sexta-feira, 12 de agosto de 2011

É ESTA A HORA DE FESTEJAR?

No meio do povo de Deus, muitos estão ficando angustiados por causa do espírito de irreverência e superficialidade que prevalece, hoje, em certas reuniões realizadas no nome do Senhor Jesus Cristo. À custa de sermos considerados atrasados, supercríticos e desinformados quanto ao tipo de mensagem e ambiente que atrai os jovens e traz multidões para a igreja – precisamos denunciar uma atitude e uma condição que, de acordo com nossa sincera convicção, não traz honra e, sim, desonra ao Senhor.

É evidente que a alegria é uma das marcas de quem nasceu de novo em Cristo. Um pequeno livro do Novo Testamento, a epístola aos Filipenses, emprega as palavras alegria e regozijar-se dezoito vezes. A pessoa que tem um encontro com Cristo tem o coração preenchido de alegria e segue seu caminho “cheio de júbilo”, assim como o eunuco etíope de Atos 8, após a conversão.

Entretanto, há uma grande diferença entre alegria e leviandade. E quando a Palavra de Deus e a mensagem solene da cruz são tratadas de maneira inconsequente e leviana, Deus deve ficar profundamente entristecido. Mesmo que as aparências indiquem um ministério de poder, sob tais circunstâncias há sérias dúvidas se o Espírito Santo terá condições de realizar um trabalho profundo e permanente.

Vivemos numa era enlouquecida por prazer. A febre por entretenimento e diversão alcançou seu ápice. Não é surpreendente, portanto, descobrir que as pessoas ao nosso redor geralmente são mais amantes do prazer do que de Deus. No entanto, quando membros da igreja verdadeira, o corpo de Cristo, conformam-se ao caminho do mundo, é muito trágico. E quando ministros do Evangelho acham necessário incrementar suas pregações com brincadeiras irreverentes e entreter os ouvintes como se fossem atores no palco de um teatro a fim de serem populares e atrair multidões, é fogo estranho que estão oferecendo ao Senhor.

Em outra época, num passado bem distante, um povo que professava pertencer ao Senhor estava festejando quando deveria estar lamentando e se arrependendo por causa da iminência do juízo divino. A eles, israelitas cativos em Quebar, Babilônia, Deus enviou uma mensagem por Ezequiel: “Assim diz o Senhor: A espada, a espada está afiada e polida. Está afiada para matar, está polida para reluzir. Por acaso ficaremos alegres?” (Ez 21.9-10). Um dia de juízo estava chegando, e não era hora de festejar.

Sumiu das igrejas hoje o altar de lágrimas que as gerações anteriores conheciam tão de perto. Num certo sentido, talvez, seja para o bem, já que ir ao altar de arrependimento adquiriu um significado meritório, como se as pessoas fossem salvas de acordo com a qualidade ou a quantidade de lágrimas que produzissem, e não pela fé no Filho de Deus e na completa eficácia de sua obra expiatória no Calvário. Contudo, seria espiritualmente muito mais proveitoso, em nossa opinião, se houvesse menos risos e mais lágrimas entre nós.

A conversão deve trazer, em alguma medida, um espírito genuíno de humilhação e confissão de pecados. Depois de ter uma verdadeira experiência com Deus, o novo convertido sentirá júbilo do Espírito, mas somente se antes se colocou de joelhos, em contrição e arrependimento. Precisa haver um Boquim (Jz 2.1-5), um lugar de pranto, para o pecador penitente que se torna consciente de sua total pecaminosidade, da perfeita santidade de Deus e da incomparável graça de Cristo em morrer pelo pecado e pelo pecador.

Sim, podemos continuar na nossa jornada, regozijando-nos como o povo redimido por Deus. Mas que Deus nos ajude a ficarmos conscientes, também, de sua santidade e da seriedade desta hora. "Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes" (Sl 126.6).


    Extraído da publicação Life Indeed.
Fonte: Jornal "Arauto da Sua Vinda"
por

DEUS TEM UMA PALAVRA PARA ESTA HORA





É PRECISO ARAR ANTES DE SEMEAR



É PRECISO ARAR ANTES DE SEMEAR
No campo de colheita espiritual, o trabalho de lavrar ou arar a terra é feito por meio de oração. A semeadura é “o ministério da Palavra”: pregação, ensino, evangelização. Seguindo o exemplo do Agricultor celestial, os primeiros trabalhadores na seara do Senhor já começaram dizendo: “Quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra” (At 6.4).

Observe a ordem: primeiro, oração. A oração tem a mesma relação ao ministério da Palavra que arar a terra tem com o processo de semear numa fazenda ou num jardim. 

A casa de Deus, antes uma “casa de oração”, agora é uma casa de pregação, de ensino e de educação religiosa. Porém, sem oração para lavrar a terra ociosa (o coração egoísta e pecaminoso das pessoas), é inútil lançar a semente, porque a Palavra não pode lavrar a terra sem oração. Um agricultor espera lavrar a terra simplesmente por jogar nela a semente? Evidente que não. Entretanto, nós como obreiros preguiçosos, achamos que é possível!

Mais uma vez, repito: oração faz para a pregação o que a aração da terra faz para o processo de plantio. Quando pregamos, ensinamos e evangelizamos com lábios frios, sem oração, a “boa semente” se perde, em grande parte. Lembre-se que a semente que caiu à beira do caminho” (na terra dura, sem arar) foi arrebatada pelo maligno (Mt 13.4,19). Orar é difícil, às vezes. Mas pregar a Palavra para uma congregação de pessoas indiferentes, com coração duro, é muito mais difícil!

Quando há muita oração antes do ministério da Palavra, a pregação é fácil e nem é preciso insistir muito, relativamente. Numa determinada vila no sul da Índia, um chefe e seu povo resistiram a um missionário e à sua pregação durante 20 anos. Finalmente, o missionário e seus ajudantes separaram um período de dez dias de oração. Pediram a alguns amigos para fazerem parte também. Logo após esse tempo de oração, o missionário foi mais uma vez àquela vila, e o chefe aceitou Jesus, juntamente com várias outras pessoas. Puderam começar uma igreja ali. 

Às vezes, orar é mais difícil do que pregar, assim como arar a terra é mais difícil do que plantar grãos. Para arar, leva muito mais tempo do que para plantar. Para preparar algumas áreas para o plantio, leva vários dias de muito trabalho, enquanto as mesmas áreas podem ser semeadas em apenas uma hora. 

