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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ISRAEL E A EUROPA

Israel e a Europa
Voltei recentemente de uma viagem à Alemanha onde atuei como conferencista num congresso profético. Muitos participantes daquele encontro demonstraram interesse em conhecer o papel desempenhado pela Europa na profecia bíblica, bem como queriam saber se a União Européia poderia ter alguma relação com o futuro reino do Anticristo. 

Eu lhes respondi que há a possibilidade de que a União Européia seja uma espécie de preparação para o reino do Anticristo durante a Tribulação. Suponho que, no fim, os Estados Unidos se envolverão cada vez menos na tentativa de solucionar o problema de Israel no Oriente Médio e que a União Européia se envolverá cada vez mais nesse processo. Um ou dois dias depois de chegar em casa, li a seguinte manchete na internet: “A União Européia espera exercer um papel na segurança de Israel”.[1]

A União Européia envolve-se em Israel

No artigo citado, Aaron Klein relata que fontes de informação lhe revelaram a existência de negociações secretas em andamento entre autoridades do governo israelense de Olmert, representantes palestinos do governo do presidente Abbas, o Egito na qualidade de mediador e a União Européia, com a contribuição dos Estados Unidos. 

Klein faz a seguinte observação: “Ao falar sob a condição de que seu nome não fosse revelado, um assistente de Javier Solana, chefe de política externa da União Européia, declarou que haverá uma evolução e mudanças políticas históricas nas negociações, num prazo de algumas semanas ou poucos meses, algo que não se via desde as conversações de paz de Camp David em 2000”.[2] (Nunca se esqueçam de que o Tratado de Oslo também foi negociado em sigilo para, depois, vigorar sobre o povo israelense praticamente como uma imposição). 

“Segundo fontes diplomáticas, Israel teria concordado em entregar a Cisjordânia aos palestinos num acordo com o presidente Abbas”.[3] Voltamos de novo ao mesmo ponto, à fracassada política de ceder terras em troca de paz, que sempre tem trazido mais morte do que paz para Israel.

Cartaz da União Européia: “Europa - muitas línguas, uma voz” - uma clara referência a Babel.


De acordo com essas informações, a maior parte da Cisjordânia passaria ao controle palestino numa transição durante a qual a Cisjordânia, a princípio, sairia do controle israelense para o mando da União Européia e, por fim, seria entregue ao governo palestino. 

Com a União Européia que, pelo que parece, encontra-se no limiar de substituir os Estados Unidos na qualidade de principal influência externa no Oriente Médio (pelo menos em Israel), as coisas podem se encaminhar para uma realidade muito mais próxima daquela que a Bíblia prevê para os personagens que estarão envolvidos na aliança que marcará o início do período da Tribulação.

Os personagens envolvidos são Israel e o revivificado Império Romano, do qual a União Européia parece ser a precursora nessa montagem do palco. Klein nos conta o seguinte: “Fontes da União Européia em Israel informaram ao WorldNetDaily que seus gabinetes aqui [i.e., em Israel] estão contratando novos funcionários a fim de lidarem com questões de segurança, relações públicas, diplomacia e coordenação regional. Elas afirmam que a expectativa é de que haja um aumento na carga de trabalho em virtude das iniciativas diplomáticas sigilosas que, segundo dizem, podem resultar numa retirada israelense da Cisjordânia”.[4]

A aliança de Israel com a morte

O texto de Daniel 9.27 declara: “Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele”. 

O pronome “ele”, mencionado no início do versículo, refere-se ao vindouro Anticristo. Por quê? Porque o antecedente mais próximo é uma nítida referência dele, conforme se lê: “e povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário” (Dn 9.26). 

Tal predição diz respeito à destruição de Jerusalém e do templo no ano 70 d.C. Portanto, o pronome “ele” faz alusão a alguém que viria depois daqueles que destruíram a cidade de Jerusalém e seu templo em 70 d.C. 

Esse alguém é o Anticristo, o qual, na qualidade de representante do ressurgido Império Romano, cumprirá os eventos descritos em Daniel 9.27 na metade da septuagésima semana de Daniel, conhecida como a Tribulação, que ainda está por vir. Mais informações detalhadas sobre esse ressurgimento do Império Romano podem ser encontradas nos capítulos 2 e 7 do livro de Daniel.

