sexta-feira, 16 de abril de 2010

ARREPENDIMANTO NA CHINA

Arrependimento na China 
 
Jonathan Goforth foi missionário na China, junto com sua esposa Rosalind Goforth, de 1888 a 1934. Durante a Rebelião Boxer de 1900, ele e sua família foram milagrosamente salvos da morte e conseguiram escapar. Quando retornaram depois, Deus os usou poderosamente em evangelismo e avivamentos na China.
 A comunidade cristã em Shinminfu fora terrivelmente perseguida durante a rebelião Boxer de 1900 na China. Cinqüenta e quatro pessoas foram  martirizadas. Aquelas que sobreviveram prepararam uma lista com 250 nomes das pessoas que participaram, de alguma maneira, no massacre. A idéia era de que, um dia, elas conseguiriam vingar-se dos assassinos.

 Estávamos no meio de um avivamento nessa mesma cidade, alguns anos depois. No quarto dia das reuniões, à tarde, chegamos a um ponto crítico. Tive a sensação de que era uma testemunha num cenário de julgamento. Após três horas de reunião, dei a bênção para tentar despedir o povo.

 Imediatamente, surgiram clamores de todas as partes da congregação. “Por favor, tenha piedade de nós e permita que a reunião continue. Não temos conseguido dormir há várias noites, e assim será esta noite também se você não nos der uma chance de nos livrarmos de nossos pecados.”

 Pedi a uma missionária que levasse as senhoras e as garotas para a ala feminina da escola e ficasse lá com elas até as coisas se acalmarem. Não vi nenhuma outra possibilidade de levar a reunião a um encerramento.

 Enquanto as senhoras e as garotas saíam uma por uma, um dos evangelistas veio para a frente e ajoelhou-se. Ele confessou vários pecados, aparentemente de forma bem sincera, porém a carga que visivelmente pesava sobre sua consciência não parecia ter sido aliviada em nada.

 “Já que você confessou seus pecados”, eu disse para ele, “Deus é fiel e justo para perdoar-lhe de todos e para purificá-lo de toda injustiça. Vá em paz.”

 “Mas não confessei o pior de todos”, ele exclamou em lágrimas. “Eu não quero perdoar.”

 “Então, evidentemente Deus não pode perdoar você”, respondi.

 “É impossível, humanamente, que eu perdoe”, ele explicou angustiado. “No tempo dos Boxers, um homem veio e assassinou meu pai. Desde então, senti que era minha obrigação vingar-me de sua morte. Faz poucos dias que um amigo me escreveu dizendo: ‘Onde está sua lealdade de filho? Seu pai foi assassinado, e você continua sem vingá-lo. Você nem é digno de ser meu amigo’. Assim, eu não posso perdoar àquele homem. Preciso destruí-lo.”

 “Receio dizer-lhe, então”, eu disse, “que a Palavra de Deus é muito clara quando afirma que o Senhor tampouco perdoará a você.”

 Depois disso, ele não respondeu mais nada, porém continuou ali de joelhos, chorando.

 Em seguida, um garoto, aluno da escola, levantou-se e disse: “Em 1900, os Boxers vieram à minha casa e mataram meu pai. Durante todos esses anos, sempre achei que não havia outro caminho a seguir, a não ser vingar aquele mal depois que eu me tornasse homem. Agora, porém, nesses últimos dias, o Espírito Santo me fez sentir tão incomodado que não consigo comer ou dormir ou fazer outra coisa. Sei que ele está instando comigo para perdoar aos assassinos por amor de Jesus. Por favor, orem por mim.”

 Um outro moço contou como seu pai, sua mãe e seu irmão mais velho também foram mortos pelos Boxers. No total, nove garotos foram à frente aquele dia para contar como pais, mães, irmãos e irmãs haviam sido assassinados diante de seus olhos, e como desde então eles haviam vivido na esperança de que um dia conseguiriam vingar essas mortes. Mas todos confessaram que estavam se sentindo muito mal, profundamente incomodados e sem paz, e pediram que orássemos por eles a fim de que tivessem graça para perdoar àqueles que lhes haviam feito tanto mal.

 Depois que as senhoras e garotas saíram, a reunião continuou por mais duas horas e meia. Houve uma corrente ininterrupta de confissões até o fim. E durante todo esse tempo, o evangelista que não conseguia perdoar estava ajoelhado ali na frente, chorando. No final da reunião, ele finalmente se colocou em pé e olhou para a congregação. Seu rosto estava cansado e angustiado.

 “Já tomei minha decisão”, ele bradou. “Não vou descansar enquanto não matar o homem que assassinou meu pai.”

 Achei que nunca mais o veria.

 Quando voltei para o auditório das reuniões, porém, no dia seguinte, lá estava ele perto da plataforma, com o rosto brilhando como a luz da manhã. Ele pediu minha permissão para dizer algumas palavras antes de iniciar a pregação.

 Virando-se para o grupo de alunos, ele disse: “Eu queria convidar os garotos que confessaram ontem e pediram graça para perdoar aos assassinos de seus pais e familiares para que viessem aqui à frente, por favor.”

 Os nove rapazes saíram de seus lugares e ficaram enfileirados à frente da congregação.

 "Eu ouvi suas confissões ontem à noite, garotos”, o evangelista começou. “Ouvi vocês dizerem que estavam dispostos a perdoar àqueles que mataram seus familiares. Depois vocês me ouviram, um líder na igreja, declarar que eu não poderia perdoar e que não descansaria enquanto não tivesse me vingado do homem que matou meu pai.

 "Quando cheguei em casa depois da reunião, pensei em como o diabo tiraria proveito do meu exemplo para tentar ridicularizar vocês na posição que tomaram. As pessoas diriam que vocês são jovens demais para conhecer a própria mente ou coração. Olhariam para mim como um homem inteligente que certamente conhecia o próprio coração e diriam: ‘É claro que ele não acredita naquela conversa tola sobre perdoar seus inimigos’.

 "Portanto, a fim de que o diabo não tire proveito para induzi-los a andar no caminho errado, eu comprei estes nove hinários que vou dar de presente a vocês, na esperança de que, cada vez que os abrirem para louvar a Deus com os hinos nestas páginas, vocês se lembrem de como eu, um evangelista, recebi a graça de Deus para perdoar ao assassino do meu pai.

 Logo em seguida, a lista contendo os nomes das pessoas contra quem os cristãos haviam planejado se vingar foi apresentada, na frente da congregação, e foi rasgada em pedaços pequeninos, para serem jogados fora e esquecidos para sempre.

