quarta-feira, 7 de julho de 2010

TRANSFORMANDO O INIMIGO EM AMIGO

O amor é a única força capaz de transformar um inimigo em amigo. 
(Martin Luther King)
Transformando o Inimigo em Amigo 

Em 1990, no estado do Colorado, EUA, uma jovem mãe de três filhos implorou que sua vida fosse poupada, ao ser confrontada por uma assaltante vestindo farda militar.
“Por favor, não me mate”, ela chorou. 

Friamente, a assassina atirou assim mesmo, matando-a. Porém, como deixou várias pistas, a polícia prendeu a mulher em menos de 24 horas. Pouco depois, prendeu também o marido da vítima, depois de averiguar que estava tendo um caso com a assassina. 

Sydna Masse era vizinha da vítima. Quando soube do assassinato, reagiu com ódio e ira.
“A minha amiga estava morta e deixara três crianças sem mãe. Senti que tinha todo direito de odiar a assassina que causara tudo isso.” 

Sydna sentia calor, fisicamente, quando o nome da assassina (Jennifer) era mencionado ou passava sua foto na televisão. “Durante um tempo, não conseguia sequer ler as reportagens nos jornais”, ela admite. 

O ódio de Sydna não era um caso à parte. “Toda a cidade e o estado odiavam Jennifer”, ela conta. A sentença de prisão perpétua pouco afetou a paixão negativa de Sydna. “Não houve alívio algum em saber que fora julgada. É isso o que acontece quando ódio e amargura estão presentes – essas coisas comem você por dentro. Cada vez que passava em frente à casa de Diane [a mulher assassinada], sentia uma enorme falta dela, e ressurgia toda aquela ira novamente.” 

Pouco depois do julgamento, Sydna começou a participar de um estudo bíblico que continha um capítulo sobre perdão. Sydna orou e perguntou a Deus a quem ela precisava perdoar. “O nome de Jennifer veio imediatamente à minha mente. Reagi fortemente à idéia e protestei: ‘Sem chance que vou perdoar-lhe! Ela matou minha amiga! Matou uma mãe de três crianças!’” 

Apesar da sua relutância, Sydna finalmente cedeu e escreveu uma carta a Jennifer, cuidadosamente redigida, expressando seu perdão. Para sua imensa surpresa, algo incrível aconteceu no seu interior. Assim que empurrou a carta para dentro da caixa de coleta, “um peso caiu das minhas costas. Era como se tivesse ficado dez quilos mais leve. Foi aí que aprendi que ira, amargura e falta de perdão nos bloqueiam, impedindo-nos de experimentar verdadeira alegria em todas as suas dimensões.” 

As surpresas não pararam por aí. Embora seu passo inicial fosse dado por um senso de obrigação e não por ter tido qualquer espécie de sentimento, algo totalmente inesperado aconteceu como resultado da sua ação. Jennifer respondeu à sua carta: “Sinto muito por ter matado sua amiga”, ela lhe escreveu. 

Sydna sentiu um imenso impacto ao ler essas palavras. “Não imaginava o quanto eu precisava ouvir isso”, ela testemunhou. 

Uma correspondência entre as duas foi iniciada. Aquilo que lhe parecia no princípio uma obrigação pesada – perdoar um monstro – transformou-se em um relacionamento que abençoou as duas. Hoje, Sydna reconhece que se não tivesse perdoado antes, Jennifer nunca lhe poderia ter feito aquela confissão, pois nem sabia que Sydna existia. 

De modo incrível, Jennifer se transformou em uma bênção para Sydna por meio de suas cartas. “Inexplicavelmente, as cartas dela sempre chegavam em momentos escuros para mim. Jennifer tornou-se uma das minhas maiores fontes de encorajamento”, ela diz. Com o passar do tempo, Sydna considerava a Jennifer tanto sua amiga quanto antes considerava a Diane. Só uma dádiva divina poderia ser responsável por tamanha transformação!

Extraído do artigo “The Forgiveness Factor”, da revista “Christianity Today”, de 10 de janeiro de 2000.
por Revista Christianity Today
Postado por Roberto
Fonte: Revista Impacto
Abraço

PERDOAR OU NÃO PERDOAR?

Perdoar ou Não Perdoar? - Última Palavra
Aos culpados, o perdão chega como graça maravilhosa. Aos ofendidos, perdoar pode soar como injustiça descabida. O senso moral da racionalidade faz a maioria das pessoas acharem que os culpados devem pagar suas dívidas. Quem perdoa é trouxa. Perdão é uma fraude. 

Pense na história de Simon Wiesenthal, por exemplo, contada por ele mesmo na sua autobiografia, intitulada The Sunflower (O Girassol). Ele narra um pequeno incidente ocorrido durante a mais bem-sucedida campanha de "purificação étnica" do século passado, um incidente que explica bastante o que impeliu Wiesenthal a se tornar o principal caçador de nazistas e uma incansável voz pública contra os crimes do ódio. 

Em 1944, Wiesenthal era um jovem prisioneiro polonês entre os nazistas. Ele tinha presenciado, indefeso, quando soldados nazistas assassinaram sua avó sobre a escadaria de sua casa e quando eles forçaram sua mãe a entrar em um vagão de carga abarrotado de mulheres judias idosas. Somados, oitenta e nove de seus parentes judeus morreriam nas mãos dos nazistas. O próprio Wiesenthal tentou cometer suicídio quando foi capturado. 

Em um luminoso e ensolarado dia, quando o destacamento da prisão para onde Wiesenthal havia sido levado estava limpando o lixo de um hospital para feridos germânicos, uma enfermeira se aproximou dele. "Você é judeu?", ela perguntou hesitante, e depois lhe fez sinal para que a acompanhasse. Apreensivo, Wiesenthal a seguiu por uma escadaria acima e depois por um corredor até que chegaram a um quarto escuro, cheio de mofo, onde um soldado solitário jazia enfaixado. Faixas de gaze branca envolviam o rosto do homem, com aberturas para a boca, o nariz e as orelhas. 

A enfermeira desapareceu, fechando a porta atrás dela para deixar o jovem prisioneiro sozinho com a espectral figura. O homem ferido era um oficial da SS, e ele mandara chamar Wiesenthal para uma confissão de leito de morte. "Meu nome é Karl", disse uma voz rouca que vinha de algum lugar de dentro das ataduras. "Preciso lhe contar a respeito desta coisa horrível — contar a você porque você é judeu." 

