sexta-feira, 12 de agosto de 2011

NADA É PRECISO DEMAIS PARA ELE

...A tua graça me basta não preciso de mais nada ♪
Nada é Precioso Demais Para Ele
“Nada que tenho é precioso demais para meu Senhor Jesus. Ele pediu o melhor que tenho e, de todo o coração, dou-lhe o meu melhor.”

Quem fez as afirmações acima foi um pai, durante uma reunião de despedida na Filadélfia, antes de sua única filha partir de navio para a China, junto com um grupo de novos missionários. Ele não sabia, naquele momento, que jamais a veria novamente e que ela partiria para estar com Cristo antes mesmo de tirar seu primeiro período de licença. Mas, quando as notícias trágicas chegaram, pela graça que Deus lhe deu, ele escreveu: “Ainda posso dizer: ‘Nada que tenho é precioso demais para meu Senhor Jesus’.”

Uma impressão duradoura

“Essa frase”, disse Hudson Taylor, “foi a coisa mais rica que recebi na América e tem sido uma benção incalculável para mim desde então. Às vezes, quando me sentia pressionado com as correspondências, ao chegar a hora da oração coletiva, surgia o pensamento: será que eu não deveria continuar com esta ou aquela atividade? Mas logo me vinha à mente: ‘Nada é precioso demais para meu Senhor Jesus’. E, então, deixava a correspondência para ser atendida mais tarde.

“Às vezes, quando a hora sagrada de comunhão individual com o Senhor chegava, bem cedo de manhã, eu acordava muito cansado e não queria me levantar. Porém, não existe outro tempo como a primeira hora do dia para afinar minha harpa para enfrentar a música do dia. Então, me vinha novamente esta frase: ‘Nada é precioso demais para meu Senhor Jesus’, e me levantava para descobrir que não se sente cansaço quando está com ele. Esse pensamento também tem ajudado na hora de deixar o lar e aqueles a quem amo. Na verdade, seria impossível contar quantas centenas de vezes Deus tem me abençoado por meio dessas palavras.”

Derramado diante do Senhor

Você se recorda daquele incidente (tão digno de nota que foi registrado duas vezes nas Escrituras) quando Davi sentiu vontade de beber água do poço de Belém? Quando expressou seu desejo, três de seus homens valentes saíram imediatamente para satisfazê-lo. Com grande empenho, lutaram e passaram pela guarnição dos filisteus que cercava a cidade de Belém, tiraram água do poço e a trouxeram em triunfo ao comandante (2 Sm 23.15-16; 1 Cr 11.17-18).

Davi bebeu daquela água? Não. Era sagrada demais. Aqueles três homens arriscaram sua vida para satisfazer o desejo do coração dele. Por isso, a água que trouxeram era muito preciosa, a coisa mais preciosa que Davi já recebera, e ele a derramou diante do Senhor. Não há nada precioso demais para o nosso Senhor.

Ele deu tudo o que tinha

No capítulo 29 de Êxodo, Deus dá instruções sobre a oferta contínua em Israel. Um cordeiro seria oferecido de manhã e outro ao pôr-do-sol, e, junto com cada um, a oferta diária de manjares e de libação (vinho derramado sobre o sacrifício). Quando o Cordeiro de Deus instituiu a festa memorial que chamamos de Última Ceia, passamos a compreender um pouco do significado de tudo isso.

“Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.” (Mt 26.26-28).

Nada foi precioso demais para seu Pai, pois entregou sua própria vida como holocausto a ele, um sacrifício de aroma agradável.

Entretanto, há outro aspecto do Calvário que fala do seu amor por você e por mim. Nada era precioso demais para nós, pois ele derramou o próprio sangue para que pudéssemos ser perdoados de todos os nossos pecados. Ele entregou seu corpo para ser partido, derramou seu sangue, sua vida por nossa causa. E quanto a nós, deveríamos reter coisa alguma de um amor como este?

Paulo não reteve nada. Considerou uma alegria derramar sua vida para o seu Senhor. Ele escreveu: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado” (2 Tm 4.6). E ele nos convida a segui-lo, assim como ele seguiu a Cristo.

Dando tudo o que ela tinha

William Burton conta como Deus supriu as necessidades dele e de James Salter quando foram para o Congo, confiando apenas no Senhor para sustentá-los.

Uma mulher fiel e trabalhadora ganhava seu sustento limpando escritórios. Mesmo ganhando pouco, com muito empenho ela economizava para formar uma reserva para uma necessidade futura. Com o passar dos anos, essa reserva foi crescendo. No fim, atingiu o valor de 100 libras (500 dólares na época). Ao longo dos anos, ela precisou renunciar muitas coisas que a maioria das pessoas consideraria essenciais, a fim de poder dar ao Senhor.

O irmão Burton escreve:

Depois de um tempo, parecia que havíamos sido esquecidos. Passava semana após semana, e pouco ou nada chegava. Os recursos estavam acabando lentamente e, finalmente, cessaram por completo. Então, oramos: “Fale ao coração dos teus filhos para que supram a necessidade. O país está aberto para nós. As pessoas querem ouvir o Evangelho. Por amor a estes milhares de perdidos, abre as portas para que continuemos testemunhando da tua graça salvadora”.

A cabana de palha no Congo estava muito, muito distante das ruas movimentadas de Lancashire, mas os missionários em Mwaza e a faxineira diligente no norte da Inglaterra estavam ajoelhados diante do mesmo Trono.

“Senhor, eu sinto que eles estão passando necessidade”, ela orou. “Envia-lhes ajuda.”

De repente, veio um pensamento ao coração dela: “E quanto às suas cem libras?”

“Mas, Senhor, eu sempre te dou meu dízimo; aquela reserva é tudo o que tenho para a minha velhice.”

“Quando enviei meu Filho para morrer por você no Calvário, era apenas o dízimo que estava lhe dando?”

“Senhor, não tenho mais nada a dizer. Tudo pertence a ti. Por amor àquele que derramou seu sangue por mim e por amor àquelas almas que estão perecendo, toma tudo o que tenho.”

Logo o irmão em Lancashire, que servia como tesoureiro da missão, ficou maravilhado ao receber a visita dessa irmã com uma oferta de cem libras para o trabalho no Congo. Sem alarde, ela deu as economias de uma vida de trabalho, tudo o que ela tinha.

Não há nada precioso demais para o nosso Senhor Jesus.

por Stanley Howard Frodsham
Fonte: Jornal Aralto da Sua Vinda

O SEGREDO DO PODER ESPIRITUAL

O Segredo do Poder Espiritual
O segredo do poder de Deus no homem consiste na união do Espírito Santo com as faculdades e energias purificadas da alma humana e, do lado do homem, no abandono total de si mesmo e na genuína cooperação com o Espírito Santo. Não importa o grau de santidade que alguém possa ter, é necessário que esteja ligada nele uma corrente divina, tornando-o condutor de energia sobrenatural, vinda do próprio Deus. 

Esse poder divino é um segredo desconhecido para o mundo, incompreendido por muitos dos mais eruditos e intelectuais, mal-entendido pela mente carnal, totalmente além do alcance de filósofos ou cientistas. 

Vejamos algumas provas das Escrituras. Jesus tinha uma alma pura; desde a concepção, já era completamente livre da natureza caída de Adão. Assim, mesmo em sua natureza humana, era superior em força moral a todos os homens do mundo. Contudo, não foi pela força dessa natureza santa que realizou as obras do Pai. O poder que Jesus utilizou para operar milagres, pregar sermões, curar doenças, expulsar demônios e salvar os perdidos não era o poder de sua alma sem pecado, mas o poder que fluía do batismo do Espírito Santo sobre sua humanidade pura.

Isso pode ser visto claramente pelo próprio fato de a vida dele ser dividida em dois períodos distintos. Desde sua infância até o batismo no Jordão, ele viveu uma vida inteiramente santa, porém não realizou milagre algum. A partir do momento, porém, em que o Espírito Santo desceu sobre ele, passou a agir sob uma unção perpétua que fluía através dele, vinda do Espírito Santo. Daí o nome Cristo, ou Ungido. Assim, além de suas faculdades de criatura santa, Deus derramou nele a plenitude do Espírito. De acordo com a Escritura, depois que Jesus passou pela tentação no deserto, ele retornou à Galileia no poder do Espírito Santo (Lc 4.14). Voltar no “poder do Espírito Santo” implica que lhe foi dado um poder que não possuía antes, quando era apenas um homem sem pecado. 

Agora, se Jesus precisou do Espírito Santo para unir-se à sua natureza de homem sem pecado e dar-lhe a chave especial de poder para sua missão, e se ele é o nosso exemplo, quanto maior é a nossa necessidade de ter o coração santificado e as faculdades mentais ligados em união vital com o Espírito Santo, para que, por meio dessa união, possamos realizar a obra de Deus! Não podemos, de forma alguma, depender de nós mesmos, nem de qualquer outra criatura ou quantidade de criaturas, por mais santas que sejam.