Fonte: Jornal Arauto Da Sua Vinda
Postado por Roberto
Abraço

terça-feira, 13 de abril de 2010

TENDO UM ENCONTRO COM DEUS



Tendo Um Encontro Com Deus


 texto a seguir foi editado a partir de uma mensagem ministrada na Conferência de Oração organizada por “Harvest Prayer Ministries”, em outubro de 2006 na Maryland Community Church (Igreja da Comunidade de Maryland) em Terre Haute, Indiana, EUA.
 Quando estamos na presença de Deus, mudanças radicais acontecem na nossa vida. As Escrituras mostram que quase todos aqueles que tiveram um encontro com Deus foram imediata e permanentemente transformados. Apesar disso, de algum modo temos dificuldades para entender que é esse mesmo Deus das Escrituras que se encontra conosco hoje. Nosso primeiro e principal objetivo em ir à casa de Deus deveria ser esse tipo de encontro divino. Podemos até afirmar que experimentamos a presença de Deus nas nossas reuniões, mas geralmente não há qualquer transformação interior que o comprove.
 O momento do seu encontro com Deus é determinado por ele, não por você. Pode ser através de um texto nas Escrituras. De repente, o Espírito de Deus toma a Palavra e, usando-a como uma espada de dois gumes, penetra alma e espírito, juntas e medula, discernindo pensamentos e intenções do coração (Hb 4.12). Você fica totalmente exposto diante dele. Você sabe quando está se encontrando com Deus, porque ele comove cada partícula do seu ser. E ele sabe quando chega o momento oportuno, por isso seus encontros com você sempre acontecerão na “plenitude do tempo”, o tempo de Deus para sua vida.
 O Encontro de Isaías com Deus
 No capítulo seis de Isaías, vemos um dos mais notáveis encontros entre Deus e um homem. Deus sabia exatamente onde estava o problema de Isaías, por isso preparou um encontro perfeitamente adequado à necessidade de mudança radical em sua vida. Isaías se viu diante da santidade de Deus. Falamos hoje sobre estar na presença da santidade de Deus, cantamos a respeito disso – no entanto não o experimentamos, de fato. Se tivéssemos a oportunidade de estar diante da santidade de Deus, garanto que reagiríamos como Isaías: “Ai de mim, estou perdido! Porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios” (Is 6.5).
 A presença e a santidade de Deus sempre expõem aquela necessidade específica em sua vida que o impede de ter um encontro mais profundo com Deus. A resposta imediata de Deus para Isaías foi tratar com seu problema dos lábios. Algo precisava vir do altar de Deus, e isso transformou sua vida. Brasas vivas do altar tocaram seus lábios, e uma coisa espantosa aconteceu. Quando seus lábios foram purificados, os ouvidos foram abertos. Deus não tocou os ouvidos, somente os lábios. Era isso que o impedia de ouvir. Deus estava falando o tempo todo, mas pela primeira vez Isaías ouviu suas palavras: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” Por causa do encontro e da mudança radical, houve uma resposta espontânea de Isaías: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (v.8).
 Esse tipo de encontro poderia acontecer na sua vida? Você acha que existem pessoas para as quais Deus anseia muito enviá-lo? Você não acha que as multidões de povos não-alcançados ao redor do mundo estão pesando no coração de Deus, a ponto de levá-lo a procurar por alguém que atenda ao seu apelo: “Quem há de ir por nós?”? Além de tudo isso, ainda pesa sobre ele a tarefa de retirar do nosso coração aquilo que nos impede de ouvir e responder à sua voz.
 Talvez a plenitude do tempo de Deus para você seja agora. Talvez, durante semanas ou meses, tenha havido uma santa inquietude no seu coração, levando-o a dizer: “Com certeza Deus tem mais para a minha vida do que apenas participar de cultos e atividades religiosas. Com certeza há algo mais”. E Deus está lhe respondendo: “Realmente há mais – e sempre houve –, contudo você deixou que a cultura contemporânea o envolvesse em atividades religiosas, tirando-o do relacionamento íntimo comigo”. Talvez hoje seja o momento especial de Deus para você; talvez este seja o tempo do seu encontro com Deus!
 A chave do encontro não estava com Isaías. A chave estava com o Deus de Isaías, exatamente como a chave não estava com Abraão e, sim, com o Deus de Abraão. O Deus que se encontrou com eles é o mesmo que está aqui para nos encontrar. Você está pronto? Está buscando uma mudança em sua vida como a que aconteceu a diversas pessoas nas Escrituras, trazendo-lhes a revelação do coração de Deus?
 Como Devemos Orar?
 Li, há algum tempo, sobre um jovem pastor chinês que foi sentenciado a três anos de prisão e uma multa enorme por ter publicado um dos livros que escrevi: “Experiências com Deus”. É evidente que pesou sobre mim o fato de a perseguição ter vindo sobre ele e outros irmãos por terem distribuído um dos meus livros.
 Pensei: “Como devo orar por esses irmãos na China? Que tipo de oração tenho feito até hoje?” O Senhor me mostrou, com certa severidade, que precisava haver uma mudança qualitativa na minha maneira de orar. Nossa maior necessidade não é de maior quantidade de orações, e, sim, de um relacionamento com Deus qualitativamente diferente. Você está pronto para Deus conduzi-lo a um novo tipo de relacionamento com ele na oração? Você gostaria de ser o tipo de pessoa que Deus chamaria para orar por causa do relacionamento de qualidade que tem com ele? Você sabia que a oração de uma pessoa assim pode trazer mudanças tremendas no país e no mundo todo? Considere seu andar pessoal com Deus e sua vida de oração; que mudanças precisam ser efetuadas a fim de que Deus possa operar profundamente através de você?
 A Vida de Oração de Moisés
 Veja comigo as orações feitas por Moisés, para entender o que está em jogo. O Deus que chamou Moisés para ficar na sua presença e ouvir o que estava no coração dele literalmente quebrou o coração de Moisés e o tocou de tal forma que ele ficou em oração diante do Senhor por quarenta dias e quarenta noites. O que ouvira de Deus foi tão significativo que não conseguiu comer nem beber nada durante quarenta dias, de tão angustiada que estava a sua alma. Moisés ficou entre o povo pecador e Deus, pleiteando por eles, chegando a pedir que Deus riscasse seu nome do livro da vida e os poupasse. De acordo com as Escrituras, as orações de Moisés mudaram o coração de Deus.
 Quando foi a última vez em que, durante a oração, Deus veio e expôs o coração dele ao seu, causando-lhe profundo quebrantamento? Em Romanos 8.26, Paulo diz que uma de nossas fraquezas é que não sabemos como ou em favor do que devemos orar. Que provisão de Deus foi dada para nossa incapacidade na oração? Paulo diz que Deus concedeu o Espírito Santo para guiar-nos na oração, pois ele conhece a mente e o coração de Deus e sabe exatamente onde e como Deus está agindo.
 Quando foi a última vez em que você caiu de joelhos e gritou: “Senhor, eu não sei orar como convém! Como devo pedir pelo meu Presidente? Como devo orar pelas próximas eleições? Nosso país está sendo destruído. Como, então, devo orar?” Se Deus revelasse ao seu coração como orar, você oraria com paixão e perseverança até que tivesse a certeza de uma resposta de Deus?
