segunda-feira, 29 de março de 2010

ADMITINDO A DIFICULDADE - CIÊNCIA E FÉ

Admitindo a Dificuldade - Ciência e Fé

   
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  Nada como uma admissão dos próprios evolucionistas das dificuldades e incoerências dentro da sua teoria sobre a origem da vida. Em uma reportagem de capa da revista Veja, de 2 de maio de 2007, sobre a existência de outros planetas e de vida nesses planetas foi citado um dos maiores otimistas e incentivadores da busca por ETs, Carl Sagan (1934-1996): “A química que criou a vida na Terra é reproduzida facilmente por todo o cosmo. Parece improvável que sejamos os únicos seres inteligentes. É possível, mas improvável”. 
“Eis uma questão desafiadora”, diz a reportagem. “Embora se aceite que a vida na Terra tenha surgido espontaneamente da interação durante bilhões de anos de moléculas cada vez mais complexas, nenhum laboratório do mundo conseguiu até hoje criar vida reproduzindo as condições dessa ‘sopa primordial’.” 
“Infelizmente”, a reportagem continua, “para a aventura intelectual humana e para a frustração do desejo inato de encontrar seres inteligentes em outros planetas, essa busca ainda não saiu do ponto zero. A complexidade de produzir vida inteligente é incomensuravelmente maior do que a de gerar bactérias e outras formas primitivas de vida.
Quem melhor descreveu essa complexidade foi um dos maiores neodarwinistas de todos os tempos, o americano nascido na Alemanha Ernst Mayr, morto aos 100 anos, em 2005. Mayr mostrou que o crescimento em tamanho e complexidade do cérebro humano é um evento tão insólito – e misterioso – que dificilmente pode ser explicado pela evolução apenas. ‘O desenvolvimento do cérebro humano é uma mutação que não necessariamente trouxe vantagens evolutivas à espécie. Foi uma aposta que deu certo até agora, mas nada indica que continuará dando’, dizia Mayr. O célebre cientista gostava de lembrar que o cérebro humano é muito frágil, protegido por um crânio não muito espesso, além de consumir um quinto de toda a energia disponível no organismo, proporção que nenhum outro ser vivo se deu ao luxo de gastar com apenas um órgão. Para enfatizar ainda mais a complexidade da trajetória evolutiva rumo à civilização, Mayr lembrava que de todos os 50 bilhões de espécies que existem ou já existiram no planeta apenas uma, a humana, desenvolveu um cérebro capaz de aprender. Conclui Ernst Mayr: ‘Quando se coloca na equação a variável de que os homens só desenvolvem cultura quando vivem em sociedades humanas e, antes, são cuidados por mães e pais até o fim da puberdade, a complexidade dos processos de produção de uma civilização tecnológica atinge um grau tal que talvez não possa ser repetido em nenhum outro lugar’. Mais uma razão para olharmos para o cosmo com espanto e para a nossa única Terra com mais humildade e carinho.” 
Incrível como os cientistas podem constatar a singularidade do ser humano, a complexidade do cérebro, a falta de uma explicação ou justificativa dentro da teoria da evolução para a existência de um órgão de inteligência tão superior aos dos demais seres vivos, a dificuldade de se imaginar que algum processo de evolução pudesse ter existido em outros mundos – e continuar negando a única explicação razoável e completa para tudo que existe. Tamanha cegueira e incoerência também têm uma única explicação – que se encontra em Romanos 1.21: “... tendo conhecimento de Deus não o glorificaram como Deus ... obscurecendo-se-lhes o coração insensato”. 
Texto extraído da Revista Veja, edição 2006, ano 40, nº 17 de 2 de maio de 2007. Matéria “Uma Nova Terra”, com reportagem de Rosana Zakabi, Leoleli Camargo e Daniel Salles.

por Revista Veja
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Abraço
Roberto

PERDÃO TOTAL NA VIDA DE JOSÉ

Perdão Total na Vida de José - 

Mesmo depois de entendermos que o perdão é essencial na vida do cristão, muitas vezes surge a pergunta: “Como posso saber se realmente perdoei completamente?” 

Há várias evidências importantes que caracterizam o perdão total. Porém, nada como ver o perdão exemplificado na vida de alguém para se obter um quadro vivo e aplicá-lo à nossa vida. E nenhum dos personagens bíblicos, com exceção de Jesus Cristo, ilustra melhor o que é perdão do que José no livro de Gênesis. 

Injustiças Sofridas por José 

Vamos recordar as principais injustiças praticadas contra José, para entender melhor o que ele perdoou. 

Em primeiro lugar, por pouco não foi morto pelos irmãos. No fim, resolveram lançá-lo numa cova e, depois, vendê-lo como escravo (Gn 37.18-24). É verdade que José tivera atitudes prepotentes, por saber que era o filho preferido do pai e por ter recebido sonhos indicando que estaria acima dos irmãos. Mas nada justificava a atitude destes em querer matá-lo ou vendê-lo como escravo para os ismaelitas. 

Em segundo lugar, ele foi injustiçado pela esposa de Potifar, que o comprara dos ismaelitas. Ao invés de ser premiado por sua fidelidade em resistir à sedução daquela mulher, ele foi lançado na prisão. 

Em terceiro lugar, ele foi esquecido pelo copeiro de Faraó. José havia interpretado corretamente o sonho desse homem, que se cumpriu quando foi restaurado à sua função no palácio. Antes da sua libertação, José pediu-lhe que intercedesse em seu favor diante de Faraó.
José tinha muitas razões para se amargurar, até contra Deus, que permitiu que tudo isso acontecesse na sua vida. Dá até para discernir uma nota de autopiedade na sua afirmação ao copeiro na prisão: “E, aqui, nada fiz, para que me pusessem nesta masmorra” (Gn 40.15).
Perdão Exemplificado na Vida de José 

Não sabemos muito sobre o que se passou no coração de José durante todo esse processo. O que as Escrituras mostram é que José realmente perdoou a seus irmãos e não guardou mágoa contra Deus. 

Veja os pontos principais que despontam no final da sua história e as lições que podemos aprender sobre as características que identificam perdão total. 

1. José manteve em segredo o mal que seus irmãos lhe fizeram. Quando José revelou sua identidade aos irmãos no Egito, em Gênesis 45, ele pediu que todos os outros se retirassem de sua presença. Ele não queria que ninguém no Egito soubesse o que havia acontecido 22 anos antes, para que ninguém ficasse contra seus irmãos. Uma das maiores provas de que houve perdão é quando não queremos espalhar aos outros o que o ofensor nos fez. É assim que nós também fomos perdoados: Deus afastou nossos pecados de nós assim como o Oriente é distante do Ocidente (Sl 103.12). Todos nós temos esqueletos escondidos em nossos armários, conhecidos geralmente somente por nós mesmos. É confortante saber que Deus perdoa totalmente todos os nossos pecados e jamais revelará aos outros o que sabe a nosso respeito. Foi assim que José perdoou aos seus irmãos. 

