quarta-feira, 5 de maio de 2010

O PODER DA HARMONIA NA ORAÇÃO

O Poder da Harmonia na Oração 


 Extraído e adaptado do livro “O Ministério de Oração da Igreja”, de Watchman Nee (Editora Vida, edição esgotada)
  “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus” (Mt 18.18).

 As palavras de Jesus concedem grande poder à igreja. De acordo com esse texto, a ação na Terra precede a ação no Céu.

 Não que o Céu liga primeiro, mas sim a Terra; não que o Céu desliga primeiro, mas que a Terra desliga primeiro. A ação do Céu é governada pela ação da Terra. Tudo o que contradiz a Deus precisa ser atado, e tudo o que concorda com Deus precisa ser desatado. Seja o que for que deva ser atado ou desatado, o atar ou desatar começa na Terra. A ação na Terra precede a ação do Céu, pois a Terra governa o Céu.

 Como pode ser isso? Primeiro, são afirmações muito fortes que parecem colocar a Terra acima do Céu. A igreja hoje (assim como o foi em outras épocas da sua história ) está cheia de pessoas que gostariam muito de exercer esse poder, de mover Deus, de mudar as circunstâncias, de ter domínio sobre as coisas. Sabemos que, na grande maioria dos casos, o resultado não é o esperado, e o homem e a igreja na Terra continuam não governando coisa alguma.

 O contexto da passagem acima é muito claro: Jesus estava falando à Igreja (veja Mt 18.17). Ele estava entregando as chaves do Reino para a Igreja. Assim como Jesus possuía  essas chaves e ligava e desligava as coisas na Terra durante seu ministério aqui, ele estava comissionando seus discípulos e seguidores, sua Igreja, a fazer o mesmo (confere Lc 22.29; Jo 14.12 etc.).

 Em outras palavras, Deus se autolimitou para agir por meio da Igreja. Não temos base bíblica para fazer declarações extremas, como, por exemplo, que Deus não pode fazer nada a não ser pela Igreja, mas podemos afirmar que esse é o seu princípio de ação. Desde a criação, seu grande plano é agir em cooperação com um  instrumento frágil e impotente, que é o homem, para frustrar e vencer seu arquiinimigo, Satanás.

 A Vontade de Deus

 Deus recusa-se a simplesmente usar sua vontade superior para vencer Satanás, ou mesmo o homem. Ele está trabalhando de acordo com um plano meticuloso para trazer a vontade do homem à harmonia com a sua. A harmonia da vontade do homem com a vontade de Deus será de fato o maior trunfo e a maior glória para Deus.

 Dessa forma, podemos concluir que o ministério ou vocação da Igreja não é meramente pregar o Evangelho, mas trazer à Terra a vontade que está nos céus. E como a Igreja faz isso? Através do ministério da oração, que não é uma atividade meramente devocional ou opcional, mas uma obra relacionada com a função central da Igreja. 

 Como se define, então, o ministério da oração? É Deus dizendo à Igreja o que ele deseja fazer, de modo que a Igreja na Terra possa orar, expressando a vontade dele. Tal oração não é pedir que Deus faça o que nós queremos, mas pedir-lhe que faça o que ele deseja fazer. A Igreja precisa declarar na Terra que ela deseja a vontade de Deus. Se ela falhar nisso, será de muito pouco valor para Deus. O mais alto propósito da Igreja é permitir que a vontade de Deus seja feita na Terra.

 Harmonia

 Agora, para que isso seja feito, há uma condição no versículo seguinte. “Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus” (Mt 18.19).

 A condição é harmonia. Se dois dentre vós... Jesus está falando sobre a Igreja. Não é oração individual. Dois é o número mínimo para que seja representada a Igreja. E eles precisam concordar, ou seja, precisam estar em harmonia, em plena unidade, como uma sinfonia executada por  instrumentos musicais. Essa harmonia não é uma concordância momentânea a respeito de um determinado pedido. É a harmonia do Espírito Santo.

 Nós não ligamos nem desligamos as coisas na Terra de forma que sejam  ligadas ou desligadas no Céu, simplesmente porque duas ou mais pessoas  decidiram que deveria ser assim. Devemos estar cônscios de que não há possibilidade de harmonia na carne. Para estar em harmonia, é preciso que as duas pessoas estejam sob o domínio do Espírito Santo. Isso quer dizer que sou levado por Deus a um ponto em que nego todos os meus desejos e quero somente o que o Senhor quer; uma outra pessoa, da mesma forma, é levada pelo Espírito Santo ao ponto de negar todos os seus desejos e querer somente a vontade do Senhor. Eu e ela, ela e eu, ambos somos levados a um ponto em que há harmonia tal como a que existe na música. Então, tudo o que pedirmos, Deus o fará no Céu por nós. 

 Tenha em mente que a oração não é a primeira coisa a ser feita. A oração é um passo que segue os outros passos da harmonia. O mais importante é descobrir quais são esses passos, como entrar em sintonia com Deus e com nossos irmãos, através de verdadeira comunhão vertical e horizontal, antes de tentarmos usar as chaves. É por isso que, num grupo de oração, é importante não só orar, mas também conversar e buscar sintonia uns com os outros na presença de Deus. Do contrário, estaremos orando juntos, mas com a mesma ineficácia como se estivéssemos orando sozinhos.

 Se nossa vida natural é trabalhada pelo Senhor e somos levados a reconhecer a realidade do Corpo de Cristo, então estaremos em harmonia e nossas orações também estarão em harmonia. Uma vez que o que vemos é harmonioso, estamos qualificados para ser porta-vozes da vontade de Deus. Descobriremos a vontade de Deus, usaremos as chaves do reino para ligar e desligar, e o Céu atenderá a  Terra.