 A nossa nação será transformada na mesma proporção em que tivermos disposição de orar dessa forma. Por outro lado, ela será transformada no sentido oposto se deixarmos de orar. Sua vida de oração e a minha, junto com a vida de oração coletiva das nossas igrejas, podem determinar o curso da história e, com certeza, fazer uma diferença decisiva na batalha contra as forças destrutivas que tanto enfraquecem a nossa nação.
 A sociedade ocidental está sofrendo desmoronamento inacreditável na vida familiar, na ética nos altos escalões do poder e em outras maneiras antes inimagináveis, que agora se tornaram lugar comum. Onde está o povo de Deus que ora? A intenção de Deus é que a nação seja o resultado das orações do seu povo. Atualmente, como tenho observado em centenas de reuniões, a nação tem sido o resultado de orações casuais e descuidadas, feitas por pessoas que não acreditam mais que Deus possa impactar poderosamente seu país quando oram.
 Moisés conhecia Deus o suficiente para saber que valeria a pena persistir em oração. Já havia aprendido o que pesava na mente e no coração de Deus. Veja o que ele disse em Deuteronômio 9.8: “Tanto provocastes o Senhor à ira...” O povo de Deus, aqueles que foram chamados para estar com Deus, para ter um relacionamento íntimo com ele, para conhecer a todo momento o que está no seu coração e na sua mente, esse povo tinha uma terrível tendência de se afastar dele. Perderam sua intimidade com Deus e o provocaram à ira. É isso que acontece quando um povo não mantém seu relacionamento íntimo com Deus, porque ele sabe das questões eternas que estão em jogo. Por isso Moisés disse: “...tanto provocastes à ira o Senhor, que a ira dele se acendeu contra vós para vos destruir”.
 Mas não olhe agora para os israelitas. Olhe para o Deus dos israelitas. Se você é um líder espiritual de qualquer espécie – e se você é pai ou mãe, você já é líder –, lembre-se que o povo de Deus pode provocá-lo à ira a ponto de ele querer destruí-lo. Dentre todas as épocas da história, se houve alguma em que havia potencial para as nações serem destruídas por Deus, essa época seria agora! Só a poderosa mão de Deus pode evitá-lo.
 Muitas pessoas me perguntam a respeito do fim dos tempos. Eu não sou um estudioso desses assuntos, mas sou um estudioso das Escrituras e sei que em Mateus 24 Jesus nos deu um sinal para indicar quando o fim dos tempos está se aproximando. Ele disse que haverá uma tribulação tal que se Deus não intervier ninguém sobreviverá. Depois ele acrescenta que por causa dos escolhidos, por amor ao seu povo, ele não permitirá que sejam destruídos.
 Estamos vivendo numa época incomum, em que há justamente esse potencial de que Jesus falou. Há incontáveis terroristas dispostos a sacrificar suas vidas para tirar as vidas de outros. Os países têm o potencial de armas nucleares, armas biológicas e armas químicas, e, de tempos em tempos, ouvimos falar de uma nova substância tão letal que, se um dia fosse liberada, não haveria antídoto algum para neutralizá-la, o que desencadearia uma mortandade sem fim.
 Deus disse a Moisés que estava tão zangado com o povo por causa do seu pecado que os destruiria a todos e começaria tudo de novo com Moisés. Se você estivesse no monte, e Deus lhe dissesse isso, o que você faria? É claro que dependeria do histórico da sua vida de oração. Até que ponto você conhece a Deus e até onde você conhece o convite de Deus para assumir uma posição entre ele e as pessoas, a fim de preservá-las?
 Em Deuteronômio 9 e 10, Moisés descreve para o povo como entrou na presença de Deus e suplicou diante dele durante quarenta dias e quarenta noites – e isso por duas vezes. O Deus que disse que destruiria a todo o povo – diante da oração persistente, apaixonada e intensa de Moisés –, desviou-se daquele propósito e não o destruiu.
 O Que Está Pesando no Coração de Deus?
 Quando foi a última vez em que você sentiu que era importante descobrir o que estava no coração de Deus? O que está no coração de Deus em relação aos filhos que ele lhe deu? O que está no coração de Deus para a igreja à qual você pertence? Será que Deus decretaria o fim de uma igreja por causa dos seus pecados? Deus deixaria uma igreja morrer?
 Jesus advertiu a igreja em Apocalipse 2: “Abandonaste o teu primeiro amor”. Ele estava dizendo às pessoas que elas não mais o amavam suficientemente para se reunir e orar. Os diáconos e anciãos não oravam mais, o pastor não orava com sua equipe, os líderes não se reuniam para buscar a Deus em oração intensa e conjunta. Por isso Deus lhes advertiu que se não se lembrassem da altura de onde caíram, se não se lembrassem de como se portavam anteriormente, se não se arrependessem e voltassem, o seu candeeiro seria removido. Deixariam de existir como igreja. Ele não permitiria que se chamassem filhos de Deus ou igreja de Deus sem ter uma vida de oração.
 Recentemente, voltei ao texto de João 3.16 e recebi uma fortíssima percepção do coração de Deus de que é impossível entender esse versículo sem compreender o que Deus sente a respeito de uma palavra ali, a palavra “pereça”. O que Deus sabe sobre a pessoa que está partindo definitivamente para a eternidade sem ter seu relacionamento com ele restaurado através de Jesus Cristo? O que Deus sente sobre a pessoa que perece?
 Há muitas ilustrações sobre isso nas Escrituras. Qualquer uma delas deveria nos impelir à oração. Uma descreve alguém indo para as trevas exteriores para todo o sempre, sem possibilidade de sair de lá. Outra fala de fogo e enxofre eternos. Ainda outra mostra um grande abismo entre o céu e o inferno, de modo que é impossível alguém passar de um para o outro.
 Agora volte e leia João 3.16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna.” Você acha que o coração de Deus está preocupado com aquele que pode perecer? “Não querendo [o Senhor] que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pe 3.9). Como isso deveria motivar sua vida de oração? Como uma igreja, conhecendo o que Deus sente a respeito das pessoas que perecem, deveria mobilizar-se a fim de evitar que as pessoas pereçam?
 Que Tipo de Pessoa Deus Vai Levantar?
 Em 1 Samuel 2.35, Deus expressou seu anseio desta forma: “Suscitarei para mim um sacerdote fiel, que procederá segundo o que tenho no coração e na mente; edificar-lhe-ei uma casa estável, e andará ele diante do meu Ungido para sempre”. Deus está dizendo que vai levantar para si alguém que lhe será fiel, que procurará saber o que está em sua mente e coração e que, assim que souber, imediatamente o colocará em prática.
 Deixe-me lhe perguntar: diante dessa definição de Deus, você é uma dessas pessoas que ele está levantando? Se não, por que não? Como podemos saber se Deus nos está levantando? O que significa ser levantado para ele, e como podemos saber quando Deus está colocando o seu coração sobre o nosso? Você tem notado que Deus está começando a empurrá-lo para um nível de oração nunca antes experimentado, e que nesse novo relacionamento ele deseja imprimir no seu coração o sentimento real do que está na mente e no coração dele nesses dias?
