quinta-feira, 25 de março de 2010

ORAÇÃO DE CORAÇÃO

Perfeita oração de um coração





“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar (...) eu perdoarei (...) e sararei a sua terra” (2 Cr 7.14)

O Propósito e a Importância da Oração

 Cameron V. Thompson, no seu livro The Master Secrets of Prayer (“Os Principais Segredos da Oração”), usou esta ilustração: “Uma pobre alma ingressou na escola de oração depois de chegar ao inferno. Pediu alívio para a sua agonia; foi rejeitada. Pediu que um mendigo advertisse os seus irmãos; foi-lhe recusado. Dirigiu sua oração a Abraão, um homem; não conseguia localizar Deus. Não ousou pedir para sair, pois entendia claramente que estava além de qualquer esperança. Ele é o homem que não orava na terra, não foi respondido no inferno e que continuará sofrendo, porque tentou aprender a orar tarde demais” (Veja Lucas 16.19-31).
 Ao vermos a decadência moral e o afastamento de Deus na sociedade e na igreja, nenhum cristão sério duvida da necessidade de um poderoso avivamento, vindo dos céus, que abalará a igreja atual até os seus alicerces. Isso trará uma purificação e uma outorga de poder que virarão as nações pelo avesso, de tal modo que o nosso modo de vida atual será visto como totalmente inaceitável diante de um Deus santo. Isso se torna cada vez mais urgente, “tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima” (Hb 10.25; Ap 22.12).
 Torna-se imperativo, portanto, para a igreja de Jesus dobrar os seus joelhos em obediência e oração. A cultura hoje está tão embriagada com sexo e diversões obscenas, tão orgulhosa de sua “mente aberta” e liberal que qualquer pensamento mais sério a respeito de Deus é totalmente excluído. A.W.Tozer tinha razão quando disse: “O mundo ocidental segue rindo e se divertindo, enquanto caminha diretamente para o inferno”.

A Relação entre Oração e Avivamento

 Wesley Duewel, no seu livro Revival Fire (Fogo do Avivamento), diz: “Na história da Igreja, cada vez que veio um avivamento, primeiro houve um período prolongado de oração e busca da face de Deus por alguns dos seus filhos”. É por isso que queremos entender qual a oração que consegue obter a atenção de Deus. Sabemos que há uma relação íntima entre oração e obediência. Podemos perguntar: “O que é mais importante?” ou: “O que vem antes, a obediência ou a oração?” Para isso, precisamos olhar na Escritura e ver o que Deus diz.

O Trabalho de Deus: O Espírito Santo nos Atrai

 À medida que Deus atrai o homem e se revela a ele, este tem a oportunidade de aceitá-lo e segui-lo, o que resulta em perdão e salvação; ou rejeitá-lo, com o resultado da eterna separação do seu amor (Mc 16.16). Aqueles que atenderem ao seu chamado encontrarão perdão, alegria indescritível e maravilhosa comunhão com Cristo, seu Salvador. “A bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento” (Rm 2.4). Essa é a razão para a cruz! (Veja também Jr 31.3; Jo 6.44; 12.32).
 Davi disse: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma” (Sl 42.1).
 Deus disse: “Derramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca” (Is 44.3). Também: “Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.13).
Nosso Trabalho: Somente Nossa Obediência é Aceitável a Deus
 A Escritura nos mostra claramente que o trabalho e a carga do Espírito Santo é levar-nos a Cristo, revelando assim seu amor, sua beleza e sua santidade. Isso resulta em nós duas coisas: seguirmos a ele bem de perto e obedecermos-lhe completamente, abandonando tudo nas nossas vidas que não vem dele (1 Sm 15.22; Ml 3.7; Jr 7.23; 2 Co 10.5).
Nosso Meio de Comunicação com Ele –  A Oração
 Ele nos atrai. Nós desejamos segui-lo em completa obediência. Queremos conhecer aquele que nos amou e nos libertou do pecado. Nosso maior desejo, agora, é estar na sua presença e ter comunhão com ele. Isso é oração.  
 Observe: Samuel, quando ainda menino, orou assim no templo: “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve” (1 Sm 3.9-10; veja também Hb 4.16 e Fp 4.6). 
 Nota: O exercício ou o ato de orar significa muito pouco se não estiver acompanhado de um espírito submisso e obediente.

Como nos Aproximamos de Deus?

 “Se o meu povo (...) se humilhar e orar...” (2 Cr 7.14) 
 Em humildade. Em Lucas 18.14, lemos que aquele “que se exalta será humilhado, mas o que se humilha será exaltado”. Uma pessoa orgulhosa vê somente a si mesma, a seus feitos e a suas conquistas, e isso a torna cega para as suas falhas e pecados. Um homem humilde vê a si mesmo como Deus o vê e não fica feliz com o que vê, o que o força a se voltar para Cristo (Lucas 18.13 ; 1 Pe 5.5).

Cuidado com os Bloqueios

 Nas Escrituras, Deus afirma que ouve as orações dos seus filhos somente se as mãos deles estiverem limpas e os corações puros (Sl 66.18; 24.3-5; Is 1.15). Acredita-se em geral que o Deus de amor sempre tem o seu ouvido aberto para os clamores dos seus filhos. No entanto, através de todas as Escrituras Deus diz o contrário.
 O primeiro capítulo de Isaías, do início ao fim, trata com essa situação. Muitos dos filhos de Deus andavam pelos seus próprios caminhos, confiando na sua relação com Jeová como um cartão de crédito válido para receber bênçãos do Senhor “à vontade”. Não pareciam compreender que eram descritos por Deus como um povo “carregado de iniqüidade”, com uma cabeça “toda doente”, tendo “contusões e chagas inflamadas” desde a planta do pé até à cabeça (Is 1.4-6). Deus rejeitou seus sacrifícios e sua adoração por serem hipócritas e disse: “Quando estendeis as vossas mãos em oração, escondo de vós os meus olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço...” (Is 1.15). 
 Entretanto, mesmo diante desse tipo de evidente frieza, desobediência e rejeição dos seus apelos, Deus lhes disse: “...ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. Se quiserdes, e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra” (Is 1.18-19).  
 Os cristãos hoje em dia estão iludidos quando pensam que, enquanto estiverem orando e praticando as formas exteriores de adoração, eles têm o direito de ir para Deus com suas necessidades, grandes ou pequenas, e que Deus tem a obrigação de ouvir e atendê-los. Contudo, ele diz muito claramente que se houver pecado no meu coração “o Senhor não me ouvirá” (Sl 66.18). Ele ouvirá, sim, os clamores daqueles que realmente querem voltar para ele (Ml 3.7) e que estão determinados a andar com ele de ora em diante. Somente o nosso Deus poderia ser tão amoroso, paciente e pronto a perdoar.  
 Leia as suas palavras em Oséias 14.4: “Eu curarei a infidelidade deles e os amarei de todo o meu coração, pois a minha ira desviou-se deles” (NVI).
Que Lugar Tem a Oração em Relação ao Avivamento?
  Leonard Ravenhill, no seu livro Revival Praying (“Orando Para Avivamento”), faz uma pergunta que precisa ser respondida hoje. “Estamos nós, os que ainda temos as brasas vivas no nosso altar, nos comparando com os altares apagados das igrejas vizinhas, ao invés de avaliar o ardor de oração dos santos de gerações passadas? O mundo alardeia o seu poder atômico, alguns cultos se vangloriam do seu poder satânico, mas onde estão aqueles que buscam o poder do Espírito Santo?” 
 Com freqüência, substituímos a oração por excessivas atividades religiosas, quando Deus deseja gravar dentro de nós o “aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” (Sl 46.10). Alguém disse que quando Deus pretende exercer grande misericórdia sobre o seu povo, a primeira coisa que faz é levá-lo à oração. Somente quando alguns dentre o povo de Deus se dispõem a orar até que Deus quebre o casulo da zona de conforto do homem é que podemos esperar uma visitação do trono de Deus. Isso pode levar dias, ou até meses, mas a promessa de Deus será cumprida: “Derramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca” (Is 44.3). 
 Brian Edwards disse: “Os homens que Deus usou em avivamentos sempre tiveram um elevado conceito de Deus e foram hipersensíveis ao pecado, muito antes do avivamento começar. Provavelmente, a nossa falta de oração hoje, juntamente com a ausência de santidade nas vidas dos líderes cristãos, tem convencido a Deus de que não estamos muito sérios quando pedimos que nos mande um avivamento”.
Oração nas Hébridas
 Duncan Campbell [evangelista no avivamento das Hébridas em 1949] relatou os acontecimentos nos dias que antecederam o avivamento: 
Era a reunião semanal de oração. Tinha havido uma intensa oposição ao Evangelho no vilarejo e, embora muitos tivessem vindo de outros locais para participarem das reuniões, havia pouquíssimos da própria localidade. Um líder da igreja sugeriu que fossem orar, e umas trinta pessoas se dirigiram para a casa de um fazendeiro simpatizante. A oração era difícil, mas, lá pela meia-noite, Duncan voltou-se para o ferreiro local que até então estivera calado e lhe disse: “Sinto que chegou a hora de você orar”.
O homem orou por cerca de meia hora, porque em avivamentos o tempo não é levado em conta, e finalmente encerrou sua oração com um desafio ousado: “Deus, tu não sabes que a tua honra está em jogo? Tu prometeste derramar torrentes em terra seca, mas isso não está acontecendo”. Por um momento, houve uma pausa, mas em seguida, ele concluiu: “Deus, a tua honra está em jogo, e eu te desafio a cumprir os teus compromissos de aliança”. 
“Naquele momento”, lembra Duncan Campbell, “toda aquela casa de pedra tremeu como uma folha”. Um dos presbíteros achou que era um terremoto, mas Duncan se lembrou de Atos 4.31: “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos...” Duncan Campbell ministrou a bênção, e eles saíram da casa. Eram duas horas da madrugada, mas todo o vilarejo estava aceso, incendiado por Deus. Homens e mulheres carregavam cadeiras e perguntavam se havia lugar para eles na igreja! (De Revival, A People Saturated With God, de Brian Edwards – Avivamento, Um Povo Saturado por Deus). 
Pergunta: Será que temos uma base em oração para poder desafiar Deus dessa maneira?