 O ministério principal da Igreja, então, é sua função de corpo, fundamentado na unidade. Quando pelo menos dois indivíduos estão em harmonia, eles não têm senão um só alvo, que é dizer a Deus: “Queremos que tua vontade seja feita na Terra, assim como é feita no Céu”. Quando a Igreja permanece em tal base e ora de acordo com ela, a vontade de Deus será feita. Se assim não for, é vã a nossa vida de Igreja. O grau da operação de Deus é determinado pelo grau de oração na Igreja. A manifestação do poder de Deus não excederá à oração da Igreja. É Deus quem primeiro deseja fazer certa coisa, mas a Igreja precisa preparar o caminho com oração de modo que ele possa ter uma estrada. Se a oração for sempre centralizada no eu, em problemas pessoais e em pequenos ganhos ou perdas, onde estará o meio pelo qual o eterno propósito de Deus se manifestará?

 A Presença de Jesus

 A dimensão do poder da Terra sobre o Céu é revelada no versículo 20: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”. Por que há tanto poder na Terra? Por que o orar em harmonia tem efeito tão tremendo? O que confere a duas ou três pessoas, orando em harmonia,  tanto poder? É porque a presença do próprio Jesus está ali. É este o verdadeiro motivo da unanimidade. Quando nos reunimos, não devemos vir como espectadores nem porque estamos buscando algo para nós mesmos. Somos chamados para nos reunirmos   em nome do Senhor, por amor ao nome dele, para buscar glória para ele.

 Nesse caso, haverá harmonia e o próprio Jesus estará dirigindo tudo. Por isso, tudo que for ligado na Terra será ligado no Céu, e tudo que for desligado na Terra será desligado no Céu. O Senhor estará operando juntamente com sua Igreja. Se o Senhor está presente, a Igreja pode ligar e desligar. Mas se o Senhor não está no meio dela, nada poderá fazer. Tampouco esse poder é dado a indivíduos; somente a Igreja recebeu tal autoridade. Deixemos de limitar a ação do Senhor na Terra – busquemos cumprir o nosso chamado principal como sua Igreja!

por Watchman Nee
 
Postado por Roberto
Abraço

ABRAÃO "DETENDO DEUS EM FAVOR DE SODOMA"

Abraão - Detendo Deus em Favor de Sodoma - 


 Adaptado de uma mensagem dada na conferência “Heart-Cry for Revival”(Clamor de Coração Por Avivamento), em abril de  2004, na Carolina do Norte, EUA.