Karl começou sua história lembrando sua criação católica e a fé da infância, que havia perdido na Juventude Hitlerista. Mais tarde se oferecera como voluntário para a SS e servira com distinção, retornando apenas recentemente, muito ferido, do front russo. 

Por três vezes, enquanto Karl tentava contar sua história, Wiesenthal se afastou para sair. Todas as vezes o oficial estendeu a mão branca, quase sem sangue, para agarrar o braço dele. Implorou-lhe que ouvisse o que tinha acabado de experimentar na Ucrânia. 

Na cidade de Dnyepropetrovsk, a unidade de Karl tropeçou sobre armadilhas de minas abandonadas pelos russos em retirada, as quais mataram trinta dos seus soldados. Em um ato de vingança, os SS reuniram trezentos judeus, ajuntaram-nos em uma casa de três andares, espalharam gasolina e jogaram granadas nela. Karl e seus homens fizeram um círculo ao redor da casa, com as armas engatilhadas para atirar contra qualquer um que tentasse escapar. 

"Os gritos que vinham da casa eram horríveis", ele disse, revivendo a cena. "Vi um homem com uma criancinha nos braços. Suas roupas estavam em chamas. Ao lado havia uma mulher, sem dúvida a mãe da criança. Com a mão livre, o homem cobria os olhos da criança, depois ele pulou para a rua. Segundos depois a mãe o seguiu. Então, das outras janelas caíram corpos em chamas. Nós atiramos... Oh. Deus!" 

O tempo todo Simon Wiesenthal ficou em silêncio, deixando o soldado germânico falar. Karl continuou descrevendo outras atrocidades, mas voltava sempre à cena do menino de cabelos negros e olhos escuros, caindo de um edifício, alvo dos tiros dos SS. "Estou abandonado aqui com a minha culpa", ele concluiu finalmente: 

Nas últimas horas de minha vida você está comigo. Eu não sei quem você é, apenas sei que é judeu, e isso basta. 

Eu sei que o que lhe contei é terrível. Nas longas noites enquanto aguardo a morte, de novo e de novo tenho desejado conversar a respeito disso com um judeu e pedir perdão a ele. Apenas não sabia se havia ainda judeus com vida... Sei que o que estou pedindo é
quase impossível para você, mas sem a sua resposta não posso morrer em paz. 

Simon Wiesenthal, um arquiteto com vinte e poucos anos, agora um prisioneiro em um surrado uniforme com a Estrela de Davi amarela, sentiu o imenso fardo esmagador de sua raça sobre ele. Olhou pela janela para o pátio banhado de sol. Olhou para uma mosca verde zumbindo sobre o corpo do homem moribundo, atraída pelo cheiro. 

"Finalmente, tomei uma resolução", Wiesenthal escreve, "e sem uma palavra, deixei o recinto".
The Sunflower tira o perdão da teoria e o lança no meio da história viva. O oficial da SS, Karl, morreu logo, sem o perdão de um judeu, mas Simon Wiesenthal viveu até ser libertado de um campo de extermínio pelas tropas americanas. A cena no hospital o perseguiu como um fantasma. Depois da guerra, Wiesenthal visitou a mãe do oficial em Stuttgart, esperando de alguma forma exorcizar da memória aquele dia. Em vez disso, a visita apenas tornou o oficial mais humano, pois a mãe falou com ternura da juventude piedosa de seu filho. Wiesenthal não teve coragem de lhe contar como ele havia terminado os seus dias. 

Através dos anos, Wiesenthal perguntou a muitos rabinos e sacerdotes o que deveria ter feito. Finalmente, mais de vinte anos depois da guerra, ele escreveu a história e a enviou às mais iluminadas mentes éticas que conhecia: judeus, católicos, protestantes e pessoas sem religião. "O que você teria feito em meu lugar?", perguntava. 

Dos trinta e dois homens e mulheres que responderam, apenas seis disseram que Wiesenthal havia errado em não perdoar ao alemão. Muitas disseram que Wiesenthal estava certo: não poderia ter perdoado ao soldado da SS, porque não teria sido justo. Por que um homem que consentiu com a prática de um mal tão extraordinário poderia esperar uma rápida sentença de perdão no seu leito de morte? Que direito tinha Wiesenthal de perdoar ao homem o mal que cometera contra outros judeus? Se Wiesenthal tivesse perdoado ao soldado, ele estaria dizendo que o Holocausto não fora tão terrível assim. “Que o soldado alemão vá para o inferno”, respondeu uma das pessoas consultadas. 

Muitos de nós nos sentimos da mesma maneira quando somos injustamente feridos, ainda que em graus muito menos horrendos. Às vezes, nosso ódio é o único ás que ainda temos na nossa mão. Nosso desdém é nossa única arma; nosso plano para acertar as contas, nossa única consolação. Por que deveríamos perdoar? 

Que resposta o evangelho pode dar à injustiça do perdão? Só pode ser que perdoar é, apesar de tudo, o melhor caminho para justiça e eqüidade. 

Vingança nunca zera a dívida, pois pessoas alienadas nunca calculam o valor das ofensas usando a mesma matemática. Inimigos nunca concordam sobre o saldo da dívida, porque cada um sente as feridas que recebe de modo totalmente diferente das feridas que desfere. Quantos bombardeios equivalem ao atentado suicida? Quantas desfeitas dela pagam o tapa que ele lhe deu no rosto? Não podemos desforrar as ofensas; eis a fatalidade inerente a toda vingança. 

O ato de perdoar nos remove da escada rolante da vingança e permite que os dois lados interrompam a sempre crescente cadeia de ofensas. Começamos tudo de novo. Começamos outra vez como se o ofensor não nos tivesse ferido. Contudo, começamos de novo a fim de iniciar um relacionamento melhor e mais íntegro. Provavelmente tornaremos a falhar. Precisaremos perdoar novamente. A porta para a justiça fechará vez após vez. E o perdão continuará sendo a única maneira de abri-la novamente. 

É justo ser acorrentado à dor do passado? É justo ser surrado vez após vez pela mesma ferida antiga e injusta? Vingança é ter um vídeo plantado em sua alma que não pode ser desligado. Repassa a cena dolorosa incessantemente dentro da sua mente. Você fica amarrado aos seus replays instantâneos. E cada vez que reprisa a cena, você sente a pontada da dor outra vez. Isso é justo? 

Perdoar desliga o vídeo da memória da dor. Perdoar liberta você. Perdoar é a única maneira de interromper o ciclo de dor injusta que revira sem parar na sua memória.
Por que perdoar? Porque perdoar é o único caminho de volta para integridade e justiça. “Que o soldado alemão vá para o inferno” são palavras de uma pessoa condenada a sofrer vez após vez a injusta dor do passado. Para que fim? 