Pode Alguém Orar pelo Avivamento?

 A resposta é sim! Entretanto, a pergunta deveria ser: Quem pode mover Deus para que envie o avivamento? No Salmo 24.3-5, o salmista pergunta: “Quem subirá ao monte do Senhor? Quem há de permanecer no seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração” – aquele que está totalmente entregue a ele. Ou seja, quem está qualificado para orar é aquele que perscrutou o seu coração diante de Deus, recebeu purificação e agora está apto a chamar a presença do Espírito de Deus sobre o seu povo. 
 No versículo cinco, ele afirma que tal pessoa será ouvida e receberá a bênção do Senhor. Isso se refere ao poder do Espírito Santo. É a bênção, não uma bênção. Aqui o nosso relacionamento pessoal com Deus assume uma importância primordial. Deus ouve as orações daqueles que têm um relacionamento com ele por meio do sangue e não estão em divergência com um irmão ou uma irmã em Cristo. Divergência sempre causará um bloqueio na nossa oração (Mt 5.23-24). 
 Alguém disse: “Corações manchados que comandam mãos manchadas não podem utilizar os recursos de Deus”. A pergunta é: O nosso relacionamento com Deus é pra valer? Estamos prontos a pagar o preço do avivamento? Sabemos que a oração é dispendiosa e exigente. Em outras palavras, requer perseverança. Implica negar-se a si mesmo – morrer todos os dias, voluntariamente.

Deus Responderá Nossas Orações?

 Como filhos de Deus, podemos escolher entre orar eficazmente e apresentar desculpas. Freqüentemente, escolhemos a saída humana e mais simples, oferecendo desculpas por nosso fracasso em tocar em Deus. Por exemplo, é porque estamos cansados. Não tivemos tempo para orar. Apontamos para a frieza ou os problemas na nossa família e igreja, ou para a época em que vivemos como motivos da nossa falta de oração. Até mesmo alguns pastores e missionários são ousados a ponto de pôr a culpa em Deus, dizendo que já que Deus é soberano, não deve ter chegado a sua hora de descer do céu com fogo. 
 Será que não é porque o “nosso armário está vazio”? Porque a frieza tomou conta de nós? Será que o pecado embotou a nossa sensibilidade à voz de Deus? Temos tantos deuses deste mundo que não há mais tempo nem energia. Se abrigarmos na nossa vida algo que sabemos ser pecado, isso definitivamente nos impedirá de orarmos a Deus (Sl 66.18). Isaías disse ao povo de Deus: “Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.2).   Se Elias estivesse aqui, ele bradaria: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o” (1 Rs 18.21). Deus diz para todos aqueles que estão famintos por ver o fogo de Deus descer sobre a sua igreja hoje: “Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 19.13). No Evangelho de Mateus, Cristo diz: “Pedi, e dar-se-vos-á...” (7.7). Paulo nos diz que “tudo é vosso” (1 Co 3.21).

Oração Desesperada


 Quando realmente queremos que Deus venha, descobrimos que verdadeira oração é trabalho. Satanás dedicará todos os seus esforços no sentido de impedir-nos de tocar o trono de Deus. Há um preço a pagar – um preço, talvez, de longas horas, noites sem dormir, sondagens do coração e, possivelmente, de “faxinas” da nossa casa interior (Sl 66.18). 
 Oração significa negar a si mesmo e, talvez, colocar de lado as coisas das quais gostamos ou que gostaríamos de fazer, a fim de dar a Deus tempo para implantar a carga do seu Espírito nos nossos corações. É nesse ponto que começamos a desfrutar da vitória à medida que começamos a obedecer plenamente aos toques interiores do Espírito, deixando o Espírito Santo tomar o controle.  
 Agora, o nosso Pai ouvirá as nossas orações. Não é o que o presbítero no avivamento das Hébridas quis dizer quando exclamou: “Amigos, é muita falsidade ficar esperando e orando, esperando e orando, se os nossos corações não estão em dia com Deus”? 
 Duncan Campbell afirmava que “desejar o avivamento é uma coisa; expectativa confiante de que nosso desejo será atendido é outra! Deus freqüentemente leva o seu povo ao ponto de desespero antes que ele envie o avivamento; somente então é que eles aprendem que ‘sem mim nada podeis fazer’” (João 15.5). Que Deus nos dê pessoas desesperadas!

Conclusão

 Deus está buscando uma pessoa e um povo que sejam sérios, sedentos e desesperados por uma poderosa visitação divina sobre nós. 
1.           Ele exige que as mãos e os corações de tais pessoas sejam limpos diante de Deus e diante dos homens (Sl 24.1-5).
2.             Uma vez que as condições estabelecidas em 2 Crônicas 7.14 sejam atingidas, Deus procura aqueles que vão orar, esperar e confiantemente aguardar que Deus cumpra a sua promessa.
 Acreditamos que Deus cumprirá a sua promessa de voltar-se para nós, se nós nos tivermos voltado a ele total e incondicionalmente? (Ml 3.7). A resposta é Sim, ele será fiel à sua promessa! Deus está mais ansioso para vir ao seu povo num maravilhoso avivamento de purificação e visitação divina do que o seu povo está para se entregar totalmente a ele! 
 Se realmente queremos ver Deus descer com fogo purificador sobre nós e sobre todo o seu povo, será que estamos prontos a nos gastar por muito tempo diariamente em oração? Lembremo-nos de que Deus nos pediu para nos humilharmos diante dele e orarmos. Então Deus ouvirá do céu (2 Cr 7.14).

Fonte:
De Revival – God’s Proven Method of Awakening His Church (Avivamento – Método Provado de Deus para o Despertamento da Sua Igreja), de Edgar H Lewellen.