 Uma Conspiração de Justiça



  Durante um breve período na minha vida, pastoreei uma igreja de aproximadamente 2.400 membros, poucos dos quais eram verdadeiramente convertidos. Apesar da oposição da junta de oficiais (ou conselho), manifestada logo após meu primeiro sermão, senti claramente que estava na vontade de Deus a minha permanência  ali, mesmo que fosse por pouco tempo.
 O desafio, porém, era muito grande. Orei bastante junto com minha esposa, Maggie, em favor do povo dessa igreja. E tivemos momentos poderosos nos cultos. Muitas vezes, a congregação parecia um mar de lenços. Nunca havíamos visto tantas lágrimas, tão regularmente, como ali. Mas não tivemos um único convertido durante um ano inteiro.
 Conversávamos com as pessoas, individualmente, a respeito da cruz e da ressurreição. Nada, porém, de romper a situação, nada de verdadeiras conversões.
 Maggie e eu ficamos perplexos: “Senhor”, perguntávamos, “por que nada acontece? Por que não há convertidos? Como pode haver tanta convicção de pecados e nenhuma libertação?”
 Finalmente, a verdade brilhou sobre nós: havia uma conspiração maligna na igreja. As pessoas estavam aliadas umas às outras para impedirem-se mutuamente de violar o status quo, a situação vigente. Quando alguém demonstrava sinais de convicção e desejo de mudar, logo um enxame de parentes (por ser uma igreja cheia de laços de parentesco) mobilizava-se para impedir qualquer mudança ou atitude radical. Pode ter sido uma situação mais extrema do que em outros lugares, mas a maioria das igrejas tem esse tipo de fenômeno.
 A igreja deveria ser uma conspiração de justiça, por meio da qual todos se aliassem para orar, lutar e dar suas vidas a fim de trazer a Cristo toda a comunidade em que estão inseridos. É nossa missão penetrar em cada camada da sociedade e em cada covil de maldade para podermos depois levantar as pessoas em oração a Deus e buscar uma revolução de justiça em suas vidas. Porém, ao invés disso, na maioria das igrejas temos um status quo e uma aliança invisível, talvez menos definida do que acabei de descrever, para impedir as pessoas de tomarem atitudes radicais em favor do reino de Deus. Creio que um dos grandes desafios que Deus está colocando diante de nós é a formação de conspirações de justiça nas nossas igrejas, através das quais as pessoas se unirão umas às outras para impactar as comunidades com o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo e para quebrar as conspirações malignas que tentam manter tudo exatamente como está.
 “Segurando a Barra” Sozinho
 Gênesis 18 conta uma das mais memoráveis experiências do patriarca Abraão, a sua intercessão em favor da situação em Sodoma e Gomorra. É uma história de alguém que ocupou uma posição sozinho diante de Deus. É uma coisa espantosa para se fazer. Posso dizer, com toda certeza, que as minhas experiências mais difíceis foram aquelas em que tive de tomar uma posição e “segurar a barra” sozinho. É sempre bem mais agradável – e até mais eficaz – ter outros ao seu lado, mas nem sempre podemos contar com isso em nossas vidas.
 Talvez você, leitor, esteja numa situação, agora, em que está assumindo uma posição sozinho ao lado de Cristo. Se assim for, aceite, não murmure, nem procure um meio de escape. Se Deus o colocou numa posição estratégica, sozinho na brecha em favor da sua comunidade, então assuma seu posto! Entretanto, se, pela graça de Deus, houver outros para o apoiarem, atraia o maior número possível para juntos formarem uma conspiração de justiça para a glória do Senhor Jesus Cristo.
 Abraão foi diante de Deus, em favor de Sodoma, sozinho. Além de estar sozinho, Abraão não compreendia totalmente a situação. Ele não tinha idéia da verdadeira profundidade de iniqüidade que havia em Sodoma e Gomorra. Veja como Deus caracterizou a atitude do povo dessas cidades:
 “Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranqüilidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o necessitado. Foram arrogantes e fizeram abominações diante de mim; pelo que, em vendo isto, as removi dali” (Ez 16.49,50).
 A Igreja Precisa se Arrepender
 O grande problema da nossa sociedade ocidental hoje não vem dos homossexuais. A raiz do problema está na igreja que é arrogante. Tão arrogante que se acha no direito de rejeitar certas raças ou classes sociais de sua comunhão. Tão arrogante que não sente qualquer carga ou inquietação em favor dos pobres e necessitados. Tão arrogante que nem sente a necessidade de cair de rosto em terra em arrependimento diante de Deus. Se nossa sociedade for julgada, não será por causa dos homossexuais ou da perversão e corrupção generalizada que correm soltas por aí. Por mais que essas condutas sejam reprovadas e por mais maléfica que seja sua influência, o verdadeiro problema na nossa sociedade é uma igreja arrogante que não quer abaixar sua cabeça altiva.
 Romanos 1 mostra por que Deus entrega os homens a uma mente reprovável (v. 28). Será que a situação hoje está pior do que em Sodoma? Não posso dizer. Mas posso afirmar que o problema da imoralidade é insignificante em relação à arrogância da igreja. Seria hipocrisia achar que Deus odeia a abominação do pecado enquanto tolera com indiferença a sua raiz. Qual é a raiz da homossexualidade? Se estudar todas as passagens das Escrituras que tratam desse assunto, verá que a raiz é o orgulho. A raiz de todo pecado sexual é orgulho. E tolerar o orgulho enquanto abomina o seu fruto é a mais descarada hipocrisia.
 Se cada cristão fizesse uma confissão honesta de sua verdadeira condição interior, se fosse realmente sincero, teria de incluir um terrível problema com o orgulho. Normalmente, as pessoas não têm muita dificuldade em admitir isso. No entanto, embora o reconheçamos, geralmente somos muito tolerantes a esse respeito. Geralmente, o desculpamos. Como ousamos tolerar aquilo que nosso Pai celestial abomina? E como podemos fugir das claras declarações nas Escrituras de que, quando a medida da iniqüidade se completar, Deus há de julgar o mundo, a começar com a igreja?
 Discernindo os Caminhos de Deus
 Voltemos à experiência de Abraão, em Gênesis 18. O Senhor apareceu a ele, junto com mais dois homens. Abraão não compreendia plenamente o significado do encontro. Mas, por causa do seu temor de Deus, o segredo do Senhor lhe foi revelado. Muitos de nós somos surdos e mudos com relação ao segredo do Senhor. Não entendemos o que Deus está fazendo. Não compreendemos o significado das coisas que estão acontecendo ao nosso redor porque não tememos ao Senhor. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria. E como Abraão tinha esse temor, Deus resolveu revelar-lhe o que estava para fazer. Se Deus não tivesse contado o seu segredo, Abraão não poderia ter suplicado como fez nessa ocasião.
 Muitas vezes, desperdiçamos nosso tempo em oração porque não sabemos o que o Senhor está planejando fazer. Oh, que o segredo do coração de Deus possa ser revelado a nós e que em nós haja tal temor que isso possa acontecer! Foi assim que Abraão pôde tornar-se um intercessor.
 Abraão aproximou-se de Deus. Ele não questionou a justiça do Senhor em destruir Sodoma. O que ele questionou foi a destruição dos justos junto com os injustos. Para isso temos base também. Abraão teve a coragem, a convicção e até a ajuda de Deus para ver que não seria coerente com a natureza divina destruir os justos com os ímpios. 
 Existe uma lógica na argumentação de Abraão com Deus. “Destruirás o justo com o ímpio? (...) Destruirás ainda assim, e não pouparás o lugar por amor dos cinqüenta justos que nele se encontram? Longe de ti o fazeres tal coisa, matares o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio” (Gn 18.23-25).
 Você tem essa convicção? Você já disse a Deus: “Não é tua natureza fazer isso. Tu és um Deus de justiça. Se julgares nossa sociedade corrupta, o que acontecerá com aqueles que receberam a justiça imputada do nosso Senhor Jesus Cristo?”
 Deus é justo e, em contraste com todo juiz terreno, ele não é influenciado por qualquer preconceito. Nosso Deus não é afetado por argumentos incendiários e tendenciosos. Nosso Deus não é inflamado por paixões pessoais nem movido por amizades pessoais. Ele não é detido por propinas. Não se confunde por causa de testemunhas mentirosas nem se comove com beleza física. Nosso Deus não é afetado por qualquer coisa que não seja a própria justiça. Se Deus trouxer juízo sobre nossa sociedade, será um ato de justiça divina. Entretanto, ainda temos base para interceder diante dele.
 Existe um tom na intercessão de Abraão que, creio, é digno da nossa observação. Há uma ousadia na sua linha de argumentação, ao passar de cinqüenta a quarenta e cinco, depois a quarenta, trinta, vinte e, finalmente, dez justos que dariam uma razão para Deus não destruir a cidade. Sua ousadia deriva-se, claramente, do conhecimento de Deus que ele já possuía. Ao mesmo tempo, essa ousadia era misturada com cautela.
 Você não percebe a ausência de arrogância? Ele está dizendo assim: “Já falei demais, Senhor. Se me recusares e me proibires de falar mais, vou compreender e aceitar. Mas já que estou com o teu ouvido, enquanto ainda estiveres me ouvindo, quero expor meu argumento”. Há momentos em que não temos o ouvido de Deus. Há outras ocasiões, na misericórdia de Deus, em que ele inclina o seu ouvido para nós. Quando isso acontece, não hesite em expor diante dele todos os fatos e todas as bases em que está edificando uma esperança.
 Houve sucesso na intercessão de Abraão. Claramente, foi uma súplica intensa. Foi específica, foi sensível e foi persistente. Partiu de um coração humilde e atingiu o coração de Deus. O que Deus teria feito se Abraão tivesse abaixado o número mais uma vez? Não sabemos. Mas temos base para suplicar ao nosso Deus para dar mais algum tempo para a igreja, para nossa família, para nosso país e para o mundo.
 Sentimos que nosso tempo está se esgotando, que a medida da iniqüidade, da arrogância, da independência do homem está enchendo o cálice da ira de Deus. A igreja está indiferente, em grande parte, e não sabe o que Deus está para fazer, muito menos está se colocando na brecha diante dele para suplicar por mais algum tempo, a fim de tirar os que gemem e suspiram, em virtude da injustiça, do meio do juízo.
 Minha oração tem sido por uma solução do tamanho de Deus, o tipo de solução que Deus e somente Deus pode produzir. Você não gostaria de se ajuntar a mim nesse propósito?
 Richard Owen Roberts é autor e conferencista sobre avivamento e dirige “International Awakening Ministries” em Wheaton, Illinois, EUA. (www.intl-awaken.com).



