quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ASPECTOS ESPIRITUAIS DA INQUISIÇÃO

Aspectos Espirituais da Inquisição
 
Por Marcelo M. Guimarães
 
Recentemente o Papa João Paulo II voltou a fazer suas considerações ao reconhecer os erros do passado em relação à intolerância religiosa, por ocasião da publicação de um livro de autoria de Agostino Barromeu, professor da Universidade Católica de Sapienza-Itália. 

O trabalho deste autor se resume em mostrar que durante o tempo da Inquisição, que em alguns países como Portugal e Brasil chegaram a vigorar por 3,5 séculos, a Igreja Católica não foi tão carrasca e não matou tanto como ensinam todos os livros de história, pois apenas menos de 1,8% dos réus julgados foram mortos em suas fogueiras (Revista Isto É/1811 de 23/06/04). O Papa já havia pedido perdão pelos erros da Inquisição Católica no ano de 2000. Antes, porém, já havia também pedido perdão aos judeus, por ter o Vaticano se calado no período do Holocausto que ocorreu na 2a. Guerra Mundial. 
 
Mas, poucos sabem o que foi a chamada Inquisição do Santo Ofício. A Inquisição que teve seus primórdios nos séculos XII e XIII na Europa sob o comando de Roma, chegou à Espanha no dia 1o. de novembro de 1478 através do pedido dos reis católicos quando receberam do Papa Sisto IV a Bula intitulada Exigit sincerae devotionis affectus (O amor da sincera devoção exige...) que a princípio combatia toda a heresia daquele tempo, destacando os feiticeiros, as bruxas, as prostitutas e homossexuais, filósofos e cientistas (que divergissem da sã doutrina católica) e, principalmente, os judeus. 

Mas, por que os judeus

Como os réus judeus representaram mais de 80%, segundo a historiadora da USP, Dra. Ana Novinsky, centralizarei na pergunta: Por que os judeus? Antes de responder a esta pergunta temos que relembrar um pouco da história. No século XII e XIII, época da Renascença Judaica, a Espanha havia se tornado o maior pólo judaico do mundo, chegando o povo hebreu  representar 25% da população da Península Ibérica. 

Para se ter um idéia desta grande concentração de judeus naquela região, desde a época do Rei Salomão que mandava buscar mármores e madeiras para a construção do 1o. Templo de Jerusalém, os judeus começaram para lá imigrar. Após o exílio da Babilônia muitos judeus foram morar nas terras ibéricas. 

Quando o Imperador Tito de Roma, expulsou os judeus de Israel no ano 69 d.C., muitos judeus foram também para a Terra de Sefarad (Espanha) juntar-se aos compatriotas que lá já moravam. Por que perseguir os judeus então? Primeiro, este povo representava um risco para o país, pois um quarto da população era demasiadamente alto; segundo, os judeus detinham o sistema financeiro (primeiro sistema bancário da Europa), além de muitos trabalharem na ciência, na astronomia, nas navegações, muitos eram médicos, oficiais do governo, policiais, etc.

Tal população exercia de certa maneira um monopólio em assuntos estratégicos da Coroa; terceiro, a mistura de povos (vários foram os estatutos de pureza de sangue) nesta época. Por exemplo, no ano 1215, o Concílio de Latrão determinou que os judeus andassem com distintivos para não serem confundidos com os cristãos); quarto, os judeus, praticantes do judaísmo, viviam em guetos (juderias) isolados devido às suas tradições e práticas religiosas, como casar-se entre si, a guarda dos mandamentos, destacando o sábado, dia no qual descansavam; não praticar a idolatria e crer em um só D-us. 

Tudo isto era um tanto estranho, divergindo da cultura e dos costumes locais, principalmente, no que tange à idolatria tão pratica pelos chamados católicos da época; quinto, por não serem proselitistas, o crescimento se dava entre eles, não recebendo na maioria das vezes os chamados gentios ( goyim ), salvo quando uma minoria inexpressiva deles se convertiam ao judaísmo. 

Mas, o grande e principal motivo não dito pelos historiadores, segundo minha opinião, foi que o anti-semitismo que após o domínio de Roma no ano 312 d.C., quando o Imperador Constantino decretou o cristianismo (mais tarde sob a forma de catolicismo) fosse a religião do império. A grande verdade é que desde que o sistema de Roma se desligou de suas raízes judaicas, o povo judeu passou a ser perseguido pelos líderes cristãos, como Crisóstomo, Marcião e outros que acusaram os judeus de “deicídio”, ou seja, assassinato de D-us, pois mataram a Jesus Cristo, o divino filho de Pai. 

Todos estes motivos se tornaram ameaças para a difusão e o crescimento do catolicismo da época e para o próprio Vaticano, sede do controle da fé e da doutrina católica. Aquele velho e antigo princípio de que minha religião é certa e a de todo mundo é errada e herege, contribuiu para que a intolerância religiosa da época não aceitasse mais os judeus em seu meio, mesmo que se pagasse um alto preço pela sua expulsão ou pelo seu  próprio aniquilamento. 

A antipatia generalizada pelo puritanismo judeu e todos os motivos enumerados acima fizeram com que os reis católicos Ferdinando Aragão e Isabel decretassem a expulsão de todo povo hebreu daquele país no dia 30 de março de 1492, salvo aqueles que desejassem se converter ao catolicismo, sendo então, batizados. Incluía também todo o confisco de bens daquele povo. O resultado disto foi que mais 280 mil judeus deixaram aquele país. A história mostra que 100 mil judeus cruzaram a fronteira com Portugal e lá passaram a residir em busca de sua liberdade religiosa. 

Em Portugal, os judeus se instalaram juntando-se aos outros que lá já moravam. Portugal nunca havia recebido tanta riqueza e conhecimento científico de uma só vez trazidos pelos os judeus. Gaspar Lemos, ajudou Vasco da Gama a descobrir o caminho para a Índia. Portugal aceitou os judeus sob uma condição tributária, pois deviam pagar uma pesada taxa de imigração e pesados impostos que chegavam até 25% dos bens e rendas auferidas pelos judeus.

Mas, mesmo assim, a maioria aceitou e por isso lá podiam viver. Os judeus mais pobres, sem alternativa, se convertiam ao catolicismo. Em 1496, D. Manoel I casa-se com a filha dos reis católicos de Espanha, os reinos se ajuntam e as Leis da Inquisição passam a valer em Portugal. Os judeus, então, ou se convertiam ao catolicismo ou seriam processados, julgados e condenados a morrerem nas fogueiras da Inquisição de Lisboa. 

Sem alternativas, milhares e milhares de judeus portugueses morreram. Suas crianças foram tiradas de seus pais e levadas para as ilhas vizinhas e lá eram comidas por feras e crocodilos. Precisa-se de um milagre, uma “abertura do mar” para que os judeus fugissem. Foi, então, que Pedro Álvares Cabral, com suas 13 naus, cujos capitães eram na sua maioria de descendência judia, passaram pelo batismo e eram chamados de cristãos-novos, descobriram o Brasil em abril de 1500. 