2. José não queria que os seus irmãos se sentissem intimidados ou temerosos perto dele. Ele se revelou aos seus irmãos com lágrimas e compaixão, não como alguém que quisesse castigá-los ou deixá-los desconfortáveis. Quando ainda não perdoamos totalmente, sentimos prazer em perceber que o ofensor sente medo ou intimidação por nossa causa. Isso prova que ainda há amargura em nosso coração. “O perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo”, escreveu o apóstolo João (1 Jo 4.18, NVI). José percebeu que seus irmãos estavam “atemorizados perante ele” (Gn 45.3); por isso, chamou-os para perto, conversou com eles e os abraçou. Não há, em todas as suas palavras, nenhum sinal de mágoa, de superioridade, ou de que irá finalmente, após tantos anos, olhar nos olhos deles e recriminá-los pelo que fizeram. Pelo contrário, há uma sincera demonstração de querer deixá-los livres de qualquer sentimento de barreira ou afastamento. 

3. José não queria que seus irmãos continuassem se sentindo culpados. “Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui...” (Gn 45.5). Quem não perdoa totalmente quer exatamente o contrário: que a pessoa fique muito triste, que demonstre arrependimento, que sinta o quanto prejudicou o ofendido. Muitas vezes, podemos até dizer que perdoamos, mas fazemos tudo para deixar o ofensor se sentindo extremamente culpado. José quis liberar seus irmãos dessa sensação de culpa, embora em momento algum negou o ato terrível que haviam praticado contra ele. Pelo contrário, mostrou que Deus estava acima da intenção deles e que o enviara ao Egito com uma missão de salvar vidas (vv. 5-8). Foi exatamente assim que Jesus perdoou a seus discípulos depois da ressurreição. Não disse uma palavra sobre a covardia deles, quando fugiram na hora em que mais precisava do seu apoio, ou sobre o que Pedro fizera para negá-lo. Simplesmente apareceu onde estavam trancados e lhes disse: “Paz seja convosco” (Jo 21.19).

4. José até argumentou que fora Deus quem o enviara para o Egito. Com isso, estava preservando a dignidade de seus irmãos, evitando qualquer referência à sua própria justiça ou ao erro deles (Gn 45.5-8). “Deus me enviou aqui na frente porque sabia da fome que viria e quis preparar um meio para preservar nossa família e muitas outras vidas”, ele lhes disse. Não há como superar um perdão como esse. Quando perdoarmos dessa maneira, é porque chegamos lá – experimentamos o perdão total! É aqui que tocamos numa das questões mais difíceis para nossa mente humana compreender ou aceitar: como Deus pode fazer com que um ato criminoso, um terrível pecado contribua para seu plano? Do jeito que José colocou para seus irmãos, parecia até que não haviam feito nada de errado. Outro grande exemplo disso é o fato de Bate-Seba figurar entre os ascendentes de Jesus na genealogia em Mateus

1. Será que foi pela vontade de Deus que Davi tomou a mulher de Urias ou que os irmãos de José o venderam como escravo? Claro que não! O fato de Deus ser capaz de transformar os piores erros humanos em eventos que cooperam para o bem do seu plano não significa que Deus planejou que fosse assim ou que o ato não tenha sido condenável. Pelo contrário, é uma glória maior para Deus conseguir tirar o bem de tais situações e perdoar aquele que praticou o mal. Os irmãos de José ficaram atônitos – tanto assim que anos depois ainda não haviam-se convencido de que seu perdão fosse para valer. 

5. José ajudou seus irmãos a evitar seu maior temor: ter de contar toda a verdade para o pai. Outra vez, se não houvesse perdão, José teria até prazer em imaginar a consternação com que seus irmãos teriam de encarar o pai e contar o que realmente acontecera há tantos anos e como o haviam enganado e feito sofrer por tanto tempo. José, porém, não somente os liberou do sentimento de culpa em relação a si próprio, como também lhes deu instruções precisas sobre como falariam com o pai. Não precisavam tocar em nada do passado, nem revelar o que haviam feito. Só precisariam dizer que o filho José estava vivo, que era governador no Egito e que estava convidando toda a família para ser sustentada por ele lá. Jacó continuaria pensando que seus outros filhos nada tinham a ver com o sumiço de José. E assim ficou até a sua morte. Muitos cristãos zelosos e legalistas com certeza diriam que os filhos de Jacó não poderiam ser perdoados sem confessar tudo ao pai. Embora a confissão de pecados seja bíblica e necessária, muitas vezes aquilo que já foi tratado por Deus no passado não precisa ser remexido. Ainda temos muito a aprender sobre a natureza de Deus e o perdão.
6. José manteve sua atitude de perdão até o final de sua vida. Perdão total é um compromisso para toda a vida. Quantas vezes, ficamos decepcionados quando alguém que nos havia “perdoado” levanta a questão novamente, mostrando que ainda não a esqueceu nem a conseguiu superar. A impressão é que a pessoa não foi sincera quando disse que perdoou, mas isso nem sempre é verdade. Dependendo da profundidade da ferida, pode ser necessário voltar muitas vezes ao mesmo ponto e perdoar novamente. Perdão total é um compromisso que precisa ser renovado continuamente, assim como nossas alianças com Deus e uns com os outros. Dezessete anos depois da reunião de José com seus irmãos, Jacó faleceu. Imediatamente, os irmãos se encheram novamente de temor, achando que agora José finalmente aproveitaria para se vingar deles. Será que agora lhes retribuiria “todo o mal que lhe fizemos” (Gn 50.15). Até inventaram uma história para dizer que o pai deixara instruções para que José lhes perdoasse. José, ouvindo isso, chorou. Seus irmãos ainda não haviam acreditado no seu perdão. “Não temais”, ele lhes respondeu. “Acaso estou eu em lugar de Deus?” Isso nos ensina que reter o perdão de alguém é colocar-se no lugar de Deus. Não temos direito de fazer isso. Quem vai julgar é Deus. Nosso papel é perdoar. José voltou a afirmar a mesma coisa que lhes dissera tantos anos atrás: que Deus pegou o ato pecaminoso (“vós, na verdade, intentastes o mal contra mim”) e o transformou em bem, para conservação de vida. Portanto, nada mudara em seu perdão incondicional; ele continuaria sustentando a seus irmãos e a suas famílias. Quem já enfrentou situações injustas sabe que não é suficiente perdoar uma vez; é preciso perdoar, perdoar e perdoar novamente, tantas vezes quantas a tentação de se amargurar surgir em nossos corações. 