por Richard Owen Roberts
Postado por Roberto
Abraço


VOCES SÃO UMA GERAÇÃO PERIGOSA

Vocês São Uma Geração Perigosa -


      Você já assistiu a um filme em cujo roteiro, o tempo inteiro, estão tentando matar alguém – só que essa pessoa não percebe que está sendo perseguida? Coisas estranhas acontecem, uma após a outra: a vítima escapa por pouco, pensa que foi apenas um acidente; uma explosão quase a atinge, e assim vai. O espectador sabe o que está acontecendo. Espera ansiosamente que a pessoa logo perceba que estão tentando eliminá-la. Que é um alvo para o inimigo.

 Entretanto é necessário que transcorra mais da metade do filme para que o “alvo” se perceba em perigo. Finalmente, quando a “ficha cai”, ele começa a ficar esperto. A fugir do perigo. A defender-se. A driblar os tiros. A planejar contra-ataques. A ganhar.

 Porém, mesmo depois de descobrir que é um alvo, geralmente é só no finalzinho do filme que consegue compreender POR QUE está sendo perseguido, POR QUE é um alvo. Finalmente, percebe que é algo em seu poder, ou algo que sabe... ou, talvez, simplesmente por ser quem é... que faz com que seja tão importante sua eliminação pelo inimigo.

 É exatamente isso que acontece com a sua geração.

 Às vezes, é necessário reconhecer a intensidade do ataque do inimigo para poder perceber o tamanho da ameaça que você representa –  quão perigosos você e sua geração realmente são.

 Sua geração é uma enorme ameaça ao inimigo. Por quê? Por causa do tamanho do chamado de Deus sobre suas vidas. Por causa da tremenda e intensa unção que Deus há de colocar sobre vocês, assim que reconhecerem QUEM são, de fato, nele. Sua geração não se parece com nenhuma outra que tenha vivido até agora. Sobre ela está a unção dos últimos dias – que cura os doentes, levanta os mortos, e introduz multidões no Reino através do seu testemunho e ministério. Há um poderoso chamado sobre toda sua geração.

 É por isso que o inimigo deseja eliminar sua vida. É por isso que tem preparado tantas armadilhas para você.

 Pense sobre isso.

 Em primeiro lugar, há as drogas. Muitos tipos de drogas. Até algumas gerações atrás, havia somente erva (maconha) e ácido (LSD), além de algumas substâncias mais fortes. Hoje existem muito mais variedades de drogas. Além da maior diversidade, são mais fortes do que as anteriores – e mais fáceis de serem obtidas. Quem conseguiria cumprir o destino de sua vida com uma mente confusa e embotada?

 Depois, tem o problema do sexo. Bem, sempre existiu o sexo. Mas agora com a AIDS e as várias DST (doenças sexualmente transmissíveis), você pode morrer como conseqüência de praticar o sexo – mesmo que seja uma só vez. É impossível cumprir o seu destino se estiver doente – ou morto.

 Existe muito abuso sexual também. Uma grande porcentagem de vocês já foi abusada sexualmente, estuprada, molestada. O que antes acontecia de vez em quando agora acontece o tempo todo – e a maior parte disso se passa aí mesmo no seu lar.  Pai, irmãos, irmãs, parentes… ou outra pessoa em quem você achava que podia confiar estão entre aqueles que provocam tais abusos. Existe muito mais abuso físico e emocional também – coisas que o degradam e o fazem sentir como se fosse nada, reduzido a zero. Um ninguém. Como quem já morreu. Como se estivesse desistindo antes mesmo de começar.

 Todas essas coisas ferem o seu coração e podem arruinar sua vida caso você decida ficar por conta própria e nunca se entregar para Jesus. É difícil pensar sobre cumprir o seu destino quando está lidando com tanta dor no coração, tanto desespero.

 E, para dar o toque final, o inimigo tem garantido que esta geração receba sua dose diária de violência, maldade e indiferença. Os menores, mais fracos e menos atraentes ou inteligentes tornam-se as maiores vítimas. O inimigo tenta implantar a idéia de que não há problema em zombar ou não se importar quando outra pessoa está machucada – ou mesmo quando você próprio for ferido. É só agir como se não se importasse. E logo você acaba acreditando que realmente não se importa.

 Tudo faz parte de um grande, horrível ciclo.

 Há muito mais motivo hoje para se irar, ficar amargurado, confuso, para sentir-se traído – e há tantas mensagens lá fora tentando convencê-lo a endurecer seu coração, a fazer parte de gangues mais duronas, a adquirir armas maiores, a tomar drogas mais fortes, a ter mais sexo – qualquer coisa para tornar seu coração e sua mente ainda mais insensíveis do que já estão, o anestésico que oculta a profundidade da dor. Afinal, a realidade é tão insuportável. O inimigo está dizendo a alguns de vocês para aliviarem um pouco da sua dor emocional machucando outros, ou até mesmo causando genuína dor física em si mesmos. Alguns de vocês sabem exatamente do que estou falando.

 E, depois, há o maior de todos. O maior ataque que já houve sobre uma geração.

 Você sabia que o inimigo considera sua geração tão perigosa que provavelmente tentou até matar você antes de nascer? Se você está vivo, lendo este artigo agora – e tiver menos que vinte e cinco anos – você é um sobrevivente da maior guerra na história da humanidade. É a guerra do aborto. Só nos Estados Unidos, mais de vinte milhões da sua geração foram mortos antes de verem a luz do dia. Pense nos irmãos, irmãs, primos e bons amigos que você poderia ter se não fosse esse método de eliminar vidas indesejadas. Os números são aterradores, e a guerra do aborto continua sem trégua até hoje. Alguns de vocês até já evitaram a paternidade ou a maternidade dessa forma – o que provavelmente os encheu da sensação de culpa. Quem pode cumprir o seu destino quando está cheio de culpa?