O mesmo ocorre em relação “à oração e ao ministério da palavra”. Um litro de sementes plantadas em terra arada produzirá uma colheita maior do que um saco de sementes lançadas em terra dura. É assim também no Reino. O Espírito Santo, em resposta à oração daqueles que permitem que ele ore por meio deles, prepara corações para receber a Palavra. O coração de quem foi despertado pela oração de alguém receberá a Palavra “com alegria” (At 2.41).

por E. Reinschmidt
Fonte: Jornal "Arauto da Sua Vinda"

NADA É PRECISO DEMAIS PARA ELE

...A tua graça me basta não preciso de mais nada ♪
Nada é Precioso Demais Para Ele
“Nada que tenho é precioso demais para meu Senhor Jesus. Ele pediu o melhor que tenho e, de todo o coração, dou-lhe o meu melhor.”

Quem fez as afirmações acima foi um pai, durante uma reunião de despedida na Filadélfia, antes de sua única filha partir de navio para a China, junto com um grupo de novos missionários. Ele não sabia, naquele momento, que jamais a veria novamente e que ela partiria para estar com Cristo antes mesmo de tirar seu primeiro período de licença. Mas, quando as notícias trágicas chegaram, pela graça que Deus lhe deu, ele escreveu: “Ainda posso dizer: ‘Nada que tenho é precioso demais para meu Senhor Jesus’.”

Uma impressão duradoura

“Essa frase”, disse Hudson Taylor, “foi a coisa mais rica que recebi na América e tem sido uma benção incalculável para mim desde então. Às vezes, quando me sentia pressionado com as correspondências, ao chegar a hora da oração coletiva, surgia o pensamento: será que eu não deveria continuar com esta ou aquela atividade? Mas logo me vinha à mente: ‘Nada é precioso demais para meu Senhor Jesus’. E, então, deixava a correspondência para ser atendida mais tarde.

“Às vezes, quando a hora sagrada de comunhão individual com o Senhor chegava, bem cedo de manhã, eu acordava muito cansado e não queria me levantar. Porém, não existe outro tempo como a primeira hora do dia para afinar minha harpa para enfrentar a música do dia. Então, me vinha novamente esta frase: ‘Nada é precioso demais para meu Senhor Jesus’, e me levantava para descobrir que não se sente cansaço quando está com ele. Esse pensamento também tem ajudado na hora de deixar o lar e aqueles a quem amo. Na verdade, seria impossível contar quantas centenas de vezes Deus tem me abençoado por meio dessas palavras.”

Derramado diante do Senhor

Você se recorda daquele incidente (tão digno de nota que foi registrado duas vezes nas Escrituras) quando Davi sentiu vontade de beber água do poço de Belém? Quando expressou seu desejo, três de seus homens valentes saíram imediatamente para satisfazê-lo. Com grande empenho, lutaram e passaram pela guarnição dos filisteus que cercava a cidade de Belém, tiraram água do poço e a trouxeram em triunfo ao comandante (2 Sm 23.15-16; 1 Cr 11.17-18).

Davi bebeu daquela água? Não. Era sagrada demais. Aqueles três homens arriscaram sua vida para satisfazer o desejo do coração dele. Por isso, a água que trouxeram era muito preciosa, a coisa mais preciosa que Davi já recebera, e ele a derramou diante do Senhor. Não há nada precioso demais para o nosso Senhor.

Ele deu tudo o que tinha

No capítulo 29 de Êxodo, Deus dá instruções sobre a oferta contínua em Israel. Um cordeiro seria oferecido de manhã e outro ao pôr-do-sol, e, junto com cada um, a oferta diária de manjares e de libação (vinho derramado sobre o sacrifício). Quando o Cordeiro de Deus instituiu a festa memorial que chamamos de Última Ceia, passamos a compreender um pouco do significado de tudo isso.

“Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.” (Mt 26.26-28).

Nada foi precioso demais para seu Pai, pois entregou sua própria vida como holocausto a ele, um sacrifício de aroma agradável.

Entretanto, há outro aspecto do Calvário que fala do seu amor por você e por mim. Nada era precioso demais para nós, pois ele derramou o próprio sangue para que pudéssemos ser perdoados de todos os nossos pecados. Ele entregou seu corpo para ser partido, derramou seu sangue, sua vida por nossa causa. E quanto a nós, deveríamos reter coisa alguma de um amor como este?

Paulo não reteve nada. Considerou uma alegria derramar sua vida para o seu Senhor. Ele escreveu: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado” (2 Tm 4.6). E ele nos convida a segui-lo, assim como ele seguiu a Cristo.

Dando tudo o que ela tinha

William Burton conta como Deus supriu as necessidades dele e de James Salter quando foram para o Congo, confiando apenas no Senhor para sustentá-los.

Uma mulher fiel e trabalhadora ganhava seu sustento limpando escritórios. Mesmo ganhando pouco, com muito empenho ela economizava para formar uma reserva para uma necessidade futura. Com o passar dos anos, essa reserva foi crescendo. No fim, atingiu o valor de 100 libras (500 dólares na época). Ao longo dos anos, ela precisou renunciar muitas coisas que a maioria das pessoas consideraria essenciais, a fim de poder dar ao Senhor.

O irmão Burton escreve:

Depois de um tempo, parecia que havíamos sido esquecidos. Passava semana após semana, e pouco ou nada chegava. Os recursos estavam acabando lentamente e, finalmente, cessaram por completo. Então, oramos: “Fale ao coração dos teus filhos para que supram a necessidade. O país está aberto para nós. As pessoas querem ouvir o Evangelho. Por amor a estes milhares de perdidos, abre as portas para que continuemos testemunhando da tua graça salvadora”.

A cabana de palha no Congo estava muito, muito distante das ruas movimentadas de Lancashire, mas os missionários em Mwaza e a faxineira diligente no norte da Inglaterra estavam ajoelhados diante do mesmo Trono.

“Senhor, eu sinto que eles estão passando necessidade”, ela orou. “Envia-lhes ajuda.”

De repente, veio um pensamento ao coração dela: “E quanto às suas cem libras?”

“Mas, Senhor, eu sempre te dou meu dízimo; aquela reserva é tudo o que tenho para a minha velhice.”

“Quando enviei meu Filho para morrer por você no Calvário, era apenas o dízimo que estava lhe dando?”