 Estou convencido de que ninguém pode ter esse tipo de relacionamento com Deus e não orar por mudança. Moisés o fez. Quando soube o que estava no coração de Deus, ele entrou imediatamente em intensa intercessão.
 Billy Graham disse: “O maior recurso ainda não explorado no mundo hoje é a oração”. Quero reafirmar: o que quer que tenhamos feito ou deixado de fazer é responsável por a nossa nação estar onde está. É necessário que haja oração para mudar o quadro como está hoje. De algum modo, Deus terá de encontrar alguém em algum lugar que acredite plenamente naquilo que ele fala em sua Palavra.
 É isso o que Deus está procurando e é disso que a nossa nação precisa desesperadamente. No meio do povo de Deus estão as únicas pessoas que podem desempenhar esse papel. Os políticos não vão desempenhá-lo. O povo de Deus tem a oportunidade divina de perceber quando Deus está se movendo nos seus corações, levando-os a um relacionamento profundo com ele que nunca antes tiveram. Deus quer que conheçamos o que está no coração e na mente dele e que passemos a agir em cima disso.
 Você está pronto para isso acontecer em sua vida? Você já ouviu o que Deus disse em sua Palavra, está ciente do que ele está procurando e do que ele quer iniciar? Tem sentido que algumas dessas coisas já estão sendo inseridas no seu coração? Está disposto a vir à presença de Deus e dizer: “Quero que tu saibas que a minha vida está inteiramente disponível a ti”? Você pode ter certeza de que Deus colocará o coração dele sobre o seu e, quando isso acontecer, ele o capacitará a agir em obediência.
 Permita que Deus o use para expressar sua poderosa presença no meio da nação através de sua vida. Tenho visto Deus fazer isso comigo. Estou percebendo como ele tem conduzido minha vida em direções que eu nunca teria escolhido por mim mesmo. Estou observando como ele tem colocado sobre meu coração o seu pesar e sentimento sobre os confins da Terra de uma maneira que nunca antes havia visto. Estou compartilhando isso com meus filhos e observando o momento em que Deus também coloca o mesmo pesar no coração deles.
 É assim que você tem orientado os seus filhos? O seu desejo é que sejam simplesmente bons cristãos que vão à igreja e tenham um bom emprego – isso o deixaria feliz? Onde está o coração para que a vontade de Deus se manifeste em suas vidas?
 Você se lembra da aliança que Deus fez com Abraão? A partir de então, sempre se dizia: “Abraão, Isaque e Jacó”. Quantas gerações Deus quer impactar através de tocar em uma? Nesse caso, pelo menos três foram transformadas.
 Você tem conduzido seu relacionamento com Deus de tal forma que seus filhos são atraídos e não querem fazer outra coisa senão servir o Senhor de todo o coração? O que está acontecendo na geração que vem depois da sua, naqueles que o estão seguindo? É importante observar, ficar atento para ver o que virá depois de mim. Há alguma intensidade naqueles que me seguem por terem observado minha vida? Se não, por que não? E por que não fazer uma diferença agora no meu modo de viver para que a próxima geração tenha uma intensidade muito além da minha?
 Oração Apaixonada, Persistente, Prolongada
 A oração não é uma oportunidade para dizer a Deus o que você quer que ele faça. Oração é estar na presença de Deus, no lugar onde ele graciosamente lhe revela o que está no coração e na mente dele. E esse encontro afeta você tão radicalmente que tudo muda – a maneira de viver, a maneira de falar, o modo de planejar, o modo de investir o tempo.
 Sua nação vive um momento de crise? Está precisando de uma mudança radical? Precisa de um poderoso toque de Deus através de alguém que o conheça e saiba o que está em seu coração, que tenha uma paixão para orar até que Deus responda? Pequenas orações não alcançarão esse alvo. Somente o alcançará oração apaixonada, persistente, prolongada.
 Em Lucas 18, Jesus disse que devemos orar sempre e nunca desistir. Para ilustrar, ele conta a história da mulher que procurou o juiz e persistiu até que este atendesse à sua queixa, afirmando com isso que o Pai celestial certamente ouvirá aqueles que a ele clamam dia e noite. A seguir, lemos uma das mais patéticas conclusões de toda a Bíblia: “Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará porventura fé na terra?” (Lc 18.8).
 Se Deus expusesse nossos corações, será que encontraria pessoas que o conhecem, que crêem nele e que estão comprometidas a dedicar-se com paixão e intensidade na sua presença? Com certeza, numa hora como esta, diante da condição da nossa nação, com eleições se aproximando e terroristas ameaçando a estabilidade de vários países, não há dúvida de que Deus tenha algo no coração e na mente para revelar a alguns dos seus filhos a fim de que estes venham a orar segundo a mente e o coração de Deus.
 Quero lhe perguntar: na sua vida de oração pessoal, como família, como casal ou como igreja, você pode dizer com toda a honestidade que sabe o que está no coração e na mente de Deus com relação ao futuro iminente? O que você sabe tem desencadeado alguma enorme carga de oração, um desejo de se envolver com o que Deus está para fazer, seja o que for? Ou você teria de admitir: “Eu sou um filho de Deus, mas preciso reconhecer que não estou verdadeiramente envolvido com oração”.
 Por toda a Bíblia, sempre que Deus estava para fazer alguma coisa, ele procurou alguém que se colocasse diante dele em oração de tal modo que pudesse revelar-lhe o coração e os pensamentos. Nesta hora crítica em que estamos, você seria um daqueles? Talvez você não entenda o que isso pode envolver, só sabe que o Espírito de Deus está lhe dizendo: “Não deixe este momento passar”. Deus está procurando sua vida, está seguindo você e quer instruí-lo a orar de tal modo que sua vida seja usada por Deus para fazer uma diferença e mudar o curso da história.
 O apóstolo Paulo o expressou assim em 2 Coríntios 5.9-11:
 É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe ser agradáveis. Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo. E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos aos homens...
 Qual é a motivação (ou falta de motivação) que você tem para ser uma pessoa de oração através de quem Deus possa mudar o curso da história ou o curso de sua família, igreja, cidade, estado ou nação? Estou convencido de que Deus teria o suficiente para reverter o rumo da nação, se tão-somente nos uníssemos a ele. Seria você um daqueles? Eu não posso tomar essa decisão por você.
 Deus está esperando para ver o que você vai fazer agora. Uma vez que conhece a verdade, o que você faz a seguir define o que acredita a respeito de Deus. As questões que estão em jogo são muito sérias. A eternidade é o que está em jogo, e você pode influir no resultado. Nunca, em toda minha vida, senti que Deus estava tratando comigo de forma tão radical e completa como agora; choro diante do Senhor, temendo não alcançar o nível que ele está procurando. Estou me rendendo vez após vez a ele.
 Henry Blackaby é autor e conferencista, com um ministério dedicado a levar os cristãos a verdadeiras experiências com Deus e a promover avivamento e despertamento na Igreja. Sua obra mais conhecida é “Experiências com Deus”. Mais informações sobre suas obras e ministério no site: www.blackaby.or