Quando a alma santificada está unida, intimamente, com o Espírito Santo, dessa união inefável flui o que a Bíblia chama de o poder de Deus. Portanto, o segredo do poder é deixar o Espírito Santo unir sua própria pessoa ao nosso homem interior, limpando-o, enchendo-o, inspirando-o, suprindo-o, de acordo com cada situação ou emergência, com sua luz, energia, sabedoria, coragem, tato e zelo sobrenaturais, a fim de podermos realizar a vontade e a obra de Deus. Esse poder é algo que Deus implanta no interior da pessoa, de tal modo que, mesmo não sabendo explicar, ela não se abate nem desmorona com a pressão de milhares de coisas que certamente a derrotariam em sua natureza humana, se dependesse apenas de si mesma.
 A crucificação do ego
Uma condição essencial para a plenitude de poder espiritual é a crucificação do ego a fim de sermos unidos com o Espírito Santo. Deus não pode encher-nos com seu Espírito, iluminar-nos, dotar-nos com coragem e ousadia ou com percepção espiritual e energia divina enquanto não formos crucificados. Primeiro, devemos morrer para depois viver; precisamos reconhecer nossa inerente e total tolice humana a fim de receber sabedoria do alto; precisamos estar conscientes da nossa própria e indescritível fraqueza para podermos nos ligar ao poder de Deus. A sua força é aperfeiçoada exatamente no ponto em que a nossa fraqueza é total.

De acordo com o relato de Gênesis, quando Deus encontrou Jacó em Peniel e lutou com ele, a oração de Jacó prevaleceu exatamente no ponto em que ele foi totalmente vencido. Geralmente se diz que Jacó lutou com o anjo, mas a Palavra afirma que foi o homem que lutou com Jacó (Gn 32.24). Não esqueça que essa luta não era com um pecador endurecido, porque Jacó havia entrado na família de Deus vinte anos antes, na experiência que teve em Betel. O conflito aqui era entre a perfeita vontade de Deus e a perversidade natural de Jacó. 

No princípio, Jacó pensou que estava lutando contra um simples homem. Não foi preciso lutar muito, porém, para descobrir que o homem era um anjo e, um pouco depois, que era mais do que um anjo qualquer – era o Príncipe dos Anjos. No fim, antes que a luta terminasse, ele descobriu que se tratava do próprio Deus. Assim, a pessoa que, no começo, parecia um simples homem, revelou-se como Jeová Elohim, o Senhor Todo-poderoso, ninguém menos do que o Senhor Jesus.

Quantas e quantas vezes isso é ilustrado na nossa experiência! Deus vem até nós disfarçado para conquistar-nos em pontos inesperados e de maneiras inesperadas. Ele luta contra nossa natureza na humilde armadura de uma pequena circunstância ou de uma pessoa despretensiosa, ocultando sua infinita majestade debaixo de uma aparência simples e comum de tal forma que nem sonhamos que possa ser Deus até o momento em que somos conquistados e desaparece o véu diante dos nossos olhos. Como Jacó, ficamos espantados por estarmos ali “face a face com Deus”. 

O Senhor lutou com Jacó a fim de quebrar, completamente, toda resistência oculta que havia nele ao Espírito Santo, toda resistência latente à vontade e ao amor de Deus. E, quando viu que a luta estava ficando difícil e demorada, ele tocou a junta do quadril de Jacó e a deslocou.

A mesma coisa acontece conosco. Para podermos receber a força de Deus, a chave secreta do poder, Deus entra em luta conosco. Essa luta precisa continuar até que ele consiga quebrar totalmente a resistência que há em nós à sua vontade – não somente a resistência aberta, visível e consciente, mas toda resistência escondida e imperceptível que está embutida na nossa herança ou nos sentimentos e faculdades.

Ele precisa atingir aquela sutil teimosia natural que a delicada natureza divina vê e sente, mas que nós não conseguimos detectar. Ele precisa nos quebrar justamente no ponto em que somos mais fortes, onde se encontra a fonte de nossa energia, esteja ela na cabeça, nas mãos ou no coração, esteja ela na mente, na nossa maneira de administrar as coisas ou no dinheiro, esteja ela na nossa educação ou no tipo de preconceito, desejo e afeto – em qualquer área em que nos achamos superiores ou em que se concentra mais ego e autoconfiança, é lá que o dedo de Deus precisa aplicar a faca, onde a última resistência precisa morrer a fim de que o Espírito Santo possa tornar-nos um só com ele, participantes de sua natureza e poder. 

Paulo diz: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu...”(Gl 2.20). Em toda a Palavra de Deus, vemos que a crucificação precede o verdadeiro poder espiritual. Não somente é necessário que Deus derrube os hábitos e vícios de um pecador para convertê-lo, mas, naqueles que já foram regenerados, ele também precisa quebrar sua sabedoria, justiça e experiência, seu conhecimento e treinamento eclesiástico, seus preconceitos e sectarismo. Para Deus quebrar a justiça própria de um homem cristão, é tão difícil quanto quebrar a injustiça de um pecador. 

Não pense que estou dizendo que Deus vai derrubar sua própria sabedoria, justiça ou poder; a única coisa que ele quer quebrar é o tipo de sabedoria, justiça e força que é gerado e nutrido pela natureza humana. Tudo o que se origina no ego, na natureza da criatura precisa ser crucificado a fim de que a criatura possa se unir a Cristo por meio do Espírito Santo. É dessa união espiritual e vital que é gerado outro tipo de sabedoria, justiça e força, infinitamente superior ao que é produzido por uma criatura. Precisamos fazer morrer não somente a natureza ímpia, mas, também, a natureza que tem aparência boa, para podermos ser habitados e possuídos pelo Espírito de Deus.

 Insignificância própria
Outro segredo do poder espiritual é sempre ignorar nossa capacidade natural como criatura. Não estou dizendo que devemos negar nossa capacidade. Falar uma inverdade não ajuda Deus em nada, quer seja contra nós mesmos ou contra Satanás, e afirmar que não somos nada, no sentido absoluto da palavra, não é bíblico.

O que estou dizendo é que o segredo do poder está em ignorar nossa capacidade natural como base suficiente para o sucesso. Na esfera das criaturas, nossa habilidade natural pode até valer alguma coisa, mas no reino da graça divina, na esfera em que os milagres espirituais são realizados, podemos ser eficientes nas mãos de Deus somente quando desprezamos completamente a própria suficiência. É nesse sentido que se encaixam diversas expressões bíblicas que descrevem a natureza humana como “pó e cinza”, um “vaso quebrado”, “os coxos repartindo a presa”, “o menor de todos”, “ainda que nada sou”, “escolheu as coisas fracas do mundo, [...] e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são”.

Devemos nos colocar nas mãos de Deus sem confiar na própria força. Abandonemo-nos a nós mesmos, por completo, ao Espírito de Deus e, ao mesmo tempo, desprezemos totalmente qualquer força, sabedoria ou bondade que sejam nossas como criaturas.
Permita-me dar um exemplo. José foi maravilhosamente santificado durante o período que passou na prisão. Aprendemos no Salmo 105.19 que naquele lugar “a palavra do Senhor o provou”, de tal maneira que seu caráter foi profundamente mudado. Quando o faraó mandou chamá-lo, os servos se apressaram, barbearam-no e trocaram suas roupas de prisão, para levá-lo sem demora diante do rei. 

O rei, então, lhe disse: “Ouvi dizer a teu respeito que, quando ouves um sonho, podes interpretá-lo”. Na resposta de José para o rei, ele revela seu segredo de poder: “Não está isso em mim” (Gn 41.16). Embora tivesse capacidade e talento muito acima da maioria de seus pares, ele sabia que a interpretação do sonho do rei era um segredo divino com um propósito divino, e que estava muito além do alcance de qualquer mente humana não inspirada. Por isso, renunciou completamente qualquer capacidade própria.

Então, ele disse: “Deus dará resposta favorável a Faraó”. Que imensidão de significado há nesta palavra: “Deus dará!” Assim, apoiando-se no Espírito Santo e renunciando qualquer autoconfiança, em total abandono à vontade divina, José recebeu de Deus a interpretação. E ele deu ao faraó a interpretação exatamente como Deus lhe concedera. Ele não tinha a interpretação antes de chegar à presença do rei; ele a recebeu ali mesmo, naquele instante, porque Deus derramou nele uma corrente de luz e discernimento. Ele havia morrido para a confiança em sua sabedoria natural, e todo o seu ser estava em tal atitude de dependência que Deus pôde habilitá-lo a falar. Ele não era uma bateria que armazena energia, mas um fio que conduz a corrente. 

