cristo, no qual o próprio Cristo é a cabeça. De acordo com o ensinamento de Jesus, ele é a videira verdadeira e nós os ramos; daí, conclui-se que um necessita do outro imprescindivelmente para gerar fruto. O corpo nada pode fazer sem o comando da cabeça e, da mesma forma, a cabeça também nada pode executar sem o corpo. Portanto, na redenção, Deus ficou ainda mais comprometido em levar adiante seu propósito contando com o homem.

 É nesse contexto de corpo que devemos analisar a oração. Assim fica mais fácil compreender por que precisa haver uma concordância com a vontade de Deus para que a oração tenha seus efeitos desejados. O corpo só pode agir e reagir sob um comando único, pois, do contrário, seria uma anomalia ingovernável cada membro executando sua vontade independentemente. Nesse caso, seria inevitável a mutilação e a morte do corpo. Portanto, é a unicidade em Cristo que garante a vida da igreja, o que, por sua vez, implica que nem todas as orações podem ser respondidas afirmativamente como se espera, mas somente aquelas que estão de acordo com a vontade de Deus. Levando em consideração que estamos sendo treinados para exercer o governo do universo, é justo e necessário que aprendamos desde já qual é a vontade do Rei.

 Co-responsáveis com Deus

 Os cheques emitidos por algumas empresas exigem as assinaturas de duas pessoas para serem válidos. Isso exemplifica o método de Deus operar através das orações e da fé de seu povo. É como uma caixa de segurança na caixa-forte de um banco. O guarda tem uma chave e você tem a outra. Nenhuma delas abrirá a caixa sem a outra, mas quando se insere ambas as chaves a porta se abre, tornando disponíveis todos os tesouros guardados ali. O céu tem a chave mediante a qual se tomam as decisões que governam os assuntos terrenos, mas nós temos a chave mediante a qual essas decisões se realizam. Portanto, oração não é vencer a relutância de Deus; não é persuadi-lo a fazer algo que ele não está disposto a fazer. Orar é “ligar na terra” aquilo que já foi ligado no céu (Mt 16.19). É realizar a decisão divina; é fazer cumprir na terra a vontade de Deus.

 A razão de haver orações não respondidas está sempre do lado do homem e não de Deus. Uma das principais razões é a possibilidade de nosso orgulho se manifestar, o que leva Deus, como medida de segurança, a deixar de atender determinadas orações, exatamente como fez a Paulo. Este, embora suplicasse ao Senhor que afastasse o mensageiro de Satanás que o esbofeteava, não foi atendido diretamente no que solicitava, porém Deus garantiu-lhe graça suficiente para viver e enfrentar o espinho na carne que o humilhava.

 Entretanto, a principal razão para Deus não agir é a falta de oração da igreja; é exatamente por isso que a oração deveria ser entendida como a principal atividade da igreja. Segundo sintetizou John Wesley: “Deus nada fará senão em resposta à oração”. Poucos, porém, estão interessados na oração que leva adiante o plano de Deus. A maioria das pessoas que oram está mais interessada em que Deus resolva seus próprios problemas do que em proporcionar condições para que ele execute o seu propósito maior com os homens.

 Encontrar tempo para orar (que é uma das nossas principais desculpas) é uma questão de prioridades. Todos nós temos a mesma soma de tempo num dia de vinte e quatro horas. Nosso uso dele é que depende de nosso sistema de valores. Tudo aquilo que alguém julga de suprema importância terá prioridade. Devemos orar sempre, estando com vontade ou não; contudo, teremos mais possibilidade de praticarmos a oração se atentarmos mais para esse assunto na Palavra de Deus e organizarmos nossa vida, separando com a devida prioridade o tempo destinado a essa tão sublime atividade e privilégio.

 Extraído e adaptado por Pedro Arruda do livro Seu Destino é o Trono de Paul E. Billheimer – CLC editora - edição esgotada.


por Paul Billheimer
 
Postado por Roberto
Abraço

PRINCÍPIOS DE INTERCESSÃO

Princípios de Intercessão 


        (extraídos do livro: O Intercessor)