Texto extraído do livro “Maravilhosa Graça”, Philip Yancey, páginas 133 a 116, Editora Vida, e do artigo “Forgiveness – The Power to Change the Past” (Perdão – o Poder para Mudar o Passado), de Lewis B. Smedes, publicado na revista “Christianity Today”, 7 de janeiro de 1983.
por Philip Yancey
Postado por Roberto
Fonte: Revista impacto

terça-feira, 6 de julho de 2010

PERDÃO: O PODER PARA MUDAR O PASSADO


Perdão – o Poder Para Mudar o Passado
Na violência criativa do amor, você entra no passado inalterável e corta fora a ofensa da pessoa que o feriu, você apaga o machucado dos arquivos do coração. Quando consegue realmente fazer isso, você faz uma coisa, a única coisa, que pode solucionar a inevitabilidade da dor do seu passado. A graça para fazer isso vem de Deus. A decisão de fazê-lo é sua.
Dois anseios dominam a maior parte das nossas vidas. Ficamos ansiosos diante do passado inalterável; almejamos recriar segmentos das nossas histórias particulares, entretanto somos acorrentados a eles. Ficamos ansiosos, também, diante do futuro imprevisível; desejamos controlar nossos destinos, porém não conseguimos colocá-los sob a nossa gerência. Dessa forma, dois anseios básicos, que estão por trás de quase todos os demais, são frustrados: não somos capazes de alterar o passado doloroso nem controlar o futuro ameaçador. 
Deus oferece duas respostas aos nossos anseios mais profundos. Ele recria nosso passado através de perdoá-lo. Ele controla nosso futuro através de fazer e cumprir promessas. Ao perdoar-nos, muda nosso passado. Ao dar-nos promessas, assegura o nosso futuro.
Por meio da graça de Deus, podemos partilhar do seu poder para mudar o passado e controlar o futuro. Nós, também, podemos e devemos perdoar. Nós, também, podemos fazer promessas e cumpri-las. Aliás, ao participarmos desses dois poderes divinos, tornamo-nos mais valentemente humanos e mais maravilhosamente livres.
O Que Fazemos Quando Perdoamos? 
Vejo três estágios em todo ato de perdoar: sofrimento, cirurgia espiritual e recomeço. O primeiro estágio, sofrimento, cria as condições que requerem o perdão. No segundo estágio, executamos a ação essencial do perdão que consiste na cirurgia espiritual que o perdoador efetua em sua própria memória. Completamos a ação e a levamos à consumação no terceiro estágio, quando o perdoador recomeça o relacionamento com a pessoa perdoada. 
1. Sofrimento 
Ninguém pode realmente perdoar se não foi ferido. Reduzimos o milagre a uma indulgência barata quando dizemos que estamos perdoando pessoas que não chegaram a realmente nos ferir. Ademais, nem todas as injúrias precisam ser perdoadas. Há algumas feridas que podemos engolir, desprezar ou atribuir ao simples risco de sermos vasos de barro num mundo turbulento. Não devemos procurar aplicar o perdão quando o que é necessário é apenas um pouco de generosidade espiritual. Considere os seguintes exemplos:
Irritações. As pessoas nos irritam quando chegam atrasadas aos compromissos, quando contam casos entediantes no almoço ou quando cortam a fila à nossa frente no caixa do supermercado. 
Derrotas. Algumas pessoas se saem bem em situações em que nós falhamos; conseguem promoções quando somos ignorados; ganham os prêmios cobiçados por nós; sempre parecem estar ali à nossa frente – e para piorar ainda mais, são justamente os nossos amigos. 
Desfeitas. As pessoas que são importantes para nós nos ignoram; professores que adorávamos esquecem os nossos nomes dois anos depois da nossa formatura; pastores que amamos nunca nos convidam para seu círculo íntimo; o patrão nem nos convida para o casamento da filha. 
Todos esses exemplos podem constituir feridas, mas não são do tipo que requer perdão. Tais porções e fragmentos de sofrimento demandam tolerância, magnanimidade, indulgência, humildade – mas não perdão! 
As feridas que requerem perdão são aquelas que são, ao mesmo tempo, profundas e morais. São profundas porque retalham a fibra que nos mantém unidos em relacionamentos humanos. São morais porque são erradas, injustas, intoleráveis. Não podemos passar por cima ou ignorá-las; não podem ser desprezadas, como se fossem insignificantes. Não podemos simplesmente escusá-las como resultado da condição humana. 
Há duas espécies de ferida que precisam ser tratadas com o milagre do perdão. São atos de deslealdade e atos de traição. Pode ser que haja outros tipos de ferida que requeiram perdão e que não se enquadrem nessas categorias, mas a maioria se enquadra. 
O que é um ato desleal? Uma pessoa é desleal se tratar você como um estranho quando, na verdade, pertence a você como amigo ou parceiro. Todos nós somos ligados a algumas pessoas especiais por meio das fibras invisíveis de lealdade. Os vínculos que possuímos nos dão a nossa identidade: somos o que somos, no sentido mais profundo, por causa das pessoas às quais pertencemos. É por isso que a deslealdade é tão séria. Quando alguém que nos pertence nos trata como estranho, ele cava uma fossa ou edifica uma muralha entre nós dois e, ao mesmo tempo, agride nossa própria identidade. Palavras como “abandonar”, “desamparar” ou “deixar na mão” vêm à mente: 
O marido tem um caso com a melhor amiga da sua esposa. 
Um parceiro que prometeu ajudar com um empréstimo volta atrás no último momento por causa da chance de obter maior lucro com seu dinheiro em outro lugar. 
Seu pai não comparece na cerimônia em que você será premiado por uma realização muito importante. 
Todos esses exemplos têm a mesma característica injuriosa em comum: alguém que lhe pertence por alguma promessa declarada ou não declarada o trata como se fosse um estranho. 
Aperte o parafuso mais um pouquinho, e a deslealdade torna-se traição. Assim como a deslealdade transforma pessoas que pertencem uma à outra em estranhas, a traição as transforma em inimigas. Somos desleais quando deixamos alguém na mão. Somos traidores quando o retalhamos em pedaços. 
Pedro foi desleal quando negou que conhecesse o Senhor.
Judas foi traidor quando entregou Jesus aos seus inimigos.
Você me trai quando pega um segredo que lhe confiei e o revela a alguém que pode usá-lo contra mim. 
Você me trai quando, como meu irmão, me envergonha diante de pessoas de destaque, sem que eu tenha qualquer chance de defesa própria.
Esses exemplos têm a mesma característica injuriosa em comum: alguém que tem compromisso de estar ao seu lado age contra você como um inimigo. 