“Senhor, não tenho mais nada a dizer. Tudo pertence a ti. Por amor àquele que derramou seu sangue por mim e por amor àquelas almas que estão perecendo, toma tudo o que tenho.”

Logo o irmão em Lancashire, que servia como tesoureiro da missão, ficou maravilhado ao receber a visita dessa irmã com uma oferta de cem libras para o trabalho no Congo. Sem alarde, ela deu as economias de uma vida de trabalho, tudo o que ela tinha.

Não há nada precioso demais para o nosso Senhor Jesus.

por Stanley Howard Frodsham
Fonte: Jornal Aralto da Sua Vinda

O SEGREDO DO PODER ESPIRITUAL

O Segredo do Poder Espiritual
O segredo do poder de Deus no homem consiste na união do Espírito Santo com as faculdades e energias purificadas da alma humana e, do lado do homem, no abandono total de si mesmo e na genuína cooperação com o Espírito Santo. Não importa o grau de santidade que alguém possa ter, é necessário que esteja ligada nele uma corrente divina, tornando-o condutor de energia sobrenatural, vinda do próprio Deus. 

Esse poder divino é um segredo desconhecido para o mundo, incompreendido por muitos dos mais eruditos e intelectuais, mal-entendido pela mente carnal, totalmente além do alcance de filósofos ou cientistas. 

Vejamos algumas provas das Escrituras. Jesus tinha uma alma pura; desde a concepção, já era completamente livre da natureza caída de Adão. Assim, mesmo em sua natureza humana, era superior em força moral a todos os homens do mundo. Contudo, não foi pela força dessa natureza santa que realizou as obras do Pai. O poder que Jesus utilizou para operar milagres, pregar sermões, curar doenças, expulsar demônios e salvar os perdidos não era o poder de sua alma sem pecado, mas o poder que fluía do batismo do Espírito Santo sobre sua humanidade pura.

Isso pode ser visto claramente pelo próprio fato de a vida dele ser dividida em dois períodos distintos. Desde sua infância até o batismo no Jordão, ele viveu uma vida inteiramente santa, porém não realizou milagre algum. A partir do momento, porém, em que o Espírito Santo desceu sobre ele, passou a agir sob uma unção perpétua que fluía através dele, vinda do Espírito Santo. Daí o nome Cristo, ou Ungido. Assim, além de suas faculdades de criatura santa, Deus derramou nele a plenitude do Espírito. De acordo com a Escritura, depois que Jesus passou pela tentação no deserto, ele retornou à Galileia no poder do Espírito Santo (Lc 4.14). Voltar no “poder do Espírito Santo” implica que lhe foi dado um poder que não possuía antes, quando era apenas um homem sem pecado. 

Agora, se Jesus precisou do Espírito Santo para unir-se à sua natureza de homem sem pecado e dar-lhe a chave especial de poder para sua missão, e se ele é o nosso exemplo, quanto maior é a nossa necessidade de ter o coração santificado e as faculdades mentais ligados em união vital com o Espírito Santo, para que, por meio dessa união, possamos realizar a obra de Deus! Não podemos, de forma alguma, depender de nós mesmos, nem de qualquer outra criatura ou quantidade de criaturas, por mais santas que sejam.

Quando a alma santificada está unida, intimamente, com o Espírito Santo, dessa união inefável flui o que a Bíblia chama de o poder de Deus. Portanto, o segredo do poder é deixar o Espírito Santo unir sua própria pessoa ao nosso homem interior, limpando-o, enchendo-o, inspirando-o, suprindo-o, de acordo com cada situação ou emergência, com sua luz, energia, sabedoria, coragem, tato e zelo sobrenaturais, a fim de podermos realizar a vontade e a obra de Deus. Esse poder é algo que Deus implanta no interior da pessoa, de tal modo que, mesmo não sabendo explicar, ela não se abate nem desmorona com a pressão de milhares de coisas que certamente a derrotariam em sua natureza humana, se dependesse apenas de si mesma.
 A crucificação do ego
Uma condição essencial para a plenitude de poder espiritual é a crucificação do ego a fim de sermos unidos com o Espírito Santo. Deus não pode encher-nos com seu Espírito, iluminar-nos, dotar-nos com coragem e ousadia ou com percepção espiritual e energia divina enquanto não formos crucificados. Primeiro, devemos morrer para depois viver; precisamos reconhecer nossa inerente e total tolice humana a fim de receber sabedoria do alto; precisamos estar conscientes da nossa própria e indescritível fraqueza para podermos nos ligar ao poder de Deus. A sua força é aperfeiçoada exatamente no ponto em que a nossa fraqueza é total.

De acordo com o relato de Gênesis, quando Deus encontrou Jacó em Peniel e lutou com ele, a oração de Jacó prevaleceu exatamente no ponto em que ele foi totalmente vencido. Geralmente se diz que Jacó lutou com o anjo, mas a Palavra afirma que foi o homem que lutou com Jacó (Gn 32.24). Não esqueça que essa luta não era com um pecador endurecido, porque Jacó havia entrado na família de Deus vinte anos antes, na experiência que teve em Betel. O conflito aqui era entre a perfeita vontade de Deus e a perversidade natural de Jacó. 

No princípio, Jacó pensou que estava lutando contra um simples homem. Não foi preciso lutar muito, porém, para descobrir que o homem era um anjo e, um pouco depois, que era mais do que um anjo qualquer – era o Príncipe dos Anjos. No fim, antes que a luta terminasse, ele descobriu que se tratava do próprio Deus. Assim, a pessoa que, no começo, parecia um simples homem, revelou-se como Jeová Elohim, o Senhor Todo-poderoso, ninguém menos do que o Senhor Jesus.

Quantas e quantas vezes isso é ilustrado na nossa experiência! Deus vem até nós disfarçado para conquistar-nos em pontos inesperados e de maneiras inesperadas. Ele luta contra nossa natureza na humilde armadura de uma pequena circunstância ou de uma pessoa despretensiosa, ocultando sua infinita majestade debaixo de uma aparência simples e comum de tal forma que nem sonhamos que possa ser Deus até o momento em que somos conquistados e desaparece o véu diante dos nossos olhos. Como Jacó, ficamos espantados por estarmos ali “face a face com Deus”. 