Seja Abençoado em nome de Jesus

Abraço

Roberto






NOME DE CRISTO

No Nome de Cristo
E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei… Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.
...e vos designei [...] a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.
Em verdade, em verdade vos digo, se pedirdes alguma coisa ao Pai, Ele vo-la concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi, e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.
Naquele dia pedireis em meu nome... (Jo  14.13-14; 15.16; 16.23-24,26).
 “Em meu nome” é repetido seis vezes nesses textos. Nosso Senhor sabia como seria lento nosso coração para absorver essas palavras e, por isso, não se cansou de repetir as verdades vez após vez. Como ele ansiava para que realmente acreditássemos no poder que há no seu Nome: poder para fazer as orações chegarem ao trono e poder para levar todo joelho a se dobrar naquele dia. Entre o maravilhoso “tudo quanto pedirdes” e o divino “eu o farei”, há esse simples elo de ligação: “em meu nome”. Tanto o nosso solicitar quanto a concessão do pedido da parte do Pai devem ser igualmente feitos em nome de Cristo. Tudo na oração depende de compreendermos isso.
Sabemos que um nome é uma palavra que suscita à mente todo o ser e a natureza de alguém ou alguma coisa. O nome de Deus tem o objetivo de expressar toda a natureza e glória divinas. O nome de Cristo expressa toda a sua natureza, sua pessoa e obra, sua disposição e seu Espírito. Pedir em nome de Cristo é orar em união com Ele.
Quando um pecador aceita a Cristo pela primeira vez, ele só conhece seu mérito e sua intercessão. E, até o fim, é nisso que se fundamenta a nossa fé.
Entretanto, à medida que o discípulo cresce em graça e entra de maneira mais profunda e verdadeira em união com Cristo – ou seja, à medida que permanece nele –, ele aprende que orar em nome de Cristo é orar em seu Espírito, com a sua própria natureza, conforme o Espírito Santo a implanta nele. Quando compreendemos o significado das palavras “Naquele dia pedireis em meu nome” –, ou seja, no dia em que Cristo veio habitar em seus discípulos pelo Espírito Santo – não ficaremos mais estarrecidos diante da grandeza da promessa: “Tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei”.
O que for pedido no nome de Cristo, em união com ele, em consonância com sua natureza e Espírito, será concedido. À medida que a natureza de Cristo e de sua vida de oração for implantada em nós, seu poder de oração passará a ser nosso também. A honesta e sincera entrega, de todo o coração, a tudo que Cristo deseja ser em nós, será a medida de nossa integridade espiritual e poder para orar em seu nome.
“Se permanecerdes em mim...”, diz ele, “pedireis o que quiserdes” (Jo 15.7). À medida que vivermos nele, obteremos o poder espiritual  para nos beneficiarmos do seu nome. Assim como o ramo inteiramente dedicado à vida e ao serviço da vide pode contar com toda a sua seiva e força para dar frutos, da mesma forma o cristão, que aceitou por fé a plenitude do Espírito para tomar conta de toda a sua vida, pode de fato beneficiar-se de todo o poder do nome de Cristo.
Cristo veio à Terra como homem para nos revelar em que consiste a oração. Para orar em nome de Cristo, devemos orar como ele orou na Terra; como ele nos ensinou a orar; em união com ele, como ele agora ora no céu. Devemos, com fé e amor, estudá-lo e aceitá-lo como nosso exemplo, nosso mestre e nosso intercessor.
 Cristo É Nosso Exemplo
Quando compreendemos quanto tempo Cristo passou em oração e como todos os acontecimentos relevantes de sua vida estiveram ligados a períodos especiais de oração, fica mais clara a necessidade de absoluta dependência do mundo espiritual e da comunicação permanente com ele, para que tenhamos vida celestial ou exercitemos poder celestial à nossa volta.
Sobre o batismo de Jesus, está escrito: “E aconteceu que, ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e estando ele a orar, o céu se abriu” (Lc 3.21). Foi na oração que o céu se abriu para ele, e que o céu desceu até ele por meio do Espírito e da voz do Pai. Foi nesse poder que ele foi levado ao deserto, em jejum e oração, para ser testado e para aprender a usar plenamente as faculdades e armas espirituais.
Marcos registra: “Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto, e ali orava” (Mc 1.35). E, mais adiante, conta-nos Lucas: “... e grandes multidões afluíam para ouvi-lo e serem curadas de suas enfermidades. Ele, porém, se retirava para lugares solitários, e orava.” (Lc 5.15,16).
Ele sabia como o serviço mais sagrado – como pregar e curar – pode exaurir o espírito; como excessiva interação com os homens pode empanar a amizade com Deus; como é necessário separar tempo para que o espírito descanse e crie raízes na verdadeira vida; como a pressão de obrigações para com os homens, seja qual for sua intensidade, jamais anula a necessidade absoluta de muita oração. Se alguém pudesse sentir-se satisfeito por viver e trabalhar sempre em espírito de oração, esse alguém seria o nosso Mestre. Mas ele não se contentava; necessitava recompor sua provisão espiritual por períodos contínuos e prolongados de oração. Usar o nome de Cristo na oração implica certamente também nisso, em seguir seu exemplo e orar como ele orava.
A respeito da noite anterior à escolha dos apóstolos, lemos que ele “retirou-se para o monte a fim de orar, e passou a noite orando a Deus” (Lc 6.12). O primeiro passo para a constituição da Igreja e a escolha dos homens que seriam suas testemunhas e sucessores exigiu dele um período especial e prolongado de oração. Tudo precisava ser feito segundo o padrão revelado no monte: “O Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai” (Jo 5.19-20). Foi durante a noite de oração que ele viu o que deveria ser feito.  
No período entre a multiplicação dos pães para os cinco mil e o milagre de andar sobre as águas, quando percebeu que o povo queria tomá-lo e proclamá-lo rei à força, ele “subiu ao monte para orar sozinho” (Mt 14.23; Mc 6.46; Jo 6.15). Sua missão era fazer a vontade de Deus e mostrar o poder de Deus. Ele não o considerava como propriedade sua; era necessário orar e receber tal poder do alto.
Na introdução à história da transfiguração, lemos que Jesus “subiu ao monte com o propósito de orar” (Lc 9.28). O pedido dos discípulos: “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11.1) veio depois de Jesus estar “orando em certo lugar”. Em sua vida pessoal, em sua amizade com o Pai, em tudo que ele é e faz pelos homens, o Cristo, cujo nome devemos usar, é um homem de oração.
É a oração que lhe confere o poder de abençoar e transfigura seu corpo com a glória dos céus. É sua própria vida de oração que lhe permite ensinar aos outros como orar. Quanto mais terá de ser oração, somente oração, muita oração para nos moldar até que estejamos aptos a participar da glória de uma vida transfigurada ou para nos transformar em canal de bênção celestial e ensino para os outros. Orar em nome de Cristo é orar como ele orava.
A vida e a obra de Cristo, seu sofrimento e morte – era tudo oração, dependência em Deus, confiança em Deus, recebendo de Deus e rendendo-se a Deus.
Sua redenção, ó seguidor de Jesus, foi forjada por oração e intercessão. Seu Cristo é um Cristo de oração: a vida que ele viveu para você, a vida que vive em você é uma vida de oração que se deleita em esperar em Deus e em tudo dele receber. Cristo é nosso exemplo porque ele é nosso Cabeça, nosso Salvador e nossa Vida. Em virtude de sua divindade e do seu Espírito, ele pode viver em nós; nós podemos orar em seu nome, porque permanecemos nele, e ele em nós.

Condensado de The Ministry of Intercession (O Ministério da Intercessão), de Andrew Murray.