Uma versão da moeda de 2 euros (aquela que representa a Grécia) ostenta a figura da mulher montada na besta.


O profeta Isaías enuncia a razão pela qual o povo de Israel concordará em fazer tal aliança com o Anticristo (Is 28.14-22). Como sempre ocorreu em sua história pregressa, a nação de Israel aceitará a aliança com o Anticristo na tentativa de obter segurança e proteção contra os inimigos que a acossarão de todos os lados. 

O versículo 15 afirma: “Porquanto dizeis: Fizemos aliança com a morte e com o além fizemos acordo; quando passar o dilúvio do açoite, não chegará a nós, porque, por nosso refúgio, temos a mentira e debaixo da falsidade nos temos escondido”. 

Ao invés de firmar uma aliança de vida, como os líderes de Israel pensarão ter feito, a nação terá nesse pacto o marco inicial da Tribulação, o qual, na realidade, se constituirá numa “aliança com a morte” (Is 28.15,18).

  Em vez de ganhar proteção com a supervisão européia, Israel sofrerá o “dilúvio do açoite” (Is 28.15,18), uma metáfora que descreve a invasão militar. O versículo 18 diz: “A vossa aliança com a morte será anulada, e o vosso acordo com o além não subsistirá; e, quando o dilúvio do açoite passar, sereis esmagados por ele”. 

Mais tarde, por ocasião da metade do período da Tribulação, esse Anticristo romano, que no início da Tribulação dará garantia de proteção à nação de Israel, voltar-se-á contra o povo judeu e começará uma era de perseguição como nunca se viu (cf. Mt 24.15-22; Ap 12.1-7). Entretanto, será exatamente em meio a esse “açoite”, ao passarem pela experiência de serem “esmagados”, que os judeus, por fim, constatarão o fato de que Jesus de Nazaré era o seu Messias e O invocarão em busca de livramento. O mundo inteiro parece mover-se rapidamente em direção a esse momento, o tempo da Tribulação.

A União Européia e os símbolos satânicos

Também é interessante observar que a União Européia parece ser atraída por símbolos bíblicos que são utilizados para representar os oponentes de Deus. É fato que a bandeira da União Européia possui doze estrelas, as quais são uma idéia originária do inegável símbolo da mulher mencionada em Apocalipse 12.1; porém, o sentido contextual da colocação daquelas doze estrelas é diferente do sentido das Escrituras Sagradas. No contexto da União Européia, eles se aproveitaram de um símbolo divino e o perverteram para identificá-lo como o principal símbolo de sua união.


A Torre de Babel (pintura de
Brueghel) e o prédio do Parlamento Europeu em Estrasburgo (França) - observe o formato de torre inacabada.


Outro importante símbolo da União Européia é o da Europa – uma mulher montada numa besta. Isso tem nítida relação com o texto de Apocalipse 17, onde a mulher é identificada como uma prostituta montada na besta, uma simbologia que retrata o Anticristo e seu reino.

Uma versão da moeda de 2 euros (aquela que representa a Grécia) ostenta a figura da mulher montada na besta. Por que há um fascínio tão forte por essa simbologia claramente satânica? Os governantes da União Européia são homens inteligentes, de boa formação educacional. 

A realidade é que tais líderes devem conhecer muito bem o significado bíblico dos símbolos que utilizam para representar a UE. Eu creio que eles, deliberada e intencionalmente, escolheram esses símbolos porque aspiram uma posição muito elevada para a União Européia. No conjunto de suas ambições encontra-se o governo mundial.

O edifício-sede do Parlamento Europeu em Estrasburgo

Durante nossa recente viagem à Alemanha, tomamos a decisão de ir à França para ver com nossos próprios olhos o novo prédio do Parlamento Europeu em Estrasburgo. Eu já tinha ouvido falar a respeito dele, mas queria vê-lo pessoalmente, enquanto estava de viagem naquela região. 

Exatamente como outros disseram, seu projeto arquitetônico assemelha-se a uma Torre de Babel inacabada. A implicação aludida nessa semelhança é a de que a União Européia está a caminho de, finalmente, unir o mundo inteiro. Esse, naturalmente, será o desejo e o objetivo do Anticristo...

Eu estava lá exatamente no momento em que se abria uma nova sessão do Parlamento; havia um burburinho de vozes oriundo dos membros em atividade e do pessoal da segurança. Foi realmente impressionante ver esse lugar.