Com tanto capitães de descendência judaica como Sancho de Tovar, Gaspar Lemos, Nicolau Coelho, Simão de Miranda, Simão de Pinha, Diogo Dias e outros abrindo os mares e rotas para a Índia acabam “abrindo o segundo mar vermelho” e descobrindo o Brasil, que a partir do judeu Fernando de Noranha, amigo do rei, passou a trazer milhares e milhares de cristãos-novos (judeus católicos, marranos ou criptojudeus) às Terras de Santa Cruz a fim de plantarem cana de açúcar e exportar seu produto para a Europa, enriquecendo ainda mais a coroa portuguesa. 

Mas, não demorou muito a Lei da Inquisição chegou ao Brasil e em 1591 quando o rei português envia para o Brasil o primeiro Inquisidor do Santo Ofício, o Sr. Furtado de Mendonça que aqui começa a caça aos cristãos-novos, marranos, criptojudeus mesmo que não praticassem o judaísmo propriamente dito, mas que observassem ou guardassem alguma simples tradição judaica já se enquadrava na condição de herege, implicando um processo, julgamento e até mesmo a condenação. Bastava uma denúncia ao Santo Ofício para que se abrisse um processo, cabendo ao réu o dever de sua própria defesa. 

Segundo dezenas de livros escritos por historiadores brasileiros de renomes, e estrangeiros, foram encontrados na Torre de Tombo em Lisboa mais de 7 mil brasileiros processados e condenados a prisão perpétua, sendo que mais da metade  foram condenados a morte, passando pelas fogueiras na Praça Rossio de Lisboa. 

A Inquisição no Brasil só acabou, oficialmente, no ano de 1821. Na prática a discriminação e perseguição só começaram a reduzir após a Proclamação da República. Mas, podemos ver ainda seus resquícios até nos dias de hoje. Por que? E onde? 

Os aspectos espirituais da perseguição ao povo judeu e a Israel, fatos que estão fora do alcance para a maioria dos historiadores, da mídia e de muitos religiosos, tanto judeus como cristãos 

A intolerância religiosa sempre levou a humanidade a grandes e terríveis conflitos, extermínios e morte; No caso da Inquisição brasileira, pergunta-se: Se os feiticeiros, bruxas, magos, prostitutas e outros que foram também queimados nas fogueiras representaram menos de 10% dos réus, será que não houve um abuso na condenação e exterminação dos outros 90%, os judeus? 

Será que somente as causas de pureza de sangue, a intolerância religiosa e o grande patrimônio dos judeus foram as reais e verdadeiras causas da Inquisição Luso-brasileira ter durado três séculos e meio? Será que nós sob o prisma da fé não vemos alguma força maligna que sempre quis destruir Israel e seu povo? Basta ler a Bíblia, principalmente a Torá, onde os amalequitas, os medianitas, os cananitas, os heveus, os heteus, os perizeus, os amorreus e os jebuzeus eram inimigos ferrenhos do povo de Israel durante e após a travessia do deserto e a conquista da Terra de Canaã, a Terra prometida. 

A intenção do espírito do inimigo sempre foi a mesma, não deixar Israel se estabelecer na terra prometida e exterminá-los. Não será que ao longo da história este mesmo espírito das trevas tem atuado até os dias de hoje em relação a Israel e seu povo? Será que os chamados cristãos não podem entender os aspectos espirituais desta interminável perseguição? Se os cristãos realmente estudam e praticam os ensinamentos da Bíblia, por que não vêem os versículos que falam que D-us não rejeitou seu povo (ex. Jr 31:35; Rm 11:1-2 e outros) e o mesmo tem um propósito e um chamado irrevogável e eterno para com os casa de Israel? (Jr 31:35-37; Rm 11:29; Ez 36:24-28; Zc 2:8). 

Por que não podem ver também outros versículos que falam da restauração do povo e da terra de Israel, ambas necessárias para a vinda do Messias, Jesus (Yeshua)? (Ez 36:24-28; Ez 37:12-28, Rm 11:15 e 26, etc.) Será que Yeshua volta para Nova Iorque, Paris, Roma, ou a Bíblia diz que ele volta para Jerusalém Israel?( Zc12:10; Rm 11:26 e outros). 

Será que os cristãos não conseguem ver que há uma série de profecias que precisam ser cumpridas pelo povo judeu e pela a nação de Israel para que Yeshua volte, julgue e reine sobre as nações? Será que os cristãos historiadores, a mídia cristã não podem ver Israel como o “relógio de D-us” para a volta do Messias? Será que eles não leram na bíblia versículos que afirmam a salvação dos judeus implica na volta eminente do Messias. 

Bastam ler os profetas Jeremias, Isaias, Oséas, Ezequiel, Zacarias, e outros, ou mesmo o comentário de Yeshua escrito por Mateus (cap. 24) ou mesmo a carta do Apóstolo Paulo aos Romanos (cap. 11, p. ex.)? Será que é muito difícil entender o versículo de Apocalipse que diz que pouco tempo resta para o Diabo nesta terra?(Ap 12:12) E que é difícil entender que estas forças malignas não querem ver a identidade judaica e nem o Estado de Israel em nossos dias? Se eles não existem ou mesmo não são importantes no contexto da fé, então, as profecias não se cumprirão e o messias também não voltará! Não trará o Messias com Ele um reino de Paz? Claro que sim, pois o Reino está próximo (Mt 3:2). 

A Inquisição ainda existe no nosso meio? 

Sim, infelizmente, o que mais vemos no meio chamado cristão é a própria heresia de dizer: “... minha denominação é certa e a sua errada... só a minha salva... Vocês não são meus irmãos, são primos condenados às trevas... etc. Esta mesma intolerância religiosa é que foi a mola mestra da Inquisição. Talvez hoje não existem “fogueiras” para queimar os hereges e os judeus, mas existem tantas intolerâncias religiosas nos livros, na TV, nas Rádios que estão “queimando” e produzindo brigas entre irmãos e até mortes através de atos terroristas entre povos e nações.  

Será que o terrorismo mata só por petróleo, terra, dinheiro, ou há algo espiritual atrás deste movimento, onde impera o fanatismo e a intolerância religiosa? 

Mas, que lições nós podemos tirar da trágica e cruel Inquisição?
 
Podemos extrair muitas lições para a geração de nossos dias e para o futuro. Primeiro, precisamos ser tolerantes e respeitar o direito de crença. Não que vamos concordar com todas as religiões e crenças e pregar o ecumenismo irrestrito, absolutamente, não! Mas, pensar e interpretar a bíblia segundo a revelação de cada um é um direito legal. 

Cada denominação autenticamente cristã precisa ser respeitada, por mais que se distancie entre si. Mas, quando esta interpretação fere os princípios divinos do amor e da tolerância entre irmãos, então, teremos mais divisões entre os que se dizem crentes e mais fracos estarão. 

Segundo, os cristãos não podem cometer os mesmos erros do passado; Terceiro, se os chamados cristãos tivessem preservados os princípios bíblicos vividos integralmente pelos os apóstolos e discípulos de Yeshua no primeiro século, não teriam caído com certeza nas armadilhas da ganância, da ambição, do domínio e poder do ser humano. 

É tempo de reflexão, é tempo de oração, é tempo de advento para um novo tempo e para um novo Reino, o Reino de D-us, onde o Rei dos reis estará chegando em glória. Baruch Habá (seja bem-vindo)! 

Postadom por Roberto
Fonte: Ensinando de Sião
Abraço

 

NA CORDA BAMBA

Na Corda Bamba

A vida e os passos de um cristão renascido se assemelham à caminhada sobre uma corda bamba. Um filho de Deus não deve pender nem para a direita nem para a esquerda, mas cuidar para manter sempre o equilíbrio. O autor tem grande urgência em falar com você sobre este equilíbrio tão importante para a sua vida de fé.