LÍDERES DE DEUS

Os Mais Poderosos Líderes de Deus
 A oração é o meio mais poderoso para fazer avançar a obra de Deus. Somente os corações e as mãos dos que oram podem realizar a obra de Deus. A oração tem sucesso quando tudo o mais falha. Pela oração, grandes vitórias já foram conquistadas e santos de Deus resgatados em nobre triunfo, quando já não havia qualquer esperança. Pessoas que sabem como orar são a maior dádiva que Deus pode dar à Terra. São o presente mais precioso que a Terra pode oferecer a Deus. As pessoas que sabem usar a arma da oração são os mais valiosos guerreiros de Deus e seus líderes mais poderosos.
  Pessoas que oram são os líderes preferidos por Deus. A diferença entre os líderes que Deus coloca na linha de frente para conduzir e abençoar seu povo, e aqueles que obtiveram a posição por meio de critérios mundanos, egoístas e impuros é a seguinte: os líderes de Deus são antes de mais nada pessoas de oração. É a oração que serve de marco distintivo, é o atestado divino do seu chamado, o selo de que foram separados por Deus. Sejam quais forem os demais dons e graças que porventura possuam, o dom e a graça da oração estão acima de todos. Sejam quais forem as possíveis diferenças ou semelhanças entre um e outro, os verdadeiros líderes de Deus são idênticos neste ponto: no dom da oração.
  O que seriam os líderes de Deus sem a oração? Tire de Moisés seu poder de oração, dom reconhecido até pelos pagãos, e não haverá mais coroa de autoridade na cabeça nem substância ou fogo em sua fé. Sem oração, Elias nem sequer teria registro ou menção no legado divino. Sua vida teria sido insípida, covarde, sem energia, desafio ou fogo. Se Elias não tivesse orado, as águas do Jordão jamais se teriam recuado diante da pancada com o manto, nem o implacável anjo da morte o teria honrado com seus carros e cavalos de fogo.
  O argumento usado por Deus para aquietar os temores de Ananias e convencê-lo da sinceridade de Paulo foi “...pois ele está orando” (At 9.11). Essa foi a epítome da história de Paulo, a base de sua vida e obra. Paulo, Lutero, Wesley – o que teria sido desses escolhidos de Deus sem o elemento distintivo e regulador da oração? Eles foram líderes que representaram Deus, porque eram poderosos na oração. Não foram líderes em virtude da inteligência, dos recursos inexauríveis, da magnífica dotação cultural ou natural. Foram líderes porque comandavam o poder de Deus por meio do poder da oração.
  Pessoas de oração não são apenas pessoas que recitam orações ou que oram por força do hábito. Pessoas de oração são aquelas que conhecem a tremenda força da oração, cuja energia move os céus e derrama tesouros incalculáveis sobre a Terra.
 Tempo a Sós com Deus
  Pessoas de oração são aquelas que passam bastante tempo com Deus. Sentem grande necessidade e desejo de estar a sós com Deus. Embora muito ocupadas, sempre param o que estão fazendo no tempo determinado para ter comunhão com Deus. Por terem passado muito tempo sozinhos com ele, já descobriram que o segredo de exercer liderança sábia e poderosa diante de Deus está nesses momentos de acesso e graça especiais.
  Pessoas de oração têm foco único. Após tanto tempo a sós com Deus, por terem presenciado tanto a sua glória, aprendido tanto da sua vontade e sido tão fortemente moldados à sua imagem, o foco delas não consegue mais se desviar do Senhor. Tudo o mais é tão insignificante em comparação que não lhes atrai a atenção, é pequeno demais para encher seus olhos. Uma visão dividida – uma parte focada em si mesmo, outra em Deus – causa grande empecilho à oração.
  Pessoas de oração fundamentam-se em apenas um livro; alimentam-se da Palavra de Deus, que habita plenamente nelas como força vital e fonte de autoridade e fé. São pessoas da Bíblia. É a Bíblia que lhes inspira as orações e desperta a fé. Elas se apóiam em suas promessas como se fossem um baluarte de concreto.
  As pessoas de oração são os únicos obreiros de Deus que são realmente produtivos. A verdadeira oração é uma força de trabalho, uma energia divina que precisa externar-se, pois é muito poderosa para ficar contida. O trabalho feito por pessoas de oração alcança os melhores resultados porque é realizado com a energia de Deus. Pessoas de oração são dirigidas por Deus e trabalham para a glória divina, sob o poderoso incentivo da presença de Deus, da sua Palavra e do seu Espírito.
  Pessoas de oração protegem a Igreja do materialismo que contamina todos os seus planos e constituição, e congela seu sangue vital. Um veneno mortífero e secreto circula pela Igreja, persuadindo-a de que não tem necessidade de depender tanto de forças puramente espirituais, como anteriormente. Outros tempos e outras condições tiraram a Igreja de apertos e dependências espirituais e a colocaram sob a injunção de outras forças que poderão impulsioná-la ao sucesso. Tal armadilha fatal seduziu a Igreja a cair em laços mundanos, fascinando os líderes, enfraquecendo os fundamentos e privando-a, em grande parte, de sua beleza e força.
  Pessoas de oração salvam a Igreja dessa tendência materialista. São canais despenseiros das forças espirituais originais. Elas desprendem a Igreja dos bancos de areia nas águas rasas do materialismo e a impelem para as profundezas do poder espiritual. Pessoas de oração mantêm Deus em sua posição de força total. Conservam a mão do Senhor no leme de direção, enquanto ele treina a Igreja em força e confiança.
  A quantidade dos que trabalham na vinha do Senhor, onde quer que seja, e sua eficiência dependem das pessoas de oração. De acordo com um processo instituído pelo próprio Deus, o número e o sucesso de obreiros consagrados dependem do poder da oração. A oração escancara as portas de acesso, prepara o obreiro para entrar e proporciona a ousadia santa, a firmeza e o fruto. Há necessidade de pessoas de oração em todos os campos do trabalho espiritual.
  Não há cargo, alto ou baixo, na Igreja de Deus, que possa ser adequadamente preenchido sem oração. Não existe posição, para o cristão, que não requeira aquela fé que ora sempre e nunca esmorece. Pessoas de oração são necessárias tanto nas casas e empresas comerciais quanto na casa de Deus, a fim de que conduzam negócios, não segundo os princípios deste mundo, mas de acordo com os preceitos da Bíblia e as máximas da vida celestial.
  Pessoas de oração são necessárias sobretudo naqueles cargos de influência, honra e poder na Igreja. Os líderes que estão à frente do pensamento, do trabalho e da vida da igreja, devem ser pessoas com comprovado poder na oração. É o coração em oração que santifica o trabalho e a perícia das mãos e o empenho e a sabedoria da cabeça. A oração faz com que o trabalho se alinhe com a vontade de Deus e mantém o pensamento afinado com a Palavra de Deus. As sérias responsabilidades de liderança na Igreja de Deus, sejam de alta ou baixa escala, devem ser de tal forma cercadas de oração que entre elas e o mundo haja uma barreira intransponível. Os líderes devem ser de tal forma elevados e purificados pela oração que nenhuma nuvem ou treva possa conturbar ou obscurecer uma clara e permanente visão de Deus.
  Muitos líderes da Igreja parecem pensar que se puderem sobressair-se por capacidades intelectuais e administrativas, por diplomas, dons de eloqüência e realizações notáveis, isso será o bastante e compensará a ausência de poder espiritual proveniente de muita oração. Contudo, essas coisas para nada servem no trabalho sério de trazer glória para Deus, governando a Igreja para ele e conduzindo-a para o pleno cumprimento de sua divina missão.
  Pessoas de oração são aquelas que tanto realizaram para Deus no passado. Foram elas que conquistaram as vitórias para Deus e esmagaram seus inimigos. São aquelas que edificaram o Reino de Deus em pleno arraial inimigo. Não há nenhuma outra condição para o sucesso hoje em dia. O tempo atual não suspendeu a necessidade ou a força da oração. Não há nada que possa substituí-la para alcançar seus objetivos graciosos.
  Somente as mãos daqueles que oram podem edificar algo para Deus. As pessoas de oração são os poderosos de Deus na Terra, seus mestres arquitetos. Podem não dispor de mais nada, mas lutando e prevalecendo com a fé de coração simples, são valentes – os mais poderosos valentes de Deus. Os líderes da Igreja podem possuir todos os talentos, mas sem esse que é o maior dos dons serão como Sansão privado de suas madeixas, ou como os altares do templo em que a chama divina extinguiu-se por falta da divina presença.

Extraído de Prayer and Revival (Oração e Avivamento) de E. M. Bounds. Copyright © 1993 de Baker Book House. Usado com permissão. 