 Você acha que tudo isso estaria acontecendo se sua geração não fosse uma ameaça tão grande ao inimigo? Tem de haver alguma coisa sobre vocês que faz Satanás odiá-los tanto, que o faz ter tanto medo de que sobrevivam, de que tenham uma mente sadia e de que cumpram seu destino em Deus. E é simplesmente isto:

 Vocês são uma geração escolhida. Escolhida por Deus para fazer grandes proezas no nome dele.

 Satanás sabe que se não conseguir aprisioná-lo em suas garras, certamente você se virará contra ele com intensa vingança. Ele sabe que há dentro de você um cuidado que Deus lhe deu em favor dos fracos e perdidos. Que você tem um forte senso de justiça e integridade. Que quando você for plenamente conquistado pelo coração de Deus, sua vida fará estragos arrasadores ao reino inimigo. É por isso que o inimigo tem tentado eliminar você o quanto antes. E se não puder eliminá-lo, ele vai querer arruiná-lo de alguma forma – ou levá-lo a fazer coisas tão horríveis que achará que Deus nunca o perdoaria. Ou que jamais o usaria. Que jamais o aceitaria. Tudo isso faz parte de uma MENTIRA descarada.

 Nunca é tarde demais para voltar-se para Jesus. Nunca é tarde demais para pedir perdão. Nunca é tarde demais para retribuir ao inimigo tudo que fez contra você – e tudo que o levou a fazer contra outros. Enquanto tiver fôlego de vida, você pode usá-lo para invocar o nome do Senhor. Ele certamente virá e o salvará.

 De fato, as mentiras do inimigo já foram expostas. Você não precisa ser destruído. Pelo contrário, se quiser, você pode fazer coisas incríveis para Deus. As coisas difíceis pelas quais tem passado, até as coisas erradas ou malvadas que praticou, todas elas contribuirão para lhe dar um coração maior em favor daqueles que ainda estão emaranhados na teia de Satanás. Você vai poder compreender por que fizeram algumas das coisas que praticaram. Também vai poder lhes dar esperança. Você terá grande fé que suas vidas podem ser viradas radicalmente em direção a Deus, pois foi isso que aconteceu com você.

 O que Satanás planejou para o mal, Deus usará para o bem, se você o deixar.

 Já é tempo de sua geração dar a Satanás a paga devida. É por isso que é imperativo que você ande com Deus. Que seja servo DELE e não servo do inimigo. Quando anda com Deus, você não só receberá o que ele tem para sua vida, mas também uma porção de tudo que tem reservado para sua geração – para este tempo e momento da história.

 O mundo será abalado quando vir a sua geração se movendo no poder do Espírito Santo. Quando virem sua compaixão e amor – e o favor que Deus lhes deu.

 A unção e o chamado de Deus sobre sua geração são coisas que Satanás não quer que você descubra. Jesus está mais interessado que você ande dentro do seu destino do que você mesmo. Ele está comprometido com você. Ele fará com que seu destino se cumpra. Ele o curará. Apenas segure na mão dele e peça a sua graça, misericórdia e perdão.

 Talvez você se sinta indigno. Mas todos nós o somos, não é? É só pela graça de Deus que qualquer um pode fazer algo digno. Se você não está andando com Deus, é tempo de correr para os braços dele. Não procure nenhum atalho. Só CORRA a ele e deixe que ele o lave e purifique.

 É tempo de deixar o passado para trás. Reconheça que é um alvo do inimigo. Fique esperto. Drible os tiros. Ache uma estratégia. E dê a largada.

 Pare de fazer o jogo do inimigo. Vire o jogo contra ele. Você é perigoso. Você é uma ameaça ao seu plano maligno. E, com Jesus, você vai vencer. Você pode perder uma batalha ou duas, pelo caminho. Mas, no fim, você vai ganhar de goleada.

 Vocês são uma geração perigosa. Deus vai ajudá-los a superar o inimigo. Vocês só precisam decidir que querem.


por Melody Green
 
Postado por Roberto
Abraço



O VÉU QUE COBRE TODA A HUMANIDADE

O Véu que Cobre Toda a Humanidade -


 “E o Senhor dos exércitos dará neste monte a todos os povos um banquete... E destruirá neste monte a coberta que cobre todos os povos, e o véu que está posto sobre todas as nações. Aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo; porque o Senhor o disse” (Is 25.6-8).