2. Cirurgia Espiritual 
O segundo estágio do perdão envolve a resposta interior da pessoa ferida àquele que a feriu. Embora ocorra na mente e no coração do perdoador, pode nem ser percebida pela pessoa perdoada – pelo menos, não imediatamente. Consiste na operação espiritual que o perdoador precisa executar dentro de sua própria memória. 
Quando você perdoa alguém, você recorta o ato danoso, separando-o da pessoa que o praticou. Você desprende a pessoa do seu ato ofensivo. Você a recria. Em um instante, você a identifica, de forma irreversível, como a pessoa que lhe fez o mal. No instante seguinte, você muda essa identidade. Ela é recriada em sua memória. 
Você passa a pensar nela, agora, não como a pessoa que lhe causou a ferida, mas como uma pessoa que precisa de você. Você a sente agora, não como a pessoa que o fez sentir rejeitado, mas como alguém que lhe pertence. Antes, você a tachava como uma pessoa extremamente maldosa; agora a vê como alguém que sofre de fraquezas e necessidades. Você recria seu passado através de recriar a pessoa cujo erro lhe causou a dor. 
Você não tem o poder para recriar a pessoa lá fora, no seu ser, no mundo exterior. O que ela fez está vinculada àquilo que ela é. A ofensa que cometeu está acorrentada à pessoa dela. Contudo, quando você a recria em sua memória, ali, no seu interior, ela foi alterada por meio de cirurgia espiritual. 
Deus perdoa dessa mesma forma. Ele nos liberta do pecado assim como uma mãe lava a sujeira do rosto de uma criança, ou como uma pessoa remove um fardo das suas costas, coloca-o sobre um bode e manda o bode correndo para longe, no deserto. As metáforas que a Bíblia usa apontam para uma cirurgia na memória de Deus, que muda o que ele pensa a nosso respeito. 
Às vezes, este segundo estágio é o máximo que se pode alcançar. Às vezes, temos de perdoar a pessoas que já faleceram e se foram. Às vezes, precisamos perdoar a pessoas que não querem ou não aceitam nosso perdão. Às vezes, nosso perdão não consegue ir além dessa etapa de realizar uma cirurgia espiritual na nossa memória. 
3. Começando de Novo 
O milagre do perdão começa quando duas pessoas distanciadas recomeçam seu relacionamento. Um homem estende a mão para a filha alijada e diz: “Quero ser seu pai outra vez”. Uma mulher estende sua mão e diz: “Quero ser sua esposa, sua companheira outra vez. Vamos nos reconciliar, vamos pertencer um ao outro novamente”. 
Reconciliação é o religamento entre pessoas que estavam rompidas, mas pertencem uma à outra. É o início de uma nova jornada juntas. Precisamos recomeçar do ponto em que estivermos, não esperar por um ponto ideal para nos religarmos. Ainda não compreendemos bem o que aconteceu. Há pontas soltas que não foram amarradas. Perguntas embaraçosas e dolorosas ainda não foram respondidas. O futuro é incerto; sem dúvida, ainda causaremos dor uma à outra e precisaremos experimentar outras vezes o perdão. Mas temos de recomeçar no ponto onde estivermos. 
Como Perdoamos? 
Sinto-me na obrigação de dizer algo sobre como se perdoa – mas não posso; não sei como perdoar. Alguém disse que o perdão, como o amor, pertence-nos apenas de “mentirinha”; essencialmente não conseguimos praticá-los. 
Talvez seja verdade. Entretanto, praticamo-los assim mesmo – às vezes! Como amadores desajeitados, com certeza, mas, apesar de tudo, amamos e perdoamos.
Quero apontar, apenas, três coisas que tenho notado a respeito das pessoas que perdoam: 
1. Perdoam lentamente. Pode ser que existam alguns perdoadores instantâneos, mas são muito raros. Não devemos esperar a capacidade de perdoar feridas profundas muito rapidamente. 
C. S. Lewis tinha um professor quando era menino que era um monstro. Ele guardou ódio contra aquele sadista acadêmico durante quase toda sua vida. Poucos meses antes do final de sua vida, Lewis escreveu para sua amiga americana: “Prezada Mary... Foi só há poucas semanas que descobri, de repente, que havia finalmente perdoado aquele professor cruel que lançou uma nuvem tão escura sobre minha infância. Fazia muitos anos que eu tentava fazer isso”. 
Essencialmente, não somos capazes de perdoar; mas, depois de um tempo, torna-se possível. Deus leva muito tempo com tantas coisas. Por que não deveríamos ter paciência com nós mesmos quando se trata de um milagre tão imenso como o perdoar? 
2. Perdoam em comunidade. Será que alguém consegue perdoar sozinho? Acho que eu não seria capaz. Preciso de pessoas que sentem a dor que eu sinto, que odeiam como eu odeio. Preciso de pessoas que precisam lutar tanto quanto eu para alcançar a disposição de perdoar. Eu só conheço o processo coletivo para alcançar o perdão. Se você consegue chegar lá sozinho, ótimo; contudo, se não conseguir se livrar do videoteipe da dor do passado, procure uma comunidade de perdoadores lentos. Eles vão saber ajudá-lo. 
3. Eles perdoam à medida que são perdoados. Na prática, a pessoa que perdoa não consegue distinguir muito entre o sentimento de ser perdoado e de perdoar. Somos uma mistura tão grande de pecador e vítima de outros pecadores que é impossível perdoar as pessoas que nos ofendem sem sentir que nós também estamos sendo libertos. 
Esperar para alguém se arrepender antes de lhe perdoarmos é entregar o nosso futuro à pessoa que nos feriu. 
Perdoar é: 
Colocar no chão uma mochila de 20 kg depois de subir 15 km numa encosta de montanha.
Libertar um prisioneiro e descobrir que o prisioneiro era você.
Dançar ao ritmo do coração perdoador de Deus.
Nosso único escape da injustiça cruel do passado e nossa única passagem às possibilidades criativas do futuro. 
O poder mais criativo concedido ao espírito humano e o poder de curar as feridas de um passado que não se pode mudar.
Uma jornada: quanto mais profunda a ferida, mais longa ela será.
A cura da dor e não a tentativa de evitá-la. 
Lewis Smedes (1921-2002) era professor de teologia e ética em Fulness Seminary, na Califórnia, EUA, e autor de vários livros, como “Forgive and Forget” (Perdoe e Esqueça) e “The Art of Forgiving” (A Arte de Perdoar). Este artigo apareceu originalmente na edição de 7 de janeiro de 1983, da revista “Christianity Today”. Traduzido e publicado com permissão de Christianity Today International, Carol Stream, IL, EUA. Para mais informações acesse www.christianitytoday.com.
por Lewis B. Smedes
Postado por Roberto
Fonte: Revista Impacto