Quando ele terminou de transmitir a interpretação, o rei disse: “O Espírito de Deus está em José”. Aquele rei pagão viu uma luz e um poder sobrenaturais naquele pobre prisioneiro que superou todos os sábios do Egito.

Ali está o poder secreto, um poder que convenceu um rei idólatra, um poder que penetrou todas as defesas de sua natureza pagã e o fez adotar a estratégia fornecida por um ex-condenado e, assim, imortalizar seu nome para sempre. 

Podemos usar, também, o exemplo dos apóstolos, quando, por meio deles, foi curado um paralítico na Porta Formosa do templo. Quando a multidão olhou para eles como se fossem semideuses, Pedro lhes disse: “Por que estão olhando para nós, como se por nossa virtude ou santidade tivéssemos feito este homem andar? É pelo nome de Jesus, pela fé em seu nome, que este homem foi curado diante dos seus olhos” (veja Atos 3).

Em toda a Palavra de Deus, o segredo do poder é: “confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento” (Pv 3.5). Observe que não é meramente deixar de depender do próprio entendimento, mas nem mesmo se apoiar ou se inclinar em direção a ele. Estamos sempre tão prontos a nos apoiar na própria experiência, como se sabedoria e unção fossem forças que pudessem ser armazenadas em nossas faculdades. Um homem que prega há vários anos terá a tendência de se apoiar nos velhos sermões e esboços, e alguém que está na obra do Senhor por algum tempo pensará que pode se apoiar nos métodos que já deram certo. 

Existe, é claro, um sentido em que podemos adquirir sabedoria, facilidade e fluência. O homem que vive constantemente a serviço de Deus, pregando, exortando e ensinando, adquire experiência, de fato, torna-se capacitado no exercício dos dons e no discernimento de tempo e de situações. Do ponto de vista natural, o uso habilidoso de dons e de conhecimento tem valor considerável. 

Entretanto, estou falando agora a respeito do segredo do poder divino, não do segredo do poder natural. O segredo do poder divino é que, apesar de tudo o que aprendemos, de toda habilidade e experiência adquiridas, jamais podemos confiar em tais depósitos. Nunca podemos sacar um cheque dessas contas a fim de obter sucesso, mas considerá-las apenas como o pó que Deus usou para fazer o corpo do homem.

Se quisermos ser servos nas mãos de Deus e continuar no caminho do poder, teremos de nos manter neste caminho de desprezar a capacidade natural e depender em todo o tempo, em cada ocasião, como se fosse a primeira vez, do dom do Espírito.

Oh, se pudéssemos simplesmente nos lembrar de como realmente somos. Lembrar que não somos nada, que somos vazios e fracos; lembrar da nossa atitude para com Deus e a sua obra. Deus concede unção, não como se fosse um reservatório, mas como um regato; não como uma fonte, mas como uma corrente; não como uma bateria, mas como uma transmissão. Num reservatório, a água está represada, mas, num canal, está num fluxo permanente. Da mesma forma, o coração santificado, agindo pelo poder do Espírito Santo, é mais semelhante a um fio, ao longo do qual a faísca pode brilhar a qualquer momento, do que a uma bateria que armazena eletricidade. Muitos obreiros cristãos perderam o poder por se considerarem, inconscientemente, como um reservatório.

Precisamos nos manter nesse ponto de desconsiderar a própria capacidade e, ao mesmo tempo, de buscar suficiência somente em Deus. Isso é tão real quanto o fato de que a luz do sol precisa ser recebida hoje, não servindo para isso a luz que recebemos ontem. 

 Entregue a Obra para Deus
Se quisermos ter o segredo permanente do poder, precisamos consentir em experimentar aparente fracasso para Jesus. Não sei se isso vai chocá-lo, mas se observar os grandes acontecimentos de crise na Bíblia e na vida das pessoas de grande fé, você descobrirá, vez após vez, que a vinda de poder dependia da plena disposição de ser visto como fracasso total aos olhos do mundo. Aqueles que trabalham com Deus não podem ser fracassos do ponto de vista dele, mas há ocasiões em que, da nossa perspectiva, sentimos que tudo deu completamente errado. Ao aceitarmos em silêncio esse aparente fracasso, por amor a Jesus, as portas de oportunidade, do lado da vida natural, se fecham enquanto, ao mesmo tempo, as válvulas do lado divino se abrem para o influxo da energia que move o universo. 

É muito fácil, até para o coração santificado, ficar ligado à obra em que está envolvido e desejar que ela seja bem-sucedida como uma obra própria. É muito fácil para pessoas dedicadas que dirigem reuniões de acampamento, convenções, grupos caseiros, missões ou qualquer espécie de empreendimento espiritual ou filantrópica ficarem muito apegadas ao próprio empreendimento e nutrirem um desejo vaidoso por sucesso. Uma análise mais minuciosa do coração vai revelar que, em geral, colocamos a nossa própria ambição na obra, e o Espírito Santo que sonda todas as motivações, revela o terrível segredo de que, em última análise, é o ego humano que anseia por sucesso.

Agora, para toda a glória ser dada a Deus, ele terá de macular a bela face do sucesso aparente e fazer com que morramos para nosso próprio sucesso na obra. Só assim é que ele poderá obter resultados muito maiores do que imaginávamos nos nossos maiores sonhos. Jesus não quer nos ver mais apaixonados pela obra dele do que por ele próprio. 

O homem que nunca sente que tem do que se orgulhar no seu trabalho, mas considera que sua obra nada representa em termos de crédito para si mesmo, é aquele que estará sempre disposto a ser visto como fracasso aos olhos dos homens. Leia a história dos grandes empreendimentos de fé, tais como os que foram feitos por Lutero, o orfanato de George Muller ou o trabalho do Bispo Taylor na Índia e na África. Veja como, em milhares de ocasiões na vida desses homens, eles tiveram de ser considerados fracassos aos olhos não somente do mundo, mas também de filósofos, igrejas, ministros e clérigos renomados. 

Observe suas lutas sozinhos em oração, suas sublimes mas solitárias convicções, as elevadas visões que ninguém mais conseguia enxergar. Veja como ultrapassaram os legisladores na sua própria lei, sobrepujaram professores universitários no seu ensino, eclipsaram banqueiros terrenos na administração do dinheiro e envergonharam a ineficácia, a inércia e a incredulidade da maioria dos cristãos nominais ao seu redor. Note como, pelo alvo de alcançar tais resultados grandiosos, tiveram de se humilhar a todo tempo no pó, recebendo críticas, reações frias e desprezo da parte de quem esperavam ajuda.

Posso dar dois exemplos das Escrituras. Ester foi instruída por Mordecai a tomar uma decisão ousada para salvar os judeus. Em resposta, ela disse: “Se eu fizer isso, posso morrer”. Mesmo assim, porém, ela aceitou o desafio, dizendo: “se perecer, pereci” (Et 4.16). Essa disposição de coração de morrer e ser enterrada em desgraça, se necessário, foi a chave que destravou a porta da prisão e libertou uma nação inteira. Ali estava o segredo do poder. 

Quando o grande monarca da Babilônia repreendeu os três hebreus por não adorarem a sua imagem, eles responderam firmemente: “Fica sabendo, ó rei, que não adoraremos a tua imagem. O nosso Deus, a quem servimos, é capaz de livrar-nos da fornalha de fogo ardente; contudo, se não nos livrar, mesmo assim não adoraremos a tua estátua” (Dn 3.17-18).

O segredo do poder está na expressão “mas se não”. Se vivermos pela fé e andarmos com Deus, haverá muitas ocasiões em que testes semelhantes nos confrontarão, com fornalhas ardentes para a nossa destruição. Para podermos passar pela fornalha sem nos queimar, precisamos carregar esse “mas se não” no nosso coração. O valor real de qualquer obra que fizermos para Deus poderá ser avaliado pelo número de dificuldades que encontramos pelo caminho ou pelo esforço que Satanás faz para destruir aquilo que já foi realizado.

No livro de Apocalipse, Satanás ficou atento, esperando para devorar o filho varão assim que nascesse. É isso o que acontece com toda verdadeira obra de Deus. Se você recebe uma grande bênção do Espírito Santo, Satanás logo tentará destruí-la ou pervertê-la. Se houve um acampamento maravilhoso, uma convenção, um avivamento, Satanás encontrará instrumentos humanos, muitas vezes dentro da própria igreja, para destruir ou reprimir a obra de graça, se possível. Em tais ocasiões, o verdadeiro servo de Deus deve aceitar o aparente fracasso do seu trabalho e, ao mesmo tempo, continuar trabalhando e entregar a obra ao cuidado absoluto de Deus.

