quinta-feira, 11 de agosto de 2011

DA INSEGURANÇA POLÍTICA A CERTEZA PROFÉTICA

Da Insegurança Política à Certeza Profética

O poder mundial é limitado pela impotência humana. A onipotência é ilimitada em virtude da autoridade divina. Ou, como diz a Bíblia: “O Senhor frustra os desígnios das nações e anula os intentos dos povos. O conselho do Senhor dura para sempre; os desígnios do seu coração por todas as gerações. Feliz a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para sua herança” (Sl 33.10-12).

Da insegurança política

A insegurança das nações reflete-se hoje em muitas áreas:
  • nas discussões políticas sobre as mudanças climáticas: a única certeza, sempre manifestada por unanimidade, é a concordância em marcar a próxima reunião.
  • na economia: há orgulho por causa do progresso, enquanto grandes bancos quebram e perdem bilhões.
  • na instabilidade militar: a Guerra Fria volta a tomar forma.
  • na mente das pessoas: a espiral de toda sorte de perturbações emocionais aumenta de forma crescente. Os psicoterapeutas prosperam.
  • nas questões religiosas com relação à pergunta sempre relevante: O que é a verdade?
As negociações entre Israel e os palestinos são constantemente apresentadas como perspectivas de se chegar a uma “paz justa” no mundo. O então presidente George W. Busch afirmou durante a conferência de paz de Annapolis: “Queremos estabelecer o fundamento de uma nova nação, de um Estado palestino democrático, que possa conviver com Israel em paz e segurança”.[1] Apesar de todas as declarações positivas, a realidade é outra, e a Bíblia não deixa dúvidas sobre o que virá: “Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão” (1 Ts 5.3).
 
Os esforços humanos, por mais bem intencionados que sejam, encontram barreiras praticamente intransponíveis. Um comentário da revista alemã Stern revela esse desamparo diante das grandes questões da humanidade: “No Ocidente, hoje mais do que há algumas décadas, vê-se com mais clareza que a política e a ciência estão sendo exigidas além de suas capacidades no esforço para se criar um mundo justo”.[2] O povo de Israel sempre sofreu decepções quando confiou em homens e na política mundial. O fato desse povo ainda existir deve-se apenas ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó, graças às promessas que Ele lhe fez. 
 
Essas promessas, registradas na Sua Palavra, são o penhor de que o futuro dessa nação tão atacada está assegurado. Mas Israel não encontrará segurança real enquanto não se voltar de todo o coração para seu Messias, Jesus. Alguém disse com razão: “Não precisamos de um programa, precisamos de uma pessoa”. E essa Pessoa é Jesus Cristo, “o qual, depois de ir para o céu, está à destra de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, e potestades, e poderes” (1 Pe 3.22).

Não é só o mundo como um todo e Israel como nação atacada que se ressentem da falta de segurança. Essa insegurança está aninhada nos corações dos homens individualmente.
Mas não é só o mundo como um todo e Israel como nação atacada que se ressentem da falta de segurança. Essa insegurança está aninhada nos corações dos homens individualmente, e nós, cristãos, temos toda a razão em buscar – e achar – a segurança que a Palavra de Deus nos concede.

Segurança profética

Estaremos nos baseando no livro de Isaías ao analisarmos o tema desta mensagem. Isaías é o legítimo “evangelista” dentre os profetas. Seu livro também costuma ser chamado de Bíblia em formato reduzido:
• O livro de Isaías tem 66 capítulos, e a Bíblia tem 66 livros.
• O livro de Isaías tem duas partes principais, escritas pelo mesmo autor – a Bíblia também tem duas partes, inspiradas pelo Espírito Santo.
• Os primeiros 39 capítulos de Isaías têm como tema central o juízo divino sobre os pecados. Os 27 capítulos da segunda parte falam mais de graça e restauração; essa parte também é chamada de “grandiosa poesia messiânica”. A Bíblia, por sua vez, tem 39 livros do Antigo Testamento, muitas vezes falando do juízo. E ela tem 27 livros do Novo Testamento, cujo tema central é a graça de Deus.
• O livro de Isaías é citado ou mencionado mais de 210 vezes no Novo Testamento – apenas os capítulos 40 a 66 por mais de 100 vezes. [3]
Os 27 capítulos da segunda parte de Isaías harmonizam-se surpreendentemente com os livros do Novo Testamento. Isso não pode ser mero acaso. Vejamos alguns exemplos:
• Isaías 40 é o primeiro capítulo da segunda parte do livro; corresponde ao 40º livro da Bíblia, ou seja, ao primeiro livro do Novo Testamento (Evangelho de Mateus). Está escrito: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo vale será aterrado, e nivelados, todos os montes e outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos, aplanados. A glória do Senhor se manifestará e toda a carne a verá, pois a boca do Senhor o disse” (Is 40.3-5).
Em contraposição, lemos no Evangelho de Mateus: “Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 3.3). Isso refere-se a João Batista. E no Evangelho de João está escrito: “...vimos a sua glória...” (Jo 1.14).
• Isaías 44 corresponde ao 44º livro da Bíblia, que é Atos dos Apóstolos: “Porque derramarei água sobre o sedento e torrentes, sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção, sobre os teus descendentes; brotarão como a erva, como salgueiros junto às correntes de águas. Um dirá: Eu sou do Senhor; outro se chamará do nome de Jacó; o outro ainda escreverá na própria mão: Eu sou do Senhor, e por sobrenome tomará o nome de Israel” (Is 44.3-5). Essa é uma maravilhosa indicação do tema central de Atos dos Apóstolos: o derramamento do Espírito Santo, as primeiras conversões e a mudança de rumo dos gentios, voltando-se para o Deus de Israel.
• Em Isaías 45 prenuncia-se o 45º livro da Bíblia, que á a Carta aos Romanos. Nesse capítulo do livro de Isaías a palavra “justiça” é salientada de forma especial, pois aparece seis vezes. Também se menciona que Israel será salvo (v.25). Isso corresponde com exatidão ao assunto da Carta aos Romanos.
• Na seqüência, Isaías 49 corresponde à Carta aos Efésios. Nesse capítulo vemos a salvação sendo oferecida também aos gentios e a declaração de que o Senhor foi dado como luz para os gentios (vv.1,6). Este é exatamente o tema da Carta aos Efésios: os gentios sendo incorporados à Igreja dos salvos (Ef 2.16-18; 3.5-6).
O rolo de Isaías com seu texto completo foi encontrado em Qumran em 1947. Esse achado foi datado como sendo do segundo século antes de Cristo, confirmando que essa escritura é inspirada por Deus em sua totalidade.

Outro tema é descrito assim: “Tirar-se-ia a presa ao valente? Acaso, os presos poderiam fugir ao tirano? Mas assim diz o Senhor: Por certo que os presos se tirarão ao valente, e a presa do tirano fugirá, porque eu contenderei com os que contendem contigo e salvarei os teus filhos” (Is 49.24-25). Comparemos essas palavras com Efésios 4.8: “Por isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens”. Jesus tomou a presa do valente e tirano, que é o Diabo, e deixou os cativos livres. Nenhum crente continua sendo uma presa da morte. 

• Isaías 66 corresponde ao último livro da Bíblia, que é o Apocalipse. “...porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim, diz o Senhor, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome” (Is 66.22). O tema do Apocalipse é a introdução no novo céu e na nova terra: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra já passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo” (Ap 21.1-2).
 
O rolo de Isaías com seu texto completo foi encontrado em Qumran em 1947. Esse achado foi datado como sendo do segundo século antes de Cristo, confirmando que essa escritura é inspirada por Deus em sua totalidade. Os rolos de Qumran foram descobertos justamente na época da fundação do Estado de Israel, o que deixa transparecer uma óbvia direção divina, e o texto de Isaías recebeu muito destaque nesse achado de inestimável valor histórico. Tudo leva a crer que o Deus de Israel estava querendo estabelecer um sinal. E o que isso significa para você, pessoalmente? Significa que você pode contar com esse Deus, que pode entregar sua vida a Ele e olhar para o futuro confiando nEle! 