PERDÃO TOTAL NA VIDA DE JOSÉ

Perdão Total na Vida de José

Mesmo depois de entendermos que o perdão é essencial na vida do cristão, muitas vezes surge a pergunta: “Como posso saber se realmente perdoei completamente?” 
Há várias evidências importantes que caracterizam o perdão total. Porém, nada como ver o perdão exemplificado na vida de alguém para se obter um quadro vivo e aplicá-lo à nossa vida. E nenhum dos personagens bíblicos, com exceção de Jesus Cristo, ilustra melhor o que é perdão do que José no livro de Gênesis. 

Injustiças Sofridas por José 

Vamos recordar as principais injustiças praticadas contra José, para entender melhor o que ele perdoou.
Em primeiro lugar, por pouco não foi morto pelos irmãos. No fim, resolveram lançá-lo numa cova e, depois, vendê-lo como escravo (Gn 37.18-24). É verdade que José tivera atitudes prepotentes, por saber que era o filho preferido do pai e por ter recebido sonhos indicando que estaria acima dos irmãos. Mas nada justificava a atitude destes em querer matá-lo ou vendê-lo como escravo para os ismaelitas. 

Em segundo lugar, ele foi injustiçado pela esposa de Potifar, que o comprara dos ismaelitas. Ao invés de ser premiado por sua fidelidade em resistir à sedução daquela mulher, ele foi lançado na prisão. 

Em terceiro lugar, ele foi esquecido pelo copeiro de Faraó. José havia interpretado corretamente o sonho desse homem, que se cumpriu quando foi restaurado à sua função no palácio. Antes da sua libertação, José pediu-lhe que intercedesse em seu favor diante de Faraó. 

José tinha muitas razões para se amargurar, até contra Deus, que permitiu que tudo isso acontecesse na sua vida. Dá até para discernir uma nota de autopiedade na sua afirmação ao copeiro na prisão: “E, aqui, nada fiz, para que me pusessem nesta masmorra” (Gn 40.15).
Perdão Exemplificado na Vida de José 

Não sabemos muito sobre o que se passou no coração de José durante todo esse processo. O que as Escrituras mostram é que José realmente perdoou a seus irmãos e não guardou mágoa contra Deus. 

Veja os pontos principais que despontam no final da sua história e as lições que podemos aprender sobre as características que identificam perdão total. 

1. José manteve em segredo o mal que seus irmãos lhe fizeram. Quando José revelou sua identidade aos irmãos no Egito, em Gênesis 45, ele pediu que todos os outros se retirassem de sua presença. Ele não queria que ninguém no Egito soubesse o que havia acontecido 22 anos antes, para que ninguém ficasse contra seus irmãos. Uma das maiores provas de que houve perdão é quando não queremos espalhar aos outros o que o ofensor nos fez. É assim que nós também fomos perdoados: Deus afastou nossos pecados de nós assim como o Oriente é distante do Ocidente (Sl 103.12). Todos nós temos esqueletos escondidos em nossos armários, conhecidos geralmente somente por nós mesmos. É confortante saber que Deus perdoa totalmente todos os nossos pecados e jamais revelará aos outros o que sabe a nosso respeito. Foi assim que José perdoou aos seus irmãos. 

2. José não queria que os seus irmãos se sentissem intimidados ou temerosos perto dele. Ele se revelou aos seus irmãos com lágrimas e compaixão, não como alguém que quisesse castigá-los ou deixá-los desconfortáveis. Quando ainda não perdoamos totalmente, sentimos prazer em perceber que o ofensor sente medo ou intimidação por nossa causa. Isso prova que ainda há amargura em nosso coração. “O perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo”, escreveu o apóstolo João (1 Jo 4.18, NVI). José percebeu que seus irmãos estavam “atemorizados perante ele” (Gn 45.3); por isso, chamou-os para perto, conversou com eles e os abraçou. Não há, em todas as suas palavras, nenhum sinal de mágoa, de superioridade, ou de que irá finalmente, após tantos anos, olhar nos olhos deles e recriminá-los pelo que fizeram. Pelo contrário, há uma sincera demonstração de querer deixá-los livres de qualquer sentimento de barreira ou afastamento. 

3. José não queria que seus irmãos continuassem se sentindo culpados. “Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui...” (Gn 45.5). Quem não perdoa totalmente quer exatamente o contrário: que a pessoa fique muito triste, que demonstre arrependimento, que sinta o quanto prejudicou o ofendido. Muitas vezes, podemos até dizer que perdoamos, mas fazemos tudo para deixar o ofensor se sentindo extremamente culpado. José quis liberar seus irmãos dessa sensação de culpa, embora em momento algum negou o ato terrível que haviam praticado contra ele. Pelo contrário, mostrou que Deus estava acima da intenção deles e que o enviara ao Egito com uma missão de salvar vidas (vv. 5-8). Foi exatamente assim que Jesus perdoou a seus discípulos depois da ressurreição. Não disse uma palavra sobre a covardia deles, quando fugiram na hora em que mais precisava do seu apoio, ou sobre o que Pedro fizera para negá-lo. Simplesmente apareceu onde estavam trancados e lhes disse: “Paz seja convosco” (Jo 21.19).   

4. José até argumentou que fora Deus quem o enviara para o Egito. Com isso, estava preservando a dignidade de seus irmãos, evitando qualquer referência à sua própria justiça ou ao erro deles (Gn 45.5-8). “Deus me enviou aqui na frente porque sabia da fome que viria e quis preparar um meio para preservar nossa família e muitas outras vidas”, ele lhes disse. Não há como superar um perdão como esse. Quando perdoarmos dessa maneira, é porque chegamos lá – experimentamos o perdão total! É aqui que tocamos numa das questões mais difíceis para nossa mente humana compreender ou aceitar: como Deus pode fazer com que um ato criminoso, um terrível pecado contribua para seu plano? Do jeito que José colocou para seus irmãos, parecia até que não haviam feito nada de errado. Outro grande exemplo disso é o fato de Bate-Seba figurar entre os ascendentes de Jesus na genealogia em Mateus 

1. Será que foi pela vontade de Deus que Davi tomou a mulher de Urias ou que os irmãos de José o venderam como escravo? Claro que não! O fato de Deus ser capaz de transformar os piores erros humanos em eventos que cooperam para o bem do seu plano não significa que Deus planejou que fosse assim ou que o ato não tenha sido condenável. Pelo contrário, é uma glória maior para Deus conseguir tirar o bem de tais situações e perdoar aquele que praticou o mal. Os irmãos de José ficaram atônitos – tanto assim que anos depois ainda não haviam-se convencido de que seu perdão fosse para valer. 