Extraído e adaptado do livro “Total Forgiveness” (Perdão Total), R. T. Kendall, Charisma House, 2002. Autor de mais de trinta livros, Kendall foi pastor de Westminster Chapel (igreja pastoreada antes dele por G. Campbell Morgan e Martyn Lloyd Jones), em Londres, durante 25 anos, de 1977 a 2002.
por R. T. Kendall
 
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Abraço
Roberto

INTERESSE CIENTÍFICO, AINDA QUE TARDIO

Interesse Científico, Ainda que Tardio - Ciência e Fé


Um dos acontecimentos que mais confirmam a autoria divina das Escrituras é a “descoberta”, por parte de cientistas ou pesquisadores, da validade de princípios que estavam registrados na Bíblia muitos séculos antes. Isso tem acontecido, recentemente, com relação aos benefícios que o perdão traz, não só à nossa saúde mental e espiritual, mas também ao nosso físico. Aliás, os efeitos positivos da saúde do “homem interior” sobre o “homem exterior” (e vice-versa), que a medicina tem estudado muito mais nas últimas décadas, também confirmam o que Deus já revelara sobre a estrutura do ser humano (espírito, alma e corpo). 

De acordo com uma matéria extensa publicada na revista Christianity Today (em janeiro de 2000), a partir dos anos 80 do século passado, começou a haver um crescente interesse no meio da comunidade acadêmica em pesquisar e avaliar os efeitos do perdão sobre a saúde e até sobre o comportamento. “Ele não somente eleva o potencial para a reconciliação”, diz o Dr. Mack Harnden, “mas também libera o ofensor de raiva, ódio e stress prolongados que já têm sido associados a problemas fisiológicos tais como doenças cardiovasculares, pressão alta, câncer e outras doenças psicossomáticas.” 

Os primeiros pesquisadores encontraram enormes dificuldades. A primeira foi a quase total ausência de trabalhos científicos ou acadêmicos sobre o assunto. Uma pesquisa em uma biblioteca na Universidade de Kansas, EUA, por exemplo, não encontrou sequer uma referência a perdão nos sumários de pesquisas apresentadas no campo da Psicologia. 

A outra dificuldade foi o desprezo e resistência do mundo acadêmico às primeiras iniciativas para pesquisar o assunto. Robert Enright, professor de psicologia educacional na Universidade de Wisconsin-Madison (UWM), EUA, hoje é presidente do International Forgiveness Institute (Instituto Internacional do Perdão) e considerado pai das pesquisas modernas sobre o assunto. Entretanto, foi preciso perseverar durante mais ou menos uma década, sem receber uma aprovação de fundos para financiar a pesquisa, antes de conseguir a atenção dos colegas. Nem as publicações científicas aceitaram divulgar o seu trabalho até que um jornal secular de Chicago fez uma matéria e ganhou a atenção do público. 

Enright, que depois de um período de afastamento da fé voltou às suas raízes cristãs, foi muito influenciado pelos livros de Lewis Smedes, um professor de seminário teológico que também descobriu que havia muito pouco sobre perdão interpessoal, de pessoa para pessoa, na literatura teológica. Os cristãos sempre falaram sobre o perdão que Deus concede ao pecador, mas muito pouco sobre o perdão que devemos praticar uns com os outros. Smedes mostrou em seus escritos e palestras que o perdão não deve ser visto como uma obrigação moral apenas, mas como uma chave que traz benefícios enormes ao próprio perdoador. 

É isso que tem, finalmente, despertado grande interesse nos campos da psicologia e das ciências sociais. Algumas pesquisas já em andamento estão vendo no perdão potencial para solucionar graves problemas sociais como alcoolismo e outros vícios, violência contra as mulheres, relacionamento familiar, e muitos outros. O renomado Centro de Saúde Mental Mendota está patrocinando um estudo sobre o efeito do perdão sobre comportamento criminoso. Se alguém procurasse ensinar a presidiários como perdoar àqueles que os prejudicaram, quem sabe isso abriria o caminho para sentirem empatia por suas próprias vítimas e a necessidade de serem perdoados por elas. 

Para os céticos que duvidam que pesquisadores acadêmicos possam chegar a conclusões válidas sobre princípios divinos, veja a definição que três pesquisadores incluíram num trabalho publicado em 1995 no periódico Journal of Moral Education (Revista de Educação Moral): “Perdão é a resposta misericordiosa de alguém àquele que o feriu injustamente. Em perdoar, a pessoa livra-se de atitudes negativas (como ressentimento), percepção negativa (como críticas injustas) e comportamento negativo (como atos vingativos) em relação ao ofensor, e os substitui por atitudes, percepções e comportamentos mais positivos”. Fizeram uma distinção entre perdão e justiça, dizendo que “enquanto justiça envolve algum tipo de reciprocidade, perdão é um dom incondicional concedido a alguém que não o merece”. 

Um dos resultados mais espetaculares dessas pesquisas veio em abril de 1999, quando uma delegação dos Estados Unidos viajou para a Iugoslávia de Slobodan Milosevic para negociar a libertação de três prisioneiros norte-americanos durante o conflito do Kosovo. Alguns membros da delegação eram cristãos, e um fazia parte do Instituto Internacional do Perdão. Sem outros argumentos para apresentar na negociação, a delegação usou uma abordagem mais espiritual, falando com os sérvios a respeito da necessidade de quebrar o ciclo de violência e não manter conceitos negativos a respeito dos adversários. Aplicaram os princípios descobertos no instituto a respeito do perdão como fator de mudança nos relacionamentos na sociedade e entre os povos. A estratégia funcionou, e todos os assessores de Milosevic concordaram em libertar os prisioneiros. 

Tais evidências só vêm confirmar o que os sinceros leitores das Escrituras sabem há muito tempo. Direito humano, a tentativa de acertar contas passadas, o esforço para criar uma sociedade justa e pacífica sempre falharam e sempre falharão. Perdão, mesmo como princípio aplicado numa base puramente horizontal e racional, traz muito mais progresso nessa direção do que o uso da justiça humana, por ser tão contaminada com os elementos venenosos de amargura, ressentimento e vingança. 