Abraço:
Roberto

A DÁDIVA DO SOFRIMENTO


A DÁDIVA DO SOFRIMENTO
“... PARA 0 CONHECER E 0 PODER DA SUA RESSURREIÇÃO E A COMUNHÃO DOS SEUS SOFRIMENTOS, CONFORMANDO-ME COM ELE NA SUA MORTE; PARA DE ALGUM MODO ALCANÇAR A RESSURREIÇÃO DENTRE OS MORTOS.” Fp 3:10, 11.
PERSEVERANÇA
Primeira impressão:
março de 1983
Rubiataba, Goiás
A Dádiva do Sofrimento
por Peter Parris
Quando Jesus interrogou dois discípulos desiludidos depois da sua morte, deu-lhes a entender que o sofrimento fazia parte integral da sua experiência. Não era necessário que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória (Lc 24:26)? Eles não podiam compreender como tal morte ignominiosa pudesse ser compatível com a glória de Cristo. Jesus então mostrou-lhes através de todas as Escrituras como era necessário que ele sofresse antes de entrar na sua glória. Getsêmani, Gábata, e Gólgota (Jo 18:1; 19:13, 17) eram passos necessários para chegar ã glória. Getsêmani era o jardim em que Jesus agonizava em oração, e onde no fim encurvou-se ã vontade do seu Pai, apesar de quase morrer naquele local. Gábata era o pavimento onde ele foi tão injustamente julgado por Pilatos, e açoitado ao mesmo tempo que era rejeitado pela multidão. Gólgota era o lugar onde suportou a cruz, dando a sua vida e morrendo como espetáculo diante do céu e da terra. Jesus chamou os discípulos desiludidos de néscios por serem tardos para crer no que os profetas disseram, e prosseguiu explicando-lhes a necessidade do seu sofrimento.
O escritor aos Hebreus nos afirma que Jesus aprendeu a obediência através do sofrimento; e tendo sido aperfeiçoado, tornou-se a fonte de eterna salvação a todos aqueles que são obedientes (Hb 5:8, 9). Ele foi tentado nos seus sofrimentos e por causa destas experiências é capaz de socorrer todos aqueles que são tentados (Hb 2:18). Um resultado prático do sofrimento na vida de Jesus foi fazer dele um fiel sumo sacerdote que acabou por vencer toda tentação.
Pedro falou mais sobre o sofrimento do que qualquer outro autor na Bíblia e referiu-se também ã necessidade do sofrimento e aos resultados que o acompanham. Em alguma época da nossa vida, o sofrimento será necessário para que o Senhor alcance os objetivos que deseja para nós. Não há nada que ofenda mais ao “velho homem” do que sofrimento injusto. Traz ã tona qualquer resquício de auto-preservação e egocentrismo que ainda permanece em nós. O sofrimento revela atitudes e reações erradas. Se nos arrependermos da velha natureza e expressarmos a nova, cresceremos e seremos abençoados. Se mantivermos a atitude correta durante o sofrimento, estaremos declarando nossa união com Jesus e o espírito da gloria de Deus repousará sobre nós (1 Pe 4:14).
Evidentemente é melhor sofrer por fazer o que é certo do que sofrer por fazer o errado (1 Pe 4:15, 16). A vontade e o propósito de Deus incluem o sofrimento por causa dos resultados que este produz em nós. Não vem apenas como resultado das nossas más ações, mas como um meio de aperfeiçoar-nos, mesmo quando estamos fazendo o que é certo. As experiências do cume da montanha são sempre bem-vindas, mas no cume da montanha só podemos descansar e apreciar a vista. Nada cresce lá; não se pode semear nem colher. É um lugar onde só se pode contemplar a vista - que é muito agradável, refrescante e necessário.
Mas é no vale que se produz o fruto. Freqüentemente o cume da montanha está acima das nuvens, mas os vales debaixo das nuvens recebem a chuva que traz vida. Os rios correm pelos vales e lá vicejam os pastos verdejantes. Assim também as experiências nos vales são para nós períodos em que desenvolvemos nossa salvação. O crescimento da nossa fé está ligado diretamente aos nossos momentos de sofrimento, apuro e perseverança. Nossa paciência é aperfeiçoada. Acumulamos experiência que é a medida da nossa maturidade. O sofrimento freqüentemente é o instrumento que nos lança totalmente na dependência de Deus. Quando a situação exige algo além dos nossos recursos naturais, nossa única saída é a provisão sobrenatural do Senhor. Nossos impasses pessoais podem ser o meio que o Senhor usa para abrir um caminho diante de nós.
Jó é o exemplo mais destacado de paciência e confiança adquiridas através da adversidade. Quando anunciaram-lhe a perda desastrosa dos seus filhos e possessões, ele prostrou-se e adorou a Deus. “O Senhor o deu, e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor (Jó 1:21), foi a sua resposta. Quanto a si mesmo, ele disse que mesmo que Deus o matasse, ainda confiaria nele (Jó 13:15). Sem que Jó soubesse, Deus estava usando o seu testemunho contra Satanás. Quando o sofrimento ocorre nas nossas vidas, podemos confiar que o Senhor o está usando para destruir o mal.
É somente quando apreciamos o fato que nosso amoroso Pai celestial está em controle do nosso sofrimento que podemos corresponder com confiança e até mesmo com regozijo. Tiago nos exorta a considerar as diversas provações que encontramos como motivo de alegria por causa daquilo que produzem (Tg 1:2-4). Finalmente, se perseverarmos, receberemos a coroa da vida (Tg 1:12). Paulo nos encoraja ao comparar nossos sofrimentos atuais com a glória que será revelada em nós, e conclui que o sofrimento não é digno de ser comparado com a glória (Rm 8:17, 18). Ele afirma que uma condição para reinar com Cristo é sofrer com ele.
A comunhão dos sofrimentos de Cristo (Fp 3:10) significa que realmente compartilhamos das suas aflições, e de alguma forma misteriosa preenchemos o que resta das aflições de Cristo a favor do seu corpo, a igreja (Cl 1:24). Por causa dos resultados dos nossos sofrimentos podemos abraçar nossas diversas, e até numerosas provações com um profundo senso de gozo. Este gozo pode ser uma profunda consciência de triunfo final mesmo quando o efeito imediato sobre nós é de tristeza e pesar.
Outro efeito desenvolvido através do sofrimento é uma mudança de valores. Aquilo que é temporal perde sua influência dominante para o que é eterno (2 Co 4:17, 18). Através do sofrimento o anseio para estar ausente do corpo e presente com o Senhor se intensifica. Promove a obra da cruz em nossas vidas e aprofunda o desejo de ser crucificado para o mundo. Tornamo-nos desiludidos com as coisas deste mundo e aproximamo-nos mais da nossa esperança em Jesus. Encontramos uma consolação que satisfaz o profundo do nosso ser e que nos torna mais conscientes das coisas eternas do que das temporais. Atendemos mais prontamente as coisas espirituais do que às coisas carnais, e através de tudo isto descobrimos a expressão de Cristo sendo formada em nossa personalidade. No sofrimento, extraímos da sua vida em nós a fim de dominar e substituir as velhas reações naturais e descobrimos que o Cristo que estava em nós apenas potencialmente agora tomou-se o Cristo em nós em realidade.
Sabemos que nunca seremos tentados além daquilo que podemos suportar (1 Co 10:13). Nossa dificuldade surge quando somos empurrados para novas áreas. Nessas ocasiões pensamos que estamos sendo levados para além daquilo que suportamos, mas na verdade é apenas além daquilo que já conhecemos, para uma nova area de experiência. A suficiente graça de Deus sempre estava lá para ser abundante para conosco. Por estas razões podemos conhecer a realidade do regozijo na tribulação, e podemos considerar motivo de toda alegria quando tivermos de enfrentar diversas provações.
Se deixarmos de julgar e ajustar devidamente as nossas vidas, seremos castigados pelo Senhor, para não sermos julgados com o mundo (1 Co 11:31, 32). Mesmo que venha na forma de fraqueza, doença ou morte, é melhor receber disciplina nesta vida do que na vindoura. O salmista escreve que antes de ser afligido, ele se extraviava; e foi bom para ele ter passado pela aflição, pois sabia que pela fidelidade do Senhor é que ele foi afligido (Sl 119:67, 71).
Este tipo de sofrimento é causado por nós mesmos, pois de alguma forma temos nos desviado de andar em união com Cristo. Deus nos ama demais para deixar de nos castigar, pois ele não nos quer perder eternamente. Embora talvez possamos evitar um pouco de disciplina, não poderemos passar totalmente sem castigo a não ser que já sejamos perfeitos e sempre façamos tudo com perfeição. Deus trata conosco como a filhos (Hb 12:7). Ele açoita a cada filho que recebe, mas com infinito amor e cuidado. Se Jesus aprendeu obediência pelo que sofreu, você acha que nós, que tantas vezes somos desobedientes, poderemos aprendê-lo sem sofrimento?
TRADUÇÃO LITERAL DE UM HINO
Quando te chamo às águas profundas a passar,
Os rios de tristeza não te irão inundar,
Pois estarei contigo para abençoar na aflição
E santificar-te na maior tribulação.
 Quando entre provas ardentes teu caminho encontrar
Minha graça toda suficiente eu irei providenciar.
As chamas nenhum mal te farão; tão somente procurarei
Tuas impurezas consumir — e o teu ouro refinar.
 A alma que em Jesus se inclinar a repousar
Nunca aos inimigos a hei de abandonar.
Esta alma, ainda que todo o inferno a procure abalar
Eu nunca, não nunca, a irei desamparar.
Perseverança