Há algum tempo li a seguinte notícia:
Falha tentativa de quebra de recorde mundial na Suíça. No sábado à noite, depois de caminhar cerca de 600 metros sobre os cabos de sustentação do teleférico da montanha Säntis, o equilibrista Freddy Nock, de 40 anos, teve de desistir de sua tentativa de quebra de recorde. Por motivos até agora desconhecidos, a vara de equilíbrio escorregou das suas mãos, de forma que ele não pôde continuar. Nock conseguiu segurar-se no cabo e descer imediatamente para o bondinho do teleférico que o acompanhava. O equilibrista Freddy Nock, originário da cidade de Müllheim, no cantão de Thurgau, pretendia subir pelos cabos do teleférico até a estação da montanha. Mas ele só conseguiu percorrer 600 metros.
A sua vida como cristão também não se parece muitas vezes com a caminhada sobre uma corda bamba? O desfiladeiro sem fim se abre debaixo de você, e adiante está apenas um caminho muito inseguro. Como o equilibrista, você sobe a montanha, em direção ao Senhor. Mas você só consegue dar um passo por vez, timidamente, num esforço extremo para não perder o equilíbrio.
O equilibrista teve de desistir de sua tentativa de quebrar um recorde mundial porque tinha perdido a vara de equilíbrio. Você também não conseguirá avançar espiritualmente se perder o equilíbrio entre o legalismo e o mundanismo.

Também para os cristãos é muito importante encontrar o equilíbrio entre direita (legalismo) e esquerda (mundanismo). Nem um, nem outro lado é correto. Só quando você encontrar o equilíbrio é que a glória de Jesus pode ser refletida em sua vida: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2 Co 3.18). 

Também 2 Coríntios 2.15 fala algo a respeito: “Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem”. Só que essa glória não pode ser obtida por meio de legalismo ou amizade pecaminosa com o mundo, mas apenas se você levar isto em conta: “Contemplai-o e sereis iluminados, e o vosso rosto jamais sofrerá vexame” (Sl 34.5). Você brilha assim por Jesus?

No momento em que você se sobrecarregar com atitudes legalistas ou brincar com o pecado, a glória sairá de sua vida!
O equilibrista teve de desistir de sua tentativa de quebrar um recorde mundial porque tinha perdido a vara de equilíbrio. Você também não conseguirá avançar espiritualmente se perder o equilíbrio entre o legalismo e o mundanismo.

Legalismo

O legalismo, isto é, a idéia de que é preciso contribuir de alguma forma para a própria salvação, está profundamente arraigado no coração do homem. Isso pode ser visto até mesmo na época dos Atos dos Apóstolos (no tempo da igreja primitiva). Quando o carcereiro de Filipos se abriu para o Evangelho, sua primeira pergunta foi: “Senhores, que devo fazer para que seja salvo?” (At 16.30). 

A iniciativa de agir é totalmente humana e permeia todas as religiões. O budismo, por exemplo, exige: “Anule-se para penetrar no eterno nada”. O islamismo ensina: “Cumpra os mandamentos do profeta e Alá terá misericórdia de você”. E a igreja católica diz: “Receba os sacramentos e faça o bem, para ganhar o céu”.

Para nós, seres humanos, é difícil aceitar algo de graça ou não retribuir um presente. Um missionário alemão teve uma experiência dessas: a fim de chamar a atenção para o Evangelho, certo dia ele se sentou no chão no meio de um movimentado calçadão de pedestres. Na sua frente, ele tinha um pote com moedas e uma plaquinha que dizia: “Recebi muitos presentes, por favor, aceite um pouco”.

As pessoas passavam e sacudiam a cabeça. Era muito raro alguém criar coragem e tirar alguma coisa do pote. Provavelmente pensavam: “Como assim, simplesmente pegar dinheiro, sem precisar fazer nada por isso? Com certeza aí tem alguma pegadinha. Acho que ele está só querendo se divertir às nossas custas”.
A iniciativa de agir é totalmente humana e permeia todas as religiões. O budismo, por exemplo, exige: “Anule-se para penetrar no eterno nada”.

E o céu? Ele pode ser obtido de forma gratuita! Alguém pagou o ingresso na cruz do Gólgota. Você não precisa fazer nada. Não é preciso jejuar nem praticar exercícios de meditação para satisfazer a Deus. Basta aceitar a oferta!

Mas, infelizmente, muitas pessoas se esforçam; elaboram regras e tentam alcançar a maior perfeição possível. Isso nem mesmo é uma atitude nova. Até na igreja primitiva havia quem defendesse esse conceito: “Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos” (At 15.1). 

Naquela época, a Igreja de Jesus tinha só alguns anos de idade. Mesmo assim, o fantasma do legalismo já havia conseguido espaço. Mas Paulo se opôs terminantemente a esse processo: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo. (...) Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados. (...) Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade” (Cl 2.8,16,20-23). Ainda mais claro é o seguinte texto: “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição” (Gl 3.10). 

O legalismo desvia, pois acaba com a liberdade em Cristo. Até mesmo a glória de Jesus perde o brilho; a graça cede ao mérito próprio. A vida eterna não é mais um presente de Deus, mas uma recompensa pelos próprios esforços.

Mundanismo

A advertência é inequívoca: “Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4).“Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido” (Sl 1.1-3). 

Sendo cristão, brincar com o pecado é perigoso! A corda bamba da fé não permite testes deste tipo:
Árvore plantada junto a corrente de águas, assim é aquele que não brinca com o pecado!
Por favor, não se engane: Deus é santo! Ele não vai e não quer aceitar um estilo de vida pecaminoso, mesmo que este seja socialmente aceito e cultivado por certos cristãos. É impossível cruzar a corda bamba da fé nessa falsa liberdade: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).

Princípios

Em todo o Antigo Testamento valia a lei que Deus tinha dado a Moisés: “O homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela” (Rm 10.5). “Maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei, não as cumprindo” (Dt 27.26). A Antiga Aliança é exigente. Ela diz: “Você deve!”

Já os cristãos são chamados para a liberdade: “Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2 Co 3.17). “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão” (Gl 5.1).

Liberdade

Para a igreja de Jesus vale o seguinte princípio: “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4). Os crentes da Nova Aliança não estão mais debaixo da lei, mas desfrutam da liberdade em Cristo: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). 

Liberdade é a grande manchete do Novo Testamento: livres da lei, livres da escravidão do pecado, livres para servir a Deus da forma certa! Mas a Bíblia adverte contra a tentação de levar uma vida pecaminosa com a desculpa de viver em liberdade: “Como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus” (1 Pe 2.16).

Paulo enquadra a liberdade em Cristo com uma moldura que não deve ser quebrada. Essa moldura se chama amor: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5.13-14). 

O próprio Senhor Jesus também disse: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (Jo 13.34). Esse amor determina os limites.
Liberdade é a grande manchete do Novo Testamento: livres da lei, livres da escravidão do pecado, livres para servir a Deus da forma certa!
Entretanto, a palavra “amor” não significa o hoje tão banalizado sentimento “eros”, mas: “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Co 13.4-7).