 Reconheça a Presença do Espírito Santo
O último pensamento que queremos dar em relação ao segredo do poder é que devemos reconhecer constantemente a presença do Espírito Santo. Há uma chave maravilhosa de força quando reconhecemos a presença divina em nós e na obra que Deus nos chamou para fazer. “(Moisés) permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível” (Hb 11.27).

A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso” (Ex 33.14). Cada vez que vamos a uma reunião, ou falamos com uma pessoa, ou oramos, ou cantamos, ou trabalhamos para Deus, se naquele instante reconhecermos que o Espírito Santo está em nós e conosco, ele não só será a fonte da nossa inspiração, mas o ato de fé que Deus honra com sucesso. Não estou dizendo que não devemos orar pela presença do Espírito Santo, para que ele venha sobre nós e a Palavra, mas que, tendo orado no nome de Jesus, devemos crer que a oração já foi respondida.

Esquecer da presença de Deus, considerar que ele está distante é nos desligar da fonte de poder e permitir que nosso espírito desmorone. Mas, no momento em que, consciente e claramente percebermos que Deus está presente, que o Espírito, o Consolador está neste lugar e que ele está pronto e disposto a agir por meu intermédio para destruir fortalezas – que diferença isso fará em nossas palavras, orações e cânticos!

Haverá uma liberdade, uma unção, uma alegria que nada mais poderia inspirar. “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.20). Não me importa quão pobre ou doente ou fraco você esteja, no momento em que sua alma percebe claramente a verdade eterna do fato, “estou convosco todos os dias...”, uma fonte secreta de poder estará aberta dentro do seu coração que está acima de qualquer eloquência ou magnetismo, porque ela é a fonte de toda eloquência e magnetismo. Esse é o único poder que está à altura dos propósitos do Evangelho.

É sobremodo maravilhoso como Deus pode usar aquilo que é extremamente fraco e debilitado para sua glória, especialmente quando nos empenhamos, não em favor do nosso próprio salário ou fama, mas para a glória do nome de Jesus, plenamente dispostos a ser amados e honrados somente por Deus. Quando o Senhor se agrada de nos usar em qualquer obra, o melhor que podemos fazer é entregá-la de volta a Deus, assim que o fizermos, e cair de volta à nossa pequenez e insignificância natural, para descansar em Deus.
           
por George D. Watson

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

APOCALIPSE 13

Apocalipse 13

Apocalipse 13 é um dos mais fascinantes e misteriosos capítulos de toda a Bíblia. Esse capítulo é singular para a nossa época, porque não identifica países definidos por fronteiras; em vez disso, ele fala do mundo inteiro – um mundo global. Essa mensagem simplesmente ignora que o planeta Terra é dividido em cinco continentes e aproximadamente 200 nações. Ele ignora que essas nações são diversas, falam línguas diferentes, têm diferentes culturas, praticam várias religiões, têm seus próprios costumes e festejam seus próprios feriados. Apocalipse 13 ignora tudo isso e simplesmente nos revela um mundo único no final dos tempos: uma Nova Ordem Mundial para todas as pessoas do planeta Terra.

Sabemos que uma situação dessas seria impossível um século atrás. O mundo era muito diversificado e dividido por fronteiras nacionais, mantidas por forças militares. Mas, hoje em dia, está acontecendo uma coisa que nunca aconteceu antes: a corrida em direção ao globalismo.

Durante a crise financeira internacional, o globalismo atravessou um terreno instável, em que as nações tentaram desesperadamente cuidar de si mesmas. Neste contexto, o protecionismo tornou-se uma questão séria para o mundo. Mas tudo isso é temporário. Não devemos jamais permitir que nossa visão da profecia bíblica seja obscurecida pelas circunstâncias atuais. No fim das contas, o mundo precisa, e irá, se tornar um. Essa é uma sentença irrevogável da profecia bíblica. 

Apocalipse 13 mostra o resumo do sucesso fraudulento de Satanás, o deus deste mundo e príncipe das trevas que dominou o planeta Terra com suas artimanhas. Esse capítulo da Bíblia fala de política, comércio e religião; tudo junto. A autoridade terrena é o Anticristo; seu poder é absoluto. Ninguém pode existir no planeta Terra se não tiver a marca da besta.
Os 18 versículos de Apocalipse 13 são uma mensagem compacta sobre o final dos tempos, destacando três identidades principais:
1. O dragão;
2. A primeira besta, que é o Anticristo; e
3. A segunda besta, que é o falso profeta.

Trindade e criação

O dragão, a primeira e a segunda besta são uma imitação da Trindade de Deus. Sua tarefa é a criação de duas coisas específicas: 1. A imagem da besta; e 2. A marca da besta.
Enquanto Deus criou o homem à sua imagem e lhe ordenou que sujeitasse a terra, a trindade do mal cria a imagem e a marca da besta para sujeitar o homem. O propósito de Satanás é tornar o homem sujeito à sua autoridade. Satanás quer ser Deus. Essa, em resumo, é a história da humanidade.

Introdução à revelação de Jesus Cristo

A mensagem desse capítulo precisa ser entendida, estudada e analisada no contexto de todo o livro do Apocalipse.
O livro começa com: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João” (Apocalipse 1.1); e termina com: “A graça do Senhor Jesus seja com todos” (Apocalipse 22.21). Ele é, portanto, a Revelação de Jesus Cristo.
Os três primeiros capítulos revelam o Senhor exaltado e suas mensagens para sete igrejas especificadas por seus nomes. Essas igrejas são geográfica e historicamente identificáveis. São igrejas reais, existentes na terra.

Céu aberto

Então, no capítulo 4, algo diferente acontece: “Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas” (v. 1). Agora, o lugar do evento é o céu. O texto menciona especificamente que João recebeu ordem de subir “para aqui” a fim de ver e transcrever “o que deve acontecer depois destas coisas”.
Ao lermos o livro de Apocalipse, é importante entender que esta é uma mensagem vinda do céu.

Fora deste mundo

Ao lermos o livro de Apocalipse, é importante entender que esta é uma mensagem vinda do céu. João está na presença do Senhor, no céu. Estamos diante de algo que, literalmente, não é deste mundo, mas é endereçado às pessoas da terra, particularmente àqueles que lêem e ouvem: “Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo” (Apocalipse 1.3).

Coisas físicas terrenas e coisas físicas espirituais

Ao lermos o livro de Apocalipse como crentes em Cristo, precisamos pedir sabedoria para distinguir entre coisas físicas terrenas e coisas físicas espirituais.
Aqui está um exemplo: No capítulo 1, encontramos uma descrição do Senhor:

“Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido, à altura do peito, com uma cinta de ouro.  A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força” (v. 12-16).

João é incapaz de descrever o que está vendo, senão através de definições metafóricas. Observe as palavras “semelhante” e “como”. Os seus cabelos eram brancos “como neve”; seus olhos, “como chama de fogo”; seus pés “semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha”; a sua voz “como voz de muitas águas”. 

Se deixarmos nossa imaginação correr solta, construiremos uma figura delirante: um homem com cabelo branco, com labaredas saindo dos olhos, pés pegando fogo, e com uma voz parecendo as Cataratas do Niágara. Esses pensamentos nos levam a uma imagem distorcida da realidade espiritual que o autor tenta transmitir no livro de Apocalipse.
Vejamos alguns outros exemplos.

Irreal, em termos terrenos

No capítulo 5, lemos estas palavras: “... eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu...” (v. 5). No verso 6, lemos: “... entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto...”. Obviamente, o Senhor não havia se transformado num animal, num cordeiro, e nem num leão. Ele é aquele que Isaías descreve: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9.6).

Mas, novamente, acho que todos nós concordamos que uma criança não poderia ser chamada de “Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. Sob o ponto de vista intelectual, não faz o menor sentido. Assim, precisamos nos lembrar do que diz 1 Coríntios 2.14-15: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém”.
Não faz sentido presumir que a besta sobre a qual lemos em Apocalipse 13 seja um animal desconhecido que tem sete cabeças e dez chifres.

A besta de sete cabeças

Do mesmo modo, não faz sentido presumir que a besta sobre a qual lemos em Apocalipse 13 seja um animal desconhecido que tem sete cabeças e dez chifres. Se deixarmos essas fantasias entrarem na nossa mente, imaginando a figura de um monstro, teremos dificuldade em entender o significado espiritual realista dessa profecia.

Apocalipse 13 pode ser difícil de entender, mas isso não altera o que está escrito em 2 Timóteo 3.16: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. Com essas palavras, temos a garantia da confiabilidade da Bíblia e recebemos instruções para estudar criteriosamente o conteúdo da Bíblia; neste caso, o livro de Apocalipse.