por David Matthews
Perseverança certamente não é uma palavra alegre, nem tampouco uma palavra popular; contudo é uma palavra essencial para o vocabulário do cristão. Perseverança e sofrimento são quase inevitavelmente interligados. Na mente ocidental, o sofrimento é automaticamente um mal e deve ser eliminado prontamente. Por isto achamos difícil aceitar a idéia que um pouco de sofrimento, seja físico ou emocional, pode ate mesmo fazer bem para nós. Talvez um dos sinais do reino dos céus entre nós será uma redução drástica no nosso uso de comprimidos para mal-estares relativamente pequenos como dores de cabeça ou resfriados.
O sistema de Previdência Social tem feito muito bem para a sociedade em geral, e eu, pelo menos, não fico sonhando sobre os bons tempos do passado. O maior perigo, entretanto, é a tendência de produzir uma sociedade dependente que sempre espera que o governo resolva as inconveniências da vida.
Somos tão preocupados com nossa felicidade que qualquer coisa que chega a ameaçá-la deve ser resistida a todo custo, mesmo que acabamos ganhando uma úlcera como resultado. Ninguém precisa de perseverança para suportar
*Obs. A palavra usada no original é “endurance” que significa “suportar”. Como não há substantivo correspondente em português, usamos “perseverança”.
a felicidade e, sendo assim, nunca aprendemos a perseverar. As vezes fico me perguntando quanto tempo perdemos suplicando para que Deus nos tire das circunstâncias desagradáveis que ele enviou para nos abençoar.
Há três espécies de perseverança que precisamos examinar. Primeira: aceitação passiva, segunda: rendição, e terceira: confiança ativa. Das três a segunda é a mais perigosa. Produz hipocondríacos cristãos que se tornam depósitos de lixo para tudo que Satanás quiser lançar neles. E triste reconhecer que há algumas filosofias cristãs que interpretam esse tipo de rendição como espiritualidade. Esta é uma reversão dos antigos estóicos, dos quais talvez Simão Estilotes seja o mais bem conhecido. Simão passou uma grande parte da sua vida empoleirado desconfortavelmente em cima de uma estaca, como um ato de rendição. Dizem que as pessoas colhiam até mesmo os piolhos que caiam do seu corpo como relíquias religiosas. Deus não nos chama nem para nos render ao sofrimento nem para procurá-lo, muito menos infligi-lo sobre nós mesmos. Rendição pode ter aparência de espiritualidade e santificação, mas na realidade é exatamente o contrário aos olhos de Deus. Leva inevitavelmente à justiça própria por um lado, ou, por outro, a uma depressão espiritual que mata a iniciativa e nos torna surdos ã voz profética de Deus.
Aceitação passiva, na verdade, não é muito melhor do que rendição. Isso pode ser ilustrado melhor se examinarmos o assunto da cura divina. É muito evidente que nem todos os doentes (e alguns diriam muito poucos) são curados. Isto era verdade na época dos evangelhos da mesma forma que o é hoje. Há muitas razões por que isso ocorre, mas eu gostaria de sugerir que muitos outros seriam curados de suas doenças se pudessem simplesmente se livrar da passiva aceitação da enfermidade em seus corpos. Não precisamos negar o fato que muitos têm-se encontrado com Deus no meio da doença ou através dela, mas isto não faz do mal um bem. O verdadeiro perigo da aceitação passiva do sofrimento é que ela embota o nosso discernimento. E muito claro nas Escrituras que algumas coisas devem ser suportadas e outras resistidas. A chave real para a questão está no fato de que algumas coisas, como por exemplo, a tentação, devem ser suportadas e resistidas ao mesmo tempo.
Confiança ativa em Deus é o único fundamento seguro no qual a verdadeira perseverança cristã pode ser edificada. Paulo diz: “E gloriamo-nos (não é bom que fomos incluídos?) na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde...” (Rm 5:2-5). Eis aí o âmago da questão. Você pode observar que ele começou e terminou com esperança.
Perseverança não é um fim em si mesmo, é simplesmente a esperança sendo testada. De certa forma esta é a dor da perseverança — Deus colocou-nos numa esperança que simplesmente não desaparece e em seguida encontramo-nos em circunstâncias que contradizem quase por completo essa esperança.
Temos um conceito muito idealista dos homens e mulheres da historia que mantiveram uma viva esperança através da perseverança. Sem dúvida você já leu sobre a paciência de Jó; no entanto, apesar do registro das Escrituras pensamos, de alguma forma, que Jó nunca se queixou nem perdeu seu senso de direção. A coisa vital que devemos aprender com Jó é que ele perseverou, não que ele atingiu a perfeição. Ele amaldiçoou o dia em que nasceu. Ele disse: “Queixar-me-ei na amargura da minha alma... Se pequei, que mal te fiz a ti, ó Espreitador dos homens? Por que te fizeste de mim um alvo? (Jó 7:11, 20). Perseverança não se encontra numa vida de sossego; é fundida nas fornalhas de amargura e da confusão. É cultivada no coração honesto que ousa questionar e dar a Deus acesso à sua dor e seu senso de abandono. Deus não exige que você persevere com um sorriso angélico em seu rosto e sem interrogações no seu coração. Simplesmente pede que depois de expressar toda a amargura e desapontamento, você persevere como quem viu a esperança e não a abandonará.
Estou certo que você já descobriu que a vida cristã inclui uma boa porção de provações. Não sei por que tais provações sempre nos surpreendem. Alguns escritores do Novo Testamento nos diriam que devemos esperar as provas e mesmo nos regozijar nelas! Talvez isso seja exigir demais! Com toda seriedade, porém, é aqui que o inimigo ganha a primeira partida. Ele entra antes de tomarmos consciência. Ele sempre nos ataca de surpresa. Precisamos de alguns princípios práticos para ajudar-nos a perseverar. Não se precipite em aceitar as circunstâncias como inevitáveis. As vezes suportamos situações porque não tivemos a coragem para mudá-las e nem as nossas atitudes. Lembro-me como aconselhei uma amiga a que aprendesse a empurrar-se entre as pessoas para entrar num ônibus ao invés de passivamente deixá-lo ir embora.
Lembre daquilo que Deus já disse e coloque todas as provações atuais no contexto da sua história com Deus. As provações têm uma tendência de suprimir a nossa percepção da presença de Deus e produzir uma depressão, a qual, se permitirmos, irã apagar toda a sua bondade e misericórdia que tem-nos acompanhado durante nossa vida. É importante neste tipo de depressão que confessemos verbalmente a sua fidelidade e a sua presença. Muitos de nós têm um hábito de não amolar os outros com os nossos problemas - isto chama-se independência, e não o recomendamos. Deus nos uniu ao seu povo e precisamos aprender a apreciar a disposição que há para compartilhar as cargas uns dos outros. Nossos amigos podem também ajudar-nos a colocar tudo no contexto próprio. Fomos chamados para a perseverança, mas não para caminhar sozinhos.
Finalmente, não desista. Há um segredo muito simples para ganhar a batalha — ou você está em pé ou está se levantando. Como alguém disse em certo lugar: O justo pode cair sete vezes num dia mas ele sempre se levantará.
Estes artigos foram traduzidos da revista Fulness, volume 29.
Os direitos autorais pertencem a:
Fulness
47, Copse Road, Cobham, Surrey
Inglaterra
Abraço: 
Roberto