5. José ajudou seus irmãos a evitar seu maior temor: ter de contar toda a verdade para o pai. Outra vez, se não houvesse perdão, José teria até prazer em imaginar a consternação com que seus irmãos teriam de encarar o pai e contar o que realmente acontecera há tantos anos e como o haviam enganado e feito sofrer por tanto tempo. José, porém, não somente os liberou do sentimento de culpa em relação a si próprio, como também lhes deu instruções precisas sobre como falariam com o pai. Não precisavam tocar em nada do passado, nem revelar o que haviam feito. Só precisariam dizer que o filho José estava vivo, que era governador no Egito e que estava convidando toda a família para ser sustentada por ele lá. Jacó continuaria pensando que seus outros filhos nada tinham a ver com o sumiço de José.  

  E assim ficou até a sua morte. Muitos cristãos zelosos e legalistas com certeza diriam que os filhos de Jacó não poderiam ser perdoados sem confessar tudo ao pai. Embora a confissão de pecados seja bíblica e necessária, muitas vezes aquilo que já foi tratado por Deus no passado não precisa ser remexido. Ainda temos muito a aprender sobre a natureza de Deus e o perdão. 

6. José manteve sua atitude de perdão até o final de sua vida. Perdão total é um compromisso para toda a vida. Quantas vezes, ficamos decepcionados quando alguém que nos havia “perdoado” levanta a questão novamente, mostrando que ainda não a esqueceu nem a conseguiu superar. A impressão é que a pessoa não foi sincera quando disse que perdoou, mas isso nem sempre é verdade. Dependendo da profundidade da ferida, pode ser necessário voltar muitas vezes ao mesmo ponto e perdoar novamente. Perdão total é um compromisso que precisa ser renovado continuamente, assim como nossas alianças com Deus e uns com os outros. Dezessete anos depois da reunião de José com seus irmãos, Jacó faleceu. Imediatamente, os irmãos se encheram novamente de temor, achando que agora José finalmente aproveitaria para se vingar deles. Será que agora lhes retribuiria “todo o mal que lhe fizemos” (Gn 50.15). Até inventaram uma história para dizer que o pai deixara instruções para que José lhes perdoasse. José, ouvindo isso, chorou. Seus irmãos ainda não haviam acreditado no seu perdão. “Não temais”, ele lhes respondeu. “Acaso estou eu em lugar de Deus?” Isso nos ensina que reter o perdão de alguém é colocar-se no lugar de Deus. Não temos direito de fazer isso. Quem vai julgar é Deus. Nosso papel é perdoar. José voltou a afirmar a mesma coisa que lhes dissera tantos anos atrás: que Deus pegou o ato pecaminoso (“vós, na verdade, intentastes o mal contra mim”) e o transformou em bem, para conservação de vida. Portanto, nada mudara em seu perdão incondicional; ele continuaria sustentando a seus irmãos e a suas famílias. Quem já enfrentou situações injustas sabe que não é suficiente perdoar uma vez; é preciso perdoar, perdoar e perdoar novamente, tantas vezes quantas a tentação de se amargurar surgir em nossos corações.

Extraído e adaptado do livro “Total Forgiveness” (Perdão Total), R. T. Kendall, Charisma House, 2002. Autor de mais de trinta livros, Kendall foi pastor de Westminster Chapel (igreja pastoreada antes dele por G. Campbell Morgan e Martyn Lloyd Jones), em Londres, durante 25 anos, de 1977 a 2002.
por R. T. Kendall
Postado por Roberto
Fonte: Revista Impacto
Abraço

PERDÃO TOTAL

Recados de perdao
Perdão Total

O que não é:
1.Aprovar o que o ofensor praticou. Deus nunca aprovou o pecado dos homens. Ele odeia o pecado. Expulsou Adão e Eva do Jardim, mas antes lhes preparou vestimentas de peles. No Novo Testamento, Jesus perdoou à mulher adúltera, mas não aprovou o que havia feito. “Deixe a sua vida de pecado”, ele lhe ordenou (Jo 8.11). 

2.Negar que houve ofensa. Tentar reprimir ou apagar a memória não traz cura e quase sempre causa conseqüências negativas. É uma forma de fugir da realidade. Perdão total só pode ser oferecido depois que se encara o fato de frente e reconhece o que aconteceu. Paulo afirma que o amor “não se ressente do mal” (1 Co 13.5, Edição Revista e Atualizada), que “não guarda rancor” (NVI) ou, ainda, que “não guarda registro de ofensas” (tradução literal da NVI em inglês). Isso, porém, não significa que é preciso fechar os olhos diante da ofensa; apesar de reconhecer e confrontar o erro, o amor não o leva em conta, não guarda uma lista com as mágoas ou pontos negativos da outra pessoa. 

3.Desculpar o que o ofensor fez. No deserto, o povo de Israel passou dos limites até da longanimidade de Deus, em Números 14. Deus falou com Moisés que queria destruir toda a nação e começar tudo de novo. Quando Moisés intercedeu em favor do povo, ele não apresentou nenhuma desculpa ou justificativa pelo erro deles; apenas apelou para a misericórdia divina (Nm 14.19). 

4.Isentar o ofensor das conseqüências do seu erro. Podemos perdoar um criminoso por seu ato contra nós ou contra uma pessoa próxima a nós; mesmo assim, devemos denunciá-lo à justiça ou testemunhar contra ele, se for necessário. 