Postado por Roberto
Abraço

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O SEGRREDO DE JOHN HYDE

O Segredo de John Hyde
 Meu pai era um pastor presbiteriano, e minha mãe, uma cristã muito dedicada com uma linda voz consagrada ao Senhor. Quando jovem, decidi que seria um missionário, um missionário que se sobressaísse. Eu queria brilhar como missionário extraordinário. Terminei meu curso universitário e me saí muito bem. Formei-me e me senti um tanto orgulhoso do título “bacharel” que agora constava depois do meu nome.
 Estava determinado a dominar os idiomas indianos que teria de aprender; pois não queria que nada, absolutamente, servisse de empecilho para que eu me tornasse um grande missionário. Era essa minha ambição. Talvez não fosse um desejo totalmente carnal, mas em grande parte era. Eu amava o Senhor e queria servi-lo – e servi-lo de forma extraordinária –, no entanto meu ego estava na raiz da minha ambição.
 Meu pai tinha um grande amigo, um colega pastor, cujo imenso desejo de ser missionário nunca fora realizado. Ele tinha grande interesse em mim e estava encantado que o filho do seu grande amigo tinha planos de ir à Índia como missionário. Ele me amava, e eu também o amava e admirava.
 No dia em que subi a bordo do navio em Nova York, para empreender a missão da minha vida na Índia, encontrei no meu camarote uma carta endereçada a mim. Reconheci a caligrafia desse amigo do meu pai. Abri a carta, que não era muito grande, e encontrei, em síntese, a seguinte mensagem: “Não deixarei de orar por você, caro John, enquanto não estiver cheio do Espírito Santo”.
 As palavras mexeram com meu orgulho, e fiquei muito bravo. Amassei a carta e joguei-a num canto do camarote. Subi ao convés do navio com espírito muito agitado. Imagine só que absurdo: implicar que eu não estava cheio do Espírito! Aqui estava eu, embarcando como missionário, determinado a ser um excelente missionário – e ele tinha a coragem de insinuar que eu não estava equipado adequadamente para a obra!
 Andei agitado para cima e para baixo naquele convés, uma batalha ardendo no meu interior. Senti um enorme desconforto. Eu amava o homem que me escrevera aquele bilhete. Sabia da vida santa que levava, e, lá no meu íntimo, desconfiava que ele podia estar com a razão: eu não tinha mesmo condições de ser missionário.
 Depois de algum tempo, voltei para o camarote e fiquei de joelhos para procurar a carta amassada. Peguei-a do chão e alisei-a; li o conteúdo novamente, vez após vez. Ainda me senti irritado pelas palavras, porém a convicção crescia dentro de mim de que esse homem estava certo e eu, errado. Esse processo continuou durante dois ou três dias, deixando-me completamente agoniado. Tudo isso nada mais era do que a bondade do Senhor atendendo às orações do amigo do meu pai, que certamente havia batalhado em oração e tomado posse da vitória em meu favor.
 Finalmente, quase em desespero, clamei ao Senhor para me encher com o Espírito Santo. No mesmo instante, parecia que as nuvens escuras haviam desaparecido por completo. Pude ver a mim mesmo e a minha ambição egoísta. Tive uma batalha até o final da minha viagem no navio, mas, bem antes de chegar ao meu destino, decidi firmemente que, fosse qual fosse o preço, eu realmente precisava ser cheio do Espírito.
 O segundo momento culminante foi quando senti desejo de dizer ao Senhor que estava disposto até a ser reprovado nos meus exames nos idiomas na Índia e a ser um missionário trabalhando em silêncio e anonimato; que eu faria qualquer coisa e seria qualquer coisa, mas precisava receber o Espírito Santo a qualquer custo.
 Num dos primeiros dias na Índia, enquanto estava hospedado com um outro missionário experiente, saí com ele para um culto ao ar livre. O missionário pregou, e fui informado de que ele estava falando a respeito de Jesus Cristo como o Salvador que liberta do pecado.
 Depois de terminada a pregação, um homem com aparência ilustre, falando bom inglês, perguntou ao missionário se ele mesmo já tivera tal experiência de salvação do pecado. A pergunta foi direto ao meu coração, porque, se a mesma pergunta tivesse sido dirigida a mim, eu teria sido obrigado a confessar que Jesus ainda não me salvara totalmente, já que ainda havia pecado na minha vida.
 Reconheci que teria sido uma terrível desonra ao nome de Cristo se eu fosse obrigado a confessar que estava pregando Jesus, proclamando aos outros que era um Salvador perfeito, enquanto eu mesmo não estava liberto.
 Voltei ao meu quarto e me tranquei lá dentro. Disse para o Senhor que teria que acontecer uma de duas coisas: ou ele me libertava de todos os meus pecados, especialmente daquele que me atormentava constantemente, ou eu teria de voltar para minha terra e buscar uma outra atividade lá. Declarei que não podia ficar diante das pessoas para pregar o Evangelho enquanto eu mesmo não pudesse testemunhar do seu poder e eficácia na minha vida.
 Fiquei lá durante algum tempo, enfrentando essa questão e reconhecendo que era extremamente razoável que tomasse tal posição. O Senhor me assegurou que era capaz e desejoso de me libertar de todo o pecado e que realmente era sua vontade que eu estivesse na Índia. E, de fato, ele me libertou de tal forma que nunca mais duvidei da sua obra completa. Posso agora ficar diante de quem quer que seja e testemunhar, sem hesitar, da vitória que recebi. É meu prazer hoje testificar desse fato e contar a todos da maravilhosa fidelidade de Cristo meu Senhor e Salvador.
 John Hyde (1865-1912) foi missionário durante quase vinte anos na Índia. Foi chamado “O Homem que Orava”, pois a oração passou a ser sua ocupação principal. Suas orações produziram resultados impressionantes: um avivamento em 1910 na Índia e muitas conversões diárias.

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OS MAIS PODEROSOS LÍDERES DE DEUS

 Os Mais Poderosos Líderes de Deus
Divulgação

A oração é o meio mais poderoso para fazer avançar a obra de Deus. Somente os corações e as mãos dos que oram podem realizar a obra de Deus. A oração tem sucesso quando tudo o mais falha. Pela oração, grandes vitórias já foram conquistadas e santos de Deus resgatados em nobre triunfo, quando já não havia qualquer esperança. Pessoas que sabem como orar são a maior dádiva que Deus pode dar à Terra. São o presente mais precioso que a Terra pode oferecer a Deus. As pessoas que sabem usar a arma da oração são os mais valiosos guerreiros de Deus e seus líderes mais poderosos. 

 Pessoas que oram são os líderes preferidos por Deus. A diferença entre os líderes que Deus coloca na linha de frente para conduzir e abençoar seu povo, e aqueles que obtiveram a posição por meio de critérios mundanos, egoístas e impuros é a seguinte: os líderes de Deus são antes de mais nada pessoas de oração. É a oração que serve de marco distintivo, é o atestado divino do seu chamado, o selo de que foram separados por Deus. Sejam quais forem os demais dons e graças que porventura possuam, o dom e a graça da oração estão acima de todos. Sejam quais forem as possíveis diferenças ou semelhanças entre um e outro, os verdadeiros líderes de Deus são idênticos neste ponto: no dom da oração.

 O que seriam os líderes de Deus sem a oração? Tire de Moisés seu poder de oração, dom reconhecido até pelos pagãos, e não haverá mais coroa de autoridade na cabeça nem substância ou fogo em sua fé. Sem oração, Elias nem sequer teria registro ou menção no legado divino. Sua vida teria sido insípida, covarde, sem energia, desafio ou fogo. Se Elias não tivesse orado, as águas do Jordão jamais se teriam recuado diante da pancada com o manto, nem o implacável anjo da morte o teria honrado com seus carros e cavalos de fogo.

 O argumento usado por Deus para aquietar os temores de Ananias e convencê-lo da sinceridade de Paulo foi “...pois ele está orando” (At 9.11). Essa foi a epítome da história de Paulo, a base de sua vida e obra. Paulo, Lutero, Wesley – o que teria sido desses escolhidos de Deus sem o elemento distintivo e regulador da oração? Eles foram líderes que representaram Deus, porque eram poderosos na oração. Não foram líderes em virtude da inteligência, dos recursos inexauríveis, da magnífica dotação cultural ou natural. Foram líderes porque comandavam o poder de Deus por meio do poder da oração.

 Pessoas de oração não são apenas pessoas que recitam orações ou que oram por força do hábito. Pessoas de oração são aquelas que conhecem a tremenda força da oração, cuja energia move os céus e derrama tesouros incalculáveis sobre a Terra.

Tempo a Sós com Deus

 Pessoas de oração são aquelas que passam bastante tempo com Deus. Sentem grande necessidade e desejo de estar a sós com Deus. Embora muito ocupadas, sempre param o que estão fazendo no tempo determinado para ter comunhão com Deus. Por terem passado muito tempo sozinhos com ele, já descobriram que o segredo de exercer liderança sábia e poderosa diante de Deus está nesses momentos de acesso e graça especiais.

 Pessoas de oração têm foco único. Após tanto tempo a sós com Deus, por terem presenciado tanto a sua glória, aprendido tanto da sua vontade e sido tão fortemente moldados à sua imagem, o foco delas não consegue mais se desviar do Senhor. Tudo o mais é tão insignificante em comparação que não lhes atrai a atenção, é pequeno demais para encher seus olhos. Uma visão dividida – uma parte focada em si mesmo, outra em Deus – causa grande empecilho à oração.

 Pessoas de oração fundamentam-se em apenas um livro; alimentam-se da Palavra de Deus, que habita plenamente nelas como força vital e fonte de autoridade e fé. São pessoas da Bíblia. É a Bíblia que lhes inspira as orações e desperta a fé. Elas se apóiam em suas promessas como se fossem um baluarte de concreto.

 As pessoas de oração são os únicos obreiros de Deus que são realmente produtivos. A verdadeira oração é uma força de trabalho, uma energia divina que precisa externar-se, pois é muito poderosa para ficar contida. O trabalho feito por pessoas de oração alcança os melhores resultados porque é realizado com a energia de Deus. Pessoas de oração são dirigidas por Deus e trabalham para a glória divina, sob o poderoso incentivo da presença de Deus, da sua Palavra e do seu Espírito.