O Senhor lutou com Jacó a fim de quebrar, completamente, toda resistência oculta que havia nele ao Espírito Santo, toda resistência latente à vontade e ao amor de Deus. E, quando viu que a luta estava ficando difícil e demorada, ele tocou a junta do quadril de Jacó e a deslocou.

A mesma coisa acontece conosco. Para podermos receber a força de Deus, a chave secreta do poder, Deus entra em luta conosco. Essa luta precisa continuar até que ele consiga quebrar totalmente a resistência que há em nós à sua vontade – não somente a resistência aberta, visível e consciente, mas toda resistência escondida e imperceptível que está embutida na nossa herança ou nos sentimentos e faculdades.

Ele precisa atingir aquela sutil teimosia natural que a delicada natureza divina vê e sente, mas que nós não conseguimos detectar. Ele precisa nos quebrar justamente no ponto em que somos mais fortes, onde se encontra a fonte de nossa energia, esteja ela na cabeça, nas mãos ou no coração, esteja ela na mente, na nossa maneira de administrar as coisas ou no dinheiro, esteja ela na nossa educação ou no tipo de preconceito, desejo e afeto – em qualquer área em que nos achamos superiores ou em que se concentra mais ego e autoconfiança, é lá que o dedo de Deus precisa aplicar a faca, onde a última resistência precisa morrer a fim de que o Espírito Santo possa tornar-nos um só com ele, participantes de sua natureza e poder. 

Paulo diz: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu...”(Gl 2.20). Em toda a Palavra de Deus, vemos que a crucificação precede o verdadeiro poder espiritual. Não somente é necessário que Deus derrube os hábitos e vícios de um pecador para convertê-lo, mas, naqueles que já foram regenerados, ele também precisa quebrar sua sabedoria, justiça e experiência, seu conhecimento e treinamento eclesiástico, seus preconceitos e sectarismo. Para Deus quebrar a justiça própria de um homem cristão, é tão difícil quanto quebrar a injustiça de um pecador. 

Não pense que estou dizendo que Deus vai derrubar sua própria sabedoria, justiça ou poder; a única coisa que ele quer quebrar é o tipo de sabedoria, justiça e força que é gerado e nutrido pela natureza humana. Tudo o que se origina no ego, na natureza da criatura precisa ser crucificado a fim de que a criatura possa se unir a Cristo por meio do Espírito Santo. É dessa união espiritual e vital que é gerado outro tipo de sabedoria, justiça e força, infinitamente superior ao que é produzido por uma criatura. Precisamos fazer morrer não somente a natureza ímpia, mas, também, a natureza que tem aparência boa, para podermos ser habitados e possuídos pelo Espírito de Deus.

 Insignificância própria
Outro segredo do poder espiritual é sempre ignorar nossa capacidade natural como criatura. Não estou dizendo que devemos negar nossa capacidade. Falar uma inverdade não ajuda Deus em nada, quer seja contra nós mesmos ou contra Satanás, e afirmar que não somos nada, no sentido absoluto da palavra, não é bíblico.

O que estou dizendo é que o segredo do poder está em ignorar nossa capacidade natural como base suficiente para o sucesso. Na esfera das criaturas, nossa habilidade natural pode até valer alguma coisa, mas no reino da graça divina, na esfera em que os milagres espirituais são realizados, podemos ser eficientes nas mãos de Deus somente quando desprezamos completamente a própria suficiência. É nesse sentido que se encaixam diversas expressões bíblicas que descrevem a natureza humana como “pó e cinza”, um “vaso quebrado”, “os coxos repartindo a presa”, “o menor de todos”, “ainda que nada sou”, “escolheu as coisas fracas do mundo, [...] e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são”.

Devemos nos colocar nas mãos de Deus sem confiar na própria força. Abandonemo-nos a nós mesmos, por completo, ao Espírito de Deus e, ao mesmo tempo, desprezemos totalmente qualquer força, sabedoria ou bondade que sejam nossas como criaturas.
Permita-me dar um exemplo. José foi maravilhosamente santificado durante o período que passou na prisão. Aprendemos no Salmo 105.19 que naquele lugar “a palavra do Senhor o provou”, de tal maneira que seu caráter foi profundamente mudado. Quando o faraó mandou chamá-lo, os servos se apressaram, barbearam-no e trocaram suas roupas de prisão, para levá-lo sem demora diante do rei. 

O rei, então, lhe disse: “Ouvi dizer a teu respeito que, quando ouves um sonho, podes interpretá-lo”. Na resposta de José para o rei, ele revela seu segredo de poder: “Não está isso em mim” (Gn 41.16). Embora tivesse capacidade e talento muito acima da maioria de seus pares, ele sabia que a interpretação do sonho do rei era um segredo divino com um propósito divino, e que estava muito além do alcance de qualquer mente humana não inspirada. Por isso, renunciou completamente qualquer capacidade própria.

Então, ele disse: “Deus dará resposta favorável a Faraó”. Que imensidão de significado há nesta palavra: “Deus dará!” Assim, apoiando-se no Espírito Santo e renunciando qualquer autoconfiança, em total abandono à vontade divina, José recebeu de Deus a interpretação. E ele deu ao faraó a interpretação exatamente como Deus lhe concedera. Ele não tinha a interpretação antes de chegar à presença do rei; ele a recebeu ali mesmo, naquele instante, porque Deus derramou nele uma corrente de luz e discernimento. Ele havia morrido para a confiança em sua sabedoria natural, e todo o seu ser estava em tal atitude de dependência que Deus pôde habilitá-lo a falar. Ele não era uma bateria que armazena energia, mas um fio que conduz a corrente. 

Quando ele terminou de transmitir a interpretação, o rei disse: “O Espírito de Deus está em José”. Aquele rei pagão viu uma luz e um poder sobrenaturais naquele pobre prisioneiro que superou todos os sábios do Egito.

Ali está o poder secreto, um poder que convenceu um rei idólatra, um poder que penetrou todas as defesas de sua natureza pagã e o fez adotar a estratégia fornecida por um ex-condenado e, assim, imortalizar seu nome para sempre. 

Podemos usar, também, o exemplo dos apóstolos, quando, por meio deles, foi curado um paralítico na Porta Formosa do templo. Quando a multidão olhou para eles como se fossem semideuses, Pedro lhes disse: “Por que estão olhando para nós, como se por nossa virtude ou santidade tivéssemos feito este homem andar? É pelo nome de Jesus, pela fé em seu nome, que este homem foi curado diante dos seus olhos” (veja Atos 3).