Um cristão renascido, que respeita essa moldura, sabe exatamente onde estão os limites. Isso vale em todos os sentidos: nos pensamentos, nos relacionamentos, no trato com o cônjuge e os filhos, no lazer, etc. A Bíblia diz a respeito: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir” (Jo 16.13). 

Assim, a sua pergunta não deve ser o que pode ou não pode ser feito, mas: “Estou permitindo que o Espírito de Deus me guie?” O Espírito de Deus nunca ultrapassa a moldura do amor (como descrita acima). Ele também não dá conselhos contrários à Palavra de Deus.
Quando você aprender a viver dentro da moldura da liberdade em Cristo, o Salmo 34.6 se tornará realidade na sua vida: “Contemplai-o e sereis iluminados”.

Moisés ocultou seu rosto depois de ter recebido a lei. Ele fez isso como símbolo do fato de que o brilho da lei desvanece (cf. 2 Co 3.9-13). A lei escraviza as pessoas. Ela precisa dar lugar a algo melhor, isto é, ao Evangelho, que leva à liberdade: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.14-16).

Liberdade divina

A liberdade só funciona se o direito do próximo for respeitado. Do contrário haverá violência e anarquia. Paulo explica como você pode praticar a liberdade em Cristo no seu dia-a-dia: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5.25-27).

O seu relacionamento com Jesus deve ser como o relacionamento de duas pessoas que casam por amor: “Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja” (Ef 5.31-32).

As regras da liberdade

1. Deixar

Duas pessoas que se amam do fundo do coração só têm um desejo: deixar a casa dos pais o mais rapidamente possível. Querem estar com o parceiro que lhes significa tudo. O amor move montanhas. Você também não deixaria seu lar por amor a alguém? O amor já fez pessoas abdicarem de tronos e heranças. E o amor nunca é forçado.
Quando alguém realmente ama, “deixar” não é uma obrigação, mas o mais profundo desejo do coração.

Como cristão, você deveria se perguntar regularmente: “Eu também amo Jesus desse jeito?” Se você fizer isso, abandonar os hábitos, amigos e locais pecaminosos não será mais problemático. Quando o amor ardente por Jesus encher seu coração, esse abandono será um fato. Jesus ocupa o primeiro lugar em sua vida?

2. Unir-se

Pessoas apaixonadas têm muita dificuldade de se desgrudar uma da outra. Você também é tão ligado a Jesus?

Pessoas apaixonadas têm muita dificuldade de se desgrudar uma da outra. Minha esposa e eu muitas vezes fazemos caminhadas no fim da tarde. Recentemente vimos um casalzinho jovem durante um desses passeios. Os dois estavam tão enamorados que não viam mais nada ao seu redor. Abraçavam-se sem querer se largar. 

Você também é tão ligado a Jesus?
Namorados trocam constantemente torpedos pelo celular, acenam à distância mesmo quando quase não se enxergam mais e conversam horas ao telefone. Você também é tão ligado a Jesus?
Quem está ligado a Jesus não pode estar ao mesmo tempo ligado ao mundo: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro” (Mt 6.24).

Quando fiquei noivo de minha esposa, ela me escrevia muitas cartas. Algumas tinham até doze páginas. Você também é tão ligado a Jesus?

Há pouco tempo, quando visitávamos amigos, o filho do casal se despediu com as seguintes palavras: “Vou dar uma volta com minha namorada”. Depois de uma hora e meia eles ainda não tinham voltado. Você também é tão ligado a Jesus?

Quem está ligado a Jesus não pode estar ao mesmo tempo ligado ao mundo: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro” (Mt 6.24).

3. Tornar-se uma só carne

O objetivo de qualquer relacionamento é tornar-se um com o outro pela entrega mútua. Você também se entrega assim a Jesus?
“As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor, seria de todo desprezado” (Ct 8.7). 

Quando duas pessoas se entregam uma à outra, isso pode gerar frutos físicos. O mesmo vale para seu relacionamento com Jesus: quando você Lhe dá seu amor e é um com Ele, deve haver fruto espiritual! Paulo escreve a respeito desse fruto: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (Gl 5.22-23).

Amor e liberdade são como gêmeos siameses; são inseparáveis. Esta é uma lei divina básica: o amor que se doa sempre pressupõe liberdade de decisão. O amor verdadeiro só prospera onde não há pressão. O amor não pode ser forçado; no máximo pode haver esperança, mas nunca exigência.

Quando houver amor, você experimentará o seguinte: “As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor, seria de todo desprezado” (Ct 8.7).

Você realmente ama a Jesus e está disposto a abandonar tudo, unir-se a Ele e tornar-se um com Ele? Dê você mesmo a resposta a seu Senhor. 

(Samuel Rindlisbacher - http://www.chamada.com.br)
Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, julho de 2007.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O CAMINHO ERRADOS EM BUSCA DO PERD

O Caminho Errado em Busca do Perdão

Rádio cristã oferece confissão eletrônica

Confessar-se "online" – até isso já é possível. A estação de rádio "Premier Christian Radio" de Londres oferece aos ouvintes a possibilidade de confessar pecados, demonstrar arrependimento e receber o perdão de Deus em seu site na internet.

Segundo informações da própria emissora, ela seria a primeira a dispor de um confessionário virtual. O endereço "www.theconfessor.co.uk" oferece duas alternativas: entrar em contato com um conselheiro real por telefone ou confessar os pecados em um espaço virtual. Nada é arquivado; o segredo da confissão é preservado, assegura Peter Kerridge, o diretor da estação. Durante a consulta, o internauta pode ler versículos bíblicos que falam do amor, da misericórdia e do perdão de Deus, projetados em um fundo com céu azul e nuvens brancas. A "Premier Christian Radio" tem aproximadamente 200.000 ouvintes. (P.D. 4/2000)

O confessionário sempre dificultou a aproximação das pessoas de Deus. Eu mesmo fui criado em um lar católico. Muitas vezes estive no confessionário para confessar meus pecados – mas jamais recebi perdão através disso. Por que não? Porque me faltava o relacionamento pessoal com Jesus Cristo. Somente quando reconheci isso, e fui atraído a Jesus pela graça de Deus, confessando diretamente a Ele os meus pecados e convertendo-me a Ele, é que obtive a certeza do perdão dos meus pecados e a salvação da minha alma. 

Mesmo que o apoio de um conselheiro espiritual possa ser uma grande ajuda, a Bíblia nada ensina acerca de um confessor ou de um confessionário onde os nossos pecados seriam perdoados. Em Seu Filho Jesus Cristo, Deus nos ofereceu o caminho melhor e direto para alcançarmos o perdão dos nossos pecados. Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens, e através dEle chegamos diretamente ao Pai: "Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos" (1 Tm 2.5-6). 

Por que usar um desvio, se existe o caminho direto para alcançar o perdão dos pecados? A obra de Jesus por nós na cruz é perfeita, sendo absolutamente suficiente. Sua obra foi consumada plenamente, de modo que aqueles que aceitam a Jesus como seu Salvador pessoal não recebem "apenas" o perdão, mas são justificados por toda a eternidade. 

Em Romanos 3.24 está dito claramente: "Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus" (veja também Rm 5.1; 2 Co 5.19; Ef 2.8-9)."Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça". 

Mas queremos salientar que, ao confessarmos nossos pecados a Jesus, devemos igualmente confessar aos homens as injustiças que cometemos e, quando possível, tentar reparar o mal feito (dano financeiro etc.).