 É impressionante notar como enfatizamos algumas diferenças entre o reino de Deus por vir e a nossa vida neste mundo atual, enquanto ignoramos outras de igual importância. Quem não sabe que na vida eterna não existirá mais desânimo, dúvida, depressão, desentendimento, dor ou doença? Mas você sabia que todos nós vivemos agora debaixo de um véu que não permite que enxerguemos corretamente as verdadeiras realidades do universo? Que a nossa visão intelectual e até mesmo espiritual é muito parcial e limitada? Que temos muito mais afinidade com conceitos enganosos e mentirosos do que com a verdade absoluta?
 Na passagem de Isaías citada acima, o profeta diz que virá um dia quando esse véu não será apenas removido, mas destruído. Nesse dia, “todo olho o verá” (Ap 1.7), todo joelho dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é Senhor (Fp 2.10,11). Além disso, Isaías nos dá uma dica sobre o que é esse véu, essa coberta que cobre todos os povos, quando dá a entender que a destruição do véu é a mesma coisa que o aniquilamento da morte. Comparando isso com Hebreus 10.19,20 que diz: “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne...”, podemos concluir que o véu é a nossa existência carnal. Enquanto estivermos nesse corpo, estaremos debaixo desse véu, impedidos por ele de ver as coisas claramente. Quando Deus destruir a morte, o véu também será destruído, e todos, crentes e incrédulos, salvos e não-salvos, sábios e tolos, verão tudo nitidamente como nunca tinham visto antes.
 Os olhos estão intimamente ligados ao cérebro pelo nervo óptico e não conseguem funcionar sem uma cooperação total e harmoniosa com ele (a ponto de ser possível a pessoa ter olhos perfeitamente sãos e não enxergar nada se houver algum dano nesse nervo ou na parte do cérebro encarregada de gerenciar essa função). Da mesma forma, nossa visão interior, nossa cosmovisão, depende de duas áreas distintas do nosso ser, ambas afetadas pelo véu, estarem em perfeita sintonia. Além de embotar nossos sentidos de percepção das coisas, o véu também deforma nossa capacidade de interpretação das informações recebidas. Muitas vezes, vemos apenas o que queremos ver e sentimos apenas o que queremos sentir. Também acreditamos no que queremos acreditar e atribuímos lógica e razão àquilo que desejamos.  
 “Portanto digo isto, e testifico no Senhor, para que não mais andeis como andam os gentios, na vaidade da sua mente, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração...” (Ef 4.17,18). “Porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos... Trocaram a verdade de Deus pela mentira...” (Rm 1.21,22,25). “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm 8.7,8). Através dessas passagens, entendemos que a mente carnal é obscurecida por natureza e inerentemente impossibilitada de enxergar a verdade.
 O Grande Manipulador da Humanidade
 Existe, porém, outro aspecto que devemos ressaltar. Além do fato de toda a humanidade estar debaixo de um véu que a impede de enxergar as coisas corretamente, existe uma mente maligna por trás de tudo, que usa essa limitação humana para atingir seus próprios fins. “Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho...” (2 Co 4.3,4). “Nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência, entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos...” (Ef 2.2,3).
 Concluímos, então, que o globo terrestre é coberto por um véu, que nenhum ser humano é livre da influência desse véu e que Satanás, o príncipe das trevas, usa essa situação para manipular toda a humanidade. Nenhuma área da atividade humana está isenta da sua interferência – cultura, educação, artes, filosofia, ciência, política, jornalismo, comércio, indústria, nem mesmo a teologia ou a religião.
 Muitas pessoas gostariam de pensar que os cristãos estão livres disso – afinal, não receberam a revelação do evangelho e não foram transportados do reino das trevas para o reino de Jesus? É verdade que quando alguém se converte ao Senhor é porque a luz brilhou em sua mente obscurecida e, ao invés de se afastar da luz e ir para as trevas por amar mais as trevas do que a luz (Jo 3.19-21), essa pessoa creu na luz e se tornou filho da luz (Jo 12.36). Mas é possível começar a se aproximar da luz e parar. E também é possível, no meio do processo de se achegar à luz, ter áreas ainda dominadas pelas trevas e pelo engano.
 “Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.31,32). Jesus não dirigiu estas palavras a incrédulos, mas aos que nele creram! Crente também precisa conhecer a verdade e ser liberto! À medida que permanecemos na luz, permitindo que ela penetre até as profundezas de nossas mentes e corações, iluminando os corredores escuros e escabrosos do nosso interior, a verdade vai desativando as correntes da mentira, Satanás perde seu poder sobre nós e vamos ficando cada vez mais livres, verdadeiramente livres!
 A famosa repreensão de Jesus a Pedro, quando este tentou dissuadi-lo da necessidade de ir para a cruz, serve de ilustração de como Satanás pode usar discípulos sinceros de Jesus como instrumentos dos seus propósitos: “Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não estás pensando nas coisas que são de Deus, mas sim nas que são dos homens” (Mt 16.23). Pedro havia deixado tudo para seguir Jesus; diga-se de passagem, uma dedicação muito mais radical do que a da maioria dos cristãos hoje. No entanto, ao pensar segundo os raciocínios naturais, até na interpretação das Escrituras Sagradas que falavam da glória do reinado do Messias (convenientemente esquecendo de todas que falavam do seu sofrimento e morte), Pedro serviu de porta-voz para Satanás! Percebe como não é preciso ser espírita, nem ser possesso, nem ouvir vozes para executar as vontades de Satanás? Não só é possível ser usado pelo inimigo como um político, professor ou empresário cristão, mas também como um pastor ou presbítero! Toda vez que agimos, tomando como base apenas o conhecimento adquirido naturalmente, corremos o risco de resistirmos aos propósitos de Deus e sermos porta-vozes do seu maior inimigo!