Por outro lado, o verdadeiro perdão só funciona plenamente dentro do contexto do perdão divino. Dissecado e analisado pela mente humana dos pesquisadores, o perdão como princípio antinatural, superior aos nossos instintos humanos e além do seu alcance, jamais poderá ser realmente experimentado dentro dos laboratórios ou pesquisas acadêmicas. Mesmo assim, só o fato de a sombra limitada e imperfeita produzir tantos resultados atesta ainda mais a imensa potencialidade que existe no princípio dinâmico e verdadeiro. 

Compilado a partir do artigo “The Forgiveness Factor” (O Fator do Perdão), de Gary Thomas, publicado na revista “Christianity Today”, de 10 de janeiro de 2000.

por Gary Thomas
 
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Abraço
Roberto

O ATO ANTINATURAL DE PERDOAR

O Ato Antinatural de Perdoar 

O método radical de restauração usado por Jesus
O chamado de Jesus para perdoar é, ao mesmo tempo, uma libertação e uma profunda ameaça. 

Quando lemos os evangelhos, é impossível deixar de notar a prática insistente que Jesus fazia do perdão, o que nos obriga a ficar face a face com a palavra mais impopular do vocabulário cristão: pecado. 

Pecado é o estado de estar alienado de Deus, dos outros e do nosso verdadeiro eu. Por conta desse senso de separação, passamos a comportar-nos de formas alienantes. Temos uma consciência dolorosa – geralmente secreta e vergonhosa – de nosso isolamento, das nossas falhas conseqüentes e da constante repetição das mesmas. É um enorme fardo para nossos corações. 

A Farsa das Folhas de Figueira 

Presos dentro de nossa vergonha alienante, perdemos nossa flexibilidade. Temos um anseio desesperado para consertar as coisas. À semelhança de Adão e Eva no jardim, costuramos folhas de figueira para esconder nossa nudez de nós mesmos, dos outros e de Deus. 

Nas igrejas, damos excessiva atenção às aparências: sorrimos bastante, usamos um vocabulário teológico correto – e sentimo-nos profundamente solitários. Continuamos, portanto, em extrema separação e fechamento. Só o perdão de Deus, oferecido abundantemente em Jesus, é que poderá aliviar nossos corações, restabelecer-nos com Deus, com a comunidade e com nossas próprias mentes. 

Jesus presume a universalidade do pecado e torna o perdão central em sua vida e ensinamentos. Através de todo o relato dos evangelhos, observa-se como ele age em cima de duas premissas básicas: a necessidade universal de perdão e a presença constante de um Deus interessado e compassivo. Jesus recebe ternamente aqueles que são declaradamente pecadores e confronta vigorosamente gente religiosa que usa sua bondade para barganhar com Deus. Em outras palavras, aqueles que sabem que estão sobrecarregados e doentes encontram alívio, enquanto aqueles que encobrem suas falhas com as folhas de figueira da justiça própria são descobertos e convidados a desistirem de seu fingimento.
Primeiro, o Perdão 

O estilo de perdão que Jesus praticava vem direto ao encontro da nossa alienação; porém, a julgar-se pela experiência humana em geral, sua abordagem choca nosso senso racional. O perdão que oferecia não era condicionado a um pedido de desculpas. Jesus não disse ao jovem paralítico: “Agora, tão-somente diga que está arrependido e eu lhe perdoarei e o curarei”. Pelo contrário, demonstrou anelo, ternura, regozijo; estava removendo das costas do jovem um peso intolerável. Ele disse: “Tenha bom ânimo, filho; os seus pecados estão perdoados” (Mt 9.2, NVI). É como se o perdão precedesse o arrependimento; o próprio perdão gerava segurança para que as pessoas pudessem reconhecer o quanto estavam voltadas para dentro, necessitadas e vazias. 

Zaqueu (Lc 19.1-10) era um rico cobrador de impostos que trabalhava para os romanos e enchia seus próprios bolsos. Ele era, portanto, um traidor do seu próprio povo, cortado por suas próprias ações. Como resultado, fora excluído da comunidade e da intimidade da mesa de comunhão (comer juntos), o que era permitido apenas entre membros da família ou entre pares na sociedade. De fato, comunhão à mesa indicava status a tal ponto no mundo mediterrâneo do primeiro século que até mesmo aquele que escolhesse associar-se com homens como Zaqueu ficava com a reputação manchada. A decisão de Jesus de se convidar para comer na casa dele encarnava profundo perdão. 

Jesus incluiu Zaqueu antes que ele sequer se reconhecesse pecador. Restituiu Zaqueu à comunidade através da dramática intimidade de partilharem comunhão à mesa, e Zaqueu respondeu como se tivesse sido perdoado. Arrependeu-se e prometeu abandonar radicalmente seu comportamento alienante. 

Perdão precede arrependimento. É como se Jesus entendesse que estamos acorrentados – que nossa vergonha é tão terrível que não conseguimos sequer nos mover. O perdão de Jesus concede-nos a liberdade de encarar nossas vidas o suficiente para nos arrependermos. O arrependimento conectou Zaqueu – e conecta a nós também – ao perdão. Jesus exultou: “Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão” (Lc 19.9, NVI). 

Necessidade Universal do Perdão 

Ainda outro incidente no evangelho amplia esse tema. Jesus é confrontado por uma multidão que empurra diante de si uma mulher surpreendida “no próprio ato” de adultério (Jo 8.1-11). 

A mulher está profundamente isolada. Não há ninguém para protegê-la ou tomar seu partido. Ninguém a acompanha e ninguém lhe oferece apoio. O outro parceiro da dupla adúltera não aparece. A mulher, definitivamente, é um objeto nas mãos de seus algozes.
Talvez fosse notório que praticava tais atos, sendo assim um caso seguro a ser usado para testar Jesus. Ninguém questionaria sua culpa. Talvez ela tivesse uma história de abuso sexual e, por isso, não tinha firmeza para recusar assédios sexuais; simplesmente era arrastada resignadamente para repetir o mesmo comportamento. Pode ser que até tentasse cobrir sua paralisia com uma capa defensiva que imitava autoconfiança, mas que era, na verdade, uma frágil folha de figueira de desespero. 

Jesus, porém, parte da premissa de que todos pecaram e necessitam do perdão de Deus. Os homens perguntam se ele confirma a lei e concorda com a sentença de apedrejamento; ele se recusa a responder. Começa a escrever com seu dedo no chão. O silêncio, tão raramente empregado, é uma poderosa ferramenta de confronto. Mas os homens, ainda acreditando firmemente em suas folhas de figueira, têm a certeza da lei a seu favor e insistem na pergunta: “O que você diz?” 

Jesus, seguindo sua convicção, consegue penetrar as defesas dos ouvintes: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra”. 

Ele insiste na necessidade universal de perdão. Volta a escrever e, no seu silêncio confrontador, os acusadores vão embora. 