Toda a terra

Em particular, este capítulo se aplica à época em que vivemos por causa das palavras que identificam o globalismo: “toda a terra” (v. 3); “cada tribo, povo, língua e nação” (v. 7); “adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra” (v. 8); “a terra e os seus habitantes” (v. 12). Essas palavras apontam claramente o que está acontecendo em nossos dias. “Toda a terra” significa o mundo inteiro, e essa é a característica do globalismo.

É mais do que evidente que isso não poderia ter acontecido 100 ou 200 anos atrás. Naquela época, seria impossível para o mundo se unir, ser governado por um único líder ou ter um sistema econômico que monopolizasse o planeta Terra. Pensar em uma religião unificada que fizesse com que “todos os que habitam sobre a terra” adorassem a besta era algo completamente fora de cogitação.
O que aconteceria se seus aviões não pudessem voar por cima dos outros países? A interdependência é um resultado natural do avanço tecnológico.

A nova interdependência

Até há pouco tempo, as nações tinham independência. Cada uma delas precisava zelar pela segurança de suas fronteiras e estabelecer novas, na maioria das vezes pelo uso da força. Elas tinham que cuidar de sua economia, finanças e religião, independentes umas das outras. Mas, hoje em dia, isso já não acontece. Praticamente tudo se tornou uma questão global. Tudo o que acontece em outros países, afeta o nosso. A independência foi substituída pela interdependência. O motivo disso é bastante razoável. Por exemplo, para fazer vôos para a Europa, os Estados Unidos tem que pedir permissão ao Canadá para cruzar seu espaço aéreo. Pense só em países interiores, como a Suíça. O que aconteceria se seus aviões não pudessem voar por cima dos outros países? A interdependência é um resultado natural do avanço tecnológico.

Comunicação

A comunicação entre as nações também era limitada. Os países falavam línguas diferentes. A tradução só estava ao alcance das classes superiores. Ninguém sabia realmente o que estava acontecendo no país vizinho. A única informação disponível era aquela fornecida por seus respectivos líderes.
Hoje em dia, podemos nos comunicar com o mundo todo a qualquer hora. Ondas de rádio, telefone, satélites e cabos interconectaram os continentes. Praticamente todas as pessoas podem se comunicar com qualquer um a qualquer hora.

Transporte

Quando lemos na Bíblia sobre uma sociedade política, econômica e religiosa global, compreendemos que só nos nossos dias é que essas coisas são possíveis.

E o que dizer dos transportes? As possibilidades eram bastante limitadas antes de 1900. Os transportes terrestres dependiam da tração animal: cavalo, jumento, camelo, etc. Essa forma de viajar extremamente desconfortável provocava dores nas costas, era muito cansativa e expunha o viajante a grandes perigos. Até mesmo um rei não conseguia percorrer mais do que alguns quilômetros por dia. 

Além disso, não havia estradas pavimentadas que permitissem uma viagem com um mínimo de conforto. Fora dos vilarejos e cidades, não havia ruas pavimentadas nem rodovias de concreto. As viagens dependiam das condições meteorológicas. Ao tentar ir de um lugar ao outro, o viajante podia ficar retido por vários dias por causa da chuva, por exemplo. As pontes eram poucas. 

No calor do verão, deveria ser insuportável viajar por aquelas estradas quentes e poeirentas, através de densas florestas, sujeito a todo tipo de perigo a cada curva. Cruzar os oceanos era se arriscar num barquinho de madeira, dependendo dos ventos para se mover e esperando que eles soprassem na direção certa. Histórias sobre as antigas viagens marítimas ficaram registradas para nós no Livro dos Atos. Hoje, podemos praticamente dar a volta ao mundo em 24 horas. Um percurso de 50 km numa cidade não é nada incomum. Muitos fazem isso diariamente.

Portanto, quando lemos na Bíblia sobre uma sociedade política, econômica e religiosa global, compreendemos que só nos nossos dias é que essas coisas são possíveis. Estamos vivendo na época em que essas coisas podem se cumprir.
Espero que esta breve introdução prepare o palco para nosso estudo a respeito desse capítulo singular – Apocalipse 13 – e transmita ao nosso coração a mensagem de que esta é realmente a preparação para a última vitória de Satanás! (Arno Froese - http://www.chamada.com.br)

A VERDADE SOBRE OS SINAIS DOS TEMPOS

A Verdade Sobre os Sinais dos Tempos

Quais São os Sinais do Fim da Era da Igreja?

Salvo algumas exceções, a era da Igreja não é um período de cumprimento profético. Pelo contrário, a profecia será cumprida depois do Arrebatamento, em relação à ação de Deus com a nação de Israel nos sete anos da Tribulação. A atual era da Igreja, em que os crentes vivem hoje, não tem uma cronologia profética específica, como Israel e sua profecia das setenta semanas de anos (Daniel 9:14-27). No entanto, o Novo Testamento dá características gerais que descrevem a era da Igreja.

Até mesmo profecias específicas cumpridas durante a era da Igreja estão relacionadas ao plano profético de Deus para Israel e não diretamente para a Igreja. Por exemplo, a destruição profetizada de Jerusalém e seu Templo em 70 d.C. é relativa a Israel (Mateus 23.28; Lucas 19.43-44; 21.20-24). Portanto, não é contraditório que as preparações proféticas relacionadas a Israel já estejam acontecendo com o restabelecimento de Israel como nação em 1948, apesar de ainda estarmos vivendo na era da Igreja.

A era da Igreja não é caracterizada por eventos proféticos historicamente verificáveis, exceto seu início no Dia de Pentecostes e seu fim com o Arrebatamento. Mas o rumo geral desta era foi profetizado e pode oferecer uma visão panorâmica do que se pode esperar durante esta era.

Existem sinais relacionados ao plano divino do fim dos tempos para Israel?

Sim, existem muitos sinais relacionados ao programa divino do fim dos tempos para Israel. No entanto, devemos ter cuidado com a maneira como os relacionamos a nós hoje durante a era da Igreja. Já que os crentes de hoje vivem na era da Igreja, que terminará com o Arrebatamento da Igreja, sinais proféticos relacionados a Israel não são cumpridos nos nossos dias. Ao invés disto, o que Deus está fazendo profeticamente nos nossos dias é preparando o mundo ou "montando o cenário" para a hora em que Ele começará Seu plano relacionado a Israel, que envolverá o cumprimento dos sinais e dos tempos. Um indicador importante de que provavelmente estamos próximos do começo da Tribulação é o fato evidente de que a nação de Israel foi reconstituída depois de quase 2000 anos.

O que significa "montar o cenário"?

A atual era da Igreja não é uma época em que a profecia bíblica está sendo cumprida. A profecia bíblica está relacionada com um período depois do Arrebatamento (o período de sete anos da Tribulação). Porém, isto não quer dizer que durante a atual era da Igreja, Deus não esteja preparando o mundo para esse período futuro – na verdade, Ele está. Mas isto não é "cumprimento" específico de profecia bíblica. Portanto, mesmo que a profecia não esteja se cumprindo na nossa época, isto não quer dizer que não podemos identificar "tendências gerais" na atual preparação para a Tribulação vindoura, principalmente porque ela acontecerá logo depois do Arrebatamento. Chamamos esta abordagem de "montagem de cenário." Assim como muitas pessoas separam a roupa na noite anterior para usá-la no dia seguinte, Deus está preparando o mundo para o cumprimento certo da profecia no futuro.
O Dr. John Walvoord explica:
Mas se não há sinais para o Arrebatamento em si, quais são as fontes legítimas que levem a crer que o Arrebatamento esteja próximo desta geração?
A resposta não é encontrada em nenhum dos eventos proféticos previstos antes do Arrebatamento mas no entendimento dos eventos que seguem ao Arrebatamento. Assim como a história foi preparada para a primeira vinda de Cristo, ela está sendo preparada para os eventos que levam à Sua Segunda Vinda... Sendo assim, isto leva à conclusão inevitável de que o Arrebatamento pode estar inevitavelmente próximo.[1]
A Bíblia fornece profecias detalhadas sobre os sete anos da Tribulação. Na verdade, Apocalipse 4-19 oferece um esboço detalhado e ordenado dos participantes e eventos principais. Com base em Apocalipse, o estudante da Bíblia pode harmonizar as centenas de outras passagens bíblicas que falam da Tribulação num modelo claro do que será o próximo período de tempo no planeta Terra. Com esse modelo para nos guiar, podemos ver que Deus já está preparando ou montando o cenário para o mundo, no qual o grande drama da Tribulação se desdobrará. Assim, esse período futuro lança sobre a nossa época uma sombra de expectativa, de tal forma que os eventos atuais oferecem sinais discerníveis dos tempos. (Thomas Ice e Timothy Demy - http://www.chamada.com.br)

Notas

1. John F. Walvoord, Armageddon, Oil and the Middle East Crisis, revised (Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1990), p. 217.