Baseados em Isaías 40 e 41, examinemos a confiança que Deus oferece. Mas prestemos atenção a um fato: as profecias de Isaías têm um cumprimento duplo, pois retratam juntamente a primeira e a segunda vinda de Jesus.

O duplo sofrimento e o duplo consolo

“Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniqüidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do Senhor por todos os seus pecados” (Is 40.1-2). Quando a iniqüidade de Israel estará perdoada, quando Israel receberá o perdão por seus pecados? Depois que Jerusalém receber em dobro das mãos do Senhor. Então o Senhor voltará a Sião para afastar de Israel a sua impiedade (veja Rm 11.25; Ez 36.33). 

Jerusalém suportou uma dose dupla: o cativeiro babilônico e o cativeiro romano (em 70 d.C.), a destruição do primeiro Templo e a destruição do segundo Templo. Duas vezes Jerusalém foi consolada: uma vez por ocasião do retorno do cativeiro babilônico sob Zorobabel e Esdras (veja Zc 4; Ag 2), e pela segunda vez no retorno do cativeiro mundial, da volta da Diáspora (Dispersão) no fim dos dias (em 1948); agora, a Igreja deveria assumir esse consolo.
No passado, tratava-se da primeira vinda de Jesus, que João Batista anunciava no espírito de Elias; hoje trata-se de Sua volta, que a Igreja apregoa.
No passado, tratava-se da primeira vinda de Jesus, que João Batista anunciava no espírito de Elias; hoje trata-se de Sua volta, que a Igreja apregoa (veja Is 40.3-5). No passado, Jesus veio em humildade; apenas uma única vez Jesus deixou entrever Sua glória, o que aconteceu no monte da Transfiguração (veja Jo 1.14; Mt 17.1,13; 2 Pe 1.16-18). Ele não voltará em humildade, mas em poder supremo e glória majestosa (veja Mt 24.30).

O caminho para o retorno do Senhor em glória

A volta de Cristo se anuncia em diversas etapas:
1. O contraste entre a insegurança dos povos e a segurança da eterna Palavra de Deus torna-se cada vez mais evidente (veja Is 40.6-8). Essa Palavra é retomada por Pedro, que a aplica a nosso tempo e à Igreja (veja 1 Pe 1.23-25). 

2. O Arrebatamento da Igreja se delineia (veja Is 40.9-11). De Sião partiu originalmente a boa-nova do Evangelho (v.9). Ao próprio Israel precisa-se anunciar hoje: “Eis aí está o vosso Deus!” (v.9). Ele não decepciona jamais! O Arrebatamento está às portas. “Eis que o Senhor virá com poder...” (Is 40.10). Em outras palavras, Jesus voltará em glória (veja Mt 24.30). “...e o seu braço dominará” (Is 40.10). Isso significa o domínio do Messias, Ele é o braço de Deus em ação. “...eis que o seu galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa” (v.10). Que galardão, que recompensa é essa? É a Igreja de Jesus, já arrebatada, que voltará com Ele em glória, sendo ela o penoso fruto do trabalho de sua alma (veja Is 53.12; 2 Ts 1.7; Ap 19.11ss.). Depois de Sua volta em poder e glória junto com Sua Igreja, o Messias apascentará Seu povo como Bom Pastor (veja Is 40.11). 

3. A Grande Tribulação se anuncia (veja Is 40.15-17). Ao ler uma passagem assim, muitos acusam a Deus de lidar cruelmente com a humanidade. Em seu orgulho cego e sua rejeição da vontade de Deus, essas pessoas não percebem que é Deus quem as acusa. Nações são como um grãozinho de pó para Ele. O que o homem imagina que é? Deus deixará as nações consternadas por causa de seu orgulho; não apenas as ilhas, mas até os céus e a terra serão abalados (veja Hb 12.26-27). A insegurança que se avizinha assumirá proporções nunca vistas. Catástrofes naturais se multiplicarão, ameaças de guerra aumentarão, a economia experimentará novas e profundas quedas, a paz e a segurança anunciadas para a região de Israel se converterão no contrário.

A segurança do Deus incomparável

A insegurança que se avizinha assumirá proporções nunca vistas. Catástrofes naturais se multiplicarão, ameaças de guerra aumentarão, a economia experimentará novas e profundas quedas, a paz e a segurança anunciadas para a região de Israel se converterão no contrário.
“Com quem comparareis a Deus? Ou que coisa semelhante confrontareis com ele?” (Is 40.18). Israel busca segurança em muitos e muitos lugares por ter perdido de vista a segurança do incomparável Deus. Mas apenas no Deus único e verdadeiro, o Deus que escreveu a profecia e se revelou em Jesus, o homem encontra seu alvo. E precisamos dessa segurança mais do que nunca! 

Israel é eleito: “Os países do mar viram isto e temeram, os fins da terra tremeram, aproximaram-se e vieram” (Is 41.5): Insegurança. “Mas tu, ó Israel, servo meu, tu, Jacó, a quem elegi, descendente de Abraão, meu amigo” (Is 41.8): Segurança. A eleição de Israel baseia-se na amizade de Deus com Abraão (veja Tg 2.23) e encontra seu ponto máximo no Servo Jesus Cristo. Por isso, Deus não termina Sua amizade, pois não é como nós, seres humanos, como os políticos do mundo (veja Gl 3.17). Existe algo melhor do que ter a Deus como amigo? Se Ele é por você, quem será contra você? Nem mesmo a morte pode separá-lo do Senhor (veja Rm 8.37-39). Jesus diz: “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando” (Jo 15.14).
 
A amizade fiel de Deus ficou provada: “tu, a quem tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos, e a quem disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei” (Is 41.9). Primeiramente, Deus conduziu Seu amigo Abraão das extremidades da terra (de Ur na distante Caldéia) até Canaã e prometeu-lhe a terra por possessão eterna (veja Gn 17.8). O profeta Isaías não limitou sua declaração a Abraão, Ele a estendeu profeticamente até a volta final da última semente de Abraão, que é o povo judeu. 

Esse é o sentido da profecia para Israel e o contexto do livro de Isaías. Por isso, Isaías fala no plural: “que eu tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos... eu te escolhi, e não te rejeitei...”. Abraão, afinal, não veio das extremidades da terra nem dos seus recantos mais remotos – seus descendentes, sim. É o que vemos acontecendo há algumas décadas (veja Dt 30.4ss.). Essas gerações que descendem de Abraão não foram rejeitadas; por isso elas existem! O fato de Israel existir novamente como Estado é uma prova visível da fiel amizade de Deus com Abraão (veja Gl 3.17). 

Israel não teria motivos para temer: “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel” (Is 41.10). Essa conclamação a não temer é repetida nos versículos 13 e 14. o profeta antevê que seu povo sentirá medo repetidamente, até nos tempos finais; a história o confirma. É medo da opressão, do abandono, do isolamento e da insegurança. Por isso, as repetidas respostas de Deus a esses temores de Seu povo. Aqui, em Isaías, a segurança que vem de Deus ergue sua voz e fala para a situação de insegurança de Israel.
“tu, a quem tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos, e a quem disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei” (Is 41.9)

Existem seis razões porque no futuro o remanescente crente de Israel não precisará temer. E essas razões são melhores do que o exército israelense, a política, a ONU, os EUA ou a UE:
1. “eu sou contigo”.
2. “eu sou o teu Deus”.
3. “eu te fortaleço”.
4. “e te ajudo”.
5. “e te sustento”.
6. “com a minha destra fiel”.
 