Conclusão

Percebemos em nossos dias o crescente isolamento de Israel no cenário mundial, o que leva o povo judeu a realizar esforços para fazer alianças humanas que lhe proporcionem segurança, em vez de buscar a estabilidade no Senhor. 

Virá o dia no qual surgirá um líder europeu que, aparentemente, solucionará a crise no Oriente Médio pela instrumentalidade de uma aliança. Enquanto isso, Deus, através dos acontecimentos atuais, prepara o ressurgimento do Império Romano, que será a etapa final do reino humano, caracterizada pelos mais desmedidos esforços na luta contra o Deus Todo-Poderoso. 

Por toda parte ao nosso redor, há indícios precisos de uma efetiva montagem do cenário mundial. Para percebê-los, basta que saibamos olhar na direção certa e da maneira correta. Essa seqüência de acontecimentos abre caminho para os eventos maiores que se desenrolarão durante a Tribulação. 

Enquanto Deus prepara o mundo em que vivemos para o juízo, o crente em Cristo deve estar continuamente pronto para o serviço do Senhor; numa espera vigilante da iminente volta de nosso Senhor nas nuvens, para arrebatar a Sua noiva. Maranata!  

Thomas Ice é diretor-executivo do Pre-Trib Research Center em Lynchburg, VA (EUA). Ele é autor de muitos livros e um dos editores da Bíblia de Estudo Profética.

Notas:

  1. Aaron Klein, “EU expecting role in Israel’s security”, publicado no WorldNetDaily, edição de 24 de janeiro de 2007.
  2. Idem.
  3. Ibidem.
  4. Ibidem.
Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, julho de 2008.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

"DAVI" E A SUA FORMA DE RESOLVER PROBLEMAS

Davi e Sua Forma de Resolver Problemas

Todos nós lutamos com diversos problemas e dificuldades – seja na vida profissional ou em nossas famílias e casamentos. Inúmeras pessoas não conseguem mais dar conta dos seus problemas. Por isso a Bíblia nos convida a lançar nossas cargas sobre Jesus: “Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado” (Sl 55.22).
Davi era uma pessoa como eu e você, com traços de caráter positivos e negativos. Ele sabia o que era simpatia e antipatia, era uma pessoa com pontos fortes e outros menos fortes. Mas, apesar de seus erros e fraquezas, Davi era uma pessoa que buscava a Deus de todo o coração. Ele tinha consciência profunda de sua pecaminosidade. E justamente por isso ele vivia na dependência do perdão de Deus. Além disso, Davi era um homem ligado à Bíblia, que amava a Palavra de Deus e se orientava por ela. Davi se destacou acima de tudo por uma coisa: seu profundo anseio pela salvação de Deus, seu anseio pelo Salvador: “Suspiro, Senhor, pela tua salvação...” (Sl 119.174).

Dois enganos

Antes de mais nada, quero corrigir dois enganos. São enganos que freqüentemente nos atrapalham e nos impossibilitam de lidar corretamente com nossos problemas:

1. É um engano pensar que cristãos devotados a Deus não adoecem, não têm problemas e permanecem protegidos do perigo e da doença. Ouvimos com freqüência: “Você só precisa ter a fé certa, dedique-se totalmente a Deus, viva de acordo com a Sua Palavra – e tudo vai ficar bem! Você terá saúde, não terá problemas, suas dificuldades financeiras vão se dissipar no ar, e também na sua família só haverá felicidade”. Esse ponto de vista não é biblicamente sustentável e está baseado em um engano! É isto que analisaremos agora com ajuda da Bíblia, ou seja, pela vida de Davi: o próprio Deus deu o seguinte testemunho a respeito dele e de sua vida de fé: “Achei Davi... homem segundo o meu coração...” (At 13.22). 

Mas apesar desse testemunho positivo de Deus, a vida de Davi era tudo, menos livre de problemas e preocupações. Pelo contrário: havia um sem-fim de diferentes sofrimentos e provações. Por exemplo: ainda menino, Davi foi obrigado a se considerar como alguém cuja única serventia era cuidar das ovelhas da família. Ele era sempre hostilizado. Seu irmão mais velho só o tratava com desprezo. Seu protetor (Saul) o decepcionou e queria matá-lo. Sua esposa o ridicularizou publicamente. Seu amigo o traiu e seu próprio filho o expulsou de casa, roubou seu trono e queria liquidá-lo por meio de um golpe de Estado. Disso concluímos que é possível alguém ser descrito como “um homem (ou uma mulher) segundo o coração de Deus” e, ao mesmo tempo, levar uma vida cheia de provações.