(Norbert Lieth - http://www.apaz.com.br) Qualquer pessoa, culpada de quaisquer pecados, pode chegar diretamente a Jesus, clamar pelo Seu nome e pedir-Lhe perdão. Não precisamos mais dos sacrifícios do Antigo Testamento, não necessitamos usar o desvio pelo confessionário e também não precisamos fazer penitências. 

Essa libertação maravilhosa tem que ser anunciada às pessoas através do Evangelho, por exemplo, com as palavras de 1 João 1.9: 

Postado por Roberto
Fonte: apaz.com.br
Abraço

terça-feira, 2 de novembro de 2010

AMAI AOS VOSSOS INIMIGOS





Escrito por Marcelo M. Guimarães   
Amai aos vossos inimigos...
“Eu, porém, vos digo: amai aos vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos de vosso Pai que está nos céus; pois Ele faz nascer o seu sol sobre os maus e bons, e faz chover aos justos e injustos. Pois, se amardes aos que vos amam que recompensa tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? Não fazem os gentios também o mesmo? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.” (Mateus 5:44-48)

Muitas vezes nós pensamos que nosso maior inimigo é aquela pessoa iníqua, que vive no caminho perverso e sei lei, que não teme a D´us e tão pouco ao próximo. O homem mau que rouba, mata, assalta, seqüestra, estupra, mente, induz seu semelhante ao mal, escravizando, maltratando, batendo e arruinando vidas. Este na verdade não tem seguidores. A maioria desses que tais coisas praticam acaba atrás das grades.

Outros acham que o grande inimigo é aquele que traiu nossa confiança, não nos honrou e foi ingrato por tudo o que fizemos por ele. Talvez para muitos o inimigo seja aquele que nos caluniou, tentou destruir nossa vida com mentiras e difamações, motivado pela inveja e pelo ódio cego de se opor, de se rebelar contra nós.

Eu penso que quando Yeshua disse: “amai aos vossos inimigos”, com certeza Ele falava a respeito de qualquer tipo de inimigo. Mas eu creio que o verdadeiro inimigo não é necessariamente aquele que se levanta contra nós, contra nossa vida, contra nossa família e contra o nosso trabalho. O verdadeiro inimigo é aquele com quem tivemos um relacionamento de amor no passado. 

A grande verdade é que o ódio é proporcional ao amor que dispensamos ao que se torna agora nosso opositor. É algo diabólico, pois a quem mais amamos no passado tornam-se imbuídos de ódio para nos ferir e se levantar contra nós. Por isso, o ódio e o amor estão muito próximos. O grande e temível inimigo para mim é aquele que se levanta contra o chamado que D´us nos deu e, não necessariamente, contra a nossa pessoa. 

É o que a Bíblia chama de inimigo espiritual. Este é o maior inimigo que podemos ter, pois a Palavra nos induz e nos mostra contra quem devemos realmente lutar. Paulo afirma “nossa luta não é contra sangue e carne, mas sim contra os principados, contras as potestades, contra os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniqüidade nas regiões celestes...” (Ef.6:12).

Em outras palavras, o diabo sabe bem a quem amamos e a quem queremos bem. Por isso, o grande e temível inimigo às vezes levanta-se dentro de nossa própria casa, de nossa própria família, de nossa própria igreja. A própria boca de Pedro que num certo momento respondeu movido pelo Espírito Santo que Yeshua era o Filho do D´us altíssimo foi a mesma boca usada por Satanás tempos depois, quando Yeshua lhe disse: “arreda-te de mim, Satanás.” 

Ou seja, um homem que amava Yeshua, andava com Ele pronunciou frases que o próprio Yeshua identificou como sendo do próprio Satanás que tentava impedir o cumprimento do propósito de D´us. Como isto é possível? Sim, é possível, pois enquanto o homem tiver este corpo corruptível, ele está susceptível a pecar e pior do que isto, ser instrumento de Satanás, se ele der lugar à sua carne. “Andai pelo Espírito e não haveis de cumprir a cobiça da carne” (Gl 5:16). Em outras palavras, se deixamos o Espírito e optamos pelo desejo da carne iremos produzir as obras da carne.  Este que age na carne, realmente é um instrumento do inimigo de nossas almas.

Se as obras da carne são manifestas na prostituição, na impureza, na inimizade, nas contendas, nos ciúmes, nas iras, nas facções, nas divisões, etc., a contra partida está no fruto do Espírito de D´us que é “o amor, a alegria, a paz, a longaminidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão e o domínio próprio, contra essas coisas não há lei” (Gl 5:22-23). 

Ou seja, se realmente pudéssemos viver integralmente no Espírito de D´us, tendo os Seus atributos como sendo os nossos atributos na sua totalidade, não precisaríamos da Torá, da Palavra instrutiva de D´us. Eu creio que quando nascemos de novo, passamos a produzir o fruto do Espírito de D´us, pois na carne e vivendo na natureza pecaminosa, nunca a nossa bondade, alegria, amor, a paz seriam genuínos. 

Ou seja, após o novo nascimento em Cristo já podemos experimentar o sabor do fruto do Espírito de D´us, mas a grande verdade é que nosso amor, nossa alegria, nossa paz, nossa bondade e demais frutos são meros lampejos comparados com o amor divino, incomensurável e infinito de D´us. Na verdade, eu acredito que teremos em nós o verdadeiro fruto na mesma intensidade de D´us quando tivermos nosso corpo glorificado e transformado num piscar de olhos, como dito por Paulo. 

A grande realidade é o versículo seguinte de Gálatas (versos 24 e 25) que diz que os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com suas paixões e concupiscências. Podemos ter este verso como o resultado desejado, ou seja, crucificamos nossa natureza pecaminosa e o velho homem que morreu (Rm 6:6). Nisto eu creio, mas também creio que mesmo assim aparece em nossa vida obras acidentais da nossa carne, isto é, embora não vivamos mais na prática do pecado, acabamos pecando na carne, tendo invejas, ciúmes, causando divisões nas igrejas, contendas, mentiras, calúnias, maledicências e outras obras da carne. Mas, à medida que vamos crucificando essas obras, vamos nos apropriando da santificação e da justificação pp. dito, quando vivemos e andamos no Espírito de D´us (verso 25).

Nosso grande desafio é: - “Andai pelo Espírito e não haveis de cumprir a cobiça da carne. Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis. Mas, se sóis guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei” (Gl 5:16-17).
Podemos imaginar, então, que na vida vindoura que viveremos presencialmente com Yeshua, teremos 100% a mesma natureza Dele, pois no Reino celestial, nós teremos nossos corpos glorificados (os que foram arrebatados ou que ressuscitaram) e não precisaremos das leis da Torá, pois todas elas já estarão escritas em nossos corações (Rm 2:15).

A obediência a Torá é para os crentes, aqueles que querem fazer a vontade de D´us, cumprindo todos os seus mandamentos, não se desviando nem para a esquerda e nem para direita, mas permanecendo justo (reto) aos olhos do Senhor. Portanto, andar no Espírito de D´us, dando fruto desse Espírito que agora habita em nós é um dos primeiros “dever de casa”. Neste contexto de amor Yeshua recomendou: - “Amai vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5:44).