Essas razões são concretizadas pelo Messias de Israel, que é Jesus Cristo. Ele é a destra fiel, e por Sua morte e ressurreição trouxe justiça. Em Sua volta reside a garantia de segurança para Israel. Podemos tomar essa promessa pessoalmente, aplicando-a à nossa própria vida.
As nações, essas sim, têm motivos para temer. “Eis que envergonhados e confundidos serão todos os que estão indignados contra ti; serão reduzidos a nada, e os que contendem contigo perecerão. Aos que pelejam contra ti, buscá-los-ás, porém não os acharás; serão reduzidos a nada e a coisa de nenhum valor os que fazem guerra contra ti. Porque eu, o Senhor, teu Deus, te tomo pela tua mão direita e te digo: Não temas, que eu te ajudo” (Is 41.11-13). Leon de Winter escreveu: “Os países islâmicos jamais poderiam aceitar o Israel de hoje como seu igual... Israel está cercado pelo Irã, pela Síria, pelo Hezb’allah (Partido de Alá) e pelo Hamas, e o porta-voz deles, o presidente Mahmoud Ahmadinejad, expressa com clareza seus desejos mais profundos: eliminar Israel, castigar a arrogância de Israel e degradar os judeus à condição de minoria sob domínio islâmico”.[4] 

Mas, apesar das mais infames calúnias, das mais duras perseguições e das mais brutais tentativas de aniquilação durante sua dispersão de quase dois mil anos, o povo judeu não pereceu – pelo contrário! Os inimigos de Israel de ontem, hoje e amanhã passaram, passam e passarão ainda mais mal. Durante sua campanha pelo Oriente Médio, há 200 anos, Napoleão disse: “A História não se decide no Ocidente, mas no Oriente!”[5] Peter Scholl-Latour cita seu professor de árabe, Jacques Berque: “O destino de Jerusalém não é uma questão política; o destino de Jerusalém é uma sentença de juízo final![6] E Siegfried Schlieter comenta: “A questão de Jerusalém é politicamente insolúvel. Ela será decidida apenas no dia do juízo final”.[7]

O deserto florido e a existência das cidades israelenses são a prova de que Deus atua nos dias de hoje, e agirá no futuro: “Os aflitos e necessitados buscam águas, a não as há, e a sua língua se seca de sede; mas eu, o Senhor, os ouvirei, eu, o Deus de Israel, não os desampararei. Abrirei rios nos altos desnudos e fontes no meio dos vales; tornarei o deserto em açudes de águas e a terra seca, em mananciais. Plantarei no deserto o cedro, a acácia, a murta e a oliveira; conjuntamente, porei no ermo o cipreste, o olmeiro e o buxo, para que todos vejam e saibam, considerem e juntamente entendam que a mão do Senhor fez isso, e o Santo de Israel o criou” (Is 41.17-20).
 
Podemos confiar na palavra profética de Deus. “Anunciai-nos as coisas que ainda hão de vir, para que saibamos que sois deuses; fazei bem ou fazei mal, para que nos assombremos, e juntamente o veremos. Eis que sois menos do que nada, e menos do que nada é o que fazeis; abominação é quem vos escolhe” (Is 41.23-24). A nulidade de todas as religiões, a falta de autenticidade e credibilidade da política, seus prognósticos inviáveis e seus esforços vacilantes e duvidosos estão em flagrante contraste com a confiabilidade das revelações divinas acerca do futuro. Lemos acerca da confiança que a profecia bíblica merece: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei. Ouvi-me vós, os que sois de obstinado coração, que estais longe da justiça. Faço chegar a minha justiça, e não está longe; a minha salvação não tardará; mas estabelecerei em Sião o livramento e em Israel, a minha glória” (Is 46.9-13).

Com Jesus, a justiça de Deus, começará um novo capítulo para Israel e o mundo inteiro.
Com Jesus, a justiça de Deus, começará um novo capítulo para Israel e o mundo inteiro. Por isso, todas as promessas serão cumpridas, toda a profecia é inteiramente segura e Israel tem um futuro garantido. E este Jesus é Aquele que oferece segurança eterna também a você. Sem Jesus você não tem um chão firme debaixo de seus pés. A seguinte história ilustra essa realidade:
Quando Henrique VIII da Inglaterra (1491-1547) jazia em seu leito de morte, mandou chamar o bobo da corte... O rei disse: “Meu amigo, devo partir”. “Para onde?”, perguntou o bobo. –“Não sei”. “Quando voltareis?” – “Não vou voltar mais”. “Quem vai convosco?” – “Ninguém”. “Vos preparastes para a viagem?” – “Não”. Então o bobo da corte pegou seu cetro de bufão e seu barrete, jogou-os sobre a cama do rei e explicou: “Majestade, vós me ordenastes que eu deveria entregar meu cetro de bobo da corte a alguém que fosse mais bobo do que eu. Vós sois esse alguém, pois ides embora sem saber para onde e não tendes acompanhante”.[8]
Agarre a justiça de Deus, ela está perto de seu coração. É o Senhor Jesus. Ele quer ser seu acompanhante, Ele quer ser sua segurança. Entre com Ele em uma nova vida! (Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br)
Notas:
  1. Berliner Privat-Infos, anexo de P.-D. 50/07.
  2. View, encarte de Stern, 4/2007.
  3. ‑A.M. Hodkin, Die Schriften geben Zeugnis von mir, Dillenburg, p. 244.
  4. Israelnetz.de, 3/1/2007.
  5. ‑Siegfried Schlieter, Am Ende der Zeit, Schwengeler, p. 116.
  6. ‑Peter Scholl-Latour, Lügen im Heiligen Land, Goldmann, p. 168.
  7. ‑Siegfried Schlieter, Am Ende der Zeit, Schwengeler, p. 121.
  8. Idea-Spezial, 7/2007, encarte de IdeaSpektrum 48/07.

O AVANÇO DO CONTROLE TOTAL

O avanço do controle total

Um software que denuncia crimes antes mesmo que sejam cometidos é ao mesmo tempo fascinante e assustador. Uma experiência no Sul da Inglaterra mostra que isso já é possível. Algo está sendo feito em busca da vigilância total.
No filme de ficção científica “Minority Report”, que se passa em 2054, crimes capitais como assassinatos não ocupam mais as manchetes. Uma unidade especial da polícia, chamada “Pré-Crime”, auxiliada por três paranormais, detecta todos os atos de violência antes que aconteçam, e prende os criminosos potenciais a tempo...

Os produtores desse filme de Hollywood se enganaram em apenas três aspectos: esses sistemas já existem hoje, e não somente em 2054. Segundo: no mundo real a tarefa dos “videntes” do filme é assumida por um software inteligente. E, em terceiro lugar: a história não se passa em Washington DC, mas em Portsmouth, no Sul da Inglaterra.

Essa cidade portuária de 200.000 habitantes, no condado de Hampshire, está testando há algum tempo um novo sistema de videovigilância. A característica especial: em vez dos métodos de vigilância normais, que requerem muito pessoal devidamente treinado, esse sistema usa um programa chamado “Perceptrak”, que busca comportamento suspeito nas imagens analisadas e aciona o alarme quando necessário.[1]
O relato também destaca que atualmente já há 4 milhões de câmeras de vigilância instaladas na Inglaterra, o que representa uma câmera para cada 14 habitantes. Em Londres, por exemplo, é grande a probabilidade de ser filmado até 300 vezes por dia. A organização de direitos civis “Liberty” está preocupada porque essa tecnologia oferece cada vez mais facilidades para o governo “vigiar cada passo do cidadão”.

O assustador nessa tecnologia é que o indivíduo sente-se cada vez mais vigiado e, em breve, poderá ter todos os passos seguidos. Aquilo que pode contribuir para a segurança do Estado forçosamente se tornará um fator de grande insegurança para o indivíduo. Mas é fascinante como a profecia bíblica se mostra atual, como seu cumprimento é exato e como a Palavra de Deus é verdadeira. Afirmações feitas há mais de 2000 anos estão se realizando diante dos nossos olhos. Algo está acontecendo, aproximando-nos cada vez mais rápido de Apocalipse 13. Está sendo criado um sistema que finalmente servirá de ferramenta ao vindouro Anticristo.
Já há 4 milhões de câmeras de vigilância instaladas na Inglaterra, o que representa uma câmera para cada 14 habitantes.
Se hoje em alguns lugares um cidadão já é filmado até 300 vezes num só dia, não é difícil imaginar a abrangência que o sistema anticristão terá.

Desde o começo o objetivo de Satanás era “ser como Deus”: “Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14.14). Portanto, não é de admirar que o Diabo tenha seduzido o primeiro casal com este mesmo argumento: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.5).