Vamos nos precaver contra o erro de pensar que os cristãos não ficam doentes, não enfrentam problemas, são imunes à depressão e estão sempre felizes!

O apóstolo Paulo também nos adverte contra uma conclusão errônea: “Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra, – que variadas perseguições tenho suportado! De todas, entretanto, me livrou o Senhor. Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3.10-12). Para Paulo estava claro que a vida como cristão pode acarretar dificuldades. 

É isso que os 2000 anos de história da Igreja de Cristo também mostram. Lemos, por exemplo, numa publicação da Aliança Evangélica Alemã do dia 11 de novembro de 2005: “Ninguém pode determinar com precisão o número dos mártires – as estimativas ficam entre 90.000 e 175.000. E a quantidade de cristãos torturados, ridicularizados e expulsos em todo o mundo nem sequer pode ser estimada”. Vamos nos precaver contra o erro de pensar que os cristãos não ficam doentes, não enfrentam problemas, são imunes à depressão e estão sempre felizes!

2. É um erro pensar que o pecado não tem conseqüências. É freqüente que justamente pessoas com educação cristã pensem: “Que nada, não importa como eu vivo, o que eu faço e como brinco com o pecado: isso não é tão trágico. A qualquer momento posso chegar até Jesus, Ele sempre está disposto a perdoar”. Bem, é totalmente correto e bíblico que Deus sempre perdoa, e faz isso com prazer: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.9). 

Mas, atenção: essa medalha também tem o seu reverso: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7). Esse versículo se dirige explicitamente a pessoas que se dizem cristãs – e mesmo assim brincam com o pecado. Deus incumbiu Paulo de nos advertir, e o sentido de suas palavras é o seguinte: “Elimine o engano a respeito do seu comportamento pecaminoso e errado, pois o seu pecado não ficará sem conseqüências”. Se estou infectado com o vírus da AIDS e me arrependo, Deus tem prazer em perdoar. Mas as conseqüências permanecerão comigo. Se eu ignorar todos os conselhos e casar com uma pessoa não-cristã, mesmo sabendo o que é correto, Deus terá prazer em perdoar – se eu reconhecer o pecado. Mas as conseqüências da desobediência não podem ser desfeitas.

A vida de Davi nos ensina com toda a clareza que o comportamento pecaminoso sempre tem as suas conseqüências: Davi adulterou com Bate-Seba. Além disso, mandou matar o marido dela. Davi agiu de forma conscientemente contrária à Palavra de Deus. Ele achou que podia brincar com o pecado. Davi se arrependeu do pecado (Sl 32, 38 e 51) e também tinha certeza de ter recebido o perdão de Deus (2 Sm 12.13). Mas não havia como desfazer o assassinato. O adultério de Davi veio à tona, pois Bate-Seba ficou grávida. E assim Deus disse a Davi: “Por que, pois, desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que era mal perante ele? A Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar com a espada dos filhos de Amom. Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher. Assim diz o Senhor: Eis que da tua própria casa suscitarei o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres à tua própria vista, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com elas, em plena luz deste sol” (2 Sm 12.9-11). 

Portanto, as conseqüências eram gravíssimas! De repente, os acontecimentos trágicos começaram a se suceder na casa de Davi: primeiro, um de seus filhos estuprou sua própria meia-irmã. Esse ato horrível acarretou um fratricídio. Em seguida, Absalão se rebelou contra o pai; ele organizou um golpe de Estado, desrespeitou publicamente as esposas de seu pai e, no fim, acabou assassinado.

Se eu ignorar todos os conselhos e casar com uma pessoa não-cristã, mesmo sabendo o que é correto, Deus terá prazer em perdoar – se eu reconhecer o pecado. Mas as conseqüências da desobediência não podem ser desfeitas.