quarta-feira, 24 de março de 2010

CORAÇÃO DESVIADO

 Cuidado Com um Coração Desviado


"O infiel de coração dos seus próprios caminhos se farta..." (Pv 14.14).
Ao considerar esse assunto, queremos examinar três marcas de um coração desviado: 1) Cessação de crescimento, 2) Desconsideração de alertas do Espírito e 3) Atitude de criticar e julgar os outros.
Cessação de Crescimento
Quando plantas param de crescer, o próximo estágio é definhamento. Quando a água deixa de fluir, logo vem a estagnação. Quando desistimos de subir o rio, começamos a ser carregados rio abaixo. O afastamento de Deus começa no coração. Muito antes de a pessoa reconhecer que abandonou os caminhos de Deus, ela já deixou de andar com ele no seu interior. Pode ser algo imperceptível até para os amigos mais íntimos, mas Deus sabe que ela parou de avançar e acomodou-se com o que já alcançou.
Uma pessoa que cresce espiritualmente é como um garoto em crescimento – está sempre ficando maior que as roupas antigas. A cada dia, recebe novo entendimento da Palavra, nova visão de Cristo e expressa-se na oração de forma diferente. É lamentável quando crianças ou mesmo adultos aprendem as orações e testemunhos das pessoas com quem convivem. Tais orações logo se tornam palavras vazias, de validade vencida, sintomas claros de uma condição estagnada.
Um pregador pode usar várias vezes o mesmo texto, mas, se estiver em contato com a vida sobrenatural, sempre encontrará coisas novas e dirá coisas que nunca antes falou, leu ou ouviu. A partir do momento em que ele – ou qualquer outra pessoa – cair numa rotina e sempre disser as mesmas coisas, é sinal de que parou de crescer. Muitas pessoas estão nessa condição de estagnação no seu desenvolvimento espiritual, e anos podem passar antes que fiquem conscientes disso. Que lamentável!
Há uma passagem triste registrada em Mateus 5.13. Jesus terminara uma sequência dizendo “bem-aventurados”, “bem-aventurados”, “bem-aventurados”. Quando chegou ao versículo 13, ele afirmou que seus ouvintes eram “sal”: “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta...” Veja bem: ele não disse se o sal deixar de ser sal, se ficar verde ou se virar um forte veneno! Ele não mencionou nada disso. O sal continua com a mesma aparência e o mesmo peso; continua sendo usado para temperar como antes, só que perdeu suas propriedades de preservação, purificação e sabor.
Semelhantemente, há muitas pessoas que são, exteriormente, religiosas e zelosas, que não têm comportamento prejudicial ou influência perniciosa e que parecem ter caráter exemplar. Contudo, o fato é que perderam aquela vida singular que tinha uma agressividade interior, um elemento eterno que trazia forte convicção de Deus sobre as pessoas em volta e gerava fome por algo que ainda não possuíam. Pode ser que nem consigam identificar o momento exato em que começaram a perder tudo isso – o que seria uma grande bênção, porque então saberiam por onde começar a se arrepender. Porém, geralmente ocorre um esfriamento de coração de forma tão gradual e imperceptível que, assim como Sansão, nem percebem.
“Tendo ele despertado do seu sono, disse consigo mesmo: Sairei ainda esta vez como dantes, e me livrarei; porque ele não sabia ainda que já o Senhor se tinha retirado dele” (Jz 16.20).
Que tragédia é quando a pessoa vai se afastando de pouco em pouco e não se apercebe claramente disso até enfrentar uma prova decisiva e ser derrotado!
A pessoa que está com coração afastado de Deus pode declarar que está tudo bem, pode gritar mais alto, orar por mais tempo e pregar com mais energia do que antes. Ela faz isso para aquietar os próprios temores, para impedir que outros comecem a suspeitar dela ou para afugentar a convicção do Espírito Santo. Em certas ocasiões, pode até combater com vigor o próprio elemento que está sugando e destruindo sua vida espiritual. Pode ser que o faça com esperança de se recuperar. O problema é que ela está tão envolvida em outras coisas que não consegue parar para investigar ou avaliar seu estado espiritual.
Quando sente temores de que algo não vai muito bem, acaba descartando-os, dizendo que está apenas passando por tentações ou influências de fora. Assim continua tocando a vida, sem identificar as áreas ou atividades questionáveis em sua vida e sem tomar medida alguma. Sempre espera que as coisas passem a ficar boas tão logo as circunstâncias mudem para o melhor. Tem receio de ouvir os alertas interiores ou os questionamentos do coração, com medo de que seja obrigada a enfrentar a verdade. Quem dera que ela parasse por tempo suficiente para envergonhar todas as vozes enganosas e traiçoeiras e insistir que todas se calassem para deixar somente a voz do Espírito conduzi-la de volta à presença de Deus.
go, não passe tão rapidamente por cima de coisas “insignificantes” achando que não têm qualquer consequência mais profunda; podem ser coisas que ninguém nota, nem toma conhecimento, no entanto são suficientemente grandes para causar sua queda no fim. Com certeza, o diabo toma o mesmo prazer em ver uma pessoa convertida, dedicada a Deus, tomar o primeiro passo, ainda que seja minúsculo, para afastar-se de Deus, quanto o sente anos depois ao ver a mesma pessoa cair em desgraça.
Lembro-me de um caso, alguns anos atrás, que serve como ilustração desse princípio. Um homem desviado, anteriormente um líder de grupo, havia chegado ao altar numa reunião de acampamento. Depois de várias ocasiões em que esse homem buscou uma renovação com Deus sem sucesso algum, resolvi perguntar-lhe em particular como se afastara do Senhor. “Fiquei embriagado”, ele respondeu.
ei que ele estava enganado, que a embriaguez é apenas uma evidência exterior do que já ocorrera no coração, talvez alguns meses antes disso. “Conte-me”, insisti, “qual foi a primeira coisinha que você fez que entristeceu a Deus, a partir da qual você não conseguiu se recuperar?”
Respondendo em tom de cochicho, ele disse: “Aluguei um cavalo e uma charrete...” Constrangido, ele hesitou um pouco.
 Havia toda uma história em torno daquele “cavalo e charrete”. Tudo começou um ano ou mais antes do passeio de charrete. O homem era líder de um grupo de discipulado e, no seu trajeto para a reunião, sempre passava por uma casa onde morava uma boa irmã que fazia parte do grupo. Às vezes, havia um bom número de pessoas no grupo, em outras, quando o tempo não era bom, apenas as duas mais fiéis. A esposa dele era uma mulher boa e genuína, mas não muito espiritual, e não tinha muito dom para cantar. Com isso, o homem dizia consigo mesmo: “Quem dera minha esposa pudesse cantar e orar como esta boa irmã que nunca perde uma reunião! Ela tem tanto discernimento, sempre escolhe o cântico certo...”
Muito raramente, a “irmã fiel” faltava à reunião; mas, quando acontecia, nosso irmão ficava perdido e dizia: “Acho que a reunião hoje não será muito boa; será que ela está doente?”
Depois de um bom tempo assim, os dois estavam em tal sintonia que conseguiam discernir o pensamento e o sentimento um do outro, o que “ajudava” muito na condução das reuniões e no aconselhamento de novos irmãos. Eles também tinham muita liberdade para falar um com o outro dos defeitos de companheiros ausentes. Por uma feliz coincidência, frequentemente tomavam o mesmo ônibus ou trem para os acampamentos e reuniões maiores.
Finalmente o caminho estava suficientemente preparado para que a astuta Serpente lhes sugerisse uma viagem de charrete para uma gruta famosa nas montanhas. O homem ficava acordado de noite pensando se deveria ou não fazer isso. Ao olhar para a esposa fiel e trabalhadora ao seu lado, o Espírito insistia: “Não faça isso, não faça isso!”.
Depois de passar por muitas noites de peleja interior, com o coração batendo tão forte que parecia balançar a cama, o homem conseguiu o consentimento da mente, e o diabo agora tinha livre acesso. Ao mesmo tempo, ele continuava a liderar o grupo de discipulado e exortava os irmãos a serem fiéis e a cumprirem suas obrigações. No entanto, seu coração já estava afastado de Deus.
Agora, ele estava pronto, assim como Davi, a traçar os passos para realizar seu plano maligno. “Como vou esconder isso da minha esposa e de todos os outros? Vou fazer de conta que fui intimado como testemunha num julgamento na cidade vizinha. E onde vou me encontrar com a ‘irmã’? Lá naquele moinho abandonado.” Assim, ele tomou a decisão interior e traçou os planos que levaram, no fim, à queda e desgraça de duas pessoas muito valiosas no reino de Deus.
É ali que começa o processo de afastamento, na mente, nas imaginações secretas do coração. Ó meu irmão, minha irmã, esmague, assim como faria a uma víbora venenosa, o primeiro pensamento sugestivo, a primeira tendência de olhar ou pender-se na direção errada. É só assim que poderá ter esperança de vencer. Outros já caíram de alturas que você nem alcançou ainda, só porque começaram a brincar com pequenos desvios.
Tome como exemplo de desvio de coração a igreja de Éfeso. Onde encontraríamos uma igreja exteriormente mais exemplar? Não se pode encontrá-la. Leia o que está escrito em Apocalipse 2.1-5: “Conheço as tuas obras, assim o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus...”. Não havia ninguém culpado de conduta imoral; não só se refreavam de qualquer espécie de desvio exterior, mas também não “suportavam” os que assim faziam.