DA INSEGURANÇA POLÍTICA A CERTEZA PROFÉTICA

Da Insegurança Política à Certeza Profética

O poder mundial é limitado pela impotência humana. A onipotência é ilimitada em virtude da autoridade divina. Ou, como diz a Bíblia: “O Senhor frustra os desígnios das nações e anula os intentos dos povos. O conselho do Senhor dura para sempre; os desígnios do seu coração por todas as gerações. Feliz a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para sua herança” (Sl 33.10-12).

Da insegurança política

A insegurança das nações reflete-se hoje em muitas áreas:
  • nas discussões políticas sobre as mudanças climáticas: a única certeza, sempre manifestada por unanimidade, é a concordância em marcar a próxima reunião.
  • na economia: há orgulho por causa do progresso, enquanto grandes bancos quebram e perdem bilhões.
  • na instabilidade militar: a Guerra Fria volta a tomar forma.
  • na mente das pessoas: a espiral de toda sorte de perturbações emocionais aumenta de forma crescente. Os psicoterapeutas prosperam.
  • nas questões religiosas com relação à pergunta sempre relevante: O que é a verdade?
As negociações entre Israel e os palestinos são constantemente apresentadas como perspectivas de se chegar a uma “paz justa” no mundo. O então presidente George W. Busch afirmou durante a conferência de paz de Annapolis: “Queremos estabelecer o fundamento de uma nova nação, de um Estado palestino democrático, que possa conviver com Israel em paz e segurança”.[1] Apesar de todas as declarações positivas, a realidade é outra, e a Bíblia não deixa dúvidas sobre o que virá: “Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão” (1 Ts 5.3).
 
Os esforços humanos, por mais bem intencionados que sejam, encontram barreiras praticamente intransponíveis. Um comentário da revista alemã Stern revela esse desamparo diante das grandes questões da humanidade: “No Ocidente, hoje mais do que há algumas décadas, vê-se com mais clareza que a política e a ciência estão sendo exigidas além de suas capacidades no esforço para se criar um mundo justo”.[2] O povo de Israel sempre sofreu decepções quando confiou em homens e na política mundial. O fato desse povo ainda existir deve-se apenas ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó, graças às promessas que Ele lhe fez. 
 
Essas promessas, registradas na Sua Palavra, são o penhor de que o futuro dessa nação tão atacada está assegurado. Mas Israel não encontrará segurança real enquanto não se voltar de todo o coração para seu Messias, Jesus. Alguém disse com razão: “Não precisamos de um programa, precisamos de uma pessoa”. E essa Pessoa é Jesus Cristo, “o qual, depois de ir para o céu, está à destra de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, e potestades, e poderes” (1 Pe 3.22).

Não é só o mundo como um todo e Israel como nação atacada que se ressentem da falta de segurança. Essa insegurança está aninhada nos corações dos homens individualmente.
Mas não é só o mundo como um todo e Israel como nação atacada que se ressentem da falta de segurança. Essa insegurança está aninhada nos corações dos homens individualmente, e nós, cristãos, temos toda a razão em buscar – e achar – a segurança que a Palavra de Deus nos concede.

Segurança profética

Estaremos nos baseando no livro de Isaías ao analisarmos o tema desta mensagem. Isaías é o legítimo “evangelista” dentre os profetas. Seu livro também costuma ser chamado de Bíblia em formato reduzido:
• O livro de Isaías tem 66 capítulos, e a Bíblia tem 66 livros.
• O livro de Isaías tem duas partes principais, escritas pelo mesmo autor – a Bíblia também tem duas partes, inspiradas pelo Espírito Santo.
• Os primeiros 39 capítulos de Isaías têm como tema central o juízo divino sobre os pecados. Os 27 capítulos da segunda parte falam mais de graça e restauração; essa parte também é chamada de “grandiosa poesia messiânica”. A Bíblia, por sua vez, tem 39 livros do Antigo Testamento, muitas vezes falando do juízo. E ela tem 27 livros do Novo Testamento, cujo tema central é a graça de Deus.
• O livro de Isaías é citado ou mencionado mais de 210 vezes no Novo Testamento – apenas os capítulos 40 a 66 por mais de 100 vezes. [3]
Os 27 capítulos da segunda parte de Isaías harmonizam-se surpreendentemente com os livros do Novo Testamento. Isso não pode ser mero acaso. Vejamos alguns exemplos:
• Isaías 40 é o primeiro capítulo da segunda parte do livro; corresponde ao 40º livro da Bíblia, ou seja, ao primeiro livro do Novo Testamento (Evangelho de Mateus). Está escrito: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo vale será aterrado, e nivelados, todos os montes e outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos, aplanados. A glória do Senhor se manifestará e toda a carne a verá, pois a boca do Senhor o disse” (Is 40.3-5).
Em contraposição, lemos no Evangelho de Mateus: “Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 3.3). Isso refere-se a João Batista. E no Evangelho de João está escrito: “...vimos a sua glória...” (Jo 1.14).
• Isaías 44 corresponde ao 44º livro da Bíblia, que é Atos dos Apóstolos: “Porque derramarei água sobre o sedento e torrentes, sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção, sobre os teus descendentes; brotarão como a erva, como salgueiros junto às correntes de águas. Um dirá: Eu sou do Senhor; outro se chamará do nome de Jacó; o outro ainda escreverá na própria mão: Eu sou do Senhor, e por sobrenome tomará o nome de Israel” (Is 44.3-5). Essa é uma maravilhosa indicação do tema central de Atos dos Apóstolos: o derramamento do Espírito Santo, as primeiras conversões e a mudança de rumo dos gentios, voltando-se para o Deus de Israel.
• Em Isaías 45 prenuncia-se o 45º livro da Bíblia, que á a Carta aos Romanos. Nesse capítulo do livro de Isaías a palavra “justiça” é salientada de forma especial, pois aparece seis vezes. Também se menciona que Israel será salvo (v.25). Isso corresponde com exatidão ao assunto da Carta aos Romanos.
• Na seqüência, Isaías 49 corresponde à Carta aos Efésios. Nesse capítulo vemos a salvação sendo oferecida também aos gentios e a declaração de que o Senhor foi dado como luz para os gentios (vv.1,6). Este é exatamente o tema da Carta aos Efésios: os gentios sendo incorporados à Igreja dos salvos (Ef 2.16-18; 3.5-6).
O rolo de Isaías com seu texto completo foi encontrado em Qumran em 1947. Esse achado foi datado como sendo do segundo século antes de Cristo, confirmando que essa escritura é inspirada por Deus em sua totalidade.

Outro tema é descrito assim: “Tirar-se-ia a presa ao valente? Acaso, os presos poderiam fugir ao tirano? Mas assim diz o Senhor: Por certo que os presos se tirarão ao valente, e a presa do tirano fugirá, porque eu contenderei com os que contendem contigo e salvarei os teus filhos” (Is 49.24-25). Comparemos essas palavras com Efésios 4.8: “Por isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens”. Jesus tomou a presa do valente e tirano, que é o Diabo, e deixou os cativos livres. Nenhum crente continua sendo uma presa da morte. 

• Isaías 66 corresponde ao último livro da Bíblia, que é o Apocalipse. “...porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim, diz o Senhor, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome” (Is 66.22). O tema do Apocalipse é a introdução no novo céu e na nova terra: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra já passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo” (Ap 21.1-2).
 
O rolo de Isaías com seu texto completo foi encontrado em Qumran em 1947. Esse achado foi datado como sendo do segundo século antes de Cristo, confirmando que essa escritura é inspirada por Deus em sua totalidade. Os rolos de Qumran foram descobertos justamente na época da fundação do Estado de Israel, o que deixa transparecer uma óbvia direção divina, e o texto de Isaías recebeu muito destaque nesse achado de inestimável valor histórico. Tudo leva a crer que o Deus de Israel estava querendo estabelecer um sinal. E o que isso significa para você, pessoalmente? Significa que você pode contar com esse Deus, que pode entregar sua vida a Ele e olhar para o futuro confiando nEle! 

Baseados em Isaías 40 e 41, examinemos a confiança que Deus oferece. Mas prestemos atenção a um fato: as profecias de Isaías têm um cumprimento duplo, pois retratam juntamente a primeira e a segunda vinda de Jesus.

O duplo sofrimento e o duplo consolo

“Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniqüidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do Senhor por todos os seus pecados” (Is 40.1-2). Quando a iniqüidade de Israel estará perdoada, quando Israel receberá o perdão por seus pecados? Depois que Jerusalém receber em dobro das mãos do Senhor. Então o Senhor voltará a Sião para afastar de Israel a sua impiedade (veja Rm 11.25; Ez 36.33). 