O pecado pode ser comparado a uma pedra jogada em um espelho d’água. Muito depois que a pedra (o pecado) desapareceu, os círculos (as conseqüências) ainda se espalham pela superfície. O trágico é que não apenas Davi foi atingido, mas também todos aqueles que o cercavam. Por isso, não permaneça na ilusão de que o pecado não tem conseqüências. Ele é perdoado, sim, quando há arrependimento, mas não é desfeito, e as conseqüências ficam.

Problemas provocados e não provocados

Na nossa vida há dois tipos de problemas: aqueles que nós mesmos causamos e aqueles dos quais não temos culpa. São problemas com origens diferentes, mas ambos estão presentes em nossas vidas. Porém, podemos e devemos aprender a lidar com eles:

Os problemas não provocados

Durante sua vida, Davi foi confrontado com problemas, provações e sofrimentos, como qualquer pessoa. Infelizmente, a vida é assim, uma conseqüência desagradável do pecado. Não foi à toa que Moisés disse com relação à vida humana: “Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado...” (Sl 90.10). Isso significa que canseira e enfado são as conseqüências lógicas e inevitáveis do pecado.

Os problemas provocados

Esses problemas são resultado da desobediência consciente em relação à Palavra de Deus. Apesar de a culpa em si ser removida quando aceitamos o perdão, é possível que tenhamos de arcar com algumas conseqüências.
Em sua vida, Davi enfrentou os dois tipos de dificuldades. A forma com que ele lidou com elas é notável:

– Certo dia Davi se escondeu em uma caverna úmida e escura. Saul queria matá-lo. Não havia mais nenhuma forma de escapar. Então Davi escreveu o Salmo 57: “Firme está o meu coração, ó Deus, o meu coração está firme; cantarei e entoarei louvores. Desperta, ó minha alma! Despertai, lira e harpa! Quero acordar a alva. Render-te-ei graças entre os povos; cantar-te-ei louvores entre as nações. Pois a tua misericórdia se eleva até aos céus, e a tua fidelidade, até às nuvens. Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória” (vv. 7-11).
– Quando Davi ficou sabendo que muitos de seus amigos sacerdotes tinham sido mortos, ele escreveu o seguinte no Salmo 52: “...esperarei no teu nome, porque é bom” (v. 9).

Como Davi lidava com as dificuldades

Davi solucionava seus problemas, independentemente dele mesmo tê-los causado ou não, confiando-os a Deus. O Salmo 55 também demonstra esse tipo de atitude. O pano de fundo histórico relativo a esse salmo pode ser encontrado nos capítulos 15 a 18 do segundo livro de Samuel: Absalão, o filho de Davi, tinha assumido o poder por meio de um golpe de Estado. Davi estava fugindo dele. Seu próprio filho queria não apenas a coroa, mas também desejava matá-lo. Além disso, um dos amigos de Davi tinha se bandeado para o lado do revoltoso. Em sua fuga, Davi sofreu humilhação pública, foi apedrejado e amaldiçoado. Como ele lidou com isso?
O pecado pode ser comparado a uma pedra jogada em um espelho d’água. Muito depois que a pedra (o pecado) desapareceu, os círculos (as conseqüências) ainda se espalham pela superfície.

Primeiro, Davi simplesmente ficou quieto

Esses acontecimentos absurdos deixavam-no sem palavras, mas ele sabia de uma coisa: “Eu mesmo tenho culpa da situação ter chegado a este ponto. Ela é conseqüência do meu pecado”. E assim Davi ordenou aos seus servos que queriam dar uma lição no apedrejador: “Deixai-o; que amaldiçoe, pois o Senhor lhe ordenou” (2 Sm 16.11). Davi estava consciente do fato de que Deus permitia esse sofrimento. Por isso, ele não se rebelou. Será que nós também conseguimos, por princípio, aceitar as provações? Era o que Davi fazia!

Davi transformou suas preocupações em orações!

Como ele fazia isso? “Dá ouvidos, ó Deus, à minha oração; não te escondas da minha súplica. Atende-me e responde-me” (Sl 55.1-2). Davi contava que Deus ouviria, veria, conheceria a situação e estaria ao seu lado para ajudá-lo. Como você lida com essas situações difíceis? Você logo pega o telefone para contar a outra pessoa, ou primeiro derrama seu coração diante de Deus? No Salmo 62.8 Davi convida: “Confiai nele, ó povo, em todo tempo; derramai perante ele o vosso coração; Deus é o nosso refúgio”.