Continue lendo: “... e que puseste à prova os que a si mesmos se declararam apóstolos e não são, e os achaste mentirosos”. Eles tinham tal discernimento e percepção afiada que conseguiam descobrir e expor um falso profeta, ainda que para a maioria das igrejas não houvesse nada errado em seu ensinamento ou conduta. Era alguém que aparentemente se posicionava corretamente em todos os assuntos, chorava e pregava com o que parecia ser unção e intensidade; no entanto, não se sentiam bem com ele. Consequentemente, resolveram investigá-lo melhor e descobriram que era mentiroso.
Oh, que as igrejas hoje tivessem tal discernimento e empenho para identificar e colocar à prova os falsários modernos antes que pudessem enganar as ovelhas!
Continuemos a ler o que a Escritura diz a respeito da igreja em Éfeso: “... e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome [não por causa de alguma organização humana e sectária], e não te deixaste esmorecer”. Aqui estava uma igreja ativa, bem organizada, disposta a fazer sacrifícios; no que diz respeito a zelo e discernimento, dificilmente encontraríamos uma à sua altura hoje.
Mas ouça: “Tenho, porém, contra ti...”
Contra nós em Éfeso, não é possível!”
“Sim, contra vocês, não por causa de sua conduta exterior, mas porque têm se afastado de mim no coração, deixando seu primeiro amor.”
Amigo, tem alguma possibilidade, por menor que seja, que você esteja nessa mesma condição?
Desconsideração de Alertas do Espírito
Outra marca de um coração desviado é quando se desconsidera os alertas do Espírito. O Espírito Santo é fiel e autêntico a cada coração. Ele nos inspira a ser ousados na hora de arriscar. Ele dá sinais de alerta quando é hora de ser cauteloso. É fácil perceber quando está contente ou entristecido. Não demora muito para um namorado (ou namorada) descobrir o que agrada e o que entristece a pessoa amada. De maneira semelhante, quando alguém se apaixona pelo Senhor, logo saberá o que lhe agrada e procurará fazer tudo para alegrar o seu coração (1 Jo 3.22). Fará tudo para evitar aquilo que o entristece. É difícil dizer quantas vezes alguém pode entristecer Deus no mesmo ponto e não incorrer em culpa e condenação, mas o coração que ama não vai querer fazer esse teste!
Como é que o coração desconsidera os alertas do Espírito? De várias formas:
1. Nas conversas, em falar demais. Lemos em Provérbios 10.19: “No muito falar não falta transgressão”. E, em Mateus 5.37: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar, vem do maligno”. E, ainda: “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia de juízo” (Mt 12.37).
Eu arriscaria afirmar que cada vez que você me mostrar uma pessoa que fala muito, invariavelmente lhe mostrarei alguém que cai em uma de três práticas prejudicais ou, melhor, pecaminosas: a) falar mal dos outros (maledicência), o que, segundo John Wesley, é o pecado universal; b) conversa fútil, tola ou imoral que não deveria “sequer se nomear entre vós, como convém a santos” (Ef 5.3); c) chamar atenção para si mesmo, com palavras inchadas de vaidade.
Enquanto alguém está em público, ele se enche de tanta conversa e ocupação que Deus não consegue chamar sua atenção; se, porém, os suspiros e dores íntimas pudessem falar, diriam: “Tenho entristecido o Espírito Santo hoje e ignorei o toque suave de suas advertências”.
2. O coração desviado ignora os alertas do Espírito na questão de “remir o tempo” (Ef 5.16). Ele consegue desperdiçar preciosos momentos no centro da cidade, em leituras e conversas sem proveito ou em ociosidade, satisfazendo os desejos da carne. Jeremy Taylor disse: “Nunca houve uma pessoa ociosa, desde que saudável, que fosse em todos os aspectos uma pessoa virtuosa”. É por isso que Davi e muitos outros depois dele caíram em pecado e desgraça – ficaram ociosos e tornaram-se amigos dos prazeres. Oh, tome cuidado!
Atitude Crítica
Outra marca de um coração desviado é uma atitude crítica. De acordo com o dicionário Webster, crítica é uma “disposição de culpar e condenar; fazer comentários severos sobre outros, sobre sua maneira de escrever ou seus modos, geralmente implicando que são pessoas de natureza má, mesquinha e descaridosa”.
Finney disse: “Um espírito crítico é evidência conclusiva de um coração desviado. É uma atitude de achar defeito, de questionar a motivação dos outros, mesmo quando sua conduta admite uma interpretação caridosa. É uma disposição de colocar culpa em outrem e de julgá-los severamente. É um espírito de desconfiar do caráter e do testemunho de outros cristãos. É um estado de mente que se manifesta em julgamentos severos, palavras ásperas e sentimentos intolerantes para determinados indivíduos. Esse estado de mente é totalmente incompatível com um coração de amor, e sempre que um espírito crítico é manifestado por alguém que se diz cristão, pode ter certeza que existe ali um coração desviado.”
É a mesma coisa que leva algumas pessoas a comportar-se muito bem quando Fora de casa ou na presença de visitas, e com irritação e contrariedade em outros momentos, sendo quase impossível agradá-las.
Observe que o texto citado no início, de Provérbios 14.14, diz que o infiel de coração “dos seus próprios caminhos se farta”. Isso é verdade. Um dos maiores obstáculos ao avivamento é o querido membro antigo da igreja, “membro fundador”. Ele já possuiu a chama de Deus em seu interior, mas há muito ela se apagou. Ele agora está cheio de seus próprios planos, estratégias, imaginações. Como resultado, fica irritado e amargurado quando não é reconhecido ou valorizado.
Ele gosta de fazer orações longas e cansativas, mas não consegue perceber que isso prejudica a reunião. Tem, há muito tempo, seu próprio modo de testificar e geralmente repete a mesma coisa. Está cheio de preconceitos e demonstra resistência a leituras ou pregações que poderiam mudar seu modo de pensar e causar convicção do Espírito em seu interior.
Está cheio de inimizades e amarguras, provavelmente provocadas por alguém que o tratou mal. Ele consegue trazer à mente fatos desagradáveis que ocorreram anos atrás, mas que para ele ainda estão frescos, nutridos com sentimentos de amargura.
 Sua mente pode estar cheia de enganos e ideias estranhas, abraçando doutrinas que antes denunciava. A luz que tinha no início transformou-se em trevas. É por isso que pessoas desviadas muitas vezes entram em seitas e doutrinas de demônios.
A pessoa com coração desviado se endurece em sua própria maneira de pensar e fazer as coisas, e ninguém consegue mudá-la ou tirá-la do buraco que criou.
Estas são algumas evidências de um coração destituído de graça. Poderíamos citar muitas outras, mas não adiantaria nada para quem está fixo em seus próprios caminhos. Que tragédia! Tenho tentado vez após vez restaurar pessoas assim à simplicidade do primeiro amor, mas com muito pouco sucesso. Tenho sentido dor no espírito ao ver pessoas assim dar golpes no ar, dar murros na cadeira e berrar no altar. O som oco da voz e o olhar vazio tendiam mais a afastar as pessoas do que a trazer convicção e inspiração para a reunião. Mas nada se podia fazer, porque o coração pobre e enganado estava se enchendo dos próprios caminhos e precisava seguir o seu curso. Às vezes, tais pessoas precisam cair em pecado e desgraça para poderem enxergar sua verdadeira condição.
Certa vez, um homem olhava da frente de sua casa enquanto uma tempestade passava pelo belíssimo jardim. Embora não houvesse ventos fortes, sua árvore predileta caiu com um estrondo inesperado. Depois da chuva, ele foi até o local para ver por que havia caído. Para sua surpresa, o tronco estava corrompido no centro. Então, lembrou-se de como, quando garoto, havia irresponsavelmente desferido um golpe na árvore com um machado. O tronco depois se recuperou, mas não antes da infiltração de uma pequena quantidade de água que desencadeou um processo de deterioração que chegou ao centro da árvore e causou sua queda.
Da mesma forma, querido amigo, você pode ter resistido a muitas tempestades e estar com aparência de quem está forte e saudável; se, porém, no passado, você feriu à consciência e cometeu algo que nunca foi devidamente confessado e curado, pode estar chegando um tempo de perigo em que o processo de decadência chegue ao ponto de trazer queda e vergonha à própria vida e à obra de Deus. Apresse-se, portanto, para buscar cura na raiz!
“Não vos enganeis!” “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te...” (Ap 2.5). Lembre! Pare e pense! É de máxima importância que você encare de frente aquilo que está errado, até que deixe de existir. Não adianta colocar uma fachada de ousadia e fazer de conta que está tudo bem. Isso só vai abrir o caminho para enganos e ilusões maiores. Volte em espírito para o lugar em que primeiro se afastou de Deus e recomece ali onde parou. Pegue sua cruz no lugar onde a abandonou. Renove sua aliança e dedicação a Deus.
Volta, ó Pomba Celestial, volta,
Doce mensageiro de descanso,
Abomino os pecados que te causam dor,
E te afastaram do meu peito.
O ídolo a que mais me apeguei,
 Seja qual for,
Ajuda-me a arrancá-lo do teu trono
Para que eu adore somente a ti.
Traduzido de uma poesia escrita por William Cowper
Taken from Heart Searching Sermons And Sayings.
Fonte: Jornal Arauto da Sua Vinda

Braço:
Roberto: Tudo Deus