 Pessoas de oração protegem a Igreja do materialismo que contamina todos os seus planos e constituição, e congela seu sangue vital. Um veneno mortífero e secreto circula pela Igreja, persuadindo-a de que não tem necessidade de depender tanto de forças puramente espirituais, como anteriormente. Outros tempos e outras condições tiraram a Igreja de apertos e dependências espirituais e a colocaram sob a injunção de outras forças que poderão impulsioná-la ao sucesso. Tal armadilha fatal seduziu a Igreja a cair em laços mundanos, fascinando os líderes, enfraquecendo os fundamentos e privando-a, em grande parte, de sua beleza e força.

 Pessoas de oração salvam a Igreja dessa tendência materialista. São canais despenseiros das forças espirituais originais. Elas desprendem a Igreja dos bancos de areia nas águas rasas do materialismo e a impelem para as profundezas do poder espiritual. Pessoas de oração mantêm Deus em sua posição de força total. Conservam a mão do Senhor no leme de direção, enquanto ele treina a Igreja em força e confiança.

 A quantidade dos que trabalham na vinha do Senhor, onde quer que seja, e sua eficiência dependem das pessoas de oração. De acordo com um processo instituído pelo próprio Deus, o número e o sucesso de obreiros consagrados dependem do poder da oração. A oração escancara as portas de acesso, prepara o obreiro para entrar e proporciona a ousadia santa, a firmeza e o fruto. Há necessidade de pessoas de oração em todos os campos do trabalho espiritual.

 Não há cargo, alto ou baixo, na Igreja de Deus, que possa ser adequadamente preenchido sem oração. Não existe posição, para o cristão, que não requeira aquela fé que ora sempre e nunca esmorece. Pessoas de oração são necessárias tanto nas casas e empresas comerciais quanto na casa de Deus, a fim de que conduzam negócios, não segundo os princípios deste mundo, mas de acordo com os preceitos da Bíblia e as máximas da vida celestial.

 Pessoas de oração são necessárias sobretudo naqueles cargos de influência, honra e poder na Igreja. Os líderes que estão à frente do pensamento, do trabalho e da vida da igreja, devem ser pessoas com comprovado poder na oração. É o coração em oração que santifica o trabalho e a perícia das mãos e o empenho e a sabedoria da cabeça. A oração faz com que o trabalho se alinhe com a vontade de Deus e mantém o pensamento afinado com a Palavra de Deus. As sérias responsabilidades de liderança na Igreja de Deus, sejam de alta ou baixa escala, devem ser de tal forma cercadas de oração que entre elas e o mundo haja uma barreira intransponível. Os líderes devem ser de tal forma elevados e purificados pela oração que nenhuma nuvem ou treva possa conturbar ou obscurecer uma clara e permanente visão de Deus.

 Muitos líderes da Igreja parecem pensar que se puderem sobressair-se por capacidades intelectuais e administrativas, por diplomas, dons de eloqüência e realizações notáveis, isso será o bastante e compensará a ausência de poder espiritual proveniente de muita oração. Contudo, essas coisas para nada servem no trabalho sério de trazer glória para Deus, governando a Igreja para ele e conduzindo-a para o pleno cumprimento de sua divina missão.

 Pessoas de oração são aquelas que tanto realizaram para Deus no passado. Foram elas que conquistaram as vitórias para Deus e esmagaram seus inimigos. São aquelas que edificaram o Reino de Deus em pleno arraial inimigo. Não há nenhuma outra condição para o sucesso hoje em dia. O tempo atual não suspendeu a necessidade ou a força da oração. Não há nada que possa substituí-la para alcançar seus objetivos graciosos.

 Somente as mãos daqueles que oram podem edificar algo para Deus. As pessoas de oração são os poderosos de Deus na Terra, seus mestres arquitetos. Podem não dispor de mais nada, mas lutando e prevalecendo com a fé de coração simples, são valentes – os mais poderosos valentes de Deus. Os líderes da Igreja podem possuir todos os talentos, mas sem esse que é o maior dos dons serão como Sansão privado de suas madeixas, ou como os altares do templo em que a chama divina extinguiu-se por falta da divina presença.

Extraído de Prayer and Revival (Oração e Avivamento) de E. M. Bounds. Copyright © 1993 de Baker Book House. Usado com permissão. 

Postado por Roberto
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CRIACIONISMO, EVOLUÇÃO E FÉ