5.Reconciliar-se com o ofensor. Perdão abre o caminho e visa obter reconciliação, mas não é a mesma coisa. Uma pessoa prejudicada pode perdoar a um ofensor mesmo sem ser reconciliada com ele. O perdão depende somente de um lado; a reconciliação, de ambas as partes envolvidas.
O que é: 

1. Estar consciente da ofensa de alguém, e perdoar-lhe sem tentar negar, encobrir, desculpar ou fugir do fato ocorrido. 

2. Fazer uma escolha para não guardar registros das ofensas contra nós (1 Co 13.5). Muitos casais guardam memória daquilo que o outro cônjuge fez há vários anos e o levantam cada vez que há uma nova discussão. Perdão não é ignorar, nem necessariamente esquecer, no sentido literal de não ter mais memória. É a escolha de não guardar a lista, de não usar os erros passados para incriminar o outro, nem em palavras, nem nos pensamentos ou coração. Perdão total não é um sentimento – pelo menos no princípio –, é uma decisão da vontade. É a escolha de rasgar nossa lista de ofensas que guardamos contra outra pessoa. É arrancar a raiz da amargura, antes mesmo que chegue a fixar-se no nosso coração. É um estilo de vida, uma atitude que precisa ser tomada conscientemente, dia após dia. 

3. Não usar qualquer tratamento negativo para castigar o ofensor. Perdão total é doloroso. Custa caro abrir mão de toda espécie de vingança (fazer a pessoa pagar por ignorá-la, não conversar com ela, desprezá-la ou tratá-la mal). Causa-nos revolta pensar que a pessoa vai ficar isenta, que não sofrerá nada em conseqüência do mal que praticou, que ninguém ao menos saberá o que ela fez. Porém, quando reconhecemos plenamente o que a pessoa fez e aceitamos de coração que ela seja abençoada sem pagar nada pelo erro, atravessamos a fronteira para a esfera sobrenatural, para sermos semelhantes a Jesus. 

4. Não contar a ofensa da pessoa aos outros. A única exceção a essa regra é quando você precisa procurar ajuda de alguém para superar sua ferida. Neste caso, é preciso procurar uma pessoa responsável que realmente tenha perspectiva bíblica para conduzi-lo ao perdão total, não um colega ou amigo que só reforçará ainda mais seus sentimentos de vítima injustiçada. Contar os erros de outra pessoa é uma forma de castigá-la. Precisamos lembrar que nossos próprios erros foram perdoados por Cristo na cruz e que quando os pecados são cobertos pelo sangue de Jesus, (1) ficamos isentos de qualquer castigo da parte de Deus e (2) ninguém mais ficará sabendo a respeito deles. Como, então, posso sair contando os pecados de outra pessoa, se Deus não me tratou assim? 

5. Uma condição interior. Perdão total jamais poderá ser uma mera confissão ou declaração de palavras, sem uma verdadeira mudança de atitude interior. É por isso que perdão não depende de correspondência da outra parte, diferentemente do que ocorre com reconciliação. Quando há perdão total, independe da reação da outra pessoa. Não preciso ficar naquele jogo de definir quem deveria tomar a iniciativa. Não importa quem errou mais, quem teria a maior responsabilidade ou se você nem acha que errou. Perdão total é unilateral 

– se resulta em reconciliação, ótimo, pois esse é o desejo final de Deus. Porém, se não resultar em reconciliação, da mesma forma você fica livre de amargura, e o ofensor também se livrará de ser condenado por você. Mesmo que não seja restaurado o relacionamento, seu coração não terá mais rancor ou amargura. Estar livre no coração traz confiança no nosso relacionamento com Deus (1 Jo 3.21). 

Extraído e adaptado do livro “Total Forgiveness” (Perdão Total), R. T. Kendall, Charisma House, 2002.

por R. T. Kendall
 Postado por Roberto
Fonte: Revista Impacto
Abraço

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O ATO ANTINATURAL DE PERDOAR


  Ato Antinatural de Perdoar 

O método radical de restauração usado por Jesus
O chamado de Jesus para perdoar é, ao mesmo tempo, uma libertação e uma profunda ameaça. 

Quando lemos os evangelhos, é impossível deixar de notar a prática insistente que Jesus fazia do perdão, o que nos obriga a ficar face a face com a palavra mais impopular do vocabulário cristão: pecado. 

Pecado é o estado de estar alienado de Deus, dos outros e do nosso verdadeiro eu. Por conta desse senso de separação, passamos a comportar-nos de formas alienantes. Temos uma consciência dolorosa – geralmente secreta e vergonhosa – de nosso isolamento, das nossas falhas conseqüentes e da constante repetição das mesmas. É um enorme fardo para nossos corações. 

A Farsa das Folhas de Figueira 

Presos dentro de nossa vergonha alienante, perdemos nossa flexibilidade. Temos um anseio desesperado para consertar as coisas. À semelhança de Adão e Eva no jardim, costuramos folhas de figueira para esconder nossa nudez de nós mesmos, dos outros e de Deus. 

Nas igrejas, damos excessiva atenção às aparências: sorrimos bastante, usamos um vocabulário teológico correto – e sentimo-nos profundamente solitários. Continuamos, portanto, em extrema separação e fechamento. Só o perdão de Deus, oferecido abundantemente em Jesus, é que poderá aliviar nossos corações, restabelecer-nos com Deus, com a comunidade e com nossas próprias mentes. 

Jesus presume a universalidade do pecado e torna o perdão central em sua vida e ensinamentos. Através de todo o relato dos evangelhos, observa-se como ele age em cima de duas premissas básicas: a necessidade universal de perdão e a presença constante de um Deus interessado e compassivo. Jesus recebe ternamente aqueles que são declaradamente pecadores e confronta vigorosamente gente religiosa que usa sua bondade para barganhar com Deus. Em outras palavras, aqueles que sabem que estão sobrecarregados e doentes encontram alívio, enquanto aqueles que encobrem suas falhas com as folhas de figueira da justiça própria são descobertos e convidados a desistirem de seu fingimento. 

Primeiro, o Perdão 
 
O estilo de perdão que Jesus praticava vem direto ao encontro da nossa alienação; porém, a julgar-se pela experiência humana em geral, sua abordagem choca nosso senso racional. O perdão que oferecia não era condicionado a um pedido de desculpas. Jesus não disse ao jovem paralítico: “Agora, tão-somente diga que está arrependido e eu lhe perdoarei e o curarei”. Pelo contrário, demonstrou anelo, ternura, regozijo; estava removendo das costas do jovem um peso intolerável. Ele disse: “Tenha bom ânimo, filho; os seus pecados estão perdoados” (Mt 9.2, NVI). É como se o perdão precedesse o arrependimento; o próprio perdão gerava segurança para que as pessoas pudessem reconhecer o quanto estavam voltadas para dentro, necessitadas e vazias. 