Sozinho agora com a mulher, Jesus demonstra novamente a qualidade incomum do seu perdão: pessoal, gentil, atenuante, uma valorização incondicionalmente positiva. Jesus não apenas oferece alívio para seu fardo e sua vergonha, mas também estende uma proteção adicional: a capacidade de recusar assédio sexual e, portanto, de pôr fim ao abuso. “Vai, e não peques mais”, ele diz, capacitando-a a dizer não e a estabelecer limites.
Celebrando o Perdão 

Jesus sabe que seres humanos definham em sua carência de perdão. Não importa o quanto tenham culpa ou insistam em justificar a si mesmos, Jesus procura devolver as pessoas a si mesmas, a suas comunidades e a Deus. Ninguém está alienado demais – nem Zaqueu, o traidor, nem a mulher surpreendida em adultério. Jesus vai ao encontro do seu sofrimento com perdão. 

Jesus intervém em nosso sofrimento, chamando-nos à intimidade radical da comunhão à mesa. A própria celebração do evangelho convida-nos ao arrependimento e vacina-nos contra a desesperança. Será que podemos, de fato, sentar-nos com Jesus e lembrar, na liturgia, nas Escrituras, em sermões e músicas, o amor e a liberdade que ele nos oferece? Podemos deixá-lo lavar amorosamente nossos pés? Podemos receber seu banquete e reparti-lo aos outros: “Este é o pão da vida dado em favor de vós”? 

Em meio a essa comunhão de cura, podemos demonstrar misericórdia e conceder perdão a nossos inimigos? Após tal celebração da doçura de Deus, o que poderia ser mais natural?
Um Consolo – e uma Ameaça 

No entanto, devemos lembrar que o chamado de Jesus para perdoar é, ao mesmo tempo, uma libertação e uma profunda ameaça. Sua ordem para amar nossos inimigos abala as bases do controle social. O perdão de Jesus a Zaqueu gerou inimigos; seu perdão à mulher adúltera fomentou planos para sua morte. 

Quando uma mulher da vida penetrou uma festa exclusivamente masculina para lavar os pés de Jesus com suas lágrimas e secá-los com seus cabelos, os fariseus presentes sabiam que nunca agiriam assim. Duvidaram da identidade profética de Jesus. Afinal, esse homem permitiu que uma mulher pecadora o tocasse e, assim, o contaminasse. 

Jesus, porém, mostrou-lhes o espelho da sua própria pecaminosidade. “Saiam detrás das folhas de figueira de justiça própria que vocês mesmos costuraram. Sejam perdoados e vivam abundantemente.” 

Seguir Jesus a uma vida de perdão é algo que custa caro. “Venham”, Jesus nos diz em nossa paralisia, “seus esforços para permanecer no controle, para conquistar sua própria justiça, são essas coisas que os atormentam. Todos os seus esforços para tomar o lugar de Deus estão perdoados. Alimentem-se na celebração do meu evangelho. Lembrem a si mesmos, e uns aos outros, de que vocês são meus amigos. Eu os chamo para serem maravilhosamente humanos, para andarem comigo na ambigüidade da finitude, para aceitarem sua incapacidade. Eu lhes mostrarei o caminho.” 

Margaret Gramatky Alter é autora e professora de psicologia em New College, Berkeley, na Califórnia, EUA. 

Este artigo foi publicado originalmente na Revista “Christianity Today”, edição de 16 de junho de 1997. Traduzido e publicado com permissão de Christianity Today International, Carol Stream, IL, EUA. Para mais informações acesse www.christianitytoday.com.

por Margaret Gramatky Alte
 
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Abraço
Roberto

APRENDENDO A PERDOAR

Aprendendo a Perdoar - 


Foi numa igreja em Munique, onde eu estava pregando em 1947, que, de repente, o vislumbrei: um homem calvo, troncudo vestindo um sobretudo cinza, com um chapéu de feltro marrom amassado entre as duas mãos. Num instante, estava enxergando o sobretudo e o chapéu marrom; no instante seguinte, o uniforme azul, o quepe estampado com a caveira e as duas tíbias cruzadas, o rosto malicioso, lascivo, debochado. 

Minhas lembranças do campo de concentração voltaram com rapidez e impacto: a sala enorme com as severas luminárias no teto, a pilha patética de vestidos e sapatos no centro, a vergonha de ter de passar nua diante desse homem. Pude ver o vulto frágil da minha irmã à minha frente, costelas quase furando o fino pergaminho da sua pele. 

Betsie e eu havíamos sido presas por termos escondido judeus na nossa casa por ocasião da ocupação nazista da Holanda, durante a Segunda Guerra. Esse homem fora um dos guardas no campo de concentração em Ravensbruck, para onde fomos enviadas.

Agora, ele estava diante de mim, mão estendida: “Que bela mensagem, fräulein! Que bom saber, como disse, que nossos pecados estão todos no fundo do mar!”
Pela primeira vez, desde minha soltura, eu estava frente a frente com um dos meus algozes, e meu sangue parecia ter congelado. 

“Você mencionou Ravensbruck na sua palestra”, ele dizia. “Fui guarda lá. Mas depois disso”, continuou, “tornei-me cristão. Eu sei que Deus me perdoou pelas coisas cruéis que cometi lá, mas eu gostaria de ouvi-lo da sua boca também. Fräulein”, com a mão estendida outra vez, “você me perdoa?” 

Fiquei ali paralisada. Eu não podia fazer isso. Minha irmã Betsie morrera naquele lugar; será que ele podia apagar sua morte terrível e prolongada, simplesmente porque pedia perdão?
Eu achava que já perdoara a todos; pregava sobre isso por toda parte. Eu, o exemplo de perdão, não conseguia perdoar quando encarava meu ofensor em carne e osso. 

Não podem ter passado mais do que alguns segundos, ele em pé com a mão estendida – mas para mim parecia uma batalha de horas, enquanto eu enfrentava a coisa mais difícil que tive de fazer em toda minha vida. 

Eu não tinha opção – eu sabia disso. A mensagem do perdão de Deus possui um pré-requisito: que perdoemos a todos que nos feriram. “Se não perdoardes aos homens”, afirmou Jesus, “tão pouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mt 6.15). 

Ainda assim, lá estava eu com o coração dominado por frieza. Entretanto, perdoar é um ato da vontade, e a vontade pode funcionar indiferentemente da temperatura do coração. “Jesus, ajuda-me”, supliquei silenciosamente. “Eu posso levantar minha mão. Pelo menos isso, posso fazer. Dá-me o sentimento depois.” 