Em toda a Palavra de Deus, o segredo do poder é: “confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento” (Pv 3.5). Observe que não é meramente deixar de depender do próprio entendimento, mas nem mesmo se apoiar ou se inclinar em direção a ele. Estamos sempre tão prontos a nos apoiar na própria experiência, como se sabedoria e unção fossem forças que pudessem ser armazenadas em nossas faculdades. Um homem que prega há vários anos terá a tendência de se apoiar nos velhos sermões e esboços, e alguém que está na obra do Senhor por algum tempo pensará que pode se apoiar nos métodos que já deram certo. 

Existe, é claro, um sentido em que podemos adquirir sabedoria, facilidade e fluência. O homem que vive constantemente a serviço de Deus, pregando, exortando e ensinando, adquire experiência, de fato, torna-se capacitado no exercício dos dons e no discernimento de tempo e de situações. Do ponto de vista natural, o uso habilidoso de dons e de conhecimento tem valor considerável. 

Entretanto, estou falando agora a respeito do segredo do poder divino, não do segredo do poder natural. O segredo do poder divino é que, apesar de tudo o que aprendemos, de toda habilidade e experiência adquiridas, jamais podemos confiar em tais depósitos. Nunca podemos sacar um cheque dessas contas a fim de obter sucesso, mas considerá-las apenas como o pó que Deus usou para fazer o corpo do homem.

Se quisermos ser servos nas mãos de Deus e continuar no caminho do poder, teremos de nos manter neste caminho de desprezar a capacidade natural e depender em todo o tempo, em cada ocasião, como se fosse a primeira vez, do dom do Espírito.

Oh, se pudéssemos simplesmente nos lembrar de como realmente somos. Lembrar que não somos nada, que somos vazios e fracos; lembrar da nossa atitude para com Deus e a sua obra. Deus concede unção, não como se fosse um reservatório, mas como um regato; não como uma fonte, mas como uma corrente; não como uma bateria, mas como uma transmissão. Num reservatório, a água está represada, mas, num canal, está num fluxo permanente. Da mesma forma, o coração santificado, agindo pelo poder do Espírito Santo, é mais semelhante a um fio, ao longo do qual a faísca pode brilhar a qualquer momento, do que a uma bateria que armazena eletricidade. Muitos obreiros cristãos perderam o poder por se considerarem, inconscientemente, como um reservatório.

Precisamos nos manter nesse ponto de desconsiderar a própria capacidade e, ao mesmo tempo, de buscar suficiência somente em Deus. Isso é tão real quanto o fato de que a luz do sol precisa ser recebida hoje, não servindo para isso a luz que recebemos ontem. 

 Entregue a Obra para Deus
Se quisermos ter o segredo permanente do poder, precisamos consentir em experimentar aparente fracasso para Jesus. Não sei se isso vai chocá-lo, mas se observar os grandes acontecimentos de crise na Bíblia e na vida das pessoas de grande fé, você descobrirá, vez após vez, que a vinda de poder dependia da plena disposição de ser visto como fracasso total aos olhos do mundo. Aqueles que trabalham com Deus não podem ser fracassos do ponto de vista dele, mas há ocasiões em que, da nossa perspectiva, sentimos que tudo deu completamente errado. Ao aceitarmos em silêncio esse aparente fracasso, por amor a Jesus, as portas de oportunidade, do lado da vida natural, se fecham enquanto, ao mesmo tempo, as válvulas do lado divino se abrem para o influxo da energia que move o universo. 

É muito fácil, até para o coração santificado, ficar ligado à obra em que está envolvido e desejar que ela seja bem-sucedida como uma obra própria. É muito fácil para pessoas dedicadas que dirigem reuniões de acampamento, convenções, grupos caseiros, missões ou qualquer espécie de empreendimento espiritual ou filantrópica ficarem muito apegadas ao próprio empreendimento e nutrirem um desejo vaidoso por sucesso. Uma análise mais minuciosa do coração vai revelar que, em geral, colocamos a nossa própria ambição na obra, e o Espírito Santo que sonda todas as motivações, revela o terrível segredo de que, em última análise, é o ego humano que anseia por sucesso.

Agora, para toda a glória ser dada a Deus, ele terá de macular a bela face do sucesso aparente e fazer com que morramos para nosso próprio sucesso na obra. Só assim é que ele poderá obter resultados muito maiores do que imaginávamos nos nossos maiores sonhos. Jesus não quer nos ver mais apaixonados pela obra dele do que por ele próprio. 

O homem que nunca sente que tem do que se orgulhar no seu trabalho, mas considera que sua obra nada representa em termos de crédito para si mesmo, é aquele que estará sempre disposto a ser visto como fracasso aos olhos dos homens. Leia a história dos grandes empreendimentos de fé, tais como os que foram feitos por Lutero, o orfanato de George Muller ou o trabalho do Bispo Taylor na Índia e na África. Veja como, em milhares de ocasiões na vida desses homens, eles tiveram de ser considerados fracassos aos olhos não somente do mundo, mas também de filósofos, igrejas, ministros e clérigos renomados. 

Observe suas lutas sozinhos em oração, suas sublimes mas solitárias convicções, as elevadas visões que ninguém mais conseguia enxergar. Veja como ultrapassaram os legisladores na sua própria lei, sobrepujaram professores universitários no seu ensino, eclipsaram banqueiros terrenos na administração do dinheiro e envergonharam a ineficácia, a inércia e a incredulidade da maioria dos cristãos nominais ao seu redor. Note como, pelo alvo de alcançar tais resultados grandiosos, tiveram de se humilhar a todo tempo no pó, recebendo críticas, reações frias e desprezo da parte de quem esperavam ajuda.

Posso dar dois exemplos das Escrituras. Ester foi instruída por Mordecai a tomar uma decisão ousada para salvar os judeus. Em resposta, ela disse: “Se eu fizer isso, posso morrer”. Mesmo assim, porém, ela aceitou o desafio, dizendo: “se perecer, pereci” (Et 4.16). Essa disposição de coração de morrer e ser enterrada em desgraça, se necessário, foi a chave que destravou a porta da prisão e libertou uma nação inteira. Ali estava o segredo do poder. 