Jerusalém suportou uma dose dupla: o cativeiro babilônico e o cativeiro romano (em 70 d.C.), a destruição do primeiro Templo e a destruição do segundo Templo. Duas vezes Jerusalém foi consolada: uma vez por ocasião do retorno do cativeiro babilônico sob Zorobabel e Esdras (veja Zc 4; Ag 2), e pela segunda vez no retorno do cativeiro mundial, da volta da Diáspora (Dispersão) no fim dos dias (em 1948); agora, a Igreja deveria assumir esse consolo.
No passado, tratava-se da primeira vinda de Jesus, que João Batista anunciava no espírito de Elias; hoje trata-se de Sua volta, que a Igreja apregoa.
No passado, tratava-se da primeira vinda de Jesus, que João Batista anunciava no espírito de Elias; hoje trata-se de Sua volta, que a Igreja apregoa (veja Is 40.3-5). No passado, Jesus veio em humildade; apenas uma única vez Jesus deixou entrever Sua glória, o que aconteceu no monte da Transfiguração (veja Jo 1.14; Mt 17.1,13; 2 Pe 1.16-18). Ele não voltará em humildade, mas em poder supremo e glória majestosa (veja Mt 24.30).

O caminho para o retorno do Senhor em glória

A volta de Cristo se anuncia em diversas etapas:
1. O contraste entre a insegurança dos povos e a segurança da eterna Palavra de Deus torna-se cada vez mais evidente (veja Is 40.6-8). Essa Palavra é retomada por Pedro, que a aplica a nosso tempo e à Igreja (veja 1 Pe 1.23-25). 

2. O Arrebatamento da Igreja se delineia (veja Is 40.9-11). De Sião partiu originalmente a boa-nova do Evangelho (v.9). Ao próprio Israel precisa-se anunciar hoje: “Eis aí está o vosso Deus!” (v.9). Ele não decepciona jamais! O Arrebatamento está às portas. “Eis que o Senhor virá com poder...” (Is 40.10). Em outras palavras, Jesus voltará em glória (veja Mt 24.30). “...e o seu braço dominará” (Is 40.10). Isso significa o domínio do Messias, Ele é o braço de Deus em ação. “...eis que o seu galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa” (v.10). Que galardão, que recompensa é essa? É a Igreja de Jesus, já arrebatada, que voltará com Ele em glória, sendo ela o penoso fruto do trabalho de sua alma (veja Is 53.12; 2 Ts 1.7; Ap 19.11ss.). Depois de Sua volta em poder e glória junto com Sua Igreja, o Messias apascentará Seu povo como Bom Pastor (veja Is 40.11). 

3. A Grande Tribulação se anuncia (veja Is 40.15-17). Ao ler uma passagem assim, muitos acusam a Deus de lidar cruelmente com a humanidade. Em seu orgulho cego e sua rejeição da vontade de Deus, essas pessoas não percebem que é Deus quem as acusa. Nações são como um grãozinho de pó para Ele. O que o homem imagina que é? Deus deixará as nações consternadas por causa de seu orgulho; não apenas as ilhas, mas até os céus e a terra serão abalados (veja Hb 12.26-27). A insegurança que se avizinha assumirá proporções nunca vistas. Catástrofes naturais se multiplicarão, ameaças de guerra aumentarão, a economia experimentará novas e profundas quedas, a paz e a segurança anunciadas para a região de Israel se converterão no contrário.

A segurança do Deus incomparável

A insegurança que se avizinha assumirá proporções nunca vistas. Catástrofes naturais se multiplicarão, ameaças de guerra aumentarão, a economia experimentará novas e profundas quedas, a paz e a segurança anunciadas para a região de Israel se converterão no contrário.
“Com quem comparareis a Deus? Ou que coisa semelhante confrontareis com ele?” (Is 40.18). Israel busca segurança em muitos e muitos lugares por ter perdido de vista a segurança do incomparável Deus. Mas apenas no Deus único e verdadeiro, o Deus que escreveu a profecia e se revelou em Jesus, o homem encontra seu alvo. E precisamos dessa segurança mais do que nunca! 

Israel é eleito: “Os países do mar viram isto e temeram, os fins da terra tremeram, aproximaram-se e vieram” (Is 41.5): Insegurança. “Mas tu, ó Israel, servo meu, tu, Jacó, a quem elegi, descendente de Abraão, meu amigo” (Is 41.8): Segurança. A eleição de Israel baseia-se na amizade de Deus com Abraão (veja Tg 2.23) e encontra seu ponto máximo no Servo Jesus Cristo. Por isso, Deus não termina Sua amizade, pois não é como nós, seres humanos, como os políticos do mundo (veja Gl 3.17). Existe algo melhor do que ter a Deus como amigo? Se Ele é por você, quem será contra você? Nem mesmo a morte pode separá-lo do Senhor (veja Rm 8.37-39). Jesus diz: “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando” (Jo 15.14).
 
A amizade fiel de Deus ficou provada: “tu, a quem tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos, e a quem disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei” (Is 41.9). Primeiramente, Deus conduziu Seu amigo Abraão das extremidades da terra (de Ur na distante Caldéia) até Canaã e prometeu-lhe a terra por possessão eterna (veja Gn 17.8). O profeta Isaías não limitou sua declaração a Abraão, Ele a estendeu profeticamente até a volta final da última semente de Abraão, que é o povo judeu. 

Esse é o sentido da profecia para Israel e o contexto do livro de Isaías. Por isso, Isaías fala no plural: “que eu tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos... eu te escolhi, e não te rejeitei...”. Abraão, afinal, não veio das extremidades da terra nem dos seus recantos mais remotos – seus descendentes, sim. É o que vemos acontecendo há algumas décadas (veja Dt 30.4ss.). Essas gerações que descendem de Abraão não foram rejeitadas; por isso elas existem! O fato de Israel existir novamente como Estado é uma prova visível da fiel amizade de Deus com Abraão (veja Gl 3.17). 

Israel não teria motivos para temer: “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel” (Is 41.10). Essa conclamação a não temer é repetida nos versículos 13 e 14. o profeta antevê que seu povo sentirá medo repetidamente, até nos tempos finais; a história o confirma. É medo da opressão, do abandono, do isolamento e da insegurança. Por isso, as repetidas respostas de Deus a esses temores de Seu povo. Aqui, em Isaías, a segurança que vem de Deus ergue sua voz e fala para a situação de insegurança de Israel.
“tu, a quem tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos, e a quem disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei” (Is 41.9)

Existem seis razões porque no futuro o remanescente crente de Israel não precisará temer. E essas razões são melhores do que o exército israelense, a política, a ONU, os EUA ou a UE:
1. “eu sou contigo”.
2. “eu sou o teu Deus”.
3. “eu te fortaleço”.
4. “e te ajudo”.
5. “e te sustento”.
6. “com a minha destra fiel”.
 
Essas razões são concretizadas pelo Messias de Israel, que é Jesus Cristo. Ele é a destra fiel, e por Sua morte e ressurreição trouxe justiça. Em Sua volta reside a garantia de segurança para Israel. Podemos tomar essa promessa pessoalmente, aplicando-a à nossa própria vida.
As nações, essas sim, têm motivos para temer. “Eis que envergonhados e confundidos serão todos os que estão indignados contra ti; serão reduzidos a nada, e os que contendem contigo perecerão. Aos que pelejam contra ti, buscá-los-ás, porém não os acharás; serão reduzidos a nada e a coisa de nenhum valor os que fazem guerra contra ti. Porque eu, o Senhor, teu Deus, te tomo pela tua mão direita e te digo: Não temas, que eu te ajudo” (Is 41.11-13). Leon de Winter escreveu: “Os países islâmicos jamais poderiam aceitar o Israel de hoje como seu igual... Israel está cercado pelo Irã, pela Síria, pelo Hezb’allah (Partido de Alá) e pelo Hamas, e o porta-voz deles, o presidente Mahmoud Ahmadinejad, expressa com clareza seus desejos mais profundos: eliminar Israel, castigar a arrogância de Israel e degradar os judeus à condição de minoria sob domínio islâmico”.[4] 

Mas, apesar das mais infames calúnias, das mais duras perseguições e das mais brutais tentativas de aniquilação durante sua dispersão de quase dois mil anos, o povo judeu não pereceu – pelo contrário! Os inimigos de Israel de ontem, hoje e amanhã passaram, passam e passarão ainda mais mal. Durante sua campanha pelo Oriente Médio, há 200 anos, Napoleão disse: “A História não se decide no Ocidente, mas no Oriente!”[5] Peter Scholl-Latour cita seu professor de árabe, Jacques Berque: “O destino de Jerusalém não é uma questão política; o destino de Jerusalém é uma sentença de juízo final![6] E Siegfried Schlieter comenta: “A questão de Jerusalém é politicamente insolúvel. Ela será decidida apenas no dia do juízo final”.[7]

O deserto florido e a existência das cidades israelenses são a prova de que Deus atua nos dias de hoje, e agirá no futuro: “Os aflitos e necessitados buscam águas, a não as há, e a sua língua se seca de sede; mas eu, o Senhor, os ouvirei, eu, o Deus de Israel, não os desampararei. Abrirei rios nos altos desnudos e fontes no meio dos vales; tornarei o deserto em açudes de águas e a terra seca, em mananciais. Plantarei no deserto o cedro, a acácia, a murta e a oliveira; conjuntamente, porei no ermo o cipreste, o olmeiro e o buxo, para que todos vejam e saibam, considerem e juntamente entendam que a mão do Senhor fez isso, e o Santo de Israel o criou” (Is 41.17-20).
 