Então, sentindo-me um robô, coloquei minha mão mecanicamente na mão que me estava estendida. E, enquanto o fiz, algo incrível aconteceu. Uma corrente começou no meu ombro, correu pelo meu braço e saltou para nossas mãos unidas. Em seguida, esse calor restaurador parecia inundar todo o meu ser, trazendo lágrimas aos meus olhos. 

“Eu te perdôo, irmão”, exclamei, “com todo o meu coração!”
Por um longo instante, seguramos a mão um do outro, o ex-guarda e a ex-prisioneira. Posso dizer que nunca experimentei o amor de Deus de forma tão intensa como naquele momento. 

Testemunho publicado originalmente na revista “Guideposts”, 1972. A história de Corrie ten Boom foi relatada no famoso livro (e filme) “Refúgio Secreto”, de John e Elizabeth Sherrill, Editora Betânia.

por Corrie ten Boom
 
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Abraço
Roberto

CAMINHOS DAS LÁGRIMAS

O Caminho das Lágrimas -

 Quando Alexander Maclaren foi convidado para ocupar o púlpito de uma grande igreja batista em Manchester, Inglaterra, ele se reuniu com os seus diáconos e disse: “Cavalheiros, precisamos acertar uma coisa antes de eu assumir essa posição. Vocês querem a minha cabeça ou os meus pés? Vocês podem ter ou uma ou os outros, mas não podem ter os dois. Eu posso ir por aí fazendo isto ou aquilo e tomando chá, se é o que vocês querem; mas não esperem que eu lhes traga algo que possa sacudir esta cidade”.

 Deus não chama homens para o púlpito a fim de serem pau para toda obra, entregando recadinhos. Ele os chama para se prostrarem rosto em terra diante de sua presença. Os diáconos do Dr.Maclaren entenderam a mensagem; mas quem é que se prostra rosto em terra diante de Deus hoje em dia?

 Hudson Taylor, fundador da China Inland Mission (Missão para o Interior da China), conta que quando era estudante universitário, ficou encarregado de cuidar de um homem com um pé gangrenado. Era sua obrigação fazer o curativo no pé do homem todos os dias. Logo ficou sabendo que seu paciente não era cristão e que não entrava numa igreja há mais de quarenta anos. Era tão grande o seu ódio pela religião que se recusou a entrar na igreja por ocasião do enterro da sua esposa.

 O jovem Hudson decidiu falar a esse homem a respeito da sua alma cada vez que o visitasse. O homem o xingava e não permitia que ele orasse. O estudante persistiu em lhe apresentar Cristo até um dia em que disse para si mesmo: “É inútil”, e levantou-se para sair do quarto.

 Quando chegou à porta, Hudson se voltou e viu o homem olhando para ele como se dissesse: “Como assim, você vai embora hoje sem me falar de Cristo?”. Nisso, o jovem prorrompeu em lágrimas e, voltando para perto da cama, disse: “Quer o senhor queira, quer não, eu preciso liberar a minha alma. Permite que eu ore com o senhor?”.

 O homem assentiu, foi tocado e começou a chorar. O coração duro, que parecera impenetrável, finalmente se abrira.

 O testemunho de Hudson Taylor sobre essa experiência foi: “Deus quebrou o meu coração a fim de poder, por meu intermédio, quebrar o coração daquele homem ímpio”.

 Peça agora ao Espírito Santo que lhe dê um coração sensível e que faça dos seus olhos uma fonte de lágrimas, a fim de que possa, com a compaixão de Cristo, buscar os que estão perdidos e próximos à morte.

 Extraído de um artigo publicado originalmente no periódico em inglês “The Herald of His Coming” (edição de julho de 2004), e em “O Arauto da Sua Vinda” (edição de março/abril de 2005).
 

por Morris Chalfant
 
Seja abençoado em nome de Jesus
Abraço
Roberto

domingo, 28 de março de 2010

A FERIDA DO PAI

A Ferida do Pai - 


 “Vejam, eu enviarei a vocês o profeta Elias antes do grande e temível dia do Senhor. Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais; do contrário, eu virei e castigarei a terra com maldição” (Ml 4.5,6, NVI).

 Em 1990, numa reportagem especial do canal PBS da TV norte-americana, o poeta secular Robert Bly impugnou décadas de confusão entre os gêneros (masculino e feminino) com uma declaração inquietante. O homem médio hoje, segundo ele, aprendeu bem de sua mãe como abraçar seu lado “mais meigo e feminino”, tornando-se afável e receptivo. Entretanto, não aprendeu a abraçar seu lado mais “decidido e masculino”, porque seu pai fora ausente emocional e, muitas vezes, fisicamente também.

 Sem um pai para ancorá-lo em sua identidade masculina, declarou Bly, o homem se abdica do seu destino e procura na mãe ou na esposa a definição de sua natureza e propósito. No fim, acaba adotando uma falsa feminilidade e torna-se passivo.

 O texto de Malaquias, citado acima, contém as últimas palavras da Velha Aliança. De modo significativo, a promessa ali afirmada – e a advertência também – formam uma espécie de portal de entrada para a Nova Aliança, um limiar para a vinda do Messias. A implicação é que a desintegração de relacionamentos entre pais e filhos neste mundo reflete a quebra de contato entre a humanidade e Deus. É por isso que a restauração do relacionamento com o Pai constitui, na realidade, o foco principal do poder redentor de Deus neste mundo e da missão de Jesus na Terra (Jo 14.8-13). 

 O Que é a Ferida do Pai?

 A ferida do pai retratada no texto de Malaquias é a diferença entre o que seu pai natural lhe deu e o que Deus Pai quer lhe dar. Portanto, todo homem sente o ardor dessa ferida.

 Nenhuma dor fere o coração do homem mais profundamente do que o abandono emocional e/ou físico do pai. Para os homens, a ferida do pai é uma maldição mortal. Conseqüentemente, nenhuma dor invoca mais diretamente o poder redentor de Deus Pai.

 É por essa razão que a visão escatológica de Deus enfoca tão claramente a cura dessa dor – como se vê no texto de Malaquias. E é por isso que o inimigo de Deus usa todos os recursos do inferno para nos fazer negar não só a ferida do pai em si, mas a própria paternidade de Deus.

 Como homem, talvez eu não possa avaliar corretamente o que a ferida do pai e a maldição resultante significam na vida de uma filha. Contudo, posso afirmar que para os homens não se trata de um mero conceito abstrato da Teologia ou da Psicologia. É uma realidade paralisante que – só para começar – torna o homem inapto junto com a mulher, desconfiado de outros homens, míope em sua visão de Deus e, conseqüentemente, desconectado do seu destino.