Quando o grande monarca da Babilônia repreendeu os três hebreus por não adorarem a sua imagem, eles responderam firmemente: “Fica sabendo, ó rei, que não adoraremos a tua imagem. O nosso Deus, a quem servimos, é capaz de livrar-nos da fornalha de fogo ardente; contudo, se não nos livrar, mesmo assim não adoraremos a tua estátua” (Dn 3.17-18).

O segredo do poder está na expressão “mas se não”. Se vivermos pela fé e andarmos com Deus, haverá muitas ocasiões em que testes semelhantes nos confrontarão, com fornalhas ardentes para a nossa destruição. Para podermos passar pela fornalha sem nos queimar, precisamos carregar esse “mas se não” no nosso coração. O valor real de qualquer obra que fizermos para Deus poderá ser avaliado pelo número de dificuldades que encontramos pelo caminho ou pelo esforço que Satanás faz para destruir aquilo que já foi realizado.

No livro de Apocalipse, Satanás ficou atento, esperando para devorar o filho varão assim que nascesse. É isso o que acontece com toda verdadeira obra de Deus. Se você recebe uma grande bênção do Espírito Santo, Satanás logo tentará destruí-la ou pervertê-la. Se houve um acampamento maravilhoso, uma convenção, um avivamento, Satanás encontrará instrumentos humanos, muitas vezes dentro da própria igreja, para destruir ou reprimir a obra de graça, se possível. Em tais ocasiões, o verdadeiro servo de Deus deve aceitar o aparente fracasso do seu trabalho e, ao mesmo tempo, continuar trabalhando e entregar a obra ao cuidado absoluto de Deus.

 Reconheça a Presença do Espírito Santo
O último pensamento que queremos dar em relação ao segredo do poder é que devemos reconhecer constantemente a presença do Espírito Santo. Há uma chave maravilhosa de força quando reconhecemos a presença divina em nós e na obra que Deus nos chamou para fazer. “(Moisés) permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível” (Hb 11.27).

A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso” (Ex 33.14). Cada vez que vamos a uma reunião, ou falamos com uma pessoa, ou oramos, ou cantamos, ou trabalhamos para Deus, se naquele instante reconhecermos que o Espírito Santo está em nós e conosco, ele não só será a fonte da nossa inspiração, mas o ato de fé que Deus honra com sucesso. Não estou dizendo que não devemos orar pela presença do Espírito Santo, para que ele venha sobre nós e a Palavra, mas que, tendo orado no nome de Jesus, devemos crer que a oração já foi respondida.

Esquecer da presença de Deus, considerar que ele está distante é nos desligar da fonte de poder e permitir que nosso espírito desmorone. Mas, no momento em que, consciente e claramente percebermos que Deus está presente, que o Espírito, o Consolador está neste lugar e que ele está pronto e disposto a agir por meu intermédio para destruir fortalezas – que diferença isso fará em nossas palavras, orações e cânticos!

Haverá uma liberdade, uma unção, uma alegria que nada mais poderia inspirar. “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.20). Não me importa quão pobre ou doente ou fraco você esteja, no momento em que sua alma percebe claramente a verdade eterna do fato, “estou convosco todos os dias...”, uma fonte secreta de poder estará aberta dentro do seu coração que está acima de qualquer eloquência ou magnetismo, porque ela é a fonte de toda eloquência e magnetismo. Esse é o único poder que está à altura dos propósitos do Evangelho.

É sobremodo maravilhoso como Deus pode usar aquilo que é extremamente fraco e debilitado para sua glória, especialmente quando nos empenhamos, não em favor do nosso próprio salário ou fama, mas para a glória do nome de Jesus, plenamente dispostos a ser amados e honrados somente por Deus. Quando o Senhor se agrada de nos usar em qualquer obra, o melhor que podemos fazer é entregá-la de volta a Deus, assim que o fizermos, e cair de volta à nossa pequenez e insignificância natural, para descansar em Deus.
           
por George D. Watson

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

APOCALIPSE 13

Apocalipse 13

Apocalipse 13 é um dos mais fascinantes e misteriosos capítulos de toda a Bíblia. Esse capítulo é singular para a nossa época, porque não identifica países definidos por fronteiras; em vez disso, ele fala do mundo inteiro – um mundo global. Essa mensagem simplesmente ignora que o planeta Terra é dividido em cinco continentes e aproximadamente 200 nações. Ele ignora que essas nações são diversas, falam línguas diferentes, têm diferentes culturas, praticam várias religiões, têm seus próprios costumes e festejam seus próprios feriados. Apocalipse 13 ignora tudo isso e simplesmente nos revela um mundo único no final dos tempos: uma Nova Ordem Mundial para todas as pessoas do planeta Terra.

Sabemos que uma situação dessas seria impossível um século atrás. O mundo era muito diversificado e dividido por fronteiras nacionais, mantidas por forças militares. Mas, hoje em dia, está acontecendo uma coisa que nunca aconteceu antes: a corrida em direção ao globalismo.

Durante a crise financeira internacional, o globalismo atravessou um terreno instável, em que as nações tentaram desesperadamente cuidar de si mesmas. Neste contexto, o protecionismo tornou-se uma questão séria para o mundo. Mas tudo isso é temporário. Não devemos jamais permitir que nossa visão da profecia bíblica seja obscurecida pelas circunstâncias atuais. No fim das contas, o mundo precisa, e irá, se tornar um. Essa é uma sentença irrevogável da profecia bíblica. 

Apocalipse 13 mostra o resumo do sucesso fraudulento de Satanás, o deus deste mundo e príncipe das trevas que dominou o planeta Terra com suas artimanhas. Esse capítulo da Bíblia fala de política, comércio e religião; tudo junto. A autoridade terrena é o Anticristo; seu poder é absoluto. Ninguém pode existir no planeta Terra se não tiver a marca da besta.
Os 18 versículos de Apocalipse 13 são uma mensagem compacta sobre o final dos tempos, destacando três identidades principais:
1. O dragão;
2. A primeira besta, que é o Anticristo; e
3. A segunda besta, que é o falso profeta.

Trindade e criação

O dragão, a primeira e a segunda besta são uma imitação da Trindade de Deus. Sua tarefa é a criação de duas coisas específicas: 1. A imagem da besta; e 2. A marca da besta.
Enquanto Deus criou o homem à sua imagem e lhe ordenou que sujeitasse a terra, a trindade do mal cria a imagem e a marca da besta para sujeitar o homem. O propósito de Satanás é tornar o homem sujeito à sua autoridade. Satanás quer ser Deus. Essa, em resumo, é a história da humanidade.