Podemos confiar na palavra profética de Deus. “Anunciai-nos as coisas que ainda hão de vir, para que saibamos que sois deuses; fazei bem ou fazei mal, para que nos assombremos, e juntamente o veremos. Eis que sois menos do que nada, e menos do que nada é o que fazeis; abominação é quem vos escolhe” (Is 41.23-24). A nulidade de todas as religiões, a falta de autenticidade e credibilidade da política, seus prognósticos inviáveis e seus esforços vacilantes e duvidosos estão em flagrante contraste com a confiabilidade das revelações divinas acerca do futuro. Lemos acerca da confiança que a profecia bíblica merece: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei. Ouvi-me vós, os que sois de obstinado coração, que estais longe da justiça. Faço chegar a minha justiça, e não está longe; a minha salvação não tardará; mas estabelecerei em Sião o livramento e em Israel, a minha glória” (Is 46.9-13).

Com Jesus, a justiça de Deus, começará um novo capítulo para Israel e o mundo inteiro.
Com Jesus, a justiça de Deus, começará um novo capítulo para Israel e o mundo inteiro. Por isso, todas as promessas serão cumpridas, toda a profecia é inteiramente segura e Israel tem um futuro garantido. E este Jesus é Aquele que oferece segurança eterna também a você. Sem Jesus você não tem um chão firme debaixo de seus pés. A seguinte história ilustra essa realidade:
Quando Henrique VIII da Inglaterra (1491-1547) jazia em seu leito de morte, mandou chamar o bobo da corte... O rei disse: “Meu amigo, devo partir”. “Para onde?”, perguntou o bobo. –“Não sei”. “Quando voltareis?” – “Não vou voltar mais”. “Quem vai convosco?” – “Ninguém”. “Vos preparastes para a viagem?” – “Não”. Então o bobo da corte pegou seu cetro de bufão e seu barrete, jogou-os sobre a cama do rei e explicou: “Majestade, vós me ordenastes que eu deveria entregar meu cetro de bobo da corte a alguém que fosse mais bobo do que eu. Vós sois esse alguém, pois ides embora sem saber para onde e não tendes acompanhante”.[8]
Agarre a justiça de Deus, ela está perto de seu coração. É o Senhor Jesus. Ele quer ser seu acompanhante, Ele quer ser sua segurança. Entre com Ele em uma nova vida! (Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br)
Notas:
  1. Berliner Privat-Infos, anexo de P.-D. 50/07.
  2. View, encarte de Stern, 4/2007.
  3. ‑A.M. Hodkin, Die Schriften geben Zeugnis von mir, Dillenburg, p. 244.
  4. Israelnetz.de, 3/1/2007.
  5. ‑Siegfried Schlieter, Am Ende der Zeit, Schwengeler, p. 116.
  6. ‑Peter Scholl-Latour, Lügen im Heiligen Land, Goldmann, p. 168.
  7. ‑Siegfried Schlieter, Am Ende der Zeit, Schwengeler, p. 121.
  8. Idea-Spezial, 7/2007, encarte de IdeaSpektrum 48/07.

O AVANÇO DO CONTROLE TOTAL

O avanço do controle total

Um software que denuncia crimes antes mesmo que sejam cometidos é ao mesmo tempo fascinante e assustador. Uma experiência no Sul da Inglaterra mostra que isso já é possível. Algo está sendo feito em busca da vigilância total.
No filme de ficção científica “Minority Report”, que se passa em 2054, crimes capitais como assassinatos não ocupam mais as manchetes. Uma unidade especial da polícia, chamada “Pré-Crime”, auxiliada por três paranormais, detecta todos os atos de violência antes que aconteçam, e prende os criminosos potenciais a tempo...

Os produtores desse filme de Hollywood se enganaram em apenas três aspectos: esses sistemas já existem hoje, e não somente em 2054. Segundo: no mundo real a tarefa dos “videntes” do filme é assumida por um software inteligente. E, em terceiro lugar: a história não se passa em Washington DC, mas em Portsmouth, no Sul da Inglaterra.

Essa cidade portuária de 200.000 habitantes, no condado de Hampshire, está testando há algum tempo um novo sistema de videovigilância. A característica especial: em vez dos métodos de vigilância normais, que requerem muito pessoal devidamente treinado, esse sistema usa um programa chamado “Perceptrak”, que busca comportamento suspeito nas imagens analisadas e aciona o alarme quando necessário.[1]
O relato também destaca que atualmente já há 4 milhões de câmeras de vigilância instaladas na Inglaterra, o que representa uma câmera para cada 14 habitantes. Em Londres, por exemplo, é grande a probabilidade de ser filmado até 300 vezes por dia. A organização de direitos civis “Liberty” está preocupada porque essa tecnologia oferece cada vez mais facilidades para o governo “vigiar cada passo do cidadão”.

O assustador nessa tecnologia é que o indivíduo sente-se cada vez mais vigiado e, em breve, poderá ter todos os passos seguidos. Aquilo que pode contribuir para a segurança do Estado forçosamente se tornará um fator de grande insegurança para o indivíduo. Mas é fascinante como a profecia bíblica se mostra atual, como seu cumprimento é exato e como a Palavra de Deus é verdadeira. Afirmações feitas há mais de 2000 anos estão se realizando diante dos nossos olhos. Algo está acontecendo, aproximando-nos cada vez mais rápido de Apocalipse 13. Está sendo criado um sistema que finalmente servirá de ferramenta ao vindouro Anticristo.
Já há 4 milhões de câmeras de vigilância instaladas na Inglaterra, o que representa uma câmera para cada 14 habitantes.
Se hoje em alguns lugares um cidadão já é filmado até 300 vezes num só dia, não é difícil imaginar a abrangência que o sistema anticristão terá.

Desde o começo o objetivo de Satanás era “ser como Deus”: “Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14.14). Portanto, não é de admirar que o Diabo tenha seduzido o primeiro casal com este mesmo argumento: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.5).

Ser como Deus significa ser onipotente, onisciente e onipresente. Nenhum anjo, nenhum demônio, nem mesmo Satanás tem essas características. O sistema anticristão final tentará alcançar esse alvo. Todas as pessoas devem ser vigiáveis e influenciáveis em qualquer lugar em que estiverem. Isso dará ao Anticristo um poder imensurável. Pois aquele que tem controle total e consegue observar qualquer pessoa, também pode influenciar e determinar as ações de qualquer um. Ele pode tirar alguém do meio do trânsito, excluí-lo da sociedade, da vida em comunidade e isolá-lo. É exatamente o que a Bíblia prevê, a respeito do que já alertamos diversas vezes.

“Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta, dizendo aos que habitam sobre a terra que façam uma imagem à besta, àquela que, ferida à espada, sobreviveu; e lhe foi dado comunicar fôlego à imagem da besta, para que não só a imagem falasse, como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta. A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome. Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis” (Ap 13.14-18).

A última sedução virá pelo caminho da “sensatez”. Câmeras de vigilância ajudam a prevenir assaltos e seqüestros. Elas auxiliam a combater o terrorismo de forma eficiente e a esclarecer acidentes. Quem não concordaria que isso é bom? Mas o homem, influenciado pelo pecado, sempre consegue usar para o mal algo foi planejado para o bem. A descoberta da dinamite e da fissão atômica deveriam trazer progresso aos homens, mas foram abusadas e transformadas em formas terríveis de extermínio da humanidade.

Quanto mais o homem se separa de Deus, mais ele buscará a própria onipotência. Ao se fazer independente de Deus, ele mesmo se eleva como se fosse Deus. Mas, em vez de vida, ele encontra perdição e morte.

Se hoje os sistemas de controle já estão tão avançados em tantas áreas, e os desenvolvimentos são cada vez mais rápidos, quão próximo estará o cumprimento do Apocalipse e dos acontecimentos que ele descreve?

Entretanto, nós temos a promessa: “Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino” (Lc 12.32). (Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br)

Nota:

1. www.heute.de, rubrica: “Computer”, título: “Big Brother in Grossbritannien”, 14/12/2008.