Portanto, clamemos ao Eterno para que todos aqueles que nos difamam, nos odeiam, lançando palavras de maldição contra nossas vidas e contra nosso chamado divino sejam iluminados pelo Espírito Santo de D´us para arrependimento, alcançando as ricas bênçãos do Todo Poderoso.

Na fé Dele, por Ele e com Ele, chegaremos lá!


Marcelo M. Guimarães

Marcelo Miranda Guimarães é rabino messiânico ordenado pelo Netivyah de Jerusalém-Israel e pela UMJC. Fundador do Ministério Ensinando de Sião e da Congregação Har Tzion de Belo Horizonte. Fale conosco: siao@ensinandodesiao.org.brEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email ou pelo site: http://www.ensinandodesiao.org.br/  . Acompanhe nossos serviços ao vivo: todos os sábados, às 10 horas, pela TV Siao: www.tvsiao.com
 

UM HERÓI CHAMADO JANUSZ KORCZAK

Um Herói Chamado Janusz Korczak

Deus ama as crianças. O coração de Deus se move na direção dos órfãos e Ele nos dá esta ordem: “Defendei o direito do órfão” (Is 1.17). Durante o Holocausto nazista, um certo homem fez exatamente isso.

Ele nasceu em 1878 na cidade de Varsóvia, Polônia, e seu nome de nascimento era Henryk Goldszmit. Os pais de Henryk eram etnicamente judeus, mas praticavam muito pouco do judaísmo. Eles também eram ricos. Entretanto, a infância de Henryk foi tudo menos alegre.

Seu pai o ofendia verbalmente com insultos. Sua mãe o mimava e reprimia. Quando Henryk chegou à idade de 11 anos, seu pai começou a sofrer uma série de colapsos nervosos que culminaram no empobrecimento da família. Com 18 anos de idade, Henryk sofreu a perda de seu pai que morreu num hospício.

Crianças esfomeadas no Gueto de Varsóvia.
Tais experiências deram forma à causa que Henryk abraçaria por toda a sua vida. Ele repudiou a freqüente tirania dos poderosos sobre os fracos, a tirania dos ricos sobre os pobres, a tirania dos adultos sobre as crianças, bem como assumiu a missão de reformar a sociedade e ajudar aos necessitados.

Para cumprir sua missão, Henryk ingressou na medicina, especializando-se em pediatria. Enquanto cursou a universidade, ele cobrava valores exorbitantes de consulta dos seus pacientes abastados, de modo que pudesse ir aos cortiços e favelas para tratar dos pobres a baixo custo.

Durante aqueles dias, Henryk também começou a escrever e publicar suas experiências entre a população carente, a fim de chamar a atenção para a sua condição deplorável. Além disso, adotou o nome de Janusz Korczak, um nome mais polonês na sua sonoridade, pelo qual se tornou conhecido por toda a Polônia como um médico que cuidava dos miseráveis e advogava a causa das crianças. “Eu lhes digo”, escreveu Korczak, “Nunca vi cena mais cruel do que a de um bêbado que espanca uma criança ou do que a de uma criança que entra num boteco e implora: ‘Papai, vem pra casa!”’.1

Em 1912, Korczak tomou a difícil decisão de deixar a prática da medicina numa clínica infantil para se tornar o diretor e médico de um novo orfanato judeu em Varsóvia o qual abrigava 100 crianças. Depois da Primeira Guerra Mundial, ele acumulou a responsabilidade de dirigir mais um orfanato, este para crianças não-judias.

Korczak dirigiu seus orfanatos conforme a “Children’s Republic” (i.e., “República das Crianças”) que ele delineou em sua famosa obra How to Love a Child (“Como Amar Uma Criança”), na qual enfatizou a importância de se respeitar as crianças e permitir-lhes governar a si mesmas. Embora alguns de seus métodos possam ser questionáveis para o uso no lar, eles provaram ser eficazes naqueles orfanatos. Um levantamento referente a um período de 20 anos demonstrou que 98% dos órfãos com quem Korczak trabalhou se desenvolveram em cidadãos produtivos e equilibrados.

Korczak escreveu, ensinou e fez discursos anônimos pelo rádio acerca das crianças e suas necessidades. Ele visitou a Terra Santa por duas vezes e planejava uma terceira visita, possivelmente para lá permanecer, quando a Alemanha invadiu a Polônia em setembro de 1939.

Tropas alemãs retiram judeus poloneses do Gueto de Varsóvia em chamas no ano de 1943. Após tomar o controle de Varsóvia em 1939, os alemães construíram um gueto cercado por um muro, no qual confinaram os judeus da cidade e das redondezas antes de enviá-los para os campos de concentração. Em abril de 1943 os judeus do gueto iniciaram uma heróica resistência durante um mês, mas sucumbiram quando os alemães incendiaram o gueto.
A partir do momento que Varsóvia foi tomada pelos alemães, Korczak se viu forçado a deslocar seus órfãos para o recém-criado Gueto de Varsóvia. Quinhentos mil judeus (dos quais 100 mil eram crianças) foram comprimidos e confinados numa área menor do que 2 quilômetros quadrados de extensão. 

Por dois anos Korczak e sua equipe se esforçaram para cuidar de suas crianças. Ele se dirigia às pessoas para pedir comida, batia de porta em porta para levantar donativos e improvisava recursos para tratamento médico. Para preservar uma certa aparência de normalidade e manter o moral das crianças elevado, Korczak deu continuidade às atividades da rotina diária das crianças, inclusive as práticas de dar recitais de música e de fazer apresentações teatrais.

Em 1942, Korczak manteve o registro de um diário por três meses, o qual mais tarde foi encontrado. Nesse diário ele escreveu: “Eu existo não para ser amado e admirado, mas sim para que eu mesmo aja e ame. Não é dever dos que estão ao meu redor me auxiliar, ao contrário sou compelido pelo dever de cuidar do mundo, cuidar do ser humano”.2

Em julho de 1942 os nazistas começaram a transferir os habitantes do Gueto de Varsóvia para o campo de extermínio de Treblinka. Em 5 de agosto daquele ano, aqueles 200 órfãos marcharam lado a lado em quatro fileiras sob a liderança de Korczak, de cabeça erguida na direção dos trens que os aguardavam. Apesar das ofertas anteriores de isenção pessoal e salvo-conduto, Korczak permaneceu nas suas incumbências. 

Ele afirmou: “Não se abandona uma criança doente ou carente durante a noite. Eu tenho duzentos órfãos; num momento como esse, vou ficar ao lado deles a cada minuto”.3 Na última ocasião em que Korczak foi visto, ele mais uma vez estava prestando auxílio às suas crianças – no interior dos trens.

Embora nunca tenha se casado, Korczak deixou um legado duradouro. Tiago em sua carta escreveu: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações...” (Tg 1.27). Janusz Korczak, apesar de não ter sido um crente em Cristo, nem judeu praticante, indubitavelmente exemplificou o princípio desse versículo e estabeleceu um modelo a ser seguido por todos. 


Notas:
  1. Citado no livro de Mark Bernheim, Father of the Orphans: The Story of Janusz Korczak. Nova York: E. P. Dutton, 1989, p. 66.
  2. Janusz Korczac, Ghetto Diary. New Haven: Yale University Press, 2003, p. 69.
  3. Bernheim, p. 131.
Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, janeiro de 2007.