Ser como Deus significa ser onipotente, onisciente e onipresente. Nenhum anjo, nenhum demônio, nem mesmo Satanás tem essas características. O sistema anticristão final tentará alcançar esse alvo. Todas as pessoas devem ser vigiáveis e influenciáveis em qualquer lugar em que estiverem. Isso dará ao Anticristo um poder imensurável. Pois aquele que tem controle total e consegue observar qualquer pessoa, também pode influenciar e determinar as ações de qualquer um. Ele pode tirar alguém do meio do trânsito, excluí-lo da sociedade, da vida em comunidade e isolá-lo. É exatamente o que a Bíblia prevê, a respeito do que já alertamos diversas vezes.

“Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta, dizendo aos que habitam sobre a terra que façam uma imagem à besta, àquela que, ferida à espada, sobreviveu; e lhe foi dado comunicar fôlego à imagem da besta, para que não só a imagem falasse, como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta. A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome. Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis” (Ap 13.14-18).

A última sedução virá pelo caminho da “sensatez”. Câmeras de vigilância ajudam a prevenir assaltos e seqüestros. Elas auxiliam a combater o terrorismo de forma eficiente e a esclarecer acidentes. Quem não concordaria que isso é bom? Mas o homem, influenciado pelo pecado, sempre consegue usar para o mal algo foi planejado para o bem. A descoberta da dinamite e da fissão atômica deveriam trazer progresso aos homens, mas foram abusadas e transformadas em formas terríveis de extermínio da humanidade.

Quanto mais o homem se separa de Deus, mais ele buscará a própria onipotência. Ao se fazer independente de Deus, ele mesmo se eleva como se fosse Deus. Mas, em vez de vida, ele encontra perdição e morte.

Se hoje os sistemas de controle já estão tão avançados em tantas áreas, e os desenvolvimentos são cada vez mais rápidos, quão próximo estará o cumprimento do Apocalipse e dos acontecimentos que ele descreve?

Entretanto, nós temos a promessa: “Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino” (Lc 12.32). (Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br)

Nota:

1. www.heute.de, rubrica: “Computer”, título: “Big Brother in Grossbritannien”, 14/12/2008.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

VOCÊ É....O QUE VOCÊ COME.



O Segredo de David Wilkerson

A Redação
Extraído e adaptado de uma mensagem no YouTube com título “Última mensagem de David Wilkerson”

Frequentemente, um jovem pastor me aborda e pede que eu lhe conte o segredo de como Deus me usa. Quero falar com vocês hoje exatamente sobre isso. Não vou pregar um sermão, nem falar sobre igreja ou ministério; quero falar sobre o que acontece quando meu coração é profundamente tocado por Deus.

Eu estava pastoreando numa cidade da Pensilvânia que tinha mais ou menos mil habitantes. A igreja tinha umas cem pessoas, eram pessoas boas, fazendeiros e mineiros. Eu as amava e fui pastor delas durante cinco anos.

Entretanto, algo me inquietava, cada vez mais. Éramos uma igreja pentecostal, mas tínhamos sempre as mesmas pessoas e os mesmos cultos, com cânticos, testemunhos, sermão e apelo. Porém, nunca víamos ninguém aceitar o apelo e vir à frente. Cheguei a falar que, se a experiência pentecostal era só isso, eu não a queria mais.

Comecei a buscar a face de Deus. Todas as vezes que você dispuser seu coração a buscar a Deus, o inimigo arranjará uma conspiração de interrupções e obstáculos para impedi-lo, a fim de que não fique no recinto de oração. Isso aconteceu comigo.

É por isso que você precisa achar um lugar de encontro, reservado e especial, para estar sozinho com Deus. Se você for fiel para estar ali, o lugar logo se tornará sagrado, santificado pela presença divina. No meu caso, era uma colina onde havia uma mata. Eu chegava ali e dizia: “Senhor, vou fixar meu coração, vou dispô-lo a buscar-te. Não estou satisfeito, preciso encontrar-me contigo. Vou ler a tua palavra, não para achar um sermão; quero encontrar teu coração”.

Já fiquei durante semanas nesse lugar de isolamento. Não atendia a ninguém. Eu sabia que tinha de colocar tudo de lado, toda ocupação e distração. Eu queria algo a mais, muito além daquilo que estava experimentando. Queria um verdadeiro Pentecostes. Não queria apenas que as pessoas falassem em línguas estranhas, que dessem seus testemunhos e falassem sobre suas experiências, ainda que tudo isso fosse muito bom. No dia de Pentecostes, milhares de pessoas foram salvas, houve fruto e presença do Senhor. Mas nada disso estava acontecendo comigo. Minhas pregações eram palavras vazias e secas. Meu coração ansiava por algo muito maior.

Eu dizia: “Deus, eu quero saber por que estás abalando meu coração. O que está acontecendo? Sinto-me quebrantado, choro na tua presença, tua palavra está se tornando viva para mim. O que estás querendo me dizer?”

Tenho percebido que, cada vez que Deus quer fazer algo novo na minha vida, há esse mesmo mover, esse toque divino no coração me incomodando, abalando-me. O Espírito Santo entra no meu ninho e começa a cutucar, trazendo insatisfação divina, um profundo anseio por algo mais. Não é uma ambição egoísta, algo que eu desejaria naturalmente, porque já tinha uma vida bem cheia.

Nessas horas, precisamos buscar ao Senhor de forma diferente. Não apenas as orações regulares, mas uma entrega especial em que reorganizamos nossa agenda e mudamos as atividades de tal forma que haja espaço para esperar em Deus.

Um amigo meu, que era um verdadeiro profeta de Deus, um Elias do nosso tempo, Leonard Ravenhill, disse-me certa vez: “David, vou dizer a você qual é o verdadeiro problema da igreja de Jesus Cristo: os pregadores não oram! Por onde ando, tenho falado sobre esse assunto, e líderes e pastores vêm à frente confessando que não estão orando, que não acreditam mais no poder da oração, porque não veem resultados imediatos”.

Se você achar um lugar que tem vida, onde as pessoas estão tendo verdadeiros encontros com Deus, pode ter certeza de que pelo menos uma pessoa ali tem se dedicado à oração, tem colocado como objetivo principal prostrar-se diante de Deus e buscar sua face.
A Bíblia mostra, no livro de Atos, como Paulo foi para a cidade de Antioquia e juntou-se a outros irmãos para ministrar ao Senhor. Foi assim que ele foi enviado por Deus. Não sabemos por quanto tempo ficaram ali, adorando e ministrando ao Senhor. Estavam dedicando tempo precioso para servi-lo, jejuando, esperando diante dele, jejuando outra vez. Depois impuseram as mãos, e o Espírito Santo enviou Barnabé e Paulo.

Creio que haja pessoas aqui que estão sendo tocadas, profundamente abaladas por Deus. Você não pode simplesmente sair daqui, voltar para o seu lugar de origem e acomodar-se. Não pode dizer que é seu destino viver assim, que não tem escolha, que sua vida terá de continuar do mesmo jeito. Eu estremeço só de pensar o que teria acontecido naquela época [1958] se eu não tivesse determinado no coração buscar ao Senhor. Porque foi assim que recebi a direção de ir para Nova York.

Creio que todo ministério genuíno seja resultado de intimidade com Deus. O Espírito Santo está sempre se movendo, procurando abalar corações e mudar nosso interior. Ele pode usar pessoas sem instrução, que nunca conheceram o fluir do Espírito. Ele pode realizar, por seu intermédio, algo infinitamente além de qualquer coisa que já tenha imaginado ou sonhado.
Estou ouvindo o Espírito Santo insistir comigo, como um pai fala com o filho: precisamos voltar a buscar a face de Deus. É urgente. Vejo pastores, servos de Deus, jovens com toda a tecnologia moderna, entretidos nos celulares e notebooks, twitando, digitando, mandando mensagens o tempo todo. Estão gastando mais tempo com isso do que na presença de Deus. Essas coisas estão tirando-os do lugar de oração, de fixar sua mente em coisas eternas.