Criacionismo, Evolução e Fé - 

Criacionismo, Evolução e Fé

   A versão apresentada pela Ciência e ensinada nas escolas em todos os níveis, sobre a origem do Universo, do planeta Terra e da vida sobre a Terra, entra em choque direto com a narrativa da Bíblia, tal como está nos primeiros capítulos de Gênesis. Há duas posições extremas nesse assunto: os que fazem uma interpretação literal do texto bíblico e defendem que só o que a Bíblia afirma pode ser verdade. E os que acham que tudo que a Bíblia diz está errado, já que a Ciência “provou”, através da teoria da evolução, que os fatos ali registrados não ocorreram, e que o surgimento da vida, do homem e dos animais se deveu a fatores físicos e naturais.
 No meio desses extremos, há os que buscam conciliar a ciência e as Escrituras, afirmando que a Bíblia diz O QUE ocorreu e a ciência explica COMO ocorreu. Assim, a teoria do big-bang, que explica o surgimento do Universo a partir de uma imensa explosão, mostraria como ocorreu a criação do mundo por Deus
 Na verdade, sobre essa “divinização” da ciência, caberia perguntar: os cientistas são mesmo pessoas objetivas, dedicadas à busca sincera da verdade, isentas das táticas enganosas de torcer conclusões, omitir evidências e fechar os olhos para fatos que poderiam desmentir suas teorias favoritas? As teorias científicas são necessariamente isentas de erro e inquestionáveis? Ou existe algo de falso permeando as mentes dos grandes pesquisadores e pensadores do passado e do presente?
 O cientista brasileiro Adauto J. B. Lourenço, com mestrado em Física, na área de matéria condensada, pela Clemson University, na Carolina do Sul, EUA, e pesquisador da FAPESP, é membro da American Physics Society e da Sigma-Pi-Sigma Society of Physics. Há cinco anos, realiza seminários, palestras e cursos sobre Criacionismo, Desenho Inteligente, Ensino de Criacionismo nas Escolas Públicas, Clonagem e outros assuntos para universitários, igrejas, professores de ensino fundamental e secundário e outros. Eis sua opinião sobre a controvérsia, nesta entrevista exclusiva para Impacto.
      Muitas pessoas acreditam que Charles Darwin utilizou o método científico para apresentar a Teoria Evolucionista e que, por essa razão, os cientistas, educadores e intelectuais em geral não devem considerar a história da criação do homem conforme está na Bíblia. Há mesmo uma base científica sólida para o evolucionismo?
 Esta percepção errônea precisa ser esclarecida. Darwin, embora fosse meticuloso no seu trabalho, não utilizou um método científico para apresentar a Teoria da Evolução. O método científico apóia-se na observação, isto é, procura duplicar os processos da natureza através de experimentos que, uma vez demonstrados, podem ser repetidos por qualquer pesquisador. É o oposto do método dogmático, em que uma crença prevalece sempre, por definição. Em seu livro A Origem das Espécies, Darwin desenvolveu uma hipótese com o intuito de fornecer uma explicação plausível para a origem da biodiversidade do nosso planeta. E baseou essa hipótese em sete postulados que não podem ser comprovados experimentalmente, não sendo, portanto, comprováveis pelo método científico.
 O Dr. Michael Denton, biólogo molecular, afirma em seu livro Evolução, uma Teoria em Crise (Evolution: A Theory in Crisis), que desde o lançamento da Teoria da Evolução, em 1859, até hoje, não houve uma única descoberta empírica ou avanço científico que validasse as duas premissas em que a mesma se fundamenta:  (1) existe uma seqüência contínua entre todas as formas de vida, da mais simples até a mais complexa, que demonstra como tudo evoluiu a partir de um único ser vivo primordial; e (2) a vida e toda sua diversidade resultaram de processos cegos e aleatórios sem qualquer planejamento ou inteligência superior. Assim sendo, a Teoria da Evolução é questionável justamente na sua base. Aceitá-la como provada implica dizer que hipóteses sem evidências concretas podem ser consideradas verdades indiscutíveis. Ensiná-la como a única alternativa é propor um dogma, o que se opõe frontalmente ao caráter científico.
 A teoria do Desenho Inteligente, ou Design Inteligente (Intelligent Design, em inglês), também conhecida como Criacionismo, apresenta-se como uma alternativa à Teoria da Evolução. É uma teoria que merece ser considerada?
 Essa teoria tem como premissa básica que certas características do universo e dos seres vivos encontram melhor explicação em uma causa inteligente do que em um processo aleatório, como no caso da seleção natural. É defendida por muitos cientistas renomados, mas vem sendo muito mal interpretada pela falta de conhecimento dos que se opõem a ela. Muitos julgam que o Criacionismo é uma proposta religiosa ingênua, que tenta dar uma resposta simplista a um problema complexo. Mas, ao contrário, o Criacionismo tem uma proposta clara e explicitamente científica. De acordo com Michael Denton, a inferência do planejamento (Teoria da Criação) é uma indução a posteriori, baseada numa aplicação inexoravelmente consistente da lógica e da analogia. Para ele, a conclusão pode ter implicações religiosas, mas não depende de pressuposições religiosas. Essa última frase esclarece toda a questão.
 Na verdade, tanto criacionistas quanto evolucionistas reconhecem a existência de um desenho (design, ou planejamento) na natureza. Francis Crick, em seu livro What Mad Pursuit, afirma que: “os biólogos devem constantemente ter em mente que o que eles vêem não tem design intencional, mas evoluiu”. E Richard Dawkins, em O Relojoeiro Cego, mostra que “a Biologia é o estudo de coisas complexas que dão a impressão de ter um design intencional”. A questão não é se o design existe ou não, mas se foi ou não intencional.
 O que se pode concluir dessa afirmativa?
 Este é o ponto da discussão científica. Aqui se encontra a fraqueza e a incoerência do Evolucionismo contra a força e a coerência do Criacionismo.
 A proposta de que todo o universo, a vida e tudo o que existe são resultados da criação por uma inteligência superior é tão evidente que o matemático e astrônomo inglês Dr. Fred Hoyle, que juntamente com a Dra. Chandra Wickramasinghe, do Centro de Astrobiologia do País de Gales, elaborou a teoria do steady-state do universo, comentando sobre a teoria do Criacionismo, afirmou: “… tal teoria é tão óbvia que ficamos imaginando por que não é largamente aceita como auto-evidente. As razões são mais psicológicas do que científicas”
 O Criacionismo, portanto, é a ciência que estuda a origem do universo e da vida e, baseado na grande quantidade de evidências, propõe que tudo foi criado. Como ciência, não está interessado em estudar o Criador, mas somente a criação. A ciência criacionista conta com muitos adeptos no mundo todo. Só nos Estados Unidos, mais de 300 pesquisadores com Ph.D. estão envolvidos com o Criacionismo. Sem dúvida, o número é expressivo. É importante deixar claro que a grande maioria dos criacionistas não é evangélica, não crê na Bíblia e não está afiliada a nenhum grupo religioso.
 Discute-se essa questão nos meios científicos brasileiros?
 Aqui no Brasil, temos vários grupos envolvidos com o Criacionismo. Um deles é a Sociedade Criacionista Brasileira, com sede em Brasília. Dr. Ruy Vieira, ex-professor da USP e fundador da Academia de Ciências de São Paulo, é o atual presidente. Também existem sociedades criacionistas em países como Austrália, Alemanha, Espanha, Turquia, Itália, Canadá e Estados Unidos.
 O que os criacionistas conseguiram desenvolver até o presente?
 Os criacionistas trabalham e desenvolvem pesquisas em muitas áreas para confirmar o posicionamento e a validade da Teoria da Criação. Podemos citar, entre outros, os estudos sobre a datação dos fósseis com carbono-14 por meio da espectrometria de aceleração de massa. Esses estudos comprovam uma terra jovem e a realidade de um cataclismo mundial que deu origem aos fósseis. Também os estudos do mtDNA (DNA mitocondrial) comprovam a origem da raça humana a partir de uma única mulher. E os estudos dos três estágios de formação de supernovas comprovam que a nossa galáxia não possui nem ao menos cem mil anos.
 Hoje em dia fala-se muito em Código Genético. Há estudos dos criacionistas nessa área também?
 Há vários, e um dos mais fascinantes é o que mostra, a partir de pesquisas com o DNA (ácido desoxirribonucléico), como o código genético é uma das evidências mais marcantes da necessidade de uma inteligência superior. Dentro da ciência da informação, um dos teoremas principais afirma que: “um sistema de códigos é sempre o resultado de um processo mental, isto é, requer uma origem inteligente ou um inventor”. Outro teorema afirma que: “não existe nenhuma lei da natureza e nenhuma seqüência de eventos conhecidos que possa fazer com que informação possa originar-se por si mesma da matéria”.
 O nosso material genético está altamente codificado. A complexidade é tanta que mesmo após dez anos de pesquisas, a ciência teve que reconhecer a sua humilde posição diante de tamanha engenhosidade. Como explicar tal complexidade? O que se evidencia é que sistemas deixados por conta própria tendem a perder complexidade utilizável, e não a ganhá-la. Somente uma criação complexa, completa e diversificada poderia explicar a enorme complexidade do código genético e as suas muitas diferenças exemplificadas nas várias formas de vida.
 Por falar em complexidade, veja como o código do pequeno pássaro conhecido como East Siberian golden plover (tarambola-dourada), apresenta um desafio imenso. Como explicar o conhecimento desse pássaro, que migra do Alasca até o Havaí, voando 88 horas sobre o oceano Pacífico, numa formação em delta para economia de “combustível” e refazendo os cálculos de orientação GPS (por não possuir referências visuais para sua orientação), devido a ventos laterais? Como ele sabe o quanto de gordura precisaria ter no seu corpo antes de começar a viagem para ter “combustível” suficiente para chegar lá? Como poderia toda essa complexa informação ter sido fruto apenas de processos cegos e aleatórios? Uma crença em tais processos implicaria uma fé imensamente maior que a própria fé que a Bíblia descreve!
 Essa inteligência superior é o Deus de que fala a Bíblia?
 Não vejo por que não associar essa Inteligência Superior com o Deus da Bíblia. Creio que a descrição se encaixa muito bem. Quando menciono Deus, falo por mim e não pelos criacionistas de forma geral. Cada um tem a sua fé. Até mesmo o ateu possui uma fé, já que não pode provar empiricamente que Deus não existe. Sendo assim, quando falo para grupos religiosos, procuro mostrar como o Criacionismo é totalmente coerente com o relato bíblico.
 Um exemplo é o próprio dilúvio de Gênesis. Esse evento vem sendo estudado e esclarecido pelas pesquisas da equipe do Dr. Walt Brown, e seus resultados podem ser conhecidos pelo site:
 www.creationscience.com
  