Introdução à revelação de Jesus Cristo

A mensagem desse capítulo precisa ser entendida, estudada e analisada no contexto de todo o livro do Apocalipse.
O livro começa com: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João” (Apocalipse 1.1); e termina com: “A graça do Senhor Jesus seja com todos” (Apocalipse 22.21). Ele é, portanto, a Revelação de Jesus Cristo.
Os três primeiros capítulos revelam o Senhor exaltado e suas mensagens para sete igrejas especificadas por seus nomes. Essas igrejas são geográfica e historicamente identificáveis. São igrejas reais, existentes na terra.

Céu aberto

Então, no capítulo 4, algo diferente acontece: “Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas” (v. 1). Agora, o lugar do evento é o céu. O texto menciona especificamente que João recebeu ordem de subir “para aqui” a fim de ver e transcrever “o que deve acontecer depois destas coisas”.
Ao lermos o livro de Apocalipse, é importante entender que esta é uma mensagem vinda do céu.

Fora deste mundo

Ao lermos o livro de Apocalipse, é importante entender que esta é uma mensagem vinda do céu. João está na presença do Senhor, no céu. Estamos diante de algo que, literalmente, não é deste mundo, mas é endereçado às pessoas da terra, particularmente àqueles que lêem e ouvem: “Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo” (Apocalipse 1.3).

Coisas físicas terrenas e coisas físicas espirituais

Ao lermos o livro de Apocalipse como crentes em Cristo, precisamos pedir sabedoria para distinguir entre coisas físicas terrenas e coisas físicas espirituais.
Aqui está um exemplo: No capítulo 1, encontramos uma descrição do Senhor:

“Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido, à altura do peito, com uma cinta de ouro.  A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força” (v. 12-16).

João é incapaz de descrever o que está vendo, senão através de definições metafóricas. Observe as palavras “semelhante” e “como”. Os seus cabelos eram brancos “como neve”; seus olhos, “como chama de fogo”; seus pés “semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha”; a sua voz “como voz de muitas águas”. 

Se deixarmos nossa imaginação correr solta, construiremos uma figura delirante: um homem com cabelo branco, com labaredas saindo dos olhos, pés pegando fogo, e com uma voz parecendo as Cataratas do Niágara. Esses pensamentos nos levam a uma imagem distorcida da realidade espiritual que o autor tenta transmitir no livro de Apocalipse.
Vejamos alguns outros exemplos.

Irreal, em termos terrenos

No capítulo 5, lemos estas palavras: “... eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu...” (v. 5). No verso 6, lemos: “... entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto...”. Obviamente, o Senhor não havia se transformado num animal, num cordeiro, e nem num leão. Ele é aquele que Isaías descreve: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9.6).

Mas, novamente, acho que todos nós concordamos que uma criança não poderia ser chamada de “Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. Sob o ponto de vista intelectual, não faz o menor sentido. Assim, precisamos nos lembrar do que diz 1 Coríntios 2.14-15: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém”.
Não faz sentido presumir que a besta sobre a qual lemos em Apocalipse 13 seja um animal desconhecido que tem sete cabeças e dez chifres.

A besta de sete cabeças

Do mesmo modo, não faz sentido presumir que a besta sobre a qual lemos em Apocalipse 13 seja um animal desconhecido que tem sete cabeças e dez chifres. Se deixarmos essas fantasias entrarem na nossa mente, imaginando a figura de um monstro, teremos dificuldade em entender o significado espiritual realista dessa profecia.

Apocalipse 13 pode ser difícil de entender, mas isso não altera o que está escrito em 2 Timóteo 3.16: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. Com essas palavras, temos a garantia da confiabilidade da Bíblia e recebemos instruções para estudar criteriosamente o conteúdo da Bíblia; neste caso, o livro de Apocalipse.

Toda a terra

Em particular, este capítulo se aplica à época em que vivemos por causa das palavras que identificam o globalismo: “toda a terra” (v. 3); “cada tribo, povo, língua e nação” (v. 7); “adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra” (v. 8); “a terra e os seus habitantes” (v. 12). Essas palavras apontam claramente o que está acontecendo em nossos dias. “Toda a terra” significa o mundo inteiro, e essa é a característica do globalismo.

É mais do que evidente que isso não poderia ter acontecido 100 ou 200 anos atrás. Naquela época, seria impossível para o mundo se unir, ser governado por um único líder ou ter um sistema econômico que monopolizasse o planeta Terra. Pensar em uma religião unificada que fizesse com que “todos os que habitam sobre a terra” adorassem a besta era algo completamente fora de cogitação.
O que aconteceria se seus aviões não pudessem voar por cima dos outros países? A interdependência é um resultado natural do avanço tecnológico.

A nova interdependência

Até há pouco tempo, as nações tinham independência. Cada uma delas precisava zelar pela segurança de suas fronteiras e estabelecer novas, na maioria das vezes pelo uso da força. Elas tinham que cuidar de sua economia, finanças e religião, independentes umas das outras. Mas, hoje em dia, isso já não acontece. Praticamente tudo se tornou uma questão global. Tudo o que acontece em outros países, afeta o nosso. A independência foi substituída pela interdependência. O motivo disso é bastante razoável. Por exemplo, para fazer vôos para a Europa, os Estados Unidos tem que pedir permissão ao Canadá para cruzar seu espaço aéreo. Pense só em países interiores, como a Suíça. O que aconteceria se seus aviões não pudessem voar por cima dos outros países? A interdependência é um resultado natural do avanço tecnológico.

Comunicação

A comunicação entre as nações também era limitada. Os países falavam línguas diferentes. A tradução só estava ao alcance das classes superiores. Ninguém sabia realmente o que estava acontecendo no país vizinho. A única informação disponível era aquela fornecida por seus respectivos líderes.
Hoje em dia, podemos nos comunicar com o mundo todo a qualquer hora. Ondas de rádio, telefone, satélites e cabos interconectaram os continentes. Praticamente todas as pessoas podem se comunicar com qualquer um a qualquer hora.

Transporte

Quando lemos na Bíblia sobre uma sociedade política, econômica e religiosa global, compreendemos que só nos nossos dias é que essas coisas são possíveis.