Você pode dizer que já cumpriu seu horário de oração e de leitura bíblica para o dia. Mas talvez seja necessário fazer um jejum de tecnologia. Você está com a mente tão ocupada, carregada com centenas de mensagens para responder, de informações para acompanhar, de coisas para atualizar, que não tem espaço para ouvir de Deus.

Você quer saber qual é o segredo da Times Square Church? É oração e jejum, três dias de jejum três ou quatro vezes por ano.

É preciso traçar um círculo pequeno e buscar a Deus dentro desse limite. Jesus traçou um círculo pequeno, limitando-se apenas àquilo que o Pai lhe enviara para fazer. Alguém foi a ele, certa vez, pedindo ajuda numa contenda familiar sobre herança. Jesus disse que não fazia parte do seu chamado.

Muitos de vocês têm um círculo de atividades e interesses tão grande que não conseguem achar tempo para orar. Pode ser necessário diminuir o tamanho do círculo e começar a dizer “não” para as pessoas e suas exigências.

Ao longo da minha vida, tenho limitado o tamanho do meu círculo. Aprendi a ficar dentro dele. Aprendi a dizer “não” para tudo o que possa roubar meu tempo com o Senhor.
Estou sentindo uma inquietação, um chamado urgente, porque algo virá muito em breve. Tudo o que puder ser abalado será abalado, exatamente como o Senhor prometeu. Tudo o que tenho visto há mais ou menos 30 anos está próximo, às portas. Estamos perto de ouvir as últimas advertências do Senhor. Prepare-se para se encontrar com o seu Deus!

Senhor, peço que teu Espírito tome conta de nós neste momento. Falei com muita fraqueza, mas sei que o Senhor me enviou para este lugar. Peço que tome essas palavras fracas, às vezes um tanto desconexas, e chame as pessoas para ti mesmo. Eu não posso levar ninguém a orar.

O Senhor conhece cada um e as batalhas que estão enfrentando. Não existe uma pessoa que não tenha desânimo em alguma área de sua vida, em que aparentemente o Senhor não tem agido ou respondido às orações. Senhor, não permitas que “tomemos posse pela fé”, mas nos leva a prostrar-nos diante de ti. Dá-nos um coração contrito, ajuda-nos a nunca ficar tão ocupados que nos afastemos de tua presença. 

Tu estás nos chamando ao lugar secreto de oração, para realmente buscarmos a tua face. Estás chamando alguns para ficarem a noite toda, para voltarem a jejuar, a não te dar descanso, a ministrar a ti, ó Deus.

Que ninguém escape da flecha de convicção do Espírito. Que essa flecha abra nosso coração até que sangremos como o Senhor sangrou em favor dos perdidos. Não podemos buscar a solução em outros ou em algum método para fazer tua obra. A responsabilidade está sobre nós mesmos. Vem sobre mim agora, vem sobre as pessoas aqui presentes. Manifesta-te, convence-nos com todo o teu amor e compaixão.

Eu ouço teu chamado, Senhor, para todos que se chamam pelo teu nome. Traz um avivamento de oração e de busca diligente da tua face. É muito simples, como sempre foi. É uma questão de permanecer na tua palavra, alimentando o coração até que ela se torne o sangue que corre em nossas veias. Faze isso em nome de Jesus!
Recomendamos, se possível, que o leitor assista à mensagem acima na íntegra: www.youtube.com/watch?v=WKzNOh63ORo (ou fazendo busca pelo Google: “Última mensagem de David Wilkerson”).
—————————————————————————————————————————————————————-
Momentos Especiais do Culto Memorial
Foi realizado, no dia 14 de maio, na Times Square Church, um culto memorial para David Wilkerson. Foi transmitido ao vivo, pela Internet, e, durante algum tempo, deixaram o vídeo no site da World Challenge (www.worldchallenge.org). Atualmente, só tem o áudio no site www.tscnyc.org/.

A seguir, alguns destaques do culto:
1.     “Acho que meu pai não teria se dado bem como aposentado. Ele não era homem de ficar numa cadeira de balanço, contando histórias do passado. Creio que Jesus, sabendo disso, teve misericórdia e chamou-o antes.” (Gary Wilkerson, filho) 

2.    “Deus está completamente no controle. Há algo, no mais profundo do meu ser, que diz: ‘Venha o que vier, estou nas mãos de Deus’. O diabo não pode matar você, não pode me matar, sem a permissão de Deus. E, se Deus o permite, então é glória instantânea, glória instantânea! Imagine se você estiver indo para o trabalho e, ao atravessar uma rua de Nova York, for atingido por um carro e morrer. Num instante, você está na calçada; no outro, está na glória!” (clipe de uma mensagem de David Wilkerson)

3.    “Senhor, em ti me refugio” (Sl 143.9). No sentido original, é: “Senhor, eu corro para me esconder em ti”. Pense sobre isso. Nossa fé não pode basear-se em emoção. Não pode basear-se nos testemunhos de outros que foram libertos. Não pode basear-se em fórmulas ou clichês. Não pode ser uma questão de gritar com força. Precisamos ter um alicerce sólido para a nossa fé. E esse alicerce consiste nas declarações de Deus sobre quem ele é.
Começa exatamente aqui: “Senhor, ouve a minha oração… Responde-me conforme tua fidelidade e justiça” (Sl 143.1).

Deus, esta é a base em que venho a ti. Não está naquilo que ouvi no passado de outras pessoas, mas naquilo que disseste sobre ti mesmo. Tu disseste que és fiel, que és justo, que és santo, que não podes mentir.

Não estou chegando a ti por nenhum mérito ou justiça alguma da minha parte. Senhor Deus, tenho levantado minhas mãos a ti, tenho confiado em ti, tenho me agarrado às tuas promessas.

De agora em diante, vou esconder-me em ti, vou cobrir-me contigo mesmo. Vou me desligar de toda a confiança na minha carne, ou nas outras pessoas, ou em quem quer que seja. Vou lançar-me diante da tua misericórdia, da tua graça, do teu poder, da tua glória!
Estou me escondendo inteiramente em ti, em ti, ó Cristo!

(Trecho de uma mensagem por David Wilkerson exibido no início do culto; esse trecho ainda pode ser ouvido, em inglês, no site www.ellerslie.com/Wilkerson_Tribute.html – “I Will Veil Myself in You”. O impacto é bem maior quando se ouve o áudio por causa da unção e do sentimento que ele transmite.)

UMA VIDA VOLTADA PARA DEUS


David Wilkerson: Um Exemplo de Obediência Radical

Por: Christopher Walker
Conta-se que o famoso evangelista D. L. Moody ouviu alguém dizer: “O mundo ainda não viu o que Deus pode fazer com um homem totalmente comprometido com ele”. E que, logo a seguir, declarou: “Farei tudo o que estiver ao meu alcance para ser um homem assim”. 

De fato, o mundo já foi impactado por algumas vidas individuais, por homens e mulheres totalmente consagrados a Deus e à sua causa. Porém, infelizmente, são histórias raras e isoladas.

Deus tem um chamado singular para cada um de seus filhos. O difícil – para nós – é descobri-lo. Difícil, não porque Deus quer que seja, mas porque estamos por demais envolvidos em nossas próprias ambições e atividades.

Algumas pessoas superam essa dificuldade e descobrem “a soberana vocação”. Começam a segui-la com êxito. Ao longo da caminhada, porém, acabam se perdendo por motivos diversos (escândalos, desvios doutrinários, exaltação pessoal ou outros) e não conseguem alcançar a linha de chegada. Outros escapam dessas armadilhas, mas, depois de um início muito promissor, ficam por anos (às vezes, décadas) inativos, numa espécie de esgotamento espiritual, e nunca mais conseguem reencontrar a missão.

Nesse sentido, a vida de David Wilkerson foi um modelo. Ele encontrou o chamado de Deus para um novo e decisivo rumo em pelo menos três momentos distintos de sua vida. O primeiro é o mais conhecido porque foi relatado no best-seller A Cruz e o Punhal, publicado em 1963 . A história é tão impressionante que, por si só, teria sido o bastante para deixar marcas permanentes naquela geração. Wilkerson poderia ter-se contentado com os resultados daquela obediência inicial e com o grande sucesso de Teen Challenge (Desafio Jovem) em vários países. Mesmo que não tivesse feito mais nada, já teria sido uma vida incrível.