o intercessor

 1 - Não fazer orações gerais. Quando se faz uma oração geral, é impossível saber depois se houve resposta ou não. Oração eficaz é oração direcionada; na experiência de Rees, o Espírito Santo lhe mostrou que não deveria mais orar por qualquer coisa a seu bel-prazer, mas somente por aquilo que o próprio Espírito lhe determinasse.
2 - Nunca pedir a Deus para usar outros para responder a uma oração quando você mesmo pode ser o instrumento. Por exemplo, quando havia necessidade de dinheiro, Rees deveria oferecer em primeiro lugar seus próprios recursos, ainda que fossem insuficientes para a necessidade ou já destinados a alguma outra finalidade justa e importante. Ou, então, quando sentia o coração de Deus por mendigos ou órfãos, ele deveria oferecer a própria casa para abrigá-los.
3 - Permanecer em Jesus, como fator essencial para pedir algo em intercessão (Jo 15.7). Na prática, isso significava passar um tempo esperando em Deus e lendo a Palavra, permitindo que o Espírito revelasse áreas em sua vida que precisassem de confissão ou purificação pelo sangue de Jesus. Permanecer na videira significava obedecer a tudo que o Espírito lhe ordenava. Ele nunca podia entrar na presença de Deus a menos que tivesse obedecido a tudo que tinha recebido no dia anterior. À medida que o intercessor se mantém unido com Cristo através de permanecer nele, o poder de Deus opera no intercessor para realizar a vontade do Senhor.
4 - O Espírito Santo pode levar o intercessor a posições extremas para efetuar a intercessão, tal como Isaías, Jeremias, Ezequiel e Oséias, que foram alguns dos grandes intercessores na Bíblia. 
5 - Identificação com as pessoas por quem se intercede. À semelhança do Intercessor Divino que se tornou homem e provou a morte por todos nós, é impossível interceder eficazmente por alguém sem colocar em prática este princípio, que pode ser considerado o princípio mais fundamental da intercessão. A súplica é eficaz quando se dá a própria vida por aqueles a favor de quem se suplica. Assim, o intercessor torna-se o autêntico representante dos sofredores, pois submerge seus próprios interesses nas necessidades e sofrimentos daqueles por quem está intercedendo e, tanto quanto possível, toma literalmente seu lugar. Em apenas um entre muitos exemplos de identificação na vida de Rees Howells, ao interceder pelas jovens viúvas da Índia, Rees foi levado pelo Espírito a sujeitar-se ao mesmo regime alimentar que elas tinham: somente uma refeição de dois em dois dias.
6 - Alcançar um lugar de autoridade. O Espírito Santo deseja profundamente trazer a vontade de Deus para esta Terra, mudando vidas e o curso tortuoso da humanidade caída, traçado pelas forças das trevas que dominam este mundo. Porém, ele só pode fazer isso através da intercessão, usando os templos humanos nos quais habita; ademais, é-lhe impossível interceder de forma arbitrária, porém somente na proporção em que o canal humano torna-se um com ele nesse propósito. O processo de tornar-se unido com o Espírito envolve a entrega e a crucificação de tudo que é natural, amor ao dinheiro, ambição pessoal, afeto natural por pais, família, parentes e amigos, apetites carnais, o amor à própria vida, tudo que leva o cristão a viver para si mesmo, para seu conforto, promoção ou vantagem. Tudo isso, junto com a identificação com o sofredor, conquista uma posição de autoridade para o intercessor diante de Deus. É dessa forma que a intercessão move a Deus, faz com que ele mude de idéia, permite que o alvo do intercessor, ou melhor dizendo, do próprio Espírito, seja alcançado. A diferença entre oração “normal” e a verdadeira intercessão é exatamente esta: na oração “normal”, oramos, porém não temos certeza da resposta; se Deus nos atende, somos gratos por sua misericórdia, mas não temos nenhuma autoridade para garantir que a resposta virá; por outro lado, quando os gemidos, a agonia e a entrega total da intercessão chegam ao coração de Deus, uma posição de autoridade é alcançada, o frágil vaso humano é revestido de autoridade, a palavra do Senhor vem, e a situação pode ser totalmente revertida pelo poder do Espírito.
Princípios de Intercessão Usados no Instituto Bíblico de Gales: (do site: http://www.byfaith.co.uk/paulreeshowells3.htm)
1 - Deus lhe dá uma oração e você se torna responsável para batalhar nela até encontrar a resposta.
2 - Quando o Senhor lhe mostra a oração, você se compromete com ela, seja qual for o preço e o tempo que demorar até alcançar a resposta.
3 - A intercessão é totalmente voluntária. Você nunca é obrigado a orar. O intercessor precisa estar disposto a buscar novas posições de intercessão.
4 - Os intercessores amam tanto a Deus que desejam obedecer-lhe. Pagam o preço que for por causa do seu amor pelo Salvador.
5 - Os intercessores encontrarão onda após onda do mal, enquanto batalham com Deus para quebrar os sistemas espirituais que escravizam milhões de pessoas há séculos.
6 - Há morte na intercessão. Porém, o foco nunca é apenas a morte. O Espírito de Deus está ganhando terreno o tempo todo. Você ganhará tremendo poder sobre o inimigo.
7 - A intercessão, de certa forma, é um trabalho escondido. O mundo não enxerga o resultado da oração até que seja consumada. Jesus, o grande Intercessor, foi mal compreendido na sua intercessão. Foi somente depois da ressurreição que os discípulos começaram a compreender por que Jesus havia vindo. E só depois da ascensão foi que entenderam um pouco da sua obra como o Grande Sumo Sacerdote, que passou pela morte para poder destruí-la. 


por O Intercessor
Postado por Roberto
Abraço