E o que dizer dos transportes? As possibilidades eram bastante limitadas antes de 1900. Os transportes terrestres dependiam da tração animal: cavalo, jumento, camelo, etc. Essa forma de viajar extremamente desconfortável provocava dores nas costas, era muito cansativa e expunha o viajante a grandes perigos. Até mesmo um rei não conseguia percorrer mais do que alguns quilômetros por dia. 

Além disso, não havia estradas pavimentadas que permitissem uma viagem com um mínimo de conforto. Fora dos vilarejos e cidades, não havia ruas pavimentadas nem rodovias de concreto. As viagens dependiam das condições meteorológicas. Ao tentar ir de um lugar ao outro, o viajante podia ficar retido por vários dias por causa da chuva, por exemplo. As pontes eram poucas. 

No calor do verão, deveria ser insuportável viajar por aquelas estradas quentes e poeirentas, através de densas florestas, sujeito a todo tipo de perigo a cada curva. Cruzar os oceanos era se arriscar num barquinho de madeira, dependendo dos ventos para se mover e esperando que eles soprassem na direção certa. Histórias sobre as antigas viagens marítimas ficaram registradas para nós no Livro dos Atos. Hoje, podemos praticamente dar a volta ao mundo em 24 horas. Um percurso de 50 km numa cidade não é nada incomum. Muitos fazem isso diariamente.

Portanto, quando lemos na Bíblia sobre uma sociedade política, econômica e religiosa global, compreendemos que só nos nossos dias é que essas coisas são possíveis. Estamos vivendo na época em que essas coisas podem se cumprir.
Espero que esta breve introdução prepare o palco para nosso estudo a respeito desse capítulo singular – Apocalipse 13 – e transmita ao nosso coração a mensagem de que esta é realmente a preparação para a última vitória de Satanás! (Arno Froese - http://www.chamada.com.br)

A VERDADE SOBRE OS SINAIS DOS TEMPOS

A Verdade Sobre os Sinais dos Tempos

Quais São os Sinais do Fim da Era da Igreja?

Salvo algumas exceções, a era da Igreja não é um período de cumprimento profético. Pelo contrário, a profecia será cumprida depois do Arrebatamento, em relação à ação de Deus com a nação de Israel nos sete anos da Tribulação. A atual era da Igreja, em que os crentes vivem hoje, não tem uma cronologia profética específica, como Israel e sua profecia das setenta semanas de anos (Daniel 9:14-27). No entanto, o Novo Testamento dá características gerais que descrevem a era da Igreja.

Até mesmo profecias específicas cumpridas durante a era da Igreja estão relacionadas ao plano profético de Deus para Israel e não diretamente para a Igreja. Por exemplo, a destruição profetizada de Jerusalém e seu Templo em 70 d.C. é relativa a Israel (Mateus 23.28; Lucas 19.43-44; 21.20-24). Portanto, não é contraditório que as preparações proféticas relacionadas a Israel já estejam acontecendo com o restabelecimento de Israel como nação em 1948, apesar de ainda estarmos vivendo na era da Igreja.

A era da Igreja não é caracterizada por eventos proféticos historicamente verificáveis, exceto seu início no Dia de Pentecostes e seu fim com o Arrebatamento. Mas o rumo geral desta era foi profetizado e pode oferecer uma visão panorâmica do que se pode esperar durante esta era.

Existem sinais relacionados ao plano divino do fim dos tempos para Israel?

Sim, existem muitos sinais relacionados ao programa divino do fim dos tempos para Israel. No entanto, devemos ter cuidado com a maneira como os relacionamos a nós hoje durante a era da Igreja. Já que os crentes de hoje vivem na era da Igreja, que terminará com o Arrebatamento da Igreja, sinais proféticos relacionados a Israel não são cumpridos nos nossos dias. Ao invés disto, o que Deus está fazendo profeticamente nos nossos dias é preparando o mundo ou "montando o cenário" para a hora em que Ele começará Seu plano relacionado a Israel, que envolverá o cumprimento dos sinais e dos tempos. Um indicador importante de que provavelmente estamos próximos do começo da Tribulação é o fato evidente de que a nação de Israel foi reconstituída depois de quase 2000 anos.

O que significa "montar o cenário"?

A atual era da Igreja não é uma época em que a profecia bíblica está sendo cumprida. A profecia bíblica está relacionada com um período depois do Arrebatamento (o período de sete anos da Tribulação). Porém, isto não quer dizer que durante a atual era da Igreja, Deus não esteja preparando o mundo para esse período futuro – na verdade, Ele está. Mas isto não é "cumprimento" específico de profecia bíblica. Portanto, mesmo que a profecia não esteja se cumprindo na nossa época, isto não quer dizer que não podemos identificar "tendências gerais" na atual preparação para a Tribulação vindoura, principalmente porque ela acontecerá logo depois do Arrebatamento. Chamamos esta abordagem de "montagem de cenário." Assim como muitas pessoas separam a roupa na noite anterior para usá-la no dia seguinte, Deus está preparando o mundo para o cumprimento certo da profecia no futuro.
O Dr. John Walvoord explica:
Mas se não há sinais para o Arrebatamento em si, quais são as fontes legítimas que levem a crer que o Arrebatamento esteja próximo desta geração?
A resposta não é encontrada em nenhum dos eventos proféticos previstos antes do Arrebatamento mas no entendimento dos eventos que seguem ao Arrebatamento. Assim como a história foi preparada para a primeira vinda de Cristo, ela está sendo preparada para os eventos que levam à Sua Segunda Vinda... Sendo assim, isto leva à conclusão inevitável de que o Arrebatamento pode estar inevitavelmente próximo.[1]
A Bíblia fornece profecias detalhadas sobre os sete anos da Tribulação. Na verdade, Apocalipse 4-19 oferece um esboço detalhado e ordenado dos participantes e eventos principais. Com base em Apocalipse, o estudante da Bíblia pode harmonizar as centenas de outras passagens bíblicas que falam da Tribulação num modelo claro do que será o próximo período de tempo no planeta Terra. Com esse modelo para nos guiar, podemos ver que Deus já está preparando ou montando o cenário para o mundo, no qual o grande drama da Tribulação se desdobrará. Assim, esse período futuro lança sobre a nossa época uma sombra de expectativa, de tal forma que os eventos atuais oferecem sinais discerníveis dos tempos. (Thomas Ice e Timothy Demy - http://www.chamada.com.br)

Notas

1. John F. Walvoord, Armageddon, Oil and the Middle East Crisis, revised (Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1990), p. 217.