O chamado de Deus, porém, não vem uma vez só na nossa vida. É preciso continuar atento, buscando, ouvindo e obedecendo em cada encruzilhada e etapa da caminhada. Wilkerson não ficou atolado nos processos administrativos de uma grande missão nem se iludiu com fama ou poder. Aprendeu a passar a responsabilidade para outras pessoas e a seguir o vento do Espírito em novas e inesperadas direções. Em cada ocasião, foi preciso exercer o mesmo tipo de confiança e abandono que aprendeu da primeira vez. E em qualquer uma das crises sucessivas, ele poderia ter escolhido um caminho mais cômodo e tranquilo – e ter deixado de completar sua missão!

Vamos dar uma breve olhada em cada uma dessas ocasiões críticas para entender um pouco mais sobre o chamado de Deus.

1.    Do interior da Pensilvânia para as ruas de Nova York

No ano de 1958, Wilkerson era um jovem pastor na pequena cidade de Philipsburg, no interior do estado da Pensilvânia, EUA. Depois de quatro anos ali, tudo parecia estar bem, mas ele estava ficando cada vez mais incomodado. Não havia conversões, as pessoas estavam acomodadas dentro das quatro paredes, não havia unção ou poder para transformar vidas. Era uma igreja pentecostal, mas sem a verdadeira presença de Deus.
Certa noite, enquanto assistia, como de costume, a um programa de televisão no seu momento de descanso, David ficou aborrecido com o que estava vendo e desligou o aparelho. Uma pergunta nasceu em seu interior: “O que aconteceria, Senhor, se eu vendesse a televisão e passasse esse tempo – em oração?”

A partir dessa decisão (o primeiro passo, um pequeno passo de obediência à voz do Senhor, sem qualquer noção das consequências que viriam), David começou a usar esse tempo (da meia-noite às duas da manhã) lendo a Bíblia, não para buscar uma mensagem, e orando, mas não em favor de uma necessidade ou caso específico. Ele queria conhecer o coração de Deus!

Pouco tempo depois, num desses períodos de oração, ele ficou estranhamente triste e inquieto. Tentando compreender o que estava acontecendo, levantou-se e viu uma revista Life em cima da mesa. Sentiu um estranho desejo de abri-la, mas achou que era apenas uma tentação para distraí-lo da oração. Como o impulso continuou, porém, ele abriu a revista e viu um desenho, feito a caneta, do julgamento em Nova York de sete meninos que haviam cometido um assassinato bárbaro.

Naquele momento, Deus encheu-lhe o coração de compaixão e deu-lhe uma ordem muito estranha: “Vá a Nova York e ajude esses garotos”.

Para alguém que nunca estivera em Nova York e não sabia o que fazer para ajudar jovens criminosos, era uma ordem totalmente insana. Pior ainda foi o resultado: quando chegou ao tribunal, seu pedido para falar com os adolescentes foi recusado, e o juiz mandou retirá-lo! Contudo, sua obediência à voz do Senhor foi a chave que abriu o caminho para a primeira etapa do seu ministério: alcançar jovens viciados nas ruas da cidade e fundar Desafio Jovem, uma rede de centros de recuperação que continua até hoje com índices surpreendentes de sucesso .

2. Do sucesso evangelístico para uma mensagem profética

O ministério Teen Challenge (Desafio Jovem) cresceu rapidamente e se expandiu para muitas outras cidades. Deixando a direção desse trabalho para seu irmão Don, David começou um ministério de cruzadas evangelísticas por todo o país e no exterior. Em 1971, ele fundou outra organização, World Challenge, com sede numa grande propriedade no estado do Texas, para administrar todas as ramificações do ministério (campanhas, literatura, evangelismo).

Um conjunto de eventos desencadeou uma nova crise na vida de David. Primeiro, a notícia de que sua esposa, Gwen, e a filha mais velha, Debbie, estavam com câncer. Segundo, uma crescente insatisfação com a falta de unção e poder nas cruzadas. Depois de uma reunião evangelística na Flórida em que se sentiu especialmente vazio, David voltou para o ônibus e disse ao Senhor: “Para mim, chega!” Terceiro, a tensão e angústia interior por causa da mensagem de prosperidade e bem-estar pessoal, sem visão da santidade ou da glória de Deus, que estava começando a tomar conta da Igreja.

Convencido de que a organização World Challenge havia crescido demais, e que o trabalho administrativo estava consumindo grande parte de seu tempo e recursos financeiros, David resolveu diminuir radicalmente sua equipe, de 75 para 45 pessoas, cancelar seus compromissos, desfazer o grupo de música que o acompanhava nas cruzadas, dispor de um dos ônibus e vender a propriedade sede da organização para a missão Jocum (Jovens com uma missão) por apenas 10% do valor.

Começou ali um processo de vários anos, voltando a trabalhar mais diretamente nas ruas de grandes cidades e buscando a Deus para encontrar a resposta para a mistura do sistema do mundo com a Igreja. Depois de um período de cinco meses, indo e voltando de um refúgio nas montanhas para buscar a face de Deus e entender como entregar uma mensagem profética de juízo e ira divina para a Igreja cada vez mais apóstata, Deus o encontrou e deu-lhe uma profunda experiência com o Espírito Santo.

Sentindo-se extremamente pequeno e insignificante diante da presença do Senhor, ele viu o quanto era indigno para condenar quem quer que fosse. O Espírito Santo, então, levou-o a pesquisar tudo o que tinha na Palavra sobre amor e reconciliação. A partir daí, suas pregações mudaram; não deixou de denunciar o pecado, mas sempre conduzia as pessoas à reconciliação, a entrar no rio de amor. Uma mensagem profética de advertência e arrependimento, que seria proclamada por muitos anos a seguir, estava sendo gerada a partir do mesmo contexto de inquietação, intensa busca de Deus e disposição de obedecer radicalmente às instruções recebidas.

3. De volta a Nova York para viver a própria mensagem

Em 1986, David Wilkerson estava em Nova York, como costumava fazer uma vez por ano, conduzindo reuniões evangelísticas nas ruas. Depois de uma das reuniões, por volta da meia-noite, sem conseguir dormir, ele saiu do quarto e começou a caminhar pela cidade. Ao ver traficantes em cada esquina vendendo crack para garotos de 9, 10 e 11 anos, ele parou numa esquina de Broadway com a Rua 42, perto de Times Square, e clamou em lágrimas: “Deus, tu tens de levantar um testemunho neste lugar infernal; parece que o diabo estabeleceu a cidade de Nova York como a sede do seu reino. Precisa haver uma igreja exatamente aqui, como testemunho contra toda essa maldade”.

A resposta de Deus não foi a que ele esperava. “Você conhece esta cidade, David. Você tem amor por ela. Faça isso você!”

Ele ficou em estado de choque. Depois de quase 30 anos ministrando a jovens perdidos nas ruas, ele tinha outros planos para o futuro próximo – talvez, uma vida mais calma, espaço para escrever livros, para viajar e ministrar em outros países. E o que Gwen diria?

Durante duas noites, ele andou pelas ruas da cidade, chorando e clamando para que Deus escolhesse outra pessoa. No final, porém, ao retornar para seu quarto de hotel, Gwen, que também estivera orando, perguntou-lhe: “Estamos voltando para Nova York, não é?”

Depois de voltar para o Texas, David ainda cancelou todos os seus compromissos durante três meses para ficar diante de Deus, esperando nele e buscando a certeza dessa nova direção. Além da dificuldade e das implicações da mudança, havia o desafio financeiro de iniciar um trabalho na região central de Nova York. Mas o Senhor confirmou o chamado, dizendo-lhe que seu propósito ali seria (1) advertir a cidade e a nação a respeito do juízo divino que viria em breve por causa do pecado e (2) chamar um remanescente santo, no meio da degradação moral daquela região, para render-se a Jesus e estar preparado para esses acontecimentos dos últimos tempos. Ele também lhe deu promessas: de suprir os recursos necessários e de resgatar vidas, sempre que eles fossem fiéis em anunciar a Palavra.