Zaqueu (Lc 19.1-10) era um rico cobrador de impostos que trabalhava para os romanos e enchia seus próprios bolsos. Ele era, portanto, um traidor do seu próprio povo, cortado por suas próprias ações. Como resultado, fora excluído da comunidade e da intimidade da mesa de comunhão (comer juntos), o que era permitido apenas entre membros da família ou entre pares na sociedade. De fato, comunhão à mesa indicava status a tal ponto no mundo mediterrâneo do primeiro século que até mesmo aquele que escolhesse associar-se com homens como Zaqueu ficava com a reputação manchada. A decisão de Jesus de se convidar para comer na casa dele encarnava profundo perdão.

Jesus incluiu Zaqueu antes que ele sequer se reconhecesse pecador. Restituiu Zaqueu à comunidade através da dramática intimidade de partilharem comunhão à mesa, e Zaqueu respondeu como se tivesse sido perdoado. Arrependeu-se e prometeu abandonar radicalmente seu comportamento alienante. 

Perdão precede arrependimento. É como se Jesus entendesse que estamos acorrentados – que nossa vergonha é tão terrível que não conseguimos sequer nos mover. O perdão de Jesus concede-nos a liberdade de encarar nossas vidas o suficiente para nos arrependermos. O arrependimento conectou Zaqueu – e conecta a nós também – ao perdão. Jesus exultou: “Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão” (Lc 19.9, NVI). 

Necessidade Universal do Perdão 

Ainda outro incidente no evangelho amplia esse tema. Jesus é confrontado por uma multidão que empurra diante de si uma mulher surpreendida “no próprio ato” de adultério (Jo 8.1-11). 

A mulher está profundamente isolada. Não há ninguém para protegê-la ou tomar seu partido. Ninguém a acompanha e ninguém lhe oferece apoio. O outro parceiro da dupla adúltera não aparece. A mulher, definitivamente, é um objeto nas mãos de seus algozes. 

Talvez fosse notório que praticava tais atos, sendo assim um caso seguro a ser usado para testar Jesus. Ninguém questionaria sua culpa. Talvez ela tivesse uma história de abuso sexual e, por isso, não tinha firmeza para recusar assédios sexuais; simplesmente era arrastada resignadamente para repetir o mesmo comportamento. Pode ser que até tentasse cobrir sua paralisia com uma capa defensiva que imitava autoconfiança, mas que era, na verdade, uma frágil folha de figueira de desespero. 

Jesus, porém, parte da premissa de que todos pecaram e necessitam do perdão de Deus. Os homens perguntam se ele confirma a lei e concorda com a sentença de apedrejamento; ele se recusa a responder. Começa a escrever com seu dedo no chão. O silêncio, tão raramente empregado, é uma poderosa ferramenta de confronto. Mas os homens, ainda acreditando firmemente em suas folhas de figueira, têm a certeza da lei a seu favor e insistem na pergunta: “O que você diz?” 

Jesus, seguindo sua convicção, consegue penetrar as defesas dos ouvintes: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra”.
Ele insiste na necessidade universal de perdão. Volta a escrever e, no seu silêncio confrontador, os acusadores vão embora. 

 Sozinho agora com a mulher, Jesus demonstra novamente a qualidade incomum do seu perdão: pessoal, gentil, atenuante, uma valorização incondicionalmente positiva. Jesus não apenas oferece alívio para seu fardo e sua vergonha, mas também estende uma proteção adicional: a capacidade de recusar assédio sexual e, portanto, de pôr fim ao abuso. “Vai, e não peques mais”, ele diz, capacitando-a a dizer não e a estabelecer limites. 

Celebrando o Perdão 

Jesus sabe que seres humanos definham em sua carência de perdão. Não importa o quanto tenham culpa ou insistam em justificar a si mesmos, Jesus procura devolver as pessoas a si mesmas, a suas comunidades e a Deus. Ninguém está alienado demais – nem Zaqueu, o traidor, nem a mulher surpreendida em adultério. Jesus vai ao encontro do seu sofrimento com perdão. 

Jesus intervém em nosso sofrimento, chamando-nos à intimidade radical da comunhão à mesa. A própria celebração do evangelho convida-nos ao arrependimento e vacina-nos contra a desesperança. Será que podemos, de fato, sentar-nos com Jesus e lembrar, na liturgia, nas Escrituras, em sermões e músicas, o amor e a liberdade que ele nos oferece? Podemos deixá-lo lavar amorosamente nossos pés? Podemos receber seu banquete e reparti-lo aos outros: “Este é o pão da vida dado em favor de vós”? 

Em meio a essa comunhão de cura, podemos demonstrar misericórdia e conceder perdão a nossos inimigos? Após tal celebração da doçura de Deus, o que poderia ser mais natural?
Um Consolo – e uma Ameaça 

No entanto, devemos lembrar que o chamado de Jesus para perdoar é, ao mesmo tempo, uma libertação e uma profunda ameaça. Sua ordem para amar nossos inimigos abala as bases do controle social. O perdão de Jesus a Zaqueu gerou inimigos; seu perdão à mulher adúltera fomentou planos para sua morte. 

Quando uma mulher da vida penetrou uma festa exclusivamente masculina para lavar os pés de Jesus com suas lágrimas e secá-los com seus cabelos, os fariseus presentes sabiam que nunca agiriam assim. Duvidaram da identidade profética de Jesus. Afinal, esse homem permitiu que uma mulher pecadora o tocasse e, assim, o contaminasse. 

Jesus, porém, mostrou-lhes o espelho da sua própria pecaminosidade. “Saiam detrás das folhas de figueira de justiça própria que vocês mesmos costuraram. Sejam perdoados e vivam abundantemente.” 

Seguir Jesus a uma vida de perdão é algo que custa caro. “Venham”, Jesus nos diz em nossa paralisia, “seus esforços para permanecer no controle, para conquistar sua própria justiça, são essas coisas que os atormentam. Todos os seus esforços para tomar o lugar de Deus estão perdoados. Alimentem-se na celebração do meu evangelho. Lembrem a si mesmos, e uns aos outros, de que vocês são meus amigos. Eu os chamo para serem maravilhosamente humanos, para andarem comigo na ambigüidade da finitude, para aceitarem sua incapacidade. Eu lhes mostrarei o caminho.” 

Margaret Gramatky Alter é autora e professora de psicologia em New College, Berkeley, na Califórnia, EUA.
Este artigo foi publicado originalmente na Revista “Christianity Today”, edição de 16 de junho de 1997. Traduzido e publicado com permissão de Christianity Today International, Carol Stream, IL, EUA. Para mais informações acesse www.christianitytoday.com.

por Margaret Gramatky Alter
Postado por Roberto
Fonte: Revista impacto
Abraço