 O pai chama para fora o elemento masculino no seu filho. Sem essa entrada essencial do pai, o filho não consegue se ver mais adiante como homem. Rapidamente, pavorosamente a lacuna entre a sua insuficiência como homem e a imagem do que deseja se tornar é tomada por vergonha. Seu espírito clama para que o pai venha salvá-lo. Sem outros homens para apresentá-lo ao “Pai de quem toma o nome toda paternidade, tanto no céu como na terra...” (Ef 3.14,15; “paternidade”, sentido original da palavra “família”), seu clamor ecoa no vazio. 

 Entra, então, o pai da mentira (Jo 8.44), e promete cobrir essa profunda vergonha nos homens de hoje através de impulsioná-los a uma variedade de comportamentos compulsivos e dependências, que vão desde drogas e pornografia ao excesso de trabalho (conhecido em inglês como workaholism ou vício do trabalho) e legalismo religioso.

 A ferida do pai é uma ferida de ausência. Por esse motivo, é mais difícil ser reconhecida do que outras feridas e é, em última análise, mais destrutiva.

 “Ainda estou esperando que meu pai converse comigo sobre sexo e sucesso, dinheiro e casamento, religião e criação de filhos”, um editor de revista confessou após a morte de seu pai. “A vergonha é que não conheço um homem de minha idade que não se sinta como se estivesse navegando na vida sem mapa.”

 Há alguns anos, pouco antes do nascimento do meu filho, falei com 350 pais numa conferência de homens organizada por uma igreja grande e bem conhecida na Califórnia. Confessando meus temores e sentimentos de insuficiência como pai, fiz-lhes a seguinte pergunta: “Quando seu primeiro filho nasceu, quantos receberam manifestações de apoio, encorajamento ou conselho construtivo do pai?”

 Somente cinco levantaram as mãos.

 Abismado, resolvi testar esta estatística nas minhas palestras em outras conferências cristãs para homens. Em todos os lugares, a proporção permaneceu mais ou menos igual: um ou dois em cada cem.

 Num outro retiro de 150 homens, perguntei: “Quando eram adolescentes, seu pai alguma vez conversou particularmente com vocês para ajudá-los em sua sexualidade?”

 Duas mãos levantadas.

 Depois de dez anos fazendo conferências com homens em todo o país, as proporções não mudaram muito.

 Pense novamente sobre a profecia de Malaquias. É alguma surpresa constatar que como pais e na nossa sexualidade nós homens estamos freqüentemente ajudando a cumprir a maldição profética de destruição?

 Você pode matar um organismo vivo, como uma planta, de duas maneiras. Você pode ativamente destruí-la. Cortá-la, esmagá-la, pisoteá-la.

 Mas, existe uma outra forma: Simplesmente abandone-a. Não a regue.

 De qualquer uma das duas formas, morrerá.

 O abandono mata.

 Nós homens estamos transmitindo o impacto mortal da ausência do pai ao mundo à nossa volta, causando desde abortos e doenças sexualmente transmitidas a violência e músicas de ódio às mulheres.

 De Onde Vem a Solução?

 Na medida em que os homens cristãos fogem de enfrentar a ferida do pai, nós abdicamos ao mundo o nosso chamamento sagrado de proclamar o verdadeiro Pai de todos. E toma o nosso lugar o movimento de homens secular.

 Separados de Deus Pai, os homens seculares só podem responder dentro de sua própria visão humana, centrada em si mesmos. São homens que não querem causar mal à Terra ou começar guerras ou ser donos de grandes empresas... mas ainda há algo de errado. Muitos desses homens são infelizes, não há energia neles. São preservadores da vida, mas não fontes de vida.

 “Nós queríamos que os homens ficassem mais sensíveis”, uma amiga minha, profissional de carreiro, lamentou para mim. “Mas não queríamos que se tornassem passivos.”

 Esse terrível vácuo no coração dos homens que não tiveram o verdadeiro acompanhamento de um pai precisa ser preenchido com algo autêntico, pois do contrário acabaremos destruindo a nós mesmos e as mulheres também. Como nenhum de nós tem esse “algo” necessário, precisa vir de algum outro lugar.

 “O que adianta se ajuntar a outros homens?”, perguntou um homem que fora convencido por um amigo a participar de uma de minhas conferências. “Quero dizer, se todos nós estamos tão destruídos e vazios assim, como podemos receber algo juntos que nenhum de nós tem individualmente?”

 Aquele homem estava próximo ao Reino de Deus. Estava fazendo as perguntas certas.

 Quebrados, nós homens não podemos curar a nós mesmos (Rm 7.18). Ao mesmo tempo, se quisermos encontrar hombridade autêntica, esse “algo” que está faltando não poderá vir das mulheres. Já tentamos e não deu certo.

 É exatamente este impasse que prepara o momento que Deus tem planejado para se revelar como Pai e dar aos homens seu real destino como filhos.

 Aqui, finalmente, diante do quadro total e aterrorizante da nossa insuficiência, surge o clamor que gerará o verdadeiro movimento de hombridade: “Quem me livrará do corpo desta morte?” (ou “do corpo que está me levando à morte” - Rm 7.24).

 De fato, precisamos de intervenção sobrenatural. Claramente, o mover que trará cura aos corações dos homens requer poder espiritual. A ferida da ausência do pai pode ser identificada por simples honestidade humana e aliviada por sincera lamentação. Entretanto, só poderá ser curada, ao ponto de se recuperar o verdadeiro destino, através da presença do pai – o que nenhum poder humano pode suprir. Só Jesus, então, pode curar a ferida do pai, porque só ele pode vencer nossa natureza pecaminosa e restaurar relacionamento com o verdadeiro e sempre presente Pai de todos nós (Jo 14.6-14).

 Somente a dignidade da filiação pode superar a vergonha do abandono (Rm 8.14-16; Sl 27.10). 

 Tentando Encobrir a Ferida

 Nossa tarefa como homens cristãos é clara: nem exaltar hombridade, como fazem os religiosamente corretos, nem denegri-la, como fazem os politicamente corretos, mas resgatá-la – ou seja, restaurar a hombridade à sua verdadeira e original vitalidade, como somente aqueles que conhecem o Criador podem fazer.

 Os homens que não levaram sua vergonha a Jesus não terão coragem de reconhecer esta importantíssima batalha em favor da verdade, porque não receberam o poder da ressurreição que vem do Pai para vencê-la. Ao invés disso, esconderão suas feridas, geralmente por trás de uma fachada religiosa que valoriza desempenho. Exortarão os homens a guardar os “dez princípios de hombridade santa” e os “cinco padrões de masculinidade bíblica”. Enfocarão a prática do bem porque têm medo de serem autênticos.