Davi lidava de forma honesta com a sua situação

Ele não tinha vergonha de reconhecer que estava mal: “Atende-me e responde-me; sinto-me perplexo em minha queixa e ando perturbado, por causa do clamor do inimigo e da opressão do ímpio; pois sobre mim lançam calamidade e furiosamente me hostilizam. Estremece-me no peito o coração, terrores de morte me salteiam; temor e tremor me sobrevêm, e o horror se apodera de mim” (Sl 55.2-5). Davi estava perto de um colapso, o suor frio do medo corria pelas suas costas.

Davi queria fugir e simplesmente esquecer tudo

Seria tão bom: pegar um avião, curtir o sol e o mar, simplesmente desligar. E assim escreveu Davi: “Então, disse eu: quem me dera asas como de pomba! Voaria e acharia pouso. Eis que fugiria para longe e ficaria no deserto. Dar-me-ia pressa em abrigar-me do vendaval e da procela” (Sl 55.6-8). Mas quando os problemas são reais, uma ilha deserta não ajuda em nada. Comprimidos e álcool também não são a solução correta. O que fazer?

Frustração, raiva e ódio precisam sair!

Davi sabia que precisava enfrentar a situação. As desculpas esfarrapadas não adiantavam nada, pois só levariam a novos becos sem saída. Por isso, ele continuou escrevendo: “Destrói, Senhor, e confunde os seus conselhos, porque vejo violência e contenda na cidade. Dia e noite giram nas suas muralhas, e, muros a dentro, campeia a perversidade e a malícia; há destruição no meio dela; das suas praças não se apartam a opressão e o engano. Com efeito, não é inimigo que me afronta; se o fosse, eu o suportaria; nem é o que me odeia quem se exalta contra mim, pois dele eu me esconderia; mas és tu, homem meu igual, meu companheiro e meu íntimo amigo. Juntos andávamos, juntos nos entretínhamos e íamos com a multidão à Casa de Deus. A morte os assalte, e vivos desçam à cova! Porque há maldade nas suas moradas e no seu íntimo” (Sl 55.9-15).  

Davi precisava desabafar. Por isso, ele se pôs de joelhos e colocou tudo para fora, expondo toda a sua raiva diante de Deus. Você também sabe o que é fermentar, cozinhar e ferver por dentro? Como você lida com isso?

Davi obteve alivío clamando a Deus: “Eu, porém, invocarei a Deus, e o Senhor me salvará. À tarde, pela manhã e ao meio-dia, farei as minhas queixas e lamentarei; e ele ouvirá a minha voz” (vv. 16-17). Mas por que também à noite? Porque a pressão e o coração sobrecarregado não nos deixam dormir bem. Se não conseguimos fechar os nossos olhos por causa dos problemas, precisamos de uma válvula de escape. Existe apenas uma única coisa que realmente ajuda e é totalmente saudável: a oração. Por isso: faça de suas preocupações e provações uma oração!

Apesar das circunstâncias difíceis, Davi não ficou desconcertado

Ele estava mais velho. A fuga foi cansativa e incômoda, ele estava acostumado ao conforto da vida na corte. No caminho, pessoas jogaram pedras nele e o cobriram de xingamentos. A morte o perseguia de perto. Desertos quentes, noites geladas e a fome esperavam por ele. Até mesmo o amigo o traíra. Tudo era contra ele.

Mas Davi já tinha experimentado o socorro de Deus em tantas ocasiões durante a sua vida que mesmo agora, apesar de todas as circunstâncias contrárias, ele mais uma vez escreveu: “Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado. Tu, porém, ó Deus, os precipitarás à cova profunda; homens sanguinários e fraudulentos não chegarão à metade dos seus dias; eu, todavia, confiarei em ti” (Sl 55.22-23). 

Davi estava dizendo o seguinte: “Senhor, posso descansar; Senhor, posso confiar em Ti; Senhor, posso ter certeza de que Tu saberás lidar com a minha situação. Independentemente do que enfrento, posso ter essa certeza: Tu, Senhor, alcançarás Teu objetivo comigo”. Você também pode orar ao Senhor nesse sentido: “eu, todavia, confiarei em ti”! 

(Samuel Rindlisbacher - http://www.chamada.com.br)
Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, abril de 2007.