 Toda uma grande quantidade de informação relevante e relacionada com o dilúvio foi trabalhada cientificamente.
 Levantaram-se questões como: De onde veio toda a água? Para onde ela teria ido? Que aspectos resultaram de um cataclismo mundial dessa ordem, formando fósseis, produzindo a deriva continental, a crista (dorsal) oceânica, cadeias de montanhas, formações rochosas, estratigrafia, etc.?
 O senhor lê muitos livros científicos. Lê também a Bíblia?
 Além de pesquisar dentro do Criacionismo, gosto muito do estudo da Bíblia. Acho que é o livro mais fascinante. Não tenho a menor sombra de dúvida de que ela é o que diz ser: a Palavra de Deus, o Criador de todas as coisas. Ela é coerente, consistente e atual. Muitos, por não a conhecerem, fazem um julgamento totalmente errado sobre a sua autenticidade. Um deles, por exemplo, é sobre a afirmação de que a Bíblia fala de uma Terra plana, não esférica. Como o texto bíblico usa expressões como “os quatro cantos da terra” ou “o sol parado”, esses críticos confundem essa linguagem simbólica com erros, o que não é verdade. Para ficar nesses dois exemplos, nós até hoje usamos os quatro pontos cardeais para direcionamento, mas não queremos dizer com isso que a Terra seja quadrada. E quando dizemos que o Sol nasce e que o Sol se põe, não estamos afirmando que o Sol gira em torno da Terra. Assim também, a Bíblia não disse que a Terra é quadrada nem que o Sol gira em torno da Terra.
 Quer dizer que as afirmações bíblicas sobre nosso planeta estão corretas?
 A Bíblia é coerente ao utilizar como plano de referência o planeta Terra. Há muitas referências bíblicas à redondeza da Terra. Jó, por exemplo, viveu cerca de 2000 anos antes de Cristo, e falava da redondeza da Terra (Jó 26.10). Isaías viveu 700 anos antes de Cristo e também já havia dito a mesma coisa (Is 40.22). O que tenho procurado mostrar é que a Bíblia afirmou isso muito antes de qualquer outra fonte de informação mostrar que a Terra é redonda. Ela também afirmou que a Terra paira sobre o nada (Jó 26.7). Uma proposta de que a Terra seria redonda foi feita pelos gregos Pitágoras, por volta de 530 a.C., e Eratóstenes (que calculou o diâmetro da Terra), em 200 a.C.  Procuro também aqui, nesta questão de Bíblia e ciência, lembrar que existe uma grande diferença entre um fenômeno e um milagre. Os dois podem, até certo ponto, ser explicados cientificamente. Mas com os milagres, geralmente, podemos apenas dizer quais leis da natureza foram quebradas. No caso da evolução, a quantidade de leis que teriam de ser violadas para que tal processo acontecesse é tão grande que se classificaria não como um milagre, mas quase como uma sucessão de milagres.
 O Criacionismo é, portanto, uma teoria científica, e não religiosa?
 O Criacionismo ou, mais especificamente, a Teoria do Desenho Inteligente, não precisa da Bíblia ou de algum outro livro religioso para se manter em pé. A teoria depende única e exclusivamente da ciência. Entretanto, o que observamos nesse debate Criação versus Evolução é um interesse não saudável, claramente tendencioso, em preservar a Teoria da Evolução a todo o custo. Recentemente, a National Geographic Brasil (novembro de 2004) publicou o seguinte artigo: “Darwin estava errado?”. Este artigo representa, no sentido mais claro, um exemplo de “propaganda” evolucionista. O autor do artigo, David Quammen, estudou na Yale University, mas não tem formação em Biologia. Esse é um fato interessante porque, quando há críticos de Darwin sem formação acadêmica da área, eles são imediatamente desconsiderados pelos editores científicos. Essa é uma atitude encontrada constantemente na literatura de divulgação, sendo muito tendenciosa para o evolucionismo. Mais uma vez, Richard Dawkins, em seu livro O Relojoeiro Cego, afirma: “Se eu estou correto, isso significa que mesmo que não exista qualquer prova factual para a teoria de Darwin, é certamente justificável aceitá-la acima de todas as outras teorias”.
 Nota-se, portanto, uma inclinação tendenciosa por parte dos darwinistas?
 Uma das coisas que tenho procurado mostrar em palestras e seminários é que o ensino da Teoria da Evolução tem sido “compartimentado”, isto é, ensina-se a origem da vida (Biologia, Genética, Paleontologia) sem verificar se as demais áreas (Geologia, Astronomia, Astrofísica) de conhecimento humano concordam com as propostas feitas, e sem a preocupação se elas entrarão em confronto umas com as outras.
 Deixe-me exemplificar. Somos informados que, numa suposta atmosfera ou oceano primitivo, formaram-se aminoácidos que deram origem às primeiras formas básicas de vida no planeta. De aminoácidos para as tais formas básicas de vida, é necessário ocorrerem por vários processos que precisam ser claramente provados como válidos e possíveis. Um deles é justamente a formação de proteínas a partir de aminoácidos. Logo nesse estágio, a evolução encontra dois problemas que não são tratados nos livros. Fala-se do trabalho de Oparin e do modelo pré-biótico de Miller, mas não são mencionados esses dois problemas cruciais, relacionados com a seqüência aminoácido-proteína.
 O primeiro é que proteínas, em processos naturais e espontâneos, desfazem-se em aminoácidos, e não o contrário (aminoácidos formando proteínas). Essa informação vem da Bioquímica nos estudos da Biologia molecular. Essa “caixa” geralmente não é aberta na aula de Biologia. O segundo é que aminoácidos não se recombinam na presença de oxigênio para formar proteínas. Nesse ponto, os alunos são informados que a atmosfera primitiva do planeta não possuía oxigênio, contrário ao que a Geologia nos mostra. As rochas do período pré-cambriano (aquelas que, segundo a evolução, precederam o aparecimento da vida) possuem óxido de ferro na sua estrutura, o que implica diretamente em oxigênio na atmosfera. Essa caixa também não é aberta nas aulas de Biologia. É o que eu chamo de “caixinhas fechadas”. Fala-se apenas o que é favorável.
 Esse tipo de comportamento é altamente prejudicial para o avanço da ciência. Para se ensinar uma afirmação que algo aconteceu, primeiramente tem-se que demonstrar que o tal processo é possível e que não existem evidências apontando na direção contrária.
 Por que muitos cristãos evitam essa discussão, como se tivessem medo de ser contestados?
 Muitos cristãos, consciente ou inconscientemente, adotam uma atitude de inferioridade diante dos intelectuais que zombam dos relatos bíblicos, como sendo fábulas, histórias infundadas, sem qualquer relevância para as pessoas instruídas e desenvolvidas da nossa geração. Não precisamos pensar assim. A Teoria da Evolução possui muito mais incoerência e requer muito mais “fé” diante da ausência de provas verdadeiras do que a história bíblica da criação. Precisamos entender a “operação do erro” e a verdadeira razão que está por trás do predomínio da mentira nas mentes da humanidade. Procuro sempre pensar que, na minha vida, como pesquisador na ciência e estudioso da Palavra de Deus, existe uma grande coerência e consistência.

 Não estou sozinho nesse pensamento. O próprio James P. Joule, um dos fundadores da ciência da Termodinâmica, disse: “O próximo passo, após o conhecimento e a obediência à vontade de Deus, deve ser conhecer algo sobre os seus atributos de sabedoria, poder e bondade manifestos nas obras das suas mãos”.

 Entrevista com Adauto Lourenço

 


Postado por Roberto
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