Mais uma vez, David obedeceu, deixando sua tranquilidade no Texas e mudando radicalmente o rumo de sua vida. Mais uma vez, o Senhor honrou sua decisão. Hoje, a Times Square Church é frequentada por aproximadamente 8 mil pessoas das mais diversas nacionalidades, níveis sociais e procedências. São vidas transformadas, resgatadas das piores situações imagináveis, que hoje se encontram inclusive no ministério da igreja (um dos pastores, por exemplo, era morador de rua).

Essa última etapa da vida de David Wilkerson foi importante porque representou a prática daquilo que havia pregado nos anos anteriores. Uma coisa é denunciar os desvios da mensagem verdadeira do evangelho – e outra, bem diferente, é demonstrar como se deve fazer. A mensagem profética, que mostra a ira e o desagrado de Deus com um cristianismo voltado para si mesmo, fica incompleta sem a vivência prática do amor e da compaixão divina em favor dos perdidos. Com essa experiência sólida em Nova York, Wilkerson pôde iniciar um ministério para pastores e líderes em vários países do mundo a partir de 1999.

A última grande iniciativa de sua vida surgiu em 2009. “Neste estágio da nossa jornada de fé”, ele escreveu, “Gwen e eu perguntamos ao Senhor o que ele desejaria que fizéssemos nos últimos anos da nossa vida, o que estava mais próximo ao seu coração. A resposta dele foi: ‘Alimente os famintos’. Foi simples assim. E, baseado nesta palavra, iniciamos o ministério ‘Please Pass the Bread’ (Por Favor, Passe o Pão).”

Hoje, esse ministério leva alimentos para os necessitados de vários países na Ásia, América Central, África e da própria cidade de Nova York.

Foi dessa forma que David Wilkerson terminou sua carreira, mantendo sensibilidade e obediência à voz de Deus até o fim. Você pode imaginar o que aconteceria se isso fosse multiplicado em muitas vidas – e no povo de Deus como um todo?

Cronologia da vida de David Wilkerson
19 de maio de 1931 – Nascimento de David Ray Wilkerson, segundo filho de um pastor (e o oitavo numa linhagem de pastores).
1952 – Casou-se com Gwen Carosso.
1958 – Foi para Nova York para falar com sete adolescentes assassinos que estavam sendo julgados.
1959 – Mudou-se para Nova York com a família e iniciou Teen Challenge (Desafio Jovem).
1963 – A primeira edição do livro A Cruz e o Punhal é publicada em inglês. Este livro foi responsável por tornar o ministério de David Wilkerson conhecido em todo o mundo.
1964 – Início de David Wilkerson Youth Crusades, ministério de cruzadas evangelísticas para alcançar jovens em outras cidades, no país e no mundo.
1969 – Lançamento do filme em inglês A Cruz e o Punhal.
1971 – Fundação do ministério World Challenge, abrangendo todos os aspectos do ministério evangelístico e de literatura, no Texas, EUA.
1974 – Publicação do livro The Vision, com previsões alarmantes sobre acontecimentos futuros.
1987 – Início da Times Square Church com o retorno para Nova York.
1999 – Início das conferências internacionais para pastores e líderes.
2009 – Fundação do ministério Please Pass the Bread (Por favor, passe o pão), destinado a levar alimentos para órfãos e necessitados em países como Haiti, Filipinas, El Salvador, Quênia – e na cidade de Nova York.

É CERTO CELEBRAR A MORTE DE OSAMA BIN LADEN?

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvBiqeJs071EaS5MCYnB99PEMIfQubGuacC_CG0z1YGuNGEBBgnTEICJ1RgEgKPz73s4vj_dXLxuBmPbome8JPwsIfk-IV5CxuAbVHg3h6LiOOVpVGH-RwaO2ki2qY782qWVrudGgRPJI/s1600/Morte-de-Bin-Laden.JPG

É Certo Celebrar a Morte de Osama Bin Laden?

A morte do maior ícone do mal deste início do século 21 trouxe reações diversas entre cristãos ao redor do mundo. Até que ponto é lícito ficarmos alegres quando um “inimigo” é derrotado? Será que não estaríamos nos tornando semelhantes aos fanáticos de outras religiões se celebrarmos a morte de alguém, mesmo que tenha sido, indiscutivelmente, um instrumento do mal?

Para ajudar-nos a refletir com mais profundidade sobre o assunto, estamos oferecendo dois artigos escritos por judeus não messiânicos. Mesmo que não concorde com todos os argumentos ou conclusões, é sempre saudável pensar um pouco “fora da caixa”, ver as coisas a partir de uma perspectiva bem diferente daquela com a qual estamos acostumados.
A Redação
————————————————————————————————————————————————————-

Quando o Mal é Derrotado

Lori Palatnik
Assim que ouvi sobre a morte de Osama bin Laden, postei a notícia maravilhosa na minha página no Facebook. Muitos amigos “curtiram” a notícia, outros fizeram comentários de celebração. Houve um comentário dissidente: um “amigo” manifestou desagrado com o fato de celebrar a morte de alguém. Como argumento, citou um trecho do Talmude [coletânea de interpretações rabínicas sobre os livros de Moisés] que comenta a história do livramento de Israel na passagem pelo Mar Vermelho (Êx 14.23-28).

De acordo com a passagem bíblica, Deus abriu o mar sobrenaturalmente para que o povo pudesse passar em terra seca. Ao chegarem ao outro lado, viram o exército do Egito, com seus carros e cavalos, atolar no leito do mar e morrer embaixo das ondas.
O povo de Israel irrompeu em cânticos. Miriã, usando instrumentos musicais, chamou as mulheres para dançar e cantar louvores a Deus.

O comentário do Talmude diz que, no céu, os anjos também começaram a cantar. Porém, o Todo-poderoso repreendeu-os: “Como podem cantar quando meu povo está morrendo?” (Talmude, Tratado Sinédrio, 39b).

Por que Deus repreenderia os anjos por terem cantado se permitiu que os israelitas celebrassem? E o “povo de Deus”, os egípcios, morreu porque o próprio Deus os matou!
O que Deus estava dizendo aos anjos era que, em certo sentido, aquele não era um dia feliz. Ele não criara os egípcios para o mal; no entanto, por eles terem escolhido o mal, era necessário agora erradicá-lo. Por outro lado, os israelitas, que haviam sofrido nas mãos dos egípcios, não só tinham o direito, mas também a obrigação, de celebrar.

O Shabat antes do Purim (data em que os judeus comemoram o livramento do plano diabólico de Hamã, relatado no livro de Ester) é chamado Parashá Zachor, um dia para se lembrar, quando é lido na Torá sobre o ataque de Amaleque ao povo de Israel no deserto (Dt 25.17-19). O que somos ordenados a lembrar, todo ano, nessa data especial? De Amaleque, o arqui-inimigo do povo judeu, e de seus descendentes que surgem em cada geração para tentar nos destruir.

Fazer isso é um dos 613 mitzvot [mandamentos] da Torá. Por que nos esqueceríamos? Porque há algo em nós que deseja racionalizar o mal, achar que não existe. Oferecemos explicações alternativas, políticas, econômicas ou religiosas. Entretanto, a Torá nos informa que o mal realmente existe, que não podemos fechar os olhos e ignorá-lo, e que devemos fazer tudo o que pudermos para erradicá-lo do mundo.

Na ceia da Páscoa (Sêder de Passach), cantamos V’hi sh’amda, que diz: “Porque não foi um somente que se levantou para destruir-nos, mas em cada geração se levantam contra nós; e o Santo, bendito seja ele, salva-nos das mãos deles!”

Tivemos o privilégio de conhecer um judeu especial, o Sr. Yisrael Yitzhak Cohen, um sobrevivente de Auschwitz e Dachau. Ouvimos dele histórias dramáticas e horríveis de suas experiências naqueles lugares infernais. Quando os nazistas os torturavam, apontavam as armas para eles e gritavam: “Cantem, judeus, cantem”. Então, eles cantavam V’hi sh’amda.