COMO SE FABRICA ACUSAÇÕES DE CRIMES DE GUERRA

As recentes denúncias de atrocidades que teriam sido praticadas por soldados israelenses em Gaza já foram desmentidas, mas é importante saber como são geradas e divulgadas essas acusações:

Nosso Mundo: Os Tribunais Injustos da Mídia Israelense

Por qualquer definição razoá­vel de um conflito armado, a operação contraterrorista de Israel em Gaza, combatendo o Hamas em dezembro [de 2008] e janeiro [de 2009], foi totalmente justificada, legal e moralmente correta. As Forças de Defesa de Israel [FDI] seguiram as leis que regem os conflitos bé­licos. Elas tomaram todas as precauções possí­veis para proteger os civis em Gaza. A operação foi conduzida com o propó­sito único de proteger um milhão de cidadãos israelenses no Sul do país, sob ataque de mísseis palestinos lançados por terroristas em Gaza, que é governada pelo Hamas.

Do mesmo modo, por qualquer definição razoá­vel de um conflito armado, a guerra de mísseis do Hamas e suas organizações terroristas aliadas em Gaza contra Israel foi injustificada, ilegal e imoral. O propó­sito expresso daqueles projé­teis era matar, mutilar e aterrorizar tantos cidadãos israelenses quanto possí­vel, a fim de causar a desintegração e o colapso da sociedade israelense. Escolas, creches e sinagogas foram o alvo proposital e repetido.

O único aspecto injusto da Operação Chumbo Moldado foi o fracasso do governo [dos partidos] Kadima e Trabalhista, que estava deixando o poder, em terminar o que havia começado. Ao retirar as forças das FDI de Gaza sem primeiro derrubar o regime terrorista do Hamas, o governo fez duas coisas que são, ambas, totalmente injustas: (1) permitiu que o Hamas sobrevivesse e continuasse lutando; e, (2) ao deixar o regime do Hamas no poder, indiretamente o legitimou.

Para os inimigos de Israel – particularmente no Ocidente – a sobrevivência do Hamas expandiu sua credibilidade. Hoje, os ativistas polí­ticos anti-Israel já não pestanejam em igualar Israel ao Hamas. Todos os dias, manifestações violentas são realizadas em uma ou outra cidade do Ocidente, nas quais a bandeira de Israel é queimada e rasgada, e a bandeira do Hamas – um grupo terrorista genocida – é orgulhosamente ostentada. 

As FDI são fustigadas diariamente como uma organização terrorista, e o Hamas é visto como um “movimento de resistência”. Ativistas polí­ticos e organizações auto-intituladas “de direitos humanos” exigem que ações criminais sejam movidas contra os soldados e comandantes das FDI, à medida que mais e mais governos europeus pensam em seguir o exemplo da Grã-Bretanha e advogam abertamente o reconhecimento do Hamas.

Até a semana passada, as FDI e o governo que está para deixar o poder foram capazes de minimizar o significado da campanha pós-Operação Chumbo Moldado contra Israel porque tal ação usufruía do apoio da esquerda israelense – e especialmente da mí­dia. Enquanto a esquerda permanecesse leal, tanto o governo que estava de saí­da quanto as FDI poderiam pressupor razoavelmente que o impacto das alegações fabricadas contra Israel não causariam danos à habilidade de funcionamento das FDI.

Mas, agora a mí­dia está começando a mudar de lado.
As FDI são fustigadas diariamente como uma organização terrorista, e o Hamas é visto como um “movimento de resistência”.


A OPERAÇÃO CHUMBO MOLDADO foi um evento 
desagradá­vel para a esquerda israelense e particularmente para a mí­dia nacional que ela controla. Houve duas razões principais para isso.

Primeiro, a mí­dia foi a principal apoiadora do plano do então primeiro-ministro Ariel Sharon de remover de Gaza todo o pessoal das forças militares e os civis em 2005. Desde os primeiros debates até a retirada, a mí­dia demonizou todos os que questionavam a sabedoria do plano e que avisavam que sua implementação iria expor o Sul de Israel a foguetes, morteiros e mísseis palestinos.

O ataque violento dos mísseis palestinos contra o Sul foi uma prova irrefutá­vel da profunda estupidez da medida.

Segundo, a Operação Chumbo Moldado foi executada pelo governo esquerdista às vésperas da eleição. Se a mí­dia tivesse apenas pensado em criticá-la, isso teria mostrado que a afirmação da lí­der do Kadima, Tzipi Livni, de que apenas uma guerra travada pela esquerda seria apoiada, era uma mentira. Para amealhar votos para [os partidos] Kadima e Trabalhista, a mí­dia teve que engolir seu orgulho pacifista e agrupar-se sob a bandeira.

Pelos seus esforços, a mí­dia foi ridicularizada pelo programa popular de sá­tira esquerdista Eretz Nehederet, que a retratou como “instigadora de guerra”.

É difí­cil saber se a mí­dia teria sustentado seu apoio vigilante à Operação Chumbo Moldado se o Kadima tivesse ganhado as eleições, mas, agora que o Kadima perdeu, e Benjamin Netanyahu, o lí­der do Likud, está formando o governo, fica claro que a mí­dia já não sente que é necessá­rio apoiar as FDI. Afinal, a pró­xima batalha será liderada pelo Likud.

O PRIMEIRO SINAL de que a mí­dia estava se voltando contra as FDI veio no mês passado. Ele seguiu o padrão conhecido: um ativista polí­tico de extrema-esquerda fez alegações não-substanciadas contra um comandante das FDI. A mí­dia tratou as alegações como dignas de cré­dito e exigiu uma investigação. 

No caso, o Professor Haim Ganz, da Universidade de Tel Aviv, que dirige o Centro Minerva de Direitos Humanos, informou ao [jornal] Ha’aretz que escreveu uma carta ao Professor Hanoch Dagan, Reitor da Faculdade de Direito da Universidade de Tel Aviv, protestando contra sua decisão de contratar a Coronel Pnina Baruch-Sharvit, que estava se aposentando das FDI, como palestrante de Direito Internacional. Baruch-Sharvit estava justamente deixando seu posto como Comandante da Divisão de Direito Internacional das FDI.

Ganz acusou Baruch-Sharvit de ter cometido crimes de guerra ao dar autorização legal para as unidades das FDI realizarem missões em Gaza, e que a presença dela na Faculdade de Direito era um insulto aos valores humanitá­rios da Universidade.

As alegações de Ganz eram claramente absurdas e difamató­rias. Mas o Ha’aretz estava feliz demais para dar-lhes cré­dito e publicou um editorial exigindo que o contrato dela fosse cancelado. No final, o ministro da Defesa, Ehud Barak, e o primeiro-ministro, Ehud Olmert, a defenderam e Dagan manteve sua decisão de trazê-la para o corpo docente.

Entretanto, o mal estava feito. Primeiro, Ganz e o Ha’aretz ofereceram aos ativistas anti-Israel a cara de Israel para bater, afirmando que nossos soldados e oficiais são criminosos de guerra. E, segundo, seu ataque contra Baruch-Sharvit ficará na lembrança de outros advogados das FDI que estejam planejando uma nova carreira ao deixarem sua função militar. A partir de agora, eles pensarão duas vezes antes de dar aprovação legal a missões militares claramente legais, sabendo que serão passí­veis de entrar para a lista negra por defenderem seu país.