 Qualquer movimento de hombridade que não começa se esvaziando e se entregando diante da cruz só poderá crescer em torno de si mesmo e, no final, acabar se transformando em falsa espiritualidade – caindo, dessa forma, nas velhas armadilhas de idolatria masculina, desde a misoginia até o militarismo.

 O homem comum hoje anseia sentir-se seguro em sua hombridade. Entretanto, tem medo de enfrentar sua natureza pecaminosa que ameaça essa segurança porque já está quase afogando na vergonha do abandono que sofreu do pai.

 Quando o Verdadeiro se abdica, o Falso assola.

 Traído por relacionamentos, o homem se refugia em técnicas e tenta ansiosamente obter o controle. Desesperado por possuir hombridade, irado por não ter recebido do pai o que precisava para obtê-la, torna-se vulnerável a uma abundância de substitutos mundanos – e até religiosos – que prometem abafar a voz da vergonha, restaurar-lhe o controle e torná-lo, enfim, um verdadeiro homem.

 Vendo o Pai Como Deus o Vê

 Se, por outro lado, o homem clamar a Jesus e prosseguir apesar da dor até alcançar a verdade, ele pode confessar: “Eu preciso de um pai. Mas estou cansado de tentar achar vida no meu pai natural. Senhor, mostra-me meu pai como tu o vês”. Um homem que conheço orou assim e viu uma visão de um garotinho de muletas.

 O homem que for autêntico descobrirá que seu pai também foi abandonado quando garoto e que, por essa razão, foi incapaz de gerar hombridade nele. Verá que seu pai não é o inimigo, mas uma vítima assim como ele.

 Um garoto chora por causa das feridas do pai; o pai o machuca e ele chora. O homem chora em favor das feridas do pai, como intercessor. Isso o leva a sentir compaixão pelo pai e, pela graça, perdão. E, no final, leva-o à libertação do ciclo de destruição de uma geração a outra, a fim de poder andar no seu próprio e verdadeiro destino.

 Usando o Método da Velha Aliança ou da Nova?

 O homem que não confiar em Jesus para carregar sua vergonha, porém, tenta encobri-la através da religião – isto é, compensar a falta de relacionamento tanto com seu pai natural como com Deus Pai através de “fazer a coisa certa”. Ele exalta a pergunta artificial e civil da hombridade: “Como posso fazer?”. É apavorante demais deixar o garoto abandonado fazer a pergunta verdadeira do guerreiro do Reino: “Quem me resgatará deste corpo que está me levando à morte?” (Rm 7.24).

 O nosso problema como homens não é que somos ignorantes.

 Estamos morrendo.

 Entretanto, a maior parte do ensinamento cristão para os homens hoje simplesmente nos mostra o que devemos fazer, as terríveis conseqüências se não o fizermos e, talvez, os maravilhosos benefícios se conseguirmos fazer.

 É o tipo de ensinamento básico da Velha Aliança – um lembrete apropriado e necessário dos padrões de Deus para uma sociedade pagã e sem princípios. Como tal, é algo totalmente correto e necessário – porém, como Moisés sem Jesus, eternamente deficiente (Jo 1.17).

 Cristianismo não é, como os conservadores insistem, um código moral. Tampouco é, como os liberais insistem, uma ideologia.

 Cristianismo é um relacionamento com o Deus Pai vivo.

 Os grupos cada vez maiores de homens em estádios ou outros lugares públicos, confessando seus pecados diante de Deus, podem representar um novo movimento de hombridade. Dou graças a Deus por isso. Contudo, ao mesmo tempo que temos prometido padrões mais elevados de comportamento, precisamos prosseguir e apropriar a plenitude do que Jesus morreu para dar aos homens, ou seja, a filiação. Aqui está o verdadeiro alvo do movimento de hombridade, definido por esta verdade central da Nova Aliança: Jesus não veio nos dizer o que devemos fazer, mas, antes, mostrar-nos quem faz (Rm 7.21-25; veja também Ez 36.24-28; Fp 2.13; Rm 12.1,2; Ef 3.21).

 Esse autêntico mover de Deus entre os homens não é motivado pela vergonha que nos faz lutar para fazer o que é certo, mas pela graça que nos permite ser autênticos. É sustentado não por tentar atingir o padrão, mas somente pela confissão de que não somos capazes. Procede não de uma determinação de fazer “o que é certo”, mas do anseio de conhecer o verdadeiro Pai (Gl 5.1-6; Rm 7.18).

 Um verdadeiro homem é um homem que é autêntico. Só homens autênticos podem nos levar a essa hombridade da Nova Aliança – homens que tiveram a coragem de enfrentar a vergonha de sua própria impotência e que a entregaram a Jesus para que ele a assumisse sozinho.

 Nós homens precisamos hoje de líderes que não tenham medo que suas mentiras serão descobertas. Não aqueles que nos exortam a obedecer, mas que nos convidam a confiar. Não aqueles que nos ordenam a fazer o que é certo, mas que nos libertam por sua própria vulnerabilidade em ser autênticos. Não aqueles que nos advertem a ser fortes, mas que prometem a força do Pai.

 A verdadeira hombridade não é alcançada pelo esforço temeroso de atingir padrões de masculinidade ou princípios de hombridade – não importa o quanto sejam bíblicos, santos ou semelhantes a Cristo. É gerada em nós pelo Pai (Jo 1.12,13; 17.25,26).

 Este verdadeiro mover de hombridade está se despertando, até mesmo borbulhando, nos corações dos homens. Mas falta ainda irromper dentro das igrejas, em grande parte porque ainda não ousamos descobrir que a autodisciplina é fruto do Espírito – não um produto natural do nosso próprio esforço, mas uma conseqüência sobrenatural de entrega ao Pai (Gl 5.22).

 Como Paulo proclamou: “Porque não recebestes o espírito de escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8.15).

 Que sejamos tão autênticos assim. 

 Este artigo foi publicado originalmente em “Fuller Theological Seminary Magazine” em março de 1998. Encontra-se atualmente no site do autor: www.abbafather.com.

 Gordon Dalbey é pastor, conferencista e autor de vários livros sobre o assunto de Hombridade em inglês, como “Healing the Masculine Soul” (“Curando a Alma Masculina”) e “Fight Like a Man” (“Lute Como um Homem”). Foi um dos preletores no primeiro evento dos “Promise Keepers” em estádio do Colorado, EUA, em 1992.


por Gordon Dalbey
 
Seja abençoado em nome de Jesus
 
Abraço
Roberto