Quando os nazistas foram derrotados, no final da guerra, saíram do acampamento, matando todos os judeus que puderam. O Sr. Cohen, pouco mais do que um esqueleto, deitou-se entre os cadáveres, fingindo-se morto. Depois que os nazistas saíram, ele e mais um amigo cambalearam para a cozinha para achar comida. Poucos minutos depois, foram liberados por soldados norte-americanos. O Sr. Cohen conhece a existência do mal e jamais se esquecerá dele.

Nesta vida, existem luz e trevas, o bem e o mal. Precisamos aprender a discernir entre os dois. Sim, temos o mandamento de lembrar que existe mal no mundo – e não só temos a permissão de celebrar sua derrota, mas também o dever!

Como escreveu o Rei Salomão:

“Tudo tem o seu tempo determinado… Há tempo de nascer e tempo de morrer… tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria… tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz” (Ec 3.1-8).

Este artigo foi traduzido do original que pode ser encontrado neste link:http://www.aish.com/ci/s/When_Evil_Falls.html.
Lori Palatnik é autora, palestrante e educadora. Vive com seu marido, Rabino Yaakov Palatnik, em Washington, D.C., nos Estados Unidos.
—————————————————————————————————————————————————————

O Dia em que Osama Morreu

Rabino Benjamin Blech
A morte de Bin Laden traz um senso de encerramento (em inglês, closure), de fechar as feridas, esquecer o passado e seguir em frente? Não deveria, absolutamente.

Foi apenas uma coincidência, ou houve uma mensagem divina no fato de a data em que Osama bin Laden foi, finalmente, levado à justiça ter sido justamente aquela que é marcada no calendário judaico como Yom HaShoá, ”Dia da Lembrança do Holocausto”?

Para nós, o dia em que Osama morreu foi, realmente, um dia de alegria. Fomos vítimas de sua barbárie.
Entretanto, a reação quase universal à morte desse ícone do mal parece ignorar uma verdade de grandes implicações – uma verdade ressaltada de maneira incontestável pelo significado da data em que sua derrota final coincidiu.

Tenho observado com grande interesse a cobertura da mídia desse evento histórico. Comentadores procuraram parentes das vítimas do 11 de setembro, fazendo-lhes sempre a mesma pergunta: “A morte de Osama lhe trouxe paz e sensação de encerramento?”

Imagine se tentássemos perguntar a algum sobrevivente ou parente de vítima do Holocausto: “Agora que Hitler está morto, você sente paz e tranquilidade? Você conseguiu finalmente fechar as feridas mentais e emocionais causadas pelos horrores do passado?”
Acreditar que as crueldades inexprimíveis sofridas por 6 milhões de judeus possam ser, de algum modo, amenizadas pela morte daqueles que as executaram chega a ser ridículo. Não existe possibilidade de se obter senso de encerramento em relação a crimes cometidos por um regime que declarava o genocídio uma opção civilizada.

Falar de encerramento em relação ao mal significa, de certo modo, fechar qualquer discussão ou atitude prática em relação a ele. Construímos museus, refletimos sobre o Holocausto em obras de arte, literatura e filmes e lembramo-nos de suas vítimas em Yom HaShoá, porque reconhecemos que, se chegássemos a um fechamento de paz, não seríamos mais inspirados a tirar qualquer lição para o futuro das tragédias do passado.

É por essa razão que o perigo de celebrar demais a morte de um inimigo é tão grande.
Quando Hitler morreu, foi preciso reconhecer que houve a morte de um homem, mas não de suas ideias. A Alemanha nazista provou o que o antissemitismo pode gerar quando não é detido. No período pós-Holocausto, vimos que era necessário assumir a missão de denunciar a intolerância, defender os direitos humanos e garantir que “nunca mais” não seria um lema vazio.

A morte de um líder maligno ainda deixa espaço para que seus inúmeros seguidores mantenham viva sua ideologia. Em última análise, é bem mais fácil matar um homem que constitui uma ameaça para nós do que erradicar a influência que conquistou sobre seus discípulos.

Temo que a alegria pela morte de Osama possa dar a ilusão de termos destruído o poder de sua mensagem. Ainda existem miríades de pessoas no mundo de Osama que acreditam em suas ideias. A voz dele ainda se faz ouvir entre os que afirmam que a violência é o único caminho, que justificam a matança indiscriminada de inocentes no suposto nome da religião, que escolhem a explosão de bombas como método divinamente aprovado para dominar o mundo.

A morte de Osama não mudou o conceito dessas pessoas. Muito pelo contrário, podem sentir-se agora na obrigação de vingar seu assassinato.
Os comentadores bíblicos tiveram uma percepção profunda sobre o versículo que introduz o cântico de Moisés e o povo de Israel em Êxodo 15. “Então”, diz a Torá, “Moisés e os israelitas entoaram este cântico ao Senhor.” “Então”, explicam os rabinos e não antes. Somente depois de finalizar a história toda, depois que todos os egípcios morreram foi que os israelitas sentiram, finalmente, que era apropriado celebrar.

Cantar antes da hora teria sido um pecado.
Mais de 50 anos depois do Holocausto, ainda não nos sentimos à vontade para cantar. Refletimos, estudamos, lamentamos aqueles que pereceram. Mas não podemos diminuir a tragédia de 6 milhões de judeus ao sugerir que tenhamos encontrado um senso de encerramento.

Menos de dez anos depois do 11 de setembro, podemos sentir algum consolo ao saber que o idealizador por trás da morte de mais de 3 mil norte-americanos inocentes finalmente encontrou seu justo castigo. Porém, ainda não é hora de cantar. Precisamos continuar lamentando as pessoas que perdemos. E precisamos comprometer-nos a perseverar na batalha contra os seguidores de Osama que continuam firmes em seu propósito de nos destruir.

Quando, por fim, tivermos sucesso nessa batalha (naquele momento, e somente naquele), é que nossa boca se encherá de riso, e nossa língua, de cânticos.
Este artigo foi traduzido do original que pode ser encontrado neste link:http://www.aish.com/ci/s/The_Day_Osama_Died.html.

O Rabino Benjamin Blech é autor de vários livros, palestrante internacional e professor do Talmude na Universidade Yeshiva, em Nova York.
—————————————————————————————————————————————————————–

Comentários sobre a Morte de Bin Laden

 “Justiça retributiva é justiça sóbria. A razão para isso é simples: Deus é capaz de praticar a vingança, porque é totalmente coerente com sua própria justiça e perfeição, enquanto os seres humanos não o são. Celebrar a morte de alguém nas ruas dá muito mais a impressão de que estamos tirando prazer da morte de um inimigo. Esse tipo de vingança apenas produz mais inimigos.”
 Albert Mohler

“Regozijar-se com a morte de alguém, por mais malévolo que tenha sido, significa que nos esquecemos da profundidade da nossa própria depravação e da espantosa realidade da nossa salvação.”

Gideon Strauss
“O fato de todos nós sermos pecadores, merecedores igualmente de morte e juízo, é indiscutivelmente verdadeiro. Entretanto, se nos apressarmos para relembrar essa realidade em momentos como esse, a consciência de pecado pessoal não será aguçada; pelo contrário, a tendência será de generalizá-la.”
Douglas Wilson

Textos bíblicos mais publicados no Facebook e no Twitter nas 12 primeiras horas após a notícia da morte de Bin Laden:

“Quando cair o teu inimigo, não te alegres [não exultes, não sejas arrogante], e não se regozije o teu coração quando ele tropeçar; para que o Senhor não veja isso, e lhe desagrade, e desvie dele a sua ira” (Pv 24.17,18).
“Quando se faz justiça, o justo se alegra, mas os malfeitores se apavoram” (Pv 21.15, NVI).
“Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva” (Ez 33.11).
“Quando os justos prosperam, a cidade exulta; quando os ímpios perecem, há cantos de alegria” (Pv 11.10).