Se a tempestade sobre Baruch-Sharvit foi a salva de artilharia inicial, o primeiro grande ataque da mí­dia contra as FDI veio na quinta-feira. Novamente, a campanha foi uma co-produção entre um ativista polí­tico de extrema-esquerda e repórteres de extrema-esquerda.

A Academia Pré-Militar Yitzhak Rabin em Jaffa é dirigida pelo movimento dos kibbutzim. É a única academia pré-militar aberta e declaradamente esquerdista. Seu fundador e diretor, Danny Zamir, foi preso em 1990 por se recusar a servir em Nablus durante o auge da rebelião palestina. Em 2004, ele permitiu que seu manifesto de 1990, demandando que os soldados recusassem ordens, fosse reeditado no livro Refusnik: Os Soldados de Consciência de Israel, que foi publicado com o prefá­cio escrito por Susan Sontag e a recomendação de Noam Chomsky.

Em seu programa de duração de um ano, os cadetes da Academia Rabin são submetidos à filosofia polí­tica pós-sionista que, de acordo com fontes familiarizadas com a instituição, os doutrina para crerem que Israel não tem direito de existir como um Estado Judaico. Em uma recente conferência que a academia co-hospedou juntamente com a Academia Pré-Militar Drusa, os soldados drusos expressaram seu espanto porque, enquanto eles se identificavam com Israel e o sionismo, os judeus da Academia Rabin eram declaradamente anti-Israel.

No mês passado, Zamir organizou uma conferência de seus ex-cadetes que agora estão servindo em unidades de combate das FDI. Lá, ele estimulou esses jovens soldados a lhe contarem suas histó­rias de guerra. No que pode apenas ser comparado a um grupo confessional comunista, Zamir falou ao Canal 10 que os jovens soldados foram estimulados a ver suas ações em Gaza como imorais. Um grupo deles aceitou os termos do debate e descreveu supostos atos imorais que alegavam terem sido cometidos em Gaza. 

Na maioria dos casos, os soldados de Zamir reconheceram que eles não estavam presentes às cenas dos eventos que descreveram. Estes incluí­ram a morte de mulheres e crianças palestinas que entraram em zonas de fogo, e o comportamento hostil a civis palestinos cujas casas os soldados requisitaram durante a operação. Outros caracterizaram regulamentos legais e éticos – como requerer que os soldados valorizassem suas vidas e as de seus companheiros mais que a vida de suspeitos de terrorismo – como imorais ou ilegais.

Zamir afirma que ele levou esses relatos de testemunhas não-oculares às FDI e solicitou que fossem investigados. Como ele se recusasse a fornecer os nomes dos soldados envolvidos nos incidentes alegados e os relatos de suas testemunhas eram de soldados que não haviam testemunhado os relatos, os oficiais das FDI com quem ele conversou disseram que seria muito difí­cil realizar a investigação.

NÃO CONTENTE COM essa resposta, Zamir publicou os relatos não-substanciados em seu boletim da escola e entregou o boletim a dois repórteres de extrema-esquerda – Ofer Shelach, do Canal 10, e Amos Harel, do Ha’aretz.

Os relatos infundados dos jornalistas Ofer Shelack e Amos Harel colocam em risco cada soldado das FDI em viagem à Europa, onde são ameçados de prisão, indiciamento e interrogató­rio devido a acusações de crimes de guerra imaginá­rios diante de tribunais de araque que estão proliferando por todo o continente.

Num ato de malversação jornalística consumada, na sexta-feira à noite, Shelach apresentou os testemunhos, que não podiam ser atribuí­dos a ninguém, como sendo relatos na primeira pessoa. Ele usou atores para lerem em voz alta as declarações dos soldados como se eles fossem os pró­prios soldados, e nunca disse à sua audiência que as vozes que estava ouvindo não eram as vozes dos soldados de fato.

Então, ele atacou as FDI por se recusarem a levar esses relatos a sé­rio e por terem a ousadia de observar que a Academia Pré-Militar Rabin é uma conhecida instituição esquerdista. Ele, logicamente, não mencionou que o pró­prio Zamir cumpriu pena de prisão por recusar ordens ou que, mais recentemente, em 2004, ele deu sua contribuição a um livro que explica porque as FDI são um exército imoral.

Quanto a Harel, ele publicou as afirmações dos soldados no Ha’aretz. Depois, ele escreveu uma “aná­lise” argumentando que as FDI não podem desconsiderar as afirmações feitas por aquelas vozes anô­nimas porque, segundo sua opinião, os soldados “não tinham nenhuma razão” para mentir. O fato de que eles não apresentaram nenhuma evidência para suas afirmações aparentemente não tem qualquer importância.

Ora, ao apresentarem esses relatos de batalhas de segunda mão como fatos; ao apresentarem Zamir como um observador fidedigno e objetivo; e ao instruí­rem as FDI a se envergonharem de si mesmas e a mudarem seus modos, Shelach e Harel certamente estão expiando seu “pecado” de apoiar o exército na Operação Chumbo Moldado. Talvez, para eles isso era tudo o que importava.

Mas as conseqüências de suas ações serão devastadoras tanto para as FDI quanto para o país. Assim como a campanha do Ha’aretz contra Baruch-Sharvit assustará outros advogados militares chamados para avaliar a legalidade de operações propostas, fazendo-os se recusarem a tomar decisões, incidentes como este também farão com que comandantes no campo pensem duas vezes antes de falarem a seus soldados para se protegerem. Isto é, eles tornarão as FDI uma força de combate muito menos eficiente.

Internacionalmente, os relatos não-atribuí­dos e não-substanciados de Shelach e Harel servirão para legitimar o movimento do Ocidente em direção ao Hamas. Milhares de notí­cias repetindo as [alegações] deles já estão sendo publicadas em todo o mundo. E, por que não? O que poderia ser mais condenató­rio que relatos da imprensa israelense citando soldados israelenses? Se é contra essa gente que o Hamas está lutando, não surpreende que ele queira destruir Israel.

Além da ajuda e da tranqüilidade que esses noticiá­rios fornecem a polí­ticos ocidentais ansiosos por tirarem fotos com Khaled Mashaal [lí­der do Hamas no exí­lio, em Damasco], os relatos de Shelack e Harel também colocam em risco cada soldado e comandante das FDI em viagem à Europa, onde são ameçados de prisão, indiciamento e interrogató­rio devido a acusações de crimes de guerra imaginá­rios diante de tribunais de araque que estão proliferando por todo o continente. Sem dú­vida, por seus esforços, Shelack e Harel podem ter certeza que receberão bilhetes para a primeira fila dos tribunais da injustiça. Sorte deles! 

(Caroline Glick extraído de The Jerusalem Post http://www.beth-shalom.com.br

Caroline Glick nasceu nos EUA e emigrou para Israel em 1992. Como capitã do exército israelense, ela fez parte da equipe de negociações com os palestinos de 1994 a 1996. Mais tarde, serviu como conselheira-assistente de polí­tica externa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (durante seu primeiro mandato, de 1997 a 1998). A seguir, fez mestrado na Universidade Harvard. Após retornar a Israel, foi comentarista diplomá­tica e editora de suplementos sobre questões estraté­gicas no jornal Makor Rishon. Desde 2002, é vice-editora e colunista do jornal The Jerusalem Post. Seus artigos têm sido reproduzidos em muitas outras publicações e suas opiniões são amplamente respeitadas. Seu site é www.carolineglick.com

Postado por Roberto
Fonte: apaz.com.br
Abraço