 Humildade e Quebrantamento como Defesa Contra o Engano
 Por que estamos falando tudo isso? Para servir de alerta sobre o perigo que corremos não só de sermos enganados, mas também de enganarmos a outros. Enquanto estivermos neste corpo, não existe uma vacina cem por cento eficaz contra a mentira. Poucos momentos depois de receber uma tremenda revelação de quem Jesus era (“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!”), Pedro estava servindo como instrumento nas mãos do inimigo, ao tentar minar a determinação de Jesus de ir para a cruz. Quanto mais estivermos cientes do perigo, menos perigo correremos! Uma vez que a luz foi acesa em nossas almas e estamos prosseguindo em direção a ela, temos uma grande esperança e muita segurança.
 Nem por isso, entretanto, podemos nos dar ao luxo de pensar que a mentira não tem nenhum poder sobre nós. Precisamos, momento por momento, dia após dia, andar em humildade e quebrantamento profundos, dependendo do Senhor e de cada palavra que procede de sua boca. Se estivermos no Espírito, não corremos perigo, mas é só bobear um minuto que a carne volta a opinar e a dominar nossos pensamentos e ações.
 Nunca foi o propósito de Deus que esse véu existisse, obscurecendo a visão de toda a humanidade e abrindo o caminho para o diabo manipular indivíduos e nações. O véu surgiu quando o pecado entrou e, junto com ele, a morte. Mas Deus nunca perde e, apesar de todos os efeitos nefastos que o véu trouxe sobre nós, ele consegue tirar proveito e glória ao seu nome até dessa situação. Por causa do véu, temos de andar por fé e não por vista (2 Co 5.7), e isso traz glória a Deus. Se não houvesse o véu, e se enxergássemos tudo com facilidade, não haveria a escolha de seguir a palavra de Deus contra evidências externas, e Deus não seria glorificado em nossas vidas.
 Diferentemente de nós, Deus não tem interesse em tornar as coisas bem elucidadas para que, de posse de todo o conhecimento, possamos tomar as nossas decisões como semideuses ou reis assentados em tronos, fazendo altas deliberações. Pelo contrário, seu sonho é com um povo que desistiu da ilusão de ser dono do conhecimento, que reconhece que não sabe nada e que resolve humildemente confiar na palavra de Deus, mesmo que tudo possa indicar o contrário. Para conseguir isso, Deus se esconde e deixa apenas pistas suficientes para que aqueles que sinceramente o queiram conhecer consigam avançar de pista em pista, até finalmente atingir sua presença inefável. Quanto mais você persegue a verdade a qualquer custo, mais ela se torna parte do seu ser e menos a mentira o consegue dominar.
 Por outro lado, se você não ama a verdade e se tem medo das conseqüências de segui-la, menos ela o incomodará e mais a mentira lhe trará satisfação. Este sempre é o processo do engano: começa com pequenas mentiras, com pequenas contemporizações, pequenas distorções, e vai crescendo cada vez mais. Se você não ama a verdade, Deus faz questão de esconder as pistas, e você ficará cada vez mais convicto de que realmente não está enganado. Suas razões e sua lógica lhe parecerão cada vez mais plausíveis e você encontrará uma platéia cada vez maior para aplaudi-lo e para confirmar que está na direção certa.
 “Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível... Por isso Deus os entregou... à imundícia... pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador... Pelo que Deus os entregou a paixões infames... E assim como eles rejeitaram o conhecimento de Deus, Deus, por sua vez, os entregou a um sentimento depravado...” (Rm 1.22-28). “E então será revelado esse iníquo... cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira...”(2 Ts 2.8-11).
 Os primeiros passos em direção ao engano, é você quem dá. Basta ter outro alvo na vida – aprovação dos homens, riquezas, fama, prosperidade, sucesso, conforto, comodismo, tranqüilidade. Aí, para conseguir isso, você vende a verdade, um pouco aqui, um pouco ali. A mentira vai se instalando em sua alma. Fortalezas e baluartes compostos de raciocínios aparentemente incontestáveis vão sendo edificados como esconderijos para o inimigo.
 E, então, surgirá um poderoso Aliado nesse processo: o próprio Deus! Já que você virou as costas para ele e rejeitou sua palavra e seus argumentos, ele mesmo o empurrará mais rápido ainda na direção do erro. Se você não quer saber a verdade e insiste nisso, o próprio Deus fará questão de que você nunca a conheça!
 Portanto, a grande mentira que engana toda a humanidade tem seu início no coração depravado do homem que acolheu a semente do pai da mentira, Satanás (Jo 8.44). Mas, depois, tem a contribuição de Deus. Faraó endureceu o coração, logo Deus vem e ajuda a ficar mais duro! Você não ama a verdade e, sim, a injustiça – então Deus lhe manda a operação do erro para que fique realmente enganado.
 O diabo acha que o véu favorece a ele, mas no fundo Deus vira o feitiço contra o feiticeiro e ganha mais glória ainda! É estranho, mas até a mentira contribui para a glória de Deus, permitindo que a verdade brilhe mais ainda. Virá o dia quando o véu será destruído e todos verão as coisas como realmente são. Só que nessa hora será tarde demais para se arrepender, para escolher a verdade, para crer. Será o fim da partida e não adiantará mais tentar reverter o placar. Você não quer aproveitar os últimos minutos do jogo para glorificar a Deus, crer no invisível, no improvável, no ilógico, esperar contra a esperança, reconhecer a insuficiência de seu próprio conhecimento, a falibilidade total da autoconfiança humana – e lançar-se sem reservas sobre a palavra de Deus que permanece para sempre?
 Harold Walker faz parte do Conselho Editorial da Revista Impacto e reside em Monte Mor - SP.
 walkerharold@yahoo.com

 


por Harold Walker
Postado por Roberto
Abraço


SEDE DESESPERADA

Sede Desesperada - Devocional


 “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus,  suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?”
  (Sl 42. 1, 2).

 Amém”, declara o pastor, encerrando-se assim o culto de adoração, enquanto o dirigente de louvor completava o hino final. Fora um belo culto, recheado de uma variedade de atividades interessantes: a apresentação especial de um teatro bíblico; o relatório de uma família de missionários em serviço no exterior; um hino cantado pelas crianças; e o anúncio de uma campanha de arrecadação para a construção da nova sede para os jovens.
 As pessoas já estão conversando enquanto caminham para a saída. Entre elas, você nota uma irmã que parece não estar com pressa alguma para ir embora. Não é aquela jovem mãe que acabou de passar por uma separação? Você passa agora a observar mais atentamente as demais pessoas: um jovem de olhar vazio, um homem bem-vestido que está enfrentando corajosamente seu diagnóstico de câncer inoperável, uma senhora mais idosa com um olhar ao mesmo tempo bondoso e triste.
 É impossível não ficar meditando a respeito das questões mais profundas e invisíveis escondidas naquelas vidas: as escravidões de hábitos, de sentimentos emocionais, o temor do futuro, a dependência de vícios, a solidão, os profundos conflitos familiares. Mas evidentemente tudo isso fica camuflado quando as pessoas entram no culto com seus fardos e, depois, saem em silêncio, levando os mesmos fardos embora. Algo começa a apertar seu coração.
 “O que está errado?” pensa você com seus botões. “O culto foi uma bênção, não houve nada de anormal, a adoração foi maravilhosa, o sermão trouxe encorajamento.” E ainda houve aquele momento de oração, que lhe trouxe uma sensação de profunda paz. Paz que você espera que dure um pouco mais nesta próxima semana, que pelo menos agüente a reunião de segunda de manhã. A realidade vai-se infiltrando em sua mente, e os pensamentos já estão correndo lá na frente para os desafios da próxima semana...
 Você olha novamente para as pessoas que estão saindo do santuário, mas cresce a sensação de que algo está errado, embora não consiga definir o quê. Existe um anseio no seu coração por algo mais. Parece que está faltando alguma coisa ou, quem sabe, alguém...
 O Clamor Abafado por “Uma Só Coisa”
 Existe hoje, por toda parte, um clamor no coração dos crentes por um encontro real e palpável com Deus. Eles querem, como Moisés, ver Deus face a face. Não se satisfazem apenas em ler sobre ele, conversar a seu respeito ou prestar-lhe homenagem nos cultos. Essa forte corrente subterrânea, que se alastra cada vez mais, manifesta-se através de uma santa insatisfação com o estado atual da igreja institucional. Muitas pessoas, que freqüentaram fielmente os cultos durante anos, estão agora vagando por aí, sem qualquer conexão válida com o Corpo de Cristo.
 O pesquisador George Barna calcula que, só nos Estados Unidos, mais de 10 milhões de pessoas que se definem como nascidas de novo encontram-se atualmente sem igreja. As pessoas ficaram desiludidas e cansadas e muitas não querem voltar para a igreja local na sua condição atual.
 Do quê estas pessoas têm tanto anseio? Pessoalmente, creio que é a presença de Deus no meio do seu povo, a manifestação da sua proximidade, uma consciência do seu amor que seja, ao mesmo tempo, real e significativa. Precisamos desesperadamente da presença perceptível de Jesus, tanto na igreja como nas nossas comunidades!
 Como podemos avaliar a realidade da sua presença no meio de nós? Devemos meramente presumir que ele está presente? Eis uma pergunta justa. Como podemos saber? Podemos de fato saber? É lícito até mesmo fazer essa pergunta? Não estou falando da onipresença de Deus, mas de sua presença manifesta. Cremos que Jesus está presente só porque desejamos que ele esteja aqui? Ou existe algum sinal palpável de sua presença ou de sua ausência?
 Deus está buscando pessoas com um coração como o de Davi, que declarou: “Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor, e meditar no seu templo” (Sl 27.4).
 Fome Desesperada
 As pessoas que buscam desesperadamente a presença de Deus não ligam para conforto nem conveniências pessoais. Elas foram tomadas por algo em seus espíritos e não conseguem se livrar disso. Jesus não é um conceito religioso – ele é realidade. Se Deus quisesse que Jesus fosse apenas um conceito religioso, não teria achado necessário enviá-lo à Terra em forma humana. O mero fato de Jesus ter vindo viver entre as pessoas é um exemplo claro de seu desejo de estar conosco em uma forma que pudéssemos compreender e também buscar.
 A primeira fome espiritual surge quando recebemos o dom da salvação, mas depois que passa a lua-de-mel espiritual é necessário conscientemente cultivar nossa paixão. Ao reconhecer que podemos ter esfriado em nosso amor por Deus, nossa primeira oração deve ser para pedir-lhe que aumente nosso apetite espiritual. Jesus adverte-nos que nos últimos dias o amor de muitos esfriará. Devemos comprometer-nos a buscar por sua presença e aceitar seu convite para um relacionamento real e íntimo.
 Jesus faz um convite no capítulo 3 do Apocalipse. Dirigindo-se à igreja em Laodicéia, ele confronta sua mornidão, dizendo: “... pois dizes: estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” (Ap 3.17).
 Seu conselho para a igreja acomodada é “que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os teus olhos, a fim de que vejas” (Ap 3.18).
 Como comprar de Jesus esse ouro? Que tipo de moeda permite-nos adquirir ouro puro em troca de nossa condição “miserável”? A resposta é fome. Fome desesperada é a moeda do céu. É a fome que nos esvazia da nossa acomodação e cria uma insatisfação santa, que nos impele a dobrar os joelhos e nos torna dependentes de Deus.
 Não podemos sentir fome de Deus se estamos nos satisfazendo com outras coisas. Como estamos constantemente beliscando “porcariada” do mundo, acabamos perdendo nosso apetite de Deus! Dessa forma, mascaramos a fome  e nem chegamos a sentir a dor da desnutrição; estamos definhando por falta de sua presença sem ao menos nos darmos conta disso. Se quisermos abrir espaço para ele em nossas vidas, precisamos esvaziar nossos corações e abrir mão de nossas agendas pessoais. Antes de podermos ser cheios, temos de nos esvaziar!
 A melhor maneira de “esvaziar-se” é cultivar uma vida de fome espiritual e remover qualquer vestígio de auto-satisfação. Quanto maior for o vácuo dentro de nós, mais desesperada será nossa fome de Deus. Temos nos conformado com tão pouco em comparação com aquilo que ele nos quer dar de si mesmo!
 Nosso relacionamento com ele não pode ser apenas uma coisa a mais nas nossas vidas, como se fosse um apêndice. Ele não é um amuleto que carregamos no bolso para nos proteger de coisas ruins ou para nos trazer boa sorte. Ele é Deus! Ele não cabe em nossas caixinhas, nem em nossas agendas egocêntricas. Deus quer nos encher abundantemente de sua própria pessoa – conformando-nos à imagem do seu Filho – para então derramar-nos a fim de matar a fome das pessoas à nossa volta. Na grande maioria das igrejas atuais somos confrontados com a realidade de Isaías 64.7: “Já ninguém há que invoque o teu nome, que se desperte, e te detenha”.
 A falta de um desesperado anseio por Deus é que nos levou à nossa condição atual. A má qualidade de nossa vida religiosa decorre de nossa falta de desejo santo. Jesus espera ser seriamente desejado e convidado, e para isto precisamos trocar nossa complacência por abandono. Ele promete que os que têm fome e sede de justiça serão satisfeitos. Peçamos ao Senhor que “salgue nossos corações” e provoque em nós uma nova fome e uma nova sede. Ele dará de si mesmo de acordo com o tamanho do nosso desejo e do nosso pedido! 

Rhonda Hughey trabalhou no ministério local e internacional do movimento de oração durante mais de uma década, despertando fé e visão para oração, reavivamento e transformação. É fundadora e presidente de Prayer by Design, Inc. Faz parte da equipe de liderança na Casa Internacional de Oração, em Kansas City,E.U.A (junto com Mike Bickle e outros). É autora do livro Desperate for His Presence (Desesperado por Sua Presença), que pode ser encontrado na Forerunner Bookstore, em www.IHOP.org.


por Rhonda Hughey
Postado